quinta-feira, 6 de março de 2014

Caferana. Resposta à charada


Hoje tem coluna minha no Paladar. Amanhã reproduzo aqui com mais fotos e mais detalhes.

A verdade é que quem respondeu conhecia a frutinha. Até parece que é uma fruta popular, mas não é, não. Nem nas terras de origem. O alto índice de acerto tem a ver com a inconfundibilidade da fruta. Quem conhece, conhece. Difícil confundir. Só eu com os nomes. Já explico.

Caferana é a resposta à charada. Ou não, afinal caferana pode nomear fruta de outra espécie. E a mesma espécie pode receber nome de outras frutas. Cereja, ameixa do peru, cereja espanhola, ameixa, cereja, fruta manteiga de amendoim, caferana e até falso guaraná. Não, não vamos chamá-la de falso nada. Nenhuma espécie viva ou morta merece o desdém de ser chamada de falsa alguma coisa. Caferana pode confundir com outras espécies também. Porém, caferana é bonito, é facilmente associado a esta fruta e não corremos o risco de achar que seu mérito está em se parecer com guaraná, ameixa ou cereja. Agora, para não ter erro mesmo, basta chamá-la pelo nome de batismo, Bunchosia armeniaca. Da família da acerola.

Meu amigo Guilherme Ranieri, durante um passeio aqui no meu bairro para coleta de espécies alimentícias nas ruas, já havia me mostrado a árvore aqui na vizinhança. Ele logo se lembrou do nome, caferana, me mandou email, falou que havia experimentado ainda dura e que não era gostosa. E a conversa parou por aí. Não sei porque, cismei que a planta era a azeitona do ceilão e fiquei com este nome na cabeça, mesmo tendo o Guilherme me dito que não era.  No antigo sítio dos meus pais, em Fartura, havia uma árvore dessa entre os pés de café e também cheguei a provar um fruto duro, já com cor alaranjada. Não achei nada bom e nunca mais me interessei por ela. Desprezo total. Mas o tempo passou e eis que a fruta madura aparece a menos de cem metros da minha casa.  Nem sabia que de laranja a fruta passava a vermelho. Nunca tinha tido a felicidade de encontrá-la em tal estado de graça.

Tudo aconteceu quando na última sexta-feira minha vizinha Ana me convidou para ir colher folhas de mamão na praça para fazer aquele defensivo que mostrei aqui (ela está usando no solo para uma praga nas suas flores e tem dado certo). Na volta, avistei uma árvore no estacionamento do clube carregada de frutinhos vermelhos. Vamos lá comigo?, convidei Ana. Claro. Já cheguei colocando na boca a mais madura que encontrei. Ana fez o mesmo. O que é?, ela perguntou. Acho que é azeitona do ceilão, ignorando que o Guilherme já havia me contado. Aliás, aprendo muito com o Guilherme. Mas ele sabe tanta coisa que vou guardando aos poucos na medida em que me deparo com a coisa ou na justa necessidade do momento.

Ana havia levado um saquinho e fizemos a festa depois de provarmos e gostarmos. Ela foi mais rápida que eu na identificação do sabor: hum, tem gosto de amendoim. Poxa, é mesmo, um sabor suave de amendoim cozido, manteiga de amendoim, ficamos ali divagando e colhendo.

Juliana Valentini, do viveiro Oiti e do blog De Verde Casa é outra que vive me acudindo.  Chegando em casa mandei fotos pra ela dizendo que havia comido azeitonas do ceilão maduras. Tem fotos das flores?, ela perguntou. Sim, mandei. Então não é azeitona do ceilão, mas Bunchosia armeniaca (ela nunca fala o nome popular, vai direto à identidade botânica).  Confusão desfeita, pesquisas, pesquisas e a surpresa do nome em inglês, peanut butter fruit (fruta manteiga de amendoim). A partir daí foi só alegria de saber tanta coisa da fruta tão nutritiva e descobrir tantas possibilidades.  Os nomes populares brasileiros e estrangeiros do tipo falso isso, falso aquilo, ameixa aquilo, cereja aquilo outro, peanut butter etc nos costumam levar à exaustão quando se quer saber exatamente do uso daquela fruta na cozinha. Já a descrição botânica e composição química e nutricional, por exemplo, são mais fáceis porque leva em conta o nome científico que é um só.  De minha parte, não erro nem confundo mais.

