As três partes do bucho ou dobradinha, como é chamado aqui em São Paulo: a parte grande ou dobradinha comum; o bucho casinha-de-abelha e o livro ou sessenta-folhas, muito usado na culinária chinesa. Estou imensamente feliz porque quase todos que responderam acertaram. Alguns foram mais vagos, outros bem específicos citando inclusive "os cristais de gelo" entre os favinhos. Mas, de um modo geral, fora uma ou duas desconfianças em relação à natureza dos favos, todos acertaram. Uns arregalaram os olhos; outros torceram o nariz, não importa. Legal terem participado e compartilhado outros nomes pelo qual é conhecido na língua portuguesa, como mondongo, no Sul ou tripas em Portugal (amigos portugueses, há nomes diferentes para as três partes?). É claro que também fiquei frustrada afinal percebi que preciso dificultar mais a brincadeira. Se não, qual a graça? Esqueci que tem muita gente que acompanha o blog e sabia bem o que eu tinha comido na terça-feira. Foi bom saber disto. Pois saibam que hoje também teve bucho casinha-de-abelha no almoço, só que meio à moda espanhola, com páprica defumada, batatas, chouriço. Estou correndo agora, saindo antes da chuvarada, pois o tempo está fechando. Só passei aqui para deixar a resposta porque prometi. Mais informações sobre estas três peças e a receita, prometo para amanhã. Ou hoje à noite na calmaria. Até!
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
O que é, o que é?
Era uma vez umas bravas batatas orgânicas e um lindo pé de raiz-forte
Folhas vistosas de raiz-forte (Armoracia rusticana)
Batatas orgânicas da feira do Parque da Água Branca
Sexta feira é dia de tirar tudo da geladeira e matar todas as sobras. Uns inhaminhos salteados no tutano e umas tirinhas de frango com pimentão do jantar de ontem; uma porção de canja do almoço ainda cheirosa e outra de salada de pepino desanimada. Escolhi para mim a canja e só isto já estaria bom, mas, no caminho do escritório até a cozinha, passei pelo quintal ensolarado e umas lindas folhas felizes com o sol pós-chuvas me chamaram, já quase passando da hora delas. Era a folhagem da raiz forte, aquela que ganhei da Verônika (veja AQUI) e plantei no jardim. Da mesma família dos brócolis, da couve, da mostarda, a raiz forte - armorácia, rábano-picante, rábado-bastardo, rábano-de-cavalo, horseradish - é originária da Europa Oriental e Ásia Ocidental, mas vai muito bem por aqui. E, embora às vezes seja tingida para se fazer passar por wasabi, a raiz forte dos japoneses é de espécie diferente. Também diferente da batata-crem, sobre a qual também já falei AQUI.
De qualquer forma, as folhas de raiz-forte me empolgam mais que propriamente suas raizes; já tinha preparado delas refogadas; foi quando a Verônika me deu raizes com folhagem. Lembravam muito as folhas de mostarda, um pouco mais firmes na textura e picantes na boca, talvez. É um sabor que me faz salivar só de pensar nele. É aquela coisa da hidrólise da sinigrina para formar alil-isotiocianato que invade os seios da face, faz a gente corar e às vezes até lacrimenjar. Gosto muito desta sensação. Quando era criança, comia toda e qualquer sobra de mostarda na panela e ainda bebia o caldinho (está certo que também fazia isto com jiló, almeirão, abobrinhas, chuchus.... mas mostarda me desperta uma certa natureza ardente).
Bem, é claro que arranquei as folhas, três apenas, sem muito saber o que fazer com elas. Mas, já na cozinha, olhei para a cesta e lá estavam, querendo se acabar num banho quente, umas barrentas batatas orgânicas que comprei na feirinha da Água Branca. Resolvido estava. Uma salada super manjada que eu adoro é de batata com folhas de mostarda, nozes e molho de azeite com mostarda de cachorro quente. Em meia hora estava montada. Fiz com pouco molho e achei que tudo bem, mas, se quiser, poderá dobrar o volume. E também achei que as folhas, por serem mais durinhas que as de mostarda, mereciam ter sido picadas mais finamente. Fica aqui a opção. Agora, é lógico, como a receita original é com folhas de mostarda, não vai precisar se descabelar pra encontrar folhas de raiz forte - mais fortes e picantes, só isto. Só sei que ainda assim a salada ficou muito boa. Só ela e um pedaço de carne bastam para uma refeição completa. A minha, com canja, estava pra lá de desbalanceada.
Salada de batatas com folhas de raiz forte (ou de mostarda)
Ingredientes
500 g de batatas de preferência orgânicas
50 g (3 folhas) de raiz forte (armorácia) ou de mostarda
2 colheres (sopa) de azeite de oliva extra-virgem
4 colheres (sopa) de mostarda preparada
20 g ou 4 nozes picadas ou a gosto
Sal e pimenta-do-reino a gosto Modo de fazer: limpe bem e tire machucados das batatas, mantendo pelo menos parte das cascas. Corte em pedaços regulares. Coloque 1 litro de água e 2 colheres (chá) de sal numa panela e leve ao fogo. Quando ferver, coloque as batatas e cozinhe por cerca de 15 minutos ou até que estejam cozidas, mas ainda firmes. Escorra e espere esfriar. Se preferir, cozinhe no vapor. Coloque a mostarda numa tigelinha e, com batedor de arame, vá batendo à medida que junta o azeite aos poucos. Até formar um molho emulsionado. Tempere com um pouco de sal e pimenta-do-reino. Coloque numa tigela a batata, as folhas de mostarda, as nozes e o molho de mostarda. Misture com uma espátula delicadamente e sirva.
