Como meu pé de orelha-de-padre, aquele que foi preciso arrancar, produzia o ano todo, colhi vagens em diferentes estágios. Por isto, comi as vagens planas como ervilhas-tortas, os feijões imaturos mas granado como feijão verde refogado, e os feijões secos ainda vou comer, talvez à moda de Cabo verde onde se cozinham os feijões-de-pedra, como são chamados por lá e nos outros países de língua portuguesa, com carnes, banana verde, mandioca, batata-doce etc para fazer o prato Cachupa Rica. Ou simplesmente vou cozinhá-lo com pedaços de joelho de porco, como sonhei nesta noite. Já falei mais sobre este feijão, nomes, origem e formas, aqui no Come-se.
As vagens bem verdes, planas, tenras e crocantes que guardam projetos ainda de sementes ou não totalmente formadas, são boas para comer cozidas. Tem que tirar a tirinha fibrosa que une as duas bandas da vagem, como se faz com qualquer vagem de fio. É só puxar com ajuda de uma faca. Costumo cozinhar num pouco de água com sal ou no vapor e saltear num refogado de toucinho, alho, pimentas e temperos. Ou ainda faço refogado de alho e cozinho-as diretamente aí, juntando um pouco de água, o suficiente para torná-las macias. E, no final, cheiro-verde. São melhores que ervilhas-tortas porque, além de docinhas, trazem um certo amargor agradável. Estas, fiz mais ou menos assim:



Vagens de orelha-de-padre com toucinho, alho e pimenta Tire os fiapos das vagens de orelha-de-padre e lave bem. Coloque-as numa panela com água e uma pitada de sal e leve ao fogo. Quando ferver, deixe cerca de 1 minuto ou até que fiquem macias (sem se quebrar, sem soltar as sementes, sem virar verde-oliva). Escorra e reserve. À parte, doure com um pouco de azeite cubinhos de toucinho fresco ou bacon. Antes de esturricar, junte alho picado em cubinhos. Quando dourar, junte quadradinhos de pimenta vermelha (dedo-de-moça ou outra sem sementes e placentas) ou flocos de pimenta seca e desligue o fogo. Junte as vagens e salsinha ou cebolinha picada e chacoalhe a frigideira para uniformizar o tempero. E nhac. Veja outras receitas aqui no Come-se: fritada, cozido com codeguim etc.



As vagens mais bojudas, grávidas de sementes crescidas mas não secas, já são duras, ruins pra comer. Em compensação, os feijões verdes e brilhantes que saem delas são ótimos na panela - cremosos, macios, com sabor acastanhado. Basta cortar com tesoura as vagens e tirar os feijões que, depois de cozidos, podem tratados como legumes para saladas, sopa, purês, ensopados e tantos outros pratos. Na Bahia são conhecidos como feijão mangalô e já o mostrei aqui, num restaurante a quilo em Cruz das Almas.
Feijão verde de orelha-de-padre ou feijão mangalô com bacon
Separe uma xícara (150 g) de feijões verdes de orelha-de-padre que estejam em estágios parecidos de maturação. Lave, coloque numa panela com 2 xícaras de água e 1 colher (chá) de sal. Leve ao fogo e deixe cozinhar até que os grãos fiquem macios e a água seque (cerca de 20 minutos). Se precisar, junte mais água quente. À parte, coloque numa panela 20 g de bacon picado finamente. Quando derreter, junte 1 dente de alho socado e deixe dourar. Junte 1 tomate picado e 1 pimenta dedo-de-moça com sementes picada. Acrescente o feijão cozido, um pouco de água e deixe ferver por 10 minutos em fogo baixo. Se for necessário, junte mais água quente para formar um molho. Prove o sal e corrija, se necessário. Desligue o fogo e junte umas 3 colheres (sopa) de cebolinha picada. Rende de 3 a 4 porções






30 comentários:
Neide,
Venho acompanhando seu blog há algumas semanas e queria te dizer que adoro seus posts. Você valoriza a comida brasileira como ninguém, ler você dá vontade de comer comida de verdade, da terra.
Parabéns pelo trabalho de valorização de uma das coisas mais preciosas desse Brasil: sua agrobiodiversidade.
Marina
Muito bom. Me lembrou da época do ano que dá feijão. Deixo secando em bambu, depois tem que quebrar a vagem com corrente...
Feijão fresco... do pé. Que delícia.
Esses brancos comi em Lisboa, comprados no Martim Moniz se não me engano. São super bons :)
Este blog é uma autêntica bíblia gastronómica :)
Marina, obrigada! Fico feliz de saber.
Gabriel, isto não tem preço, não?
Ameixa, foi exatamente lá que comprei. Uma delícia, não é? Obrigada.
Um abraço, N
Olá, Neide! Admiro muito a brasileiridade da sua comida... imagine só, comer toucinho sem culpa! Isso você vem ensinando, com uma culinária saudável, gostosa e sem as invencionices de quem precisa chamar atenção para si. Você engrandece a culinária brasileira, que se dignifica no seu espaço. Parabéns e obrigada!
Lívia
Neide, na maioria das vezes seus posts me remete aos sabores de boa parte de minha vida vivida no Brasil. E eh esse Brasil eu queria tanto poder mostrar ao meu marido, mas eh quase impossivel. Outro dia mostrei a ele seu post sobre o aproveitamento da galinha de A-Z. Ele se encantou pois apesar de origem diferente tambem vivenciou coisas parecidas. Seria otimo se ele lesse portugues, pois ai seu blog poderia mostrar a ele tantas coisas que nem sei se terei oportunidade para.
Muito valioso tudo que voce escreve e mostra aqui. Thanks!
Lívia, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose, não é mesmo? Então um pouquinho de toucinho não faz mal a ninguém. Obrigada!
Odete, fico feliz de saber!
Um abraço, N
ADOREI SEU BLOG, ACHEI ELE HOJE NO JORNAL ESTADÃO, RESOLVI ENTRAR E ADOREI, VOU VIRAR FREGUESA.
BJS.,
Pessoal, por favor, como consigo sementes da fava orelha de padre - aquela branca achatada?
obrigado
Rinaldo
Moro em Ribeirão Pires ABC,e tenho no meu quintal o orelha de padre que você fez uma demonstração maravilhosa, conheço esse feijão de s de minha infancia em Santo André, meu pai plantava no quintal e eu continuo a tradição . Sergio Arraez
Ola Neide estou pesquisando sobre este feijão, visto que plantei-o em meu quintal,achando que era ervilha torta tradicional, aquela que comemos com a fava ainda verde e que é de casca macia . Esperava que esta ervilha fosse assim , mas para minha surpresa esta se mostrou com a casca dura e fibrosa com sementes ovaladas e achatadas .Percebi que eram comestíveis e comecei a colhe-las ainda mais jovens . O sabor era levemente amargo mas bem toleravel e ate gostosas, mas como queria saber mais sobre elas comecei a pesquisar ate descobrir que se chamavam feijões mangalo e no seu blog consegui as informações que buscava quero agradece-la pelas informações . Me chamo Scheila e meu email é s.cris.correa@hotmail.com
Olá Neide, adorei seu blog, cheguei da chácara da minha irmã onde colhi um monte de orelha de padre, que a gente comia da forma mais simples, refogadinha, resolvi procurar outras receitas com ela e encontrei esse monte de informação e receitas interessantes que despertou muito mais a vontade de experimentar fazer de outras formas.
Obg pelas dicas,
Gelson.
Adorei seu blog.Nos incentiva e desperta a curiosidade.Parabéns!Tenho orelha de padre em casa. Vou experimentar as suas receitas!Beijo. Janie
gostaria de conseguir a semente de feijão mangalô .como faço ?
meu emal é cleide.santoscorrea@yahoo.com.br
Onde e como eu conseguo essas sementes eu moro no rio de janeiro???
Passando por uma rua perto de casa, encontrei um pé desse feijão em um terreno baldio e fiquei à procura de possíveis receitas. Consegui meio quilo,(peso já descascado), em estado de maturação ainda verde, quase para secar. Fiz à moda nordestina: cozinhei com dois tomates e sal. Depois, temperei com salsa e cheiro verde desidratados, caldo de carne em cubo e pimenta. O caldo do feijão encorpou (achei que não fosse). Servi com arroz com cenoura, bife de pernil de porco, farofa com bacon, couve na manteiga e salada de alface americana, com rúcula. Povo suava na mesa. Nossa... Que delícia!!!
Passando por uma rua perto de casa, encontrei um pé desse feijão em um terreno baldio e fiquei à procura de possíveis receitas. Consegui meio quilo,(peso já descascado), em estado de maturação ainda verde, quase para secar. Fiz à moda nordestina: cozinhei com dois tomates e sal. Depois, temperei com salsa e cheiro verde desidratados, caldo de carne em cubo e pimenta. O caldo do feijão encorpou (achei que não fosse). Servi com arroz com cenoura, bife de pernil de porco, farofa com bacon, couve na manteiga e salada de alface americana, com rúcula. Povo suava na mesa. Nossa... Que delícia!!!
Eu passei a comer até no arroz carreteiro, e fiz mudas mudas.
Eu passei a comer até no arroz carreteiro, e fiz mudas mudas.
Moro em Votorantim SP, e quero sementes pra plantar em meu quintal,por favor alguém me ajuda?,no mercado livre está muito caro o frete.
Meu e-mais é
springli06@gmail.com
Obrigada Ligia
Eu tenho esse feijão em casa, vendo bem barato bem menos que no mercado livre. Quem se interessar pode enviar e-mail para ; senisio.dias@gmail.com Ou pelo zap; 61 99418-7149 entre em contato ok. Abç
Att; Senisio
Eu tenho esse feijão em casa, vendo bem barato bem menos que no mercado livre. Quem se interessar pode enviar e-mail para ; senisio.dias@gmail.com Ou pelo zap; 61 99418-7149 entre em contato ok. Abç
Att; Senisio
Tenho esta leguminosa em casa e acho muito melhor do que ervilha torta. A orelha de padre conheço desde criança na roça e até hoje como sempre pq tenho vários pés em casa. Nem venço comer verdes. Delicia e com suas dicas para os vários estágios dela vou aproveitar muito mais.
Sempre preferi verdinhas mesmo como vagem. 10 a 0 na ervilha torta.
Parabéns pelo blog!
NEIDE,voçe foi muito feliz em comentar sobre os pratos,que voçe pode fazer com esse feijão maravilhoso s[o não vi seu comentário sobre o rendimento deste feijão e a durabilidade deste pé de feijão,que é muito incrivel,já tenho um pé de feijão produzindo a mais de 2 anos, Não acredito que este feijão veio da AFRICA,pois quem tem esse feijão jamais passa fome,DEUS é perfeito,pois esse feijão é rustico n~ao precisa de irrigação .
Minha Mãe preparava salada,temperada com alho,azeite,sal e limão.Mas hoje não encontro mais deste feijão.
Aqui em.brasilia já não.se vê mais pés você por um acaso não vende sementes ? Watz (61)992720547
Rapaz eu posso te arrumar.
Oi Neide! Tenho as orelhas aqui! Você saberia dizer se as flores são comestíveis?
Pode avisar ao FDP da coordenação da UFRJ, que vazou as minhas informações pessoais e sigilosas para você, que eu já descobri o nome completo dele.
Eu descubro tudo, assim como eu descobri o seu perfil no Linkedin e no Instagram:
https://pt.linkedin.com/in/rafaela-carvalho-2737592a1
https://www.instagram.com/rafa.rafafa/
Caso você não se lembre do que aconteceu:
Um funcionário público da UFRJ abusou do poder, que tinha como membro da coordenação da farmácia da UFRJ, para vazar as minhas informações pessoais e sigilosas para você, que nem mora mais no Brasil, que já se formou como farmacêutica pela UFRJ, enquanto você ainda estudava na UFRJ, você nunca fez uma disciplina junto comigo, ou seja, você nem sabe que eu sou.
Se a intenção deste FDP foi me calar, pode falar para ele que não funcionou. Eu vou continuar denunciando os absurdos que acontecem dentro da UFRJ.
Que vexame, um funcionário público da UFRJ abusar do poder que tem para vazar as minhas informações pessoais para os outros. Que papelão a atitude desse FDP da coordenação da farmácia que vazou as minhas informações pessoais e sigilosas para você.
Esse FDP deveria se sentir tão envergonhado do que fez comigo que deveria pedir demissão da UFRJ e se entregar à polícia. Lugar de bandido é na cadeia, pagando pelo crime que cometeu.
Esse FDP pode ter mais poder do que eu dentro da UFRJ, mas eu tenho mais poder que esse FDP na internet. A maior prova do meu poder no mundo virtual é que eu descobri que as minhas informações pessoais e sigilosas foram vazadas e que eu descobri o seu perfil no Linkedin e no Instagram.
Se esse FDP morasse aqui na minha rua as coisas seriam bem diferentes, em cima da minha rua tem uma boca de fumo, em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes fazerem barricadas. Se esse FDP morasse aqui na minha rua, os traficantes já teriam mandado esse FDP subir até a boca de fumo, os traficantes não gostam de gente que faz as coisas para sacanear os outros, igual esse FDP fez comigo.
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