O que fiz, então, foi explorar por conta própria a fruta de acordo com o que ela oferecia. Cor vermelho forte, doçura, sabor de amendoim, textura de doce de feijão, como disse o leitor David.  De fato, o fruto verde não tem graça. Cheguei a cozinhá-lo com sal para ver se era comestível, mas não gostei. Tem sabor um pouco amargo.

Bem, a fruta não é nossa, nativa, porém, vem de próximo. Dos Andes da Colombia, Equador, Peru, Bolívia. E se dá muito bem por aqui. Estamos em plena temporada de flores, frutos verdes e maduros.

As folhas lembram as de café, talvez daí o nome caferana. As sementes gordinhas e pontudas ocupam grande parte do fruto. Um projeto de semente, como se fosse uma só que chapada, também ocupa espaço da polpa e não deve servir para nada. Às vezes o fruto se separa justamente entre uma parte mais fina com o arremedo de semente e outra com a semente fértil. A pele é super fina e sai fácil do fruto maduro, basta puxar com os dedos. É também comestível, nem precisa tirar.

É gostoso comer o fruto colocando-o inteiro na boca como uma azeitona (aliás, é um pouco maior que uma azeitona gorda) e tirando o caroço chupado. A massa lembra extrato de tomate e, como disse o Elson Elque na charada, pode ser usado como tal (o leitor conta que a tia, na Bahia, fazia o extrato da fruta e usava em vários pratos).  Posso dizer que tive a mesma inspiração quando vi a massa que rendia.

Não é fácil separar a polpa do caroço pelo corte, mas se passar por peneira a polpa densa e macia  não oferece resistência. Outro jeito que dá certo é congelar a fruta e tirar lasquinhas. Fiz assim para bater com kefir - combina com ingredientes azedos, já que é como um caqui em matéria de acidez. Não se sente acidez alguma.  

Além do kefir batido, fiz a fruta dourada no azeite com flor de sal, no molho para o peito de pato e passado diretamente no pão com mel (assim como americano gosta de fazer com a verdadeira manteiga de amendoim). Achei tudo delicioso. No molho para o peito de pato, não dá pra dizer que não seja tomate, pois juntei um pouco de vinagre - uma certa acidez somada com a doçura e a cremosidade que lhe são próprias resulta num molho perfeito que substitui o de tomate facilmente - o sabor de amendoim desaparece quando combinado com outros elementos pois é muito sutil.

Agora que já dei a ficha, dê uma olhada nas calçadas do seu bairro. Por ser uma árvore muito ornamental, não é raro encontrá-la por aí manchada de flores amarelas e frutos verdes, laranjas e amarelos.  Você vai reconhecer pelo biquinho, pela cor e pelo sabor. Mas veja aqui todas as fotos que tirei para não ter dúvidas. E explore você também os usos desta fruta tão pouco valorizada mesmo nos países de origem.

Vermelhos assim: delícia!
Verdes e verdolengos, ainda que coloridos, não são gostosos não.

As sementes verdes com biquinho colorido


A primeira experiência. Congelada, no kefir




Apenas dourada no azeite e polvilhada com flor de sal.  Passe no pão e nhac!






Pode ser passada no pão como geleia, sem mais nada

Ou misturada com mel ou geleia de frutas como se fosse uma verdadeira
manteiga de amendoim 
Cor de laranja mas ainda imatura. Não é gostosa, não. Nem crua nem cozida.
É como um tomate cremoso. A pele sai fácil mas nem precisa tirar pois não
ofende

As sementes podem ser separadas na peneira usando uma espátula. A
polpa é cremosa e pode ser usada em molhos doces ou salgados, sorvetes,
vitaminas, doces, geleias, mingaus etc.

Lembra extrato de tomate. Certamente rico em licopeno


Usado como polpa ou extrato de tomate 
Pronto, fica com esta textura. Serve como base para pratos com carne ou
massa.



Com peito de pato 




Ana Campana colhendo comigo 

A prefeitura fez uma poda para desestimular colheitas urbanas ... É a árvore
do meio, do lado direito da mais baixinha 

A planta com flores amarelas é decorativa
Porque fazem isto com as árvores? Aqui, no clube ACM, rodeada de asfalto
até o colo
Encontrei mudinhas prontas em volta da árvore



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O que é, o que é?

Esta é fácil, mas aposto que muita gente ainda não conhece. Quer arriscar um palpite? Resposta só depois do carnaval, pois a equipe do Come-se foi dispensada no feriadão. De olho nas árvores com frutos por aí.  Inté e alalaô!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Caipirinha de tomate de árvore ou de tamarillo

Tomate de árvore foi uma das primeiras espécies que plantamos na chácara. Dos dois tipos, do amarelo e do vermelho. Já falei desta espécie aqui: http://come-se.blogspot.com.br/2008/03/tamarillo-ou-tomate-de-rbore.html

A árvore da Fartura 
A planta cresceu rápido, ganhou folhas largas que fizeram boa sombra. Produziu um pouco de frutos, mas nada que se comparasse ao pé que tinha no antigo sítio dos meus pais em Fartura.

Produção de Fartura

Lá produzia muito. Mas agora, quando a planta começou a ganhar uma carga boa de frutos, os galhos começaram a murchar e depois secar.  Achei que era a seca, mas na semana passada fui cortando as pontas secas e notei que estavam com um tipo de broca que destrói o cerne dos galhos, um verme branco. Tirei todos as partes contaminadas, pulverizei tudo com biofertilizante que fiz à base de chorume e deixei um gotejamento leve de água ao redor do pé, além de colocar na terra um pouco de material pronto da composteira. Vamos ver como reage. Se não, planto outro.

Quando plantei na chácara em Piracaia era assim
Em menos de dois anos ficou assim:  o arbusto de folhas largas à esquerda 
Antes disso, colhi os frutos bons que haviam recém caído no chão e aproveitei para fazer caipirinha junto com o maracujá que também já começa a amadurecer.

Marcos preparando sopa de tomate de árvore: para plantar
Havia vários frutos podres no chão. Podres mas não bichados. Coloquei-os todos num recipiente, juntei palhada, composto, terra e água. Mexi bem, quebrando os frutos, e jogamos às canecadas numa área de terraplanagem que estamos recuperando. Se a chuva aparecer...

E a caipirinha com tamarillo fica especial. É ácida, doce e aromática. E o tipo vermelho tem um pigmento vermelho bastante atraente. Então, não tem como dar errado. Ainda mais com maracujá. Uma ideia eletrizante e nutritiva para os dias de folia e calor.



Caipirinha de tomate de árvore e maracujá: foi só colocar a polpa de um fruto de tamarillo no copo, meio maracujá e uma colher (sopa) de açúcar. Soquei bem com socador, juntei 50 ml de cachaça, mexi até o açúcar dissolver, coloquei um monte de gelo e glupt! (aliás, o amigo Luiz Horta está de Glupt novo).

Foto que a Sônia me mandou fazendo inveja com este petisco

Caipirinha da Sonia: quando fiz a caipirinha de tomate de árvore no sábado de calorão, mandei a foto  para a amiga Sonia que está morando ali perto da chácara. Servida? De repente ela e o Rui poderiam dar uma passadinha lá pra bebericar. Ela respondeu que, sim, estava servida, que esperasse um pouco. Em dez minutos ou menos ela me manda esta foto (o acompanhamento com feijão fez inveja) dizendo que, sim,  estavam se servindo mas que não podiam nos visitar porque tinham compromisso. Que danada! Ela tinha em mãos tomate de árvore e maracujá que também plantou e fez a mesma caipirinha. Cachaça, claro,  todo brasileiro deve ter uma por perto, né não?

Então, neste carnaval, beba com moderação, dirija o menos possível mesmo se não beber - pois andar a pé é melhor,  não beba por beber mas escolha bebidas gostosas no momento certo e, se sentir falta do Come-se (é muita pretensão, fala sério), aguente aí que na quinta estou de volta. Boas festas, alalaô!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Destino do feijão goiano 2. Ou o feijão que plantei e colhi

Justiça seja feita, quem plantou e colheu o feijão foram os caseiros, Carlos e Silvana, com todo o capricho, como mostrei no post anterior. Minha parte foi embalar. Já estavam limpos, super catados.

De todos que trouxe da feira de Goiânia (200 g de cada), o que mais rendeu não foi o carioquinha como imaginei que seria. Pelo menos na nossa terra, o mais produtivo foi o roxinho: 4,1 kg. Seguido pelo vermelho e rajado. Com alguns tipos, tive prejuízo. O canário, por exemplo, que é lindo e gostoso, só rendeu 150 g (estas devem ser super sementes resistentes que vou replantar). Na próxima safra vou plantar mais roxinho e rajado e outros diferentes cujas sementes ainda guardo.

Só pra não esquecer 
Ontem o amigo Jerônimo Villas Boas veio aqui trocar as caixinhas das abelhas jataís (que se multiplicaram agora em cinco poderosas caixas) e almoçou o feijão vermelho. Disse que gostou.

Um dia Ananda me ligou perguntando como se faz feijão. Expliquei, ela aprendeu. O que seria dela se não fosse o livro da Rita Lobo? Lá ela aprende realmente a cozinhar. Aqui só tem coisa esquisita.

Mas então tá, vou dar aqui a receita de um simples feijão, desta vez especial, o primeiro feijão com uma trajetória mais ou menos conhecida.

Receita de feijão simples

Escolha se for preciso 200 g de feijão (roxinho, carioquinha, rosinha, canário, preto), lave bem, escorra e deixe de molho em 1 litro de água por cerca de 4 horas ou até que todos os grãos estejam inchados. Coloque o feijão e a água na panela de pressão com uma folha de louro, 1 pedacinho de courinho de bacon ou de toucinho fresco (opcional), 1 dente de alho amassado e 1 colher (chá) rasa de sal. Tampe a panela e leve ao fogo. Quando a válvula chiar, abaixe o fogo e deixe cozinhar por meia hora. Desligue o fogo, abra a panela depois que acabar a pressão, e veja se os grãos estão macios e se ainda resta caldo. Se secou, junte mais água quente para formar um caldo. À parte, refogue em uma panela ou pequeno caldeirão dois dentes de alho socados em 1 colher (sopa) de óleo. Deixe até o alho começar a dourar. Despeje sobre o refogado o feijão com seu caldo. Mexa com delicadeza e deixe cozinhar mais cinco minutos ou até engrossar o caldo.  Mantenha os grãos sempre cobertos com o caldo, se não racham.  Prove e corrija o tempero se necessário. Se quiser, junte cebolinha fresca picada antes de servir. Eu não quis. Rende: de 4 a 5 porções

O rajado: azul, roxo, rosa, vermelho. Eu não canso de olhar



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Calabura, continuação

Polpa macia e suculenta salpicada de sementes crocantes 
Continuando o post de ontem: http://come-se.blogspot.com.br/2014/02/calabura-e-o-que-e.html

Os frutos têm pouco mais de um centímetro 
Bem, como disse, fomos buscar as frutinhas na Alameda Lorena (antes de me perguntar a localização exata, veja o link acima). Pegamos as frutinhas do chão para semente e as do pé para comer. Devia também ter pegado alguns galhos, mas não sabia que a planta pode ser reproduzida também por estaquia.  Agora sei.

A planta Muntingia calabura é uma espécie exótica, originária do México, Bolívia, Caribe e sul do Peru. Foi introduzida no Brasil no começo da década de 1960 pelo Instituto Agronômico de Campinas e logo se tornou árvore de interesse para reflorestamento pois cresce rapidamente, produz flores que atraem abelhas e produz frutos que chamam muitos pássaros e morcegos frugívoros. E o bom é que é resiliente quanto aos tipos de solo. Solo ácido, alcalino, pobre, seco, degradado, não tem tempo ruim para o crescimento da calabura.

Os frutos ficam protegidos pelas folhas - aqui o fruto verde
Meu amigo Guilherme Ranieri me contou que as flores são viradas pra cima para atrair insetos e quando os frutos começam a se desenvolver os pedúnculos pendem para baixo, ficando sob as folhas. Segundo ele, bom para pessoas que os podem enxergar e alcançar. Mas devemos nos lembrar que os morcegos também podem chegar por baixo e se há alguma queixa sobre esta espécie nas cidades é a atração de morcegos.  Ela é boa para ser plantada ao redor de rios e lagos, pois os peixes adoram os frutos que caem na água.

Engraçado que lembrei de vários fatos que me fizeram ignorar até então a frutinha. Mesmo o leitor Stefano já havia me perguntado sobre ela no final do ano passado. Mandou foto e tudo. Respondi que não sabia, mas me lembrei do nome calabura, para esquecer novamente em seguida.  Agora, como disse ontem, desta frutinha não vou me esquecer nunca mais.

Ela é gostosa, tem casca fina e comestível e polpa na forma de uma massa cremosa salpicada de micro-sementes que conferem textura macia-crocante. É quase como comer gônadas de ouriço do mar, mas só na textura. O sabor doce é peculiar, mas na tentativa de associá-lo a algo que nos é familiar aparecem descrições estranhas. O leitor Stefano diz que tem gosto de doce de padaria antiga. Guilherme acha que tem gosto de pipoca doce, aquela do saquinho cor-de-rosa, de milho branco.  Há quem diga que tem gosto de algodão doce, de figo, de manga, de cacau. Pra mim, é um mini caqui macio salpicado de crocantes.

Na Alameda Lorena, em São Paulo 
Na Alameda Lorena a árvore é bem grande, deve ter uns 8 metros de altura, mas por sorte um galho cresceu debruçado sobre a calçada e as bolinhas vermelhas pendentes dão aspecto de árvore da natal.  Além de não ter roubado galho algum, também não dei atenção às folhas, que servem de chá aromático não só porque é gostoso mas também porque é medicinal. Da próxima vez elas não me escapam. Dizem que têm propriedades parecidas com as do chá verde. Experimente procurar no Pubmed pelo nome científico da planta e verá quantos estudos sérios há por aí tanto com os frutos quanto com as folhas.  Os frutos popularmente são considerados afrodisíacos. E tanto folhas, flores, cascas e raízes são usadas tradicionalmente como protetores gástricos e para curar úlceras. Pelo menos em ratos, com o estrato das folhas, o efeito gastroprotetor já foi comprovado.   As frutas apresentam muitos antioxidantes e vitaminas e parece que tem indicações para atletas porque combate inflamações dos músculos e previne lesões.

Hoje esta fruta está espalhada por vários países de clima tropical. Conforme artigo publicado no site do Department of Horticulture and Landscape Architecture at Purdue University (veja o link do artigo completo), aqui estão os nomes da fruta mundo afora: "In Mexico, local names for the latter are capolin, palman, bersilana, jonote and puan; in Guatemala and Costa Rica, Muntingia calabura is called capulin blanco; in El Salvador, capulin de comer; in Panama, pasitoor majagüillo; in Colombia, chitató, majagüito, chirriador, acuruco, tapabotija and nigua; