terça-feira, 29 de junho de 2010

Quintal produtivo


Chuchu, cúrcuma, cruá, cará-moela e muita orelha-de-padre - fresca e seca, de um mero quintalzinho
Por causa da reforma, tivemos que fazer uma pequena colheita forçada, liberar os muros e os pequenos canteiros de terra. Mas nada é pra sempre. Logo planto de novo orelhas-de-padre, minhas taiobas, ora-pro-nobis, couves, pimentas, manjericões, cará-moelas, couves e outras miudezas de comer.
Diante da farta colheita de orelhas-de-padre em diferentes estágios de maturação, de chuchus de todo tamanho, cará-moelas, cruás e uma baciada de cúrcuma - as folhas já haviam murchado há tempos -, fiquei curiosa para saber o tamanho exato do meu latifúndio que se resume a algumas faixas de terra rentes aos muros. Arrisca um palpite? Medi, remedi: vinte e cinco metros quadrados! Está certo que umas cordas de aço prolongando o muro aumentam sensivelmente o capacidade produtiva do quintal, mas ainda assim vou sentir falta dos dois metros que perderemos com as mudanças.
Quando chegamos nesta casa não havia uma nesga de terra, tudo pavimentado havia cinquenta anos, mas foi a primeira coisa que pensamos - liberar espaço, plantar, deixar a terra respirar. E ela nos agradece a cada dia, a cada estação.
Não adubo a terra, não corrijo, não faço nada, tem dó de carpir. Só vou plantando. As espécies vão se sobreponhdo, vão vencendo as mais fortes. De repente me esqueço que havia ali naquele fio de aço um pé de cará-moela e só noto quando acho que uma pedra caiu do ceu. A orelha-de-padre foi tomando lugar, fazendo tunel no corredor. Já o chuchu vai enroscando as gavinhas encaracol brigando com o cruá. Enquanto ninguém presta atenção, o ora-pro-nobis lança mãos espinhentas no meio da madrugada tentando invadir o telhado do vizinho. Nem havia reparado aqueles dois cachinhos de uva acima do pé de uvaia que um ano dá, outro não, e pede para sair do vaso.
E depois vem as amoras da amoreira adormecida. Couves vem e vão. No corredor meio sem luz, as taiobas se abrem em guarda-sois. E a pimenteira de sementes do México, durante o ano todo, anos e anos, frutada de pimentas pretas e vermelhas, um dia morre dando espaço para mudas novas que já se formaram abaixo dela. Nascem e morrem capuchinhas, vem capiçobas espontâneas, depois tanchagens, dente-de-leão e mentruz. Cadê o capim cidreira que era uma moita grande? Ah, perdeu-se embaixo da floresta de galangas. Do nada, nasceram camapus silvestres ou cuspidos. O jambu se espalha e amarelece flores miúdas. Do coentro-do-pasto cuido das duas últimas mudinhas que restaram, espremidas pela grama. E assim vão se moldando ao longo do ano, a paisagem mudando, verdejando, descolorindo, folhas caindo, renascendo, multiplicando.



Havia dois chuchuzeiros: um na frente da casa que foi parcialmente esmagado pelas madeiras da reforma; e este dos fundos que precisou ser sacrificado - não, sem antes salvar uma muda num vaso. Veremos se vinga.



A orelha-de-padre em três tempos - na primeira foto, feita há um ano, meu amigo Celso Fioravante colhendo as vagens verdes que adora. A última foto foi feita neste final de semana antes de sacrificar o pé que, desde que o plantei há cerca de um ano e meio, só fez crescer e produzir o tempo todo, sem safra definida, fechando o corredor


Vagens em vários estágios (feijões verdes foram meu almoço ontem). Os frutos e a massa verde tirada da cerca

As cúrcumas já haviam perdido as folhas desde o mês passado, mas ainda estavam frescas e dignas sob a terra
E mais: o que já produziu este pequeno quintal mutante ao longo dos anos



Uvaias


Uvas


Cará-moela ou cará-do-ar


Couve: Dendê também gosta


Taioba

Manjericão-anis

Ervas à toa como capiçoba (acima) e tanchagem (abaixo). Capuchinhas e muita maria-sem-vergonha

Pimenta, cuja semente ganhei da Nina Horta, vinda do México. Chegou a 4 metros de altura. Hoje já é outra muda que ainda não atingiu este tamanho

Ora-pro-nobis. Quanto mais se poda, mas se colhe

Amora espinhenta

E até jambu!

14 comentários:

Mariângela disse...

Neide do céu,como é que tu consegues esta produção tão grande?Vou mostrar estas fotos para o Rui que ele vai amar!! Saudades de todos,beijo!

Anônimo disse...

Neide,
essa amora espinhenta se pega com mudas de estaca? Sou doida por uma mudinha.
E parabéns pelo belo quintal. O meu também é cheinho de tudo um pouco.
Abraços fraternos.
joicesantini@yahoo.com.br

Anônimo disse...

Neide, que legal ver o seu quintal finalmente! Achei que era maior, com tanta coisa que vc diz que tem aí. mas ele se mostra na medida para um monte de possibidades e oportunidades, que legal! Minha galanga que veio daí está lá, feliz, crescendo. O manjericão não foi em frente, mas qualquer hora te peço outra muda. Tenho que treinar melhor meu dedo verde.
Beijo, Leticia Zero

Lidia disse...

Oh dó...
Bom, a natureza não ficará chateada e se renovará, com certeza.
Tenho plantado de tudo um pouco, mas ainda não colhi nada. Por enquanto.
Bjs, Lidia.

happynest disse...

Neide...vc tem aí um pedacinho do céu!!
Aproveitando o assunto, vou fazer uma pergunta e se puder responder vou ficar muito grata.Perdoe a ignorancia, mas é que realmente eu não entendo do assunto: há alguns anos ganhei umas raizes pequenas, parecendo dedinhos e meio aparentadas com o gengibre.O que os ingleses chamam de turmeric ou açafrão da terra. Aclimataram-se muito bem no meu quintal e espalharam a folhagem viçosa ( agora a folhagem amarelou e desapareceu). Usei a raiz fresca para fazer pratos indianos e tailandeses, mas fora isso não sei o que fazer com ele? Vc tem alguma sugestão?
Beijos

Gilda disse...

Neide que linda a sua horta jardim. Você não chorou nem um pouquinho? Vou aproveitar a oportunidade para te perguntar uma coisa que há muito gostaria de saber: as raízes da taioba servem todas para comer? As partes redondas e as mais jovens que parecem uns dedinhos? E não precisa "velar" antes? Sempre arranco aqui em casa porque se espalham muito e acabo não comendo. Agradeço se você puder me responder. Um beijo.

Neide Rigo disse...

Mari, que inveja do latifundio de vocês.

Joice, a minha pegou por estaca.

Letícia, pode passar aqui quando quiser - e enquanto ainda tenho o manjericão.

Lídia, quem ficou chateada fui eu mesma. Mas, com certeza, renovação é sempre bom - pelo menos neste caso.

Happy, imagino que os seus sejam como estes meus da foto. Eu uso no arroz, no frango ou em qualquer prato que queira dar cor amarela e sabor um pouco pungente.

Gilda, não chorei, não. Só fiquei chateada, mas conformada, pois a reforma será para melhor. Quanto às batatas da taioba, são comestíveis, sim, como os inhames, e deliciosas. É sempre bom deixar secar um pouco no sol antes de cozinhar.

Um abraço, N

fegold disse...

Que delicia eu quero muito uma mudinha desse Jambu!!

clau disse...

Ai que dò, Neide...
Espero sò que o seu velho horto renasça como uma fenix, pq era um cantinho muito simpatico, assim como estava.
Mas boa sorte com esta sua reforma, ok?
Bjsa!

Carmen disse...

Qué belleza, qué naturaleza tan generosa con tus cuidados, me gustan esos chicharos que les llamas orejas, acá hay pero no se ven tan grandes ni tan sabrosos.
Ahora yo, dentro de poco tiempo podré sembrar y experimentar con estas cosas que tu publicas, ya tendré mi propio huerto con otro clima. Ya te darás cuenta.

Un beso Neide

PL disse...

Maravilha!
Conheço gente que comprou casa com bom quintal e mandou concretar...

luizaguiar disse...

Neide,mulher abençoada.Deus cuide de ti e dos seus luizaguiar1959@hotmail.com

vanusa disse...

O blog que mais amo é o seu, gostaria muito de conseguir uma semente ou muda de ora pro nobis, ja procurei aqui na cidade e não acho em local algum, nem em floriculturas, como posso conseguir uma muda? me de umma dica, beijos.Vanusa. email: elza.vanusa@hotmail.com

Flora Maria disse...

Oi, Neide:
Que quintal literalmente delicioso!
E lindo.
Sou admiradora do seu blog e estou citando essa postagem na comemoração dos 4 anos do meu blog.
Obrigada por partilhar tanta coisa boa !
http://floradaserra.blogspot.com/2011/09/4-ano-de-flora-da-serra-vamos-festejar.html