Rende: 4 porções
Refogadas, estas folhas ficam muito boas
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Uma canja apimentada para espantar a gripe

Ananda anda gripada estes dias. Hoje acordou mal e ainda assim às 6 já estava pronta pro estágio no hospital. Mas nem conseguiu chegar. Doente atendendo enfermos não dá muito certo. Voltou do meio do caminho e ficou na cama até o meio dia, quando a chamei para uma canja. Porque continua valendo o método que nossas avós conheciam empiricamente e hoje a ciência comprovou ser realmente eficaz no combate à gripe. Não cura, mas alivia. Como ela, qualquer sopa quente pode ser útil. Mas a canja tem a vantagem da carne de frango que, quando cozida, libera cisteína, um aminoácido que ajuda a fluidificar o muco. E ainda tem a gordura que lubrifica a garganta. Sem falar na pimenta que eu sempro boto e que dá aquela subida na temperatura, aquele suadouro que parece expulsar qualquer espírito maléfico, leia-se vírus. Minha canja não tem fórmula fixa, coloco os legumes que tenho para enriquecer e jamais saberia dar uma receita deste prato a alguém. Tampouco consulto livro de receita para fazer uma. Afinal, quem não sabe fazer uma canja de olho? Se este é o seu caso, saiba fui anotando tudo na medida em que fazia e, como deu muito certo, tem aqui uma receita.
Canja de galinha com legumes
4 dentes de alho finamente picado
2 colheres (sopa) de azeite
600 g de coxinhas de galinha (12 coxinhas)
1,5 colher (chá) de sal
6 xícaras de água quente
2 folhas de louro
2 cenouras pequenas fatiadas
1 talo de salsão (aipo) fatiado
2 batatas médias descascadas e picadas
2 tomates pequenos ralados (cortados ao meio e ralados, de forma a deixar de fora a pele)
1/2 cebola média picada
1 pimenta dedo-de-moça vermelha picada (sem sementes se quiser um sabor menos picante)
1/2 xícara de arroz branco cateto (o cateto é mais cremoso, mas pode ser agulhinha)
4 colheres (sopa) de salsinha picada
Na panela de pressão, refogue o alho no azeite até dourar. Junte as coxinhas de frango e o sal e refogue até que fiquem sequinhas. Acrescente 4 xícaras de água quente e as folhas de louro. Tampe a panela e espere ganhar pressão. Abaixe o fogo e cozinhe por 30 minutos. Enquanto isto, prepare os outros ingredientes. Desligue o fogo, espere acabar a pressão e abra. A carne deve estar se soltando do osso. Escorra, reserve a carne, descarte o louro e volte o caldo para o fogo com todos os outros ingredientes, com exceção da salsa. Deixe cozinhar por cerca de 15 minutos, sem pressão, ou até o arroz estar cremoso e a cenoura, macia. Acrescente a água restante aos poucos para obter a densidade desejada (eu usei toda a água). Enquanto isto, separe a carne e descarte ossos, cartilagens e pele (chupe a cabecinha do osso e coma as cartilagens molinhas se gostar, mas resista às peles, pois já tem gordura demais no caldo da sopa). Junte a carne desfiada (cerca de 200 g) à sopa e deixe ferver. Prove o sal e corrija, se necessário. Espalhe por cima a salsinha picada na hora e sirva bem quente (na minha ainda polvilhei por cima umas rodadas de pimenta-do-reino - só pra prevenir!)
Rende: 3 a 4 porções
Nota: Para uma sopa mais leve e delicada, use peito de frango com osso e desengordure o caldo antes de juntar os legumes e o arroz.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Um jeito bom e meio asiático de se comer berinjelas
Esta receita é facílima, mas toda vez que vou fazê-la tenho que procurar o livro já enfiado em qualquer vão livre da estante sem lugar marcado. Ai não me lembro mais se a receita de berinjelas doces com alho, que não aparece no índice do Livro Essencial da Cozinha Asiática (da Könemann), é japonesa ou chinesa. Só sei que leva shoyo, alho, açúcar. Aí é procurar página a página até encontrá-la entre as delícias chinesas. Nem sei porque faço isto, já que a cada vez faço alguma modificação que não anoto em canto algum. Por estas e por outras, vou deixar a receita mais recente - acabei de fazer para o jantar, registrada aqui, assim poupo meu tempo nas próximas vezes e quem sabe ainda animo os mais reticentes a comer berinjelas. Ela fica melhor ainda se guardada por até dois dias na geladeira. Pode ser servida quente, fria ou gelada. Como entrada ou acompanhamento. Ei-la com minhas intromissões, incluindo o nome que no livro é: berinjelas doces com alho. Berinjelas agridoces com alho e pimenta 1 berinjela grande - 600 g
3 colheres (sopa) de azeite
4 dentes de alho finamente picados
2 colheres (sopa) de molho de soja
2 colheres (sopa) rasas de açúcar
2 colheres (sopa) de vinagre de arroz (ou use o que tiver à mão)
1 pimenta dedo-de-moça vermelha finamente picada
3 cebolinhas fatiadas (reserve um pedaço para decorar) Corte a berinjela ao meio e depois em fatias longitudinais de 1 centímetro de largura. Corte as fatias agora na transversal, também com 1 centímetro... Qual seja: pique a berinjela. Numa frigideira grande, antiaderente aqueça 1 colher (sopa) de azeite e coloque metade da berinjela. Vá mexendo sempre, em fogo alto, por cerca de 5 minutos ou até a berinjela começar a dourar e amaciar. Reserve e faça o mesmo com a berinjela restante. Reserve toda a berinjela. Coloque na frigideira o azeite restante e doure nele o alho. Junte o molho de soja misturado com o açúcar e o vinagre e a pimenta. Mexa bem e assim que ferver, junte a berinjela reservada. Deixe cozinhar por cerca de 3 minutos ou até que o legume absorva o molho. Espalhe por cima cebolinha picada, mexa e sirva quente decorado com tirinhas de cebolinha, com arroz branco.
Rende: 4 porções
Nota: se quiser guardar, espere esfriar e guarde em vasilha de vidro bem tampada por até 2 dias. Pode ser servida fria ou gelada.
Rende: 4 porções
Nota: se quiser guardar, espere esfriar e guarde em vasilha de vidro bem tampada por até 2 dias. Pode ser servida fria ou gelada.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Dobradinha com bucho casinha de abelha e feijão sopinha

Hoje precisei limpar o freezer porque chegaria uma encomenda de frango Korin, que compro com uma amiga direto do produtor, de vez em quando. Nunca acho frango fresco nos supermercados. Estão sempre com idade avançada, com 7, 8 dias ou mais na prateleira. Então lá fui eu com a Eliana tirar tudo, descongelar rapidamente usando secador de cabelo e organizar gavetas. Entre várias preciosidades esquecidas, encontrei um pouco de feijão sopinha cozido e um bucho casinha de abelha. Pedi para Eliana cozinhar o bucho enquanto vim para o escritório trabalhar. Na hora do almoço pensaria no que fazer. Era meio óbvio - misturei as duas coisas com legumes que tinha aqui e pronto, virou uma dobradinha até que bem boa que comemos com arroz e nirá refogado. Mas se quiser aprender mais sobre misturebas e gororobas, vejam a que meu amigo Rui Gassen aprontou na ausência da expert Mariângela. Aquele lá é campeão.
Dobradinha com bucho casinha de abelha e feijão sopinha
1 bucho casinha de abelha (cerca de 300 g)
3 colheres (sopa) de bacon picado
3 dentes de alho picado
1 cebola picada
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
1 colher (sobremesa) rasa de páprica defumada ou de colorau (urucum)
2 cenouras picadas em cubinhos
1 talo de salsão fatiado
2 batatas picadas em cubinhos
2 tomates maduros picados em cubinhos
Meio pimentão verde grande, picado em quadradinhos
2 pimentas dedo-de-moça picadas (uma delas sem sementes)
1 xícara de feijão sopinha cozido (ou branco ou qualquer outro que prefira)2 xícaras de água quente
Sal a gosto
Ervas frescas picadas (alfavaca, manjericão, manjerona). Teria usado salsa se tivesse.
Modo de fazer: lave bem o bucho e pique em quadradinhos. Jogue por cima água fervente com o suco de um limão e escorra bem. Numa panela de pressão, coloque o bucho, 1 colher (chá) de sal, 1 folha de louro e 3 xícaras de água fervente. Tampe e leve ao fogo alto. Quando pegar pressão, abaixe o fogo e deixe cozinhar por cerca de 40 minutos. Desligue o fogo, espere acabar a pressão e só então abra a panela. Confira o cozimento. Se ainda estiver duro, cozinhe mais um pouco. Deve estar bem molinho e com pouco líquido. Reserve.
Numa outra panela, refogue o bacon, alho e cebola no azeite até o alho começar a dourar. Junte o colorau e misture bem. Em seguida, coloque todos os legumes, a pimenta, o feijão, o bucho reservado com seu caldo e a água. Tempere com sal a gosto (lembrando que o bucho já foi cozido com sal). Tampe a panela e deixe cozinhar em fogo baixo por cerca de 15 minutos ou até os legumes estarem macios. Se estiver com muito caldo, deixe um pouco mais no fogo para reduzir. Se faltar, complete com água quente. Prove o sal e corrija, se necessário. Espague por cima as ervas frescas e sirva como prato único, tipo sopa, com pão, ou com arroz branco.
Rende: 4 porções
Comidinhas mexicanas no dia de la Candelaria

Foi ontem, como o nosso dia de Iemanjá e de Nossa Senhora dos Navegantes. Calhou de eu ser convidada justo para a comemoração mexicana do dia da Candelaria e não poderia perder a oportunidade, pois adoro comida mexicana (e de qual mesmo eu não gosto?). E foi lá na casa da Maria Eugênia, consulesa do México, que gentilmente abriu as portas de sua casa para mostrar seus famosos presépios e nos presentear com comidinhas típicas. A festa representa o fim das comemorações natalinas. Afinal foi neste dia, 40 dias depois do nascimento do Menino, que, segundo a tradição judaica, ele foi apresentado ao templo, onde foi reconhecido como Messias pelo ancião cego Simeón.
Então, até hoje, a data é comemorada levando-se a imagem do menino Jesus com lindas roupas para ser abençoado na Igreja. É nesta data também que se guardam os presépios para o próximo Natal (e neste quesito Maria Eugênia tem sempre um trabalhão, afinal é colecionadora de presépios do mundo todo - das centenas que possui, ontem só estavam expostos 26!) e se oferecem tamales que, do nauhatl, quer dizer bem embrulhado. São como nossas pamonhas, só que feitos com masa harina, uma farinha de milho obtida de um jeito especial - os grãos duros de milho branco são pré-cozidos e deixados de molho em água com cal. Só então são socados e usados. Ou, no caso das versões modernas e instantâneas, desidratados e vendidos nos mercados como harina para tamales. E, ainda como nossas pamonhas, também podem ser recheados com carne de boi, de porco ou de frango. Tudo, claro, bem apimentado.
Outro costume relacionado à data foge um pouco das tradições judaico-cristãs e têm a ver justamente com o milho. É nesta data, 2 de fevereiro, que os indígenas também levam para benzer suas espigas a serem usadas na próxima semeadura para que rendam uma boa safra. E neste dia ainda eram abençoadas as velas ou candelas (daí, Candelária). Da última vez que vi Maria Eugenia, levei a ela uma mudinha de erva-de-santa-maria ou epazote - sobre a qual falei ontem, e fiquei feliz em ver a mudinha viçosa ontem na jardineira do apartamento. Comes e bebes mexicanos (aqui, uma pequena mostra entre outras delícias que comi e não fotografei)
Margarita de tamarindo (receita fornecida por Maria Eugenia Cova)
1 xícara de suco concentrado de tamarindo
½ xícara de Tequila branco
¼ de xícara de Cointreau
Suco de 2 limões
Gelo picado
Açúcar ou xarope de açúcar
Margarita de tamarindo (receita fornecida por Maria Eugenia Cova)1 xícara de suco concentrado de tamarindo
½ xícara de Tequila branco
¼ de xícara de Cointreau
Suco de 2 limões
Gelo picado
Açúcar ou xarope de açúcar
Para decorar o copo
Suco de limão
Sal
Corante vegetal alimentício (opcional)
Numa coqueteleira, misture todos os ingredientes e sirva nos copos decorados. Para decorar: misture o sal e o corante, se for usar, e coloque numa travessa. Umedeça as bordas dos copos com limão e emborque-os sobre o sal.
Rende: 2 porções
Nota do Come-se: você pode deixar uma jarra com suco de tamarindo já temperado com açúcar e limão e fazer os drinques direto nos copos, servidos com mexedores decorativos. Foi isto que Maria Eugenia fez e deu muito certo. Pode também substituir o tamarindo por morango. Eu fiquei no tamarindo. Muito bom.
Tamales: com palha de milho os de frango; com folha de bananeira os de porco e molho verde. Sobre as folhas é espalhada a massa de milho coberta com recheio de carne ou frango com molho. Depois, as folhas são embrulhadas e amarradas e os tamales cozidos no vapor.
"Quesadillas de chipotle com queijo Oaxaca, feitas com tortillas de massa de farinha de trigo temperada com pimenta chipotle (jalapeño seco e defumado). Normalmente tortillas de farinha sãoo maiores que as de milho, se colocam na chapa para esquentar e antes de ficarem torradas se coloca encima queijo Oaxaca desfiado (veja abaixo), depois se dobram como omelete, virando-as para que o queijo derreta. Eu as servi cortadas em metades”. Maria Eugenia Cova 

"O queijinho Oaxaca é um queijo branco e meio duro de origem mexicana, chamado também de queijo “asadero”. É semelhante ao queijo mussarela, mas o sabor é muito mais suave. É típico principalmente da região dos vales centrais do estado de Oaxaca, seu local de procedência. É utilizado na elaboração das quesadillas, que são torillas com queijo ou qualquer outro ingrediente. É feito com leite de vaca integral. O processo de produção é complicado e implica esticar o queijo em tiras longas e depois enrolá-las pra fazer uma bolota. Podem-se fazer rolos menores e de distinto peso."MEC

Tequeños: estes rolinhos recheados com queijo e fritos são típicos da Venezuela, terra natal da Maria Eugênia. Aqui, a receita dada por ela: Tequeños (receita de Maria Eugenia Cova) Ingredientes
330 g de farinha de trigo
1 colher (chá) de fermento químico em pó
1 colher (chá) de sal
330 g de farinha de trigo
1 colher (chá) de fermento químico em pó
1 colher (chá) de sal
1 ovo e 1 clara
2 colheres (chá) de açúcar
120 ml de água
Queijo cremoso cortado em tiras (use opcionalmente queijo coalho ou minas curado) Modo de fazer
Misture a farinha com o fermento e o sal e reserve. Numa tigela, bata o ovo com o clara, açúcar e água. Adicione pouco a pouco a farinha, misturando, até formar uma massa homogênea. A massa não deve ficar muito dura. Deve ser maleável. Estique a massa sobre uma superfície ligeiramente polvilhada com farinha até formar um retângulo relativamente fino. Corte em tiras de uns 5 centímetros de largura. Coloque o queijo no centro e enrole formando palitos com mais ou menos 7 centímetros. Corte e sele as emendas. Se for preciso, use um pouquinho de água. Se não for bem fechado, o queijo sairá no momento de fritar, manchando o azeite e ficando com a massa oca. Pode deixá-los repousar durante cerca de meia hora ou congelar para serem fritos quando quiser. Frite em azeite quente e sirva.
120 ml de água
Queijo cremoso cortado em tiras (use opcionalmente queijo coalho ou minas curado) Modo de fazer
Misture a farinha com o fermento e o sal e reserve. Numa tigela, bata o ovo com o clara, açúcar e água. Adicione pouco a pouco a farinha, misturando, até formar uma massa homogênea. A massa não deve ficar muito dura. Deve ser maleável. Estique a massa sobre uma superfície ligeiramente polvilhada com farinha até formar um retângulo relativamente fino. Corte em tiras de uns 5 centímetros de largura. Coloque o queijo no centro e enrole formando palitos com mais ou menos 7 centímetros. Corte e sele as emendas. Se for preciso, use um pouquinho de água. Se não for bem fechado, o queijo sairá no momento de fritar, manchando o azeite e ficando com a massa oca. Pode deixá-los repousar durante cerca de meia hora ou congelar para serem fritos quando quiser. Frite em azeite quente e sirva.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Mastruz são três ou Sopa de feijão preto com epazote

Epazote dos mexicanos é nossa Erva-de-Santa-Maria Engraçado que justo agora quando resolvi postar estas ervinhas, uma delas tipicamente mexicana, me dei conta que hoje é o dia da Fiesta de la Candelaria para os mexicanos. E inclusive fui convidada para ir hoje à casa da Maria Eugênia, Consulesa do México, para a demontagem do presépio, com comidinhas típicas (depois eu conto). Não foi proposital a homenagem, afinal as fotos já são da semana passada e eu não me lembrei disto, mas fica como sendo. O certo seria, pra não gerar ciumeiras, homenagear Iemanjá, que hoje é dia dela também, mas não me ocorreu nenhuma comida especial. Por aqui fazemos a maior confusão com os termos mentruz, mastruço ou mastruz que são usados para três (ou mais?) plantas diferentes na forma, mas com aplicações similares. Todas com sabor meio amostardado. Em alguns estados do Nordeste (quais?), mastruz batido com leite é um remédio tão difundido para bronquite que virou até nome de banda. E o que é chamado lá de mastruz é conhecido aqui como erva-de-Santa-Maria, uma planta arbustiva diferente do que conhecemos aqui no sudeste como mastruz - uma erva rasteira com sabor picante. E depois, nos livros e no mato, ainda descobri outro tipo. Mas vamos a estes três mentruzes, começando com o que homenageia o México.
Erva-de-Santa-Maria, pazote, epazote, mastruz, mastruço..
Clique & Amplie. Aqui, a erva num quintal abandonado - este arbustinho na frente da couve, no quadrante inferior da direita.
Na minha infância esta era uma das ervas daninhas que cresciam de tempos em tempos nos quintais e me lembro dos galhos secos debaixo das camas para espantar formigas. Não é à toa que um de seus nomes em português seja também erva-formigueira. Ou esfregados nos cachorros para espantar pulgas. Em espanhol, dependendo do país, recebe diferentes nomes como paico, ambrósia, yerba de Santa Maria, té de los jesuítas, apasote e té de Méjico. Felizmente a maioria dos seres vivos algum dia foi batizada com um nome científico latinizado, universal e único. Sem ele, eu jamais poderia imaginar que a nossa medicinal erva-de-santa-maria, que cresce à toa em qualquer praça abandonada, e o tal epazote fossem a mesma planta. Uma vez vi a cara dele num livro de cozinha mexicana, fiquei desconfiada e fui atrás de informações para saber o nome científico. A suspeita se confirmou. Era a mesma Chenopodium ambrosioides que temos aqui.
Americana de origem, pertence à mesma família da quinua e do amaranto, as Chenopodiáceas, e tem uma história antiga de uso terapêutico em toda a América, que vem desde etnias indígenas norteamericanas até a Argentina de hoje. E não são poucas as enfermidades tratadas com ela. Na forma de infusões ou emplastros, são usadas tanto as folhas quanto as sementes, ricas em óleo essencial. Entre seus poderes mais difundidos está o de expulsar parasitas intestinais (comprovado cientificamente - cerca de 60% de seu óleo essencial é composto por ascaridol que age contra Ascaris lumbricoides - mas em grande quantidade pode ser tóxico e hoje há anti-helmínticos mais eficazes e seguros), aliviar cólicas, diminuir gazes, estimular o apetite, melhorar a digestão, curar picada de insetos, bronquites, úlceras e tantos outros males. Apesar de tantas aplicações, a não ser na cozinha mexicana e caribenha, quase nunca é citada como erva aromática. No Brasil não descobri uso algum na cozinha. Mas no México, epazote é tida como uma deliciosa erva aromática.
À primeira vista, o perfume é potente, lembra um pouco hortelã, mas na boca se mostra fresco e picante, um pouco como as folhas de mostarda. Desde o dia em que descobri sua utilidade como tempero, arrumei uma mudinha, me apaixonei pelo seu aroma e hoje tenho uma touceira dela ao lado de outras plantas aromáticas no meu jardim. As folhas são compridas e serrilhadas e as flores, verdes e miúdas, dispostas em cachos. As sementes germinam facilmente e no verão podem ser colhidas dos cachos, secas e guardadas para fazer novas mudas.
Parece que os astecas foram os primeiros a cultivar a erva epazotl, como a chamavam, não só pelas virtudes medicinais, mas também por suas propriedades aromáticas. Hoje, mais no centro e sul do México, ele é indispensável nos pratos de feijão, especialmente de feijões pretos. A justificativa para este uso é que além de condimentar, ameniza o efeito desagradável provocado por estes grãos, que é a formação de gazes. É usada também para temperar carnes de porco, pescados e dá um sabor especial ao recheio clássico da quesadilla – tortilla recheada com queijo e um galhinho de epazote, dobrada e assada. Mesmo outros recheios, como de cogumelos, de huitlacoche (fungo que cresce no milho) ou de flor de abóbora, costumam receber um toque de frescor desta erva. Outros nomes populares, segundo Harri Lonrenzi e F. J. Abreu Mattos (Plantas Medicinais no Brasil): ambrisina, cambrósia, ambrósia-do-méxico, apazote, caácica, canudo, chá-do-méxico, chá-dos jesuítas, cravinho-do-ato, erva-das-cobras, erva-ambrósia, erva-pomba-rota, erva-santa, lombrigueira, mastruço, mastruz, mentrasto, mentrei, mentruço, menstrusto, pacote, quenopódio, mata-cobra.
Aproveitei que tinha feijão preto congelado e que ganhei da Sofia Carvalhosa umas pimentas trazidas do México, onde o filho Gil trabalha, para fazer uma sopinha com a erva inspirada de alguma forma nas receitas mexicanas. Ficou saborosa, apimentada, perfumada, restauradora. Deu três porções exatas e toda a família teria comido mais se tivesse tido sobra.


Segundo a Sofia, a pequena, do meio, é a Chipotle - defumada e não muito picante. A média se chama Pasilla, é gostosa de comer pura hidratada. A grande, de baixo, se chama Guajillo - com ela os mexicanos fazem um molho com alho, redução de vinho branco e muita manteiga para acompanhar peixes e camarões. Usei um pedaço de guajillo e uma chipotle inteira.
Sopa de feijão com macarrão, legumes, chiles e epazote
Ingredientes
1,5 xícara de feijão preto cozido (300 g)
750 ml de caldo de frango ou água quente
1/4 de pimenta guajillo
1 pimenta pasilla hidratada e sem sementes
1/2 cebola picada (70 g)
3 dentes de alho
2 colheres (sopa) de azeite
1 cenoura picada em cubinhos (70 g)
2 batatas cortadas em cubinhos (150 g)
2 raminhos ou umas 20 folhinhas de epazote/ erva-de-santa-maria (Chenopodium ambrosioides)
1/4 de xícara de massa curta para sopa - usei corallini (mas qualquer outro tipo serve)
Sal a gosto
30 g de queijo de cabra ralado Modo de fazer: bata no liquidificador o feijão preto com o caldo ou parte dele, juntando o resto depois, e as pimentas mexicanas (reserve uns pedacinhos de pasilla para decorar). Reserve. Numa panela, em fogo alto, refogue até dourar a cebola e o alho no azeite, junte a cenoura e a batada e refogue, mexendo, por cerca de 2 minutos. Junte o feijão batido e metade das folhinhas de epazote e mexa bem. Quando ferver, abaixo o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar por cerca de 5 minutos após a fervura, ou até a batata amaciar. Junte o macarrão e deixe cozinhar por mais 10 minutos. Se for necessário, junte mais água quente. No final, prove o sal e corrija, se precisar. Na hora de servir, espalhe por cima um pouco de queijo de cabra ralado, umas folhinhas de epazote e pedacinhos de pasilla. Nhac. Rende: 3 porções
Um pezinho de mentruz rasteiro meio franquino com o o calor - ele gosta mais do inverno
Esta outra ervinha rasteira, Coronopus didymus, pertence à família das Crucíferas (da couve, da mostarda, rúcula etc) e é nativa do sul e sudeste do Brasil. Tem folhas penadas e sabor e cheiro parecidos com os do epazote. Porém, diferente daquele, tem mais sabor que perfume. Lembra muito a mostarda ou agrião, tem um quê picante muito bom e vai bem com batatas ou em saladas de folhas. Comecei a prestar mais atenção neste mentruz desde o dia que dona Albina, minha sogra, me contou que o avô italiano costumava colocar a erva sobre o pão com sal e azeite e dar para as crianças comerem. De fato, dá uma boa incrementada ao simples pão com azeite que já não precisaria de mais nada pra ser bom. Foi a única referência dela como ingrediente comestível e não medicinal que encontrei. Mas a danada tem potencial. Experimentem e me contem.
Pão, azeite, folhinhas de mentruz rasteiro e flor de sal Embora seja mais comum no inverno, consegui achar um pezinho ao menos para foto, no meu jardim. Nos matos por aqui quase não se a encontra agora. Mas quando é época, várias moitinhas podem ser vistas em quintais, hortas e nas roças. E, claro, no meu quintal onde as plantas crescem meio a esmo. Tem sabor picante tão forte que, dizem, ele é passado para o leite quando vacas comem a ervinha durante lactação. Imagino que o mesmo valha para gente. E vai ver este é o verdadeiro mastruz com leite, que não deve ser de todo ruim. Na medicina popular é usada como expectorante, digestivo, estimulante de funções hepáticas entre outros.
Outros nomes segundo as autores já citados: Mastruz-miúdo, mastruço-dos-índios, erva-vomiqueira, erva-formigueira, mastruço, mentruz-rasteiro.
Outro mentruz: Lepidium virginicum
Clique & Amplie. O mentruz Lepidium é este com espiguinhas verdes
Tanto as folhas como sementes são gostosos e lembram mostarda
Muito parecido com o anterior, só que não rasteiro. Recebe os mesmos nomes populares e é usado para os mesmo fins. Pertence à mesma família das Crucíferas, mas tem folhas comprida e não penadas, e também cresce espontaneamente. Aqui no meu bairro há bastante dele mesmo agora no verão quando não se vê o tipo rasteiro. Embora nunca tenha ouvido ou lido sobre seu uso na cozinha, tampouco tenho notícia de que seja tóxico. E como tem os mesmos usos que a espécie anterior, me senti à vontade e segura para arriscar. Outro dia usei as sementinhas para temperar batatas salteadas e elas ressaltaram o sabor da mostarda, que também usei. E foi acompanhamento do peixe-serra que postei aqui há uns 20 dias.
Cozinhei as batatas no vapor polvilhadas de sal e depois passei pela manteiga onde refoguei um pouco de alho, cominho, sementes de mostarda, dadinhos de pimenta dedo-de-moça e sementinhas de mentruz.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Laranja rouba a gordura da feijoada. Mito ou ficcão?

Laranja depois de cozida, com sucos intactos e sabor de suco de caixinha
Aproveitei o post sobre gordura ontem para dar uma resposta satisfatória ao meu amigo Filipe Miguez que me enviou, perguntando se sabia alguma coisa a respeito da notícia abaixo que recebeu da tia, que recebeu de alguém. Um destes textos apócrifos que correm rede a fora. Duvidei como é de meu feitio, mas prometi que iria testar sem preconceitos e com algum rigor. Promessa cumprida, Felipe. A mensagem: "Oi, bom, tive que fazer uma feijoada. Então segui o conselho de uma amiga que me disse que a mãe dela colocava uma laranja inteira e não descascada (lavada sim viu???) na dita feijoada junto com as carnes... fiquei em dúvida, mas tentei e realmente funcionou, até parecia milagre, a gordura estava toda dentro da laranja, bastou corta-la para ter a confirmação. A laranja não modificou em nada o gosto da feijoada que ficou super light, beleza né!!! Então eu tentei com linguiça, fiz ferver a água, furei as linguiças com 1 garfo, coloquei a laranja na panela e depois as linguiças e....ficou comprovado, em 5 minutos e a gordura estava toda dentro da laranja, depois fritei as linguiças e elas estavam deliciosas...E minha panela sem gordura... Isso poderá servir para alguém, é por isso que transmito o que aprendi."
Como fiz: separei duas porções de 500 g de pedaços de carne bovina com ossos e gorduras, incluindo 50 g de tutano picado. Coloquei uma porção em cada panela com 1 litro de água, 4 grãozinhos de pimenta-do-reino e 2 folhas de louro. Numa das panelas coloquei uma laranja pera bem lavada, inteira, com casca. Depois de 2 horas em fogo baixo, coei as carnes e deixei o caldo em repouso. As duas amostras renderam cerca de 500 ml de caldo com gordura. Passei os caldos para uma tigela porque era mais fácil gelar e tirar a gordura sólida sobrenadante. Deixei na geladeira por cerca de 1 hora. Tirei a gordura com uma colher e aqueci no fogo até evaporar qualquer sinal de umidade ainda existente e restar somente gordura. Depois passei pelo chinois e pesei.



Resultado: Logo no início, no fogo, percebi que a amostra com laranja começou a escurecer mais que a outra. Não sei porque. O cheiro de laranja começa a empestear um pouco a cozinha. No começo é gostoso, mas passa a ficar enjoativo com o tempo. O caldo feito com laranja, mesmo depois de coado, ficou muito escuro - talvez a laranja libere algum ácido que quebre mais as fibras de carne, porque havia muitos resíduos soltos. E, o principal, a gordura sobrenadante coagulada que consegui extrair do caldo com laranja foi mais que o dobro que no controle (23 g ante 10 g). O sabor do caldo sem laranja ficou muito bom, equilibrado. Já o feito com laranja ficou com gosto cítrico muito forte mascarando o sabor da carne. Em compensação, a gordura alaranjada ficou perfumada a fruta, muito agradável. Falha na metodologia: é claro, um pedaço mais gordo pode ter ido justamente para a amostra com laranja. O correto seria pegar um tanto de banha muito uniforme, picar e distribuir igualmente entre as panelas. Como os pedaços tinham também carne, a quantidade de gordura certamente não era a mesma nas duas panelas. Mas ainda assim, tentei ser criteriosa na distribuição. E se sobrou mais gordura é porque tinha mais gordura mesmo e a presença da laranja teve efeito nulo. Não foi a responsável pelo aumento (quem sabe, até um pouco da gordura da casca da laranja tenha saído para o caldo?), mas também não contribuiu para a diminuição da gordura do caldo.
Conclusão: pelo menos até que me provem o contrário, é tudo balela. Nadinha de gordura, os gominhos todos cheios de suco que até chupei um pouco - gosto de suco cozido, daqueles de caixinha. Vale lembrar que os pedaços de gordura não dissolvidos continuaram junto das carnes e contra eles a laranja nada pode fazer. Extração mecânica com garfo e faca é a melhor saída caso queira poupar seu estômago.
Meus palpites Chupar - ou melhor, comer inteira com a pele branca - laranja com feijoada é bom porque ela têm fibras insolúveis e pectina que ajudam mesmo a adsorver um pouco da gordura ingerida com as carnes. Fora que tem vitamina C, que ajuda na absorção do ferro do feijão, antioxidantes e tudo de bom que podemos querer de uma fruta. Mas milagre ela não faz não.
E este método será útil justamente quando quiser produzir uma gordura aromatizada de laranja. O jeito de obtê-la é mais ou menos este descrito e você poderá usá-la para refogar a couve da feijoada ou saltear algumas batatas. É o que eu vou fazer.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Derretendo meus tutanos ou Macarrão da Liguria com tutanos

Oportunisticamente lá vou eu de novo na onda do Paladar, que hoje tem como matéria de capa "O revanche da gordura", sobre o livro da Jennifer McLagan chamado Fat. Já era sem tempo fazer uma defesa da gordura.
Ultimamente tenho usado basicamente três tipos de gordura por aqui - o azeite, a manteiga e uma gordura animal que vou guardando conforme vão subindo à superfície dos pratos de carne e aves. Então, tenho na minha geladeira: gordura de pato, gordura de costela temperada, gordura de costelinha de porco, gordura de mocotó, de barriga de porco e de galinha. Não gosto de carne muito gorda, prefiro as cheias de colágenos (que são proteínas e não gorduras). Aliás, não sou muito carnívora, então guardo as gorduras para temperar pratos de legumes, grãos e verduras ou para usar nos pães. E assim, de pouquinho em pouquinho, vou acabando com elas com prazer. Pelo menos eu sei o que estou comendo e quanto estou comendo. Sem exageros, claro, afinal quase nunca como sorvetes, biscoitos, chocolates, mortadelas e outros frios, patês, maioneses, queijos e gordurosos em geral. Por isto, como sem culpa meu arroz com banha de porco. Tem gente que tem medo até de comer abacate. Calma lá!
Desconfiada e culpada fico quando como óleos vegetais e margarinas feitas com eles, extraídos sabe-se lá como, às custas de solventes que deixam resíduos. Todos nós precisamos de gorduras saturadas, monoinsaturadas e poliinsaturadas em proporções variadas que desempenham funcões importantes no nosso organismo - são transportadoras de vitaminas lipossolúveis, protegem orgãos e ossos de lesões, são parte de todas as biomembranas e participam da formação dos hormônios etc. E como, embora haja recomendação para todas estas gorduras, os estudos sobre elas não são conclusivos (basta ver o exemplo dos ovos, hoje, praticamente inocentado das acusações injustas de que era o responsável por elevar o colesterol), a chave continua sendo a diversidade sem exageros. Meu colesterol como anda? Bem, tanto o meu como o do Marcos estão em níveis ótimos por enquanto. Melhor, impossível. O que mata é o sedentarismo e o excesso de alimento que vem pra casa embalado.
Veja aqui no Come-se
Aproveitei a deixa pra usar meus tutanos que estavam congelados, assim como o macarrão moldado em folhas de oliva que trouxe da Liguria, quando fui pra Itália. Os tutanos são deliciosos e podem ser derretidos na hora de usar. Aqui no Mercado da Lapa eu não compro. Ganho. É só comprar algo no açougue e sondar se tem tutano. Pergunte o preço que provavelmente, se o vendedor for com a sua cara, vai ganhar alguns como gentileza. Se não, é muito barato. Pelo menos eu sempre ganho. Estava guardando estes para fazer um vero risotto alla milanese que leva tutano e açafrão. Mas quero comer com o Marcos e por isto reservei um pouco para isto. Fica para um próximo post. Enquanto isso, Eliana e eu comemos este macarrãozinho que improvisei com legumes e que ficou muito bom, sim senhor. Se você for vegetariano, faça com azeite que certamente ficará bom.
Macarrão com tutano e legumes
230 g de macarrão foglie d´ulivo (ou parafuso, concha ou outra massa curta)
1 pedaço de tutano de 40 g finamente picado
1/2 cebola picada (60 g)
1/2 pimentão vermelho picado em tirinhas (50 g)
8 vagens picadas em fatias transversais (90 g)
4 azeitonas pretas picadas (35 g)
1/4 de xícara de folhinhas de manjericão verde e/ou roxo
Sal e pimenta-do-reino moída hora a gosto
Coloque numa panela 2 litros de água e 1 colher (sopa) rasa de sal e leve ao fogo. Quando ferver, jogue o macarrão e cozinhe pelo tempo indicado na embalagem. No caso das folhas, a indicação é de 12 a 15 minutos. Escorra.
Enquanto isso, numa frigideira coloque o tutano e a cebola e leve ao fogo alto. Quando derreter e a cebola começar a dourar, junte o pimentão e refogue por cerca de 1 minuto ou até murchar. Junte a vargem e mexa por mais um minuto ou até amaciar um pouco. Junte a azeitona e mexa só até aquecer. Desligue o fogo, junte o manjericão e uma pitada de sal e pimenta-do-reino. Por último, junte e a massa escorrida. Chacoalhe a frigideira para misturar os legumes e nhac.
Rende: 3 porções
A trajetória pode ser tão boa e feliz quanto a chegada. Esta gordura desprende um aroma muito bom enquanto derrete. E o brilho que dá? é de crescer os olhos.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Andanças por São Paulo ou Utensílios indígenas na Amoa Konoya

O Walter é bom de papo e ficou me devendo a receita de uma compota de lima de bico, de Pirinópolis.
Terminando ontem o passeio com meu amigo Celso Fioravante, passamos na galeria de arte indígena Amoa Konoya, que eu não conhecia. Fiquei impressionada com a quantidade e a beleza das peças indígenas, de várias etnias e aldeias diferentes espalhadas por este Brasil. A loja é tocada pelo casal Walter e Silvana com a ajuda dos filhos Davi, Pedro e Ariel, que sabem tudo de assuntos indígenas. Um ótimo lugar para comprar presentes originais: cerâmicas de todo o tipo, cestarias tradicionais, colares de sementes, bancos artesanais e até tipitis e raladores de mandioca.
Conjunto de raladores de mandioca - estas tábuas com espinhos
Amoa Konoya
Rua João Moura, 1002 - Jardim América
Tel. 11 2061-0639
Andanças por São Paulo ou a Obra de Regina Silveira

Continuando o passeio de ontem, no último minuto do segundo tempo ainda consegui ir com o Celso na galeria Brito Cimino, que fica quase do lado do restaurante da Rita. Todo o resto da exposição da artista plástica gaúcha Regina Silveira já tinha sido desmontado, mas a instalação que eu queria ver por sorte ainda estava lá intacta. Fazia parte da exposição Mundos Admirabilis e Outras Pragas, que reunia treze obras inspiradas nas pragas bíblicas. Baratonas, moscas e besourões impressos em finas porcelanas. De longe provoca atração pois as formas das peças sobre a mesa nos mostram objetos confortáveis aos olhos e estômago. Mas, de perto, a simples associação destas pragas com algo tão reconfortante quanto a comida causa grande repulsa. E aí é que mora a arte. Rerum Naturae é o nome da obra que inclui não só um serviço de mesa completo, mas até a toalha. Tudo em preto e branco. Bem, o crítico de arte é o Celso, eu só queria mesmo era ver de perto. Se alguém não viu e gostaria de ver, ligue na galeria e pergunte se ainda há tempo - a mesa será a última a ser desmontada. Vale a experiência. Coincidentemente a calça do Celso era toda pintada com moscas/borboletas pretas. Obra do artista plástico Pitágoras.
Petit Gourmet
Já falei da minha amiga Rita Atrib aqui no Come-se (aqui e aqui). Arquiteta de formação e especialista nas panelas por opção, ela é dona do buffet Petit Comité e agora resolveu se aventurar no ramo de restaurante. Percebendo a dificuldade de executivos da Vila Olímpia em comer sem demora mas com qualidade, em ambiente agradável e com preço modesto, foi lá e mostrou serviço. O restaurante só tem 3 semanas e ontem quando chegamos (nosso amigo comum Celso Fioravante e eu), por volta de 14 horas, ainda estava lotado. A comida estava fresca, quentinha, gostosa, leve, saudável, parte dela orgânica (e um projeto de trabalhar com pequenos produtores está para ser implantado), com carnes, legumes, muitas folhas e até opções para vegetarianos. O tempo era vigiada com os olhos atentos dos donos, sempre por perto - Rita e seu sócio Eduardo. Pena que está longe de mim. Mas, se você trabalha por ali, vale a pena experimentar. Como só funciona no almoço, o espaço do restaurante pode ser alugado para eventos, particulares ou de empresas, nos horários livres, incluindo ou não o serviço do buffet. Ah, e no terraço tem uma parreira!
Entre as sobremesas deliciosas, este doce de batata-doce roxa encantava. Pedi a receita e, claro, ela me deu. Aí embaixo:
DOCE DE BATATA-DOCE ROXA
400 g de açúcar mascavo (pode ser o branco)
250 ml de água
¼ de colher (chá) de vanilina ou baunilha
1,2 kg de batata-doce roxa
Modo de preparo
Cozinhar as batatas com cascas, descascar e processar. Em uma panela, deixar ferver a água e o açúcar, até atingir ponto de fio. Acrescentar a batata, mexendo bem, até virar uma pasta lisa e o fundo soltar da panela. Desligar o fogo e acrescentar a vanilina. (Receita de Rita Atrib)
400 g de açúcar mascavo (pode ser o branco)
250 ml de água
¼ de colher (chá) de vanilina ou baunilha
1,2 kg de batata-doce roxa
Modo de preparo
Cozinhar as batatas com cascas, descascar e processar. Em uma panela, deixar ferver a água e o açúcar, até atingir ponto de fio. Acrescentar a batata, mexendo bem, até virar uma pasta lisa e o fundo soltar da panela. Desligar o fogo e acrescentar a vanilina. (Receita de Rita Atrib)
Nota do Come-se: decore com um pouquinho de chantilly ou qualquer enfeitinho comestível branco: suspiro, queijo mascarpone, creme de catupiry...
Petit Gourmet
Rua Gomes de Carvalho, 1104 - Vila Olímpia
04547-004 - São Paulo - SP
De segunda a sexta, do meio dia às 15 horas
Tel. 3845-2020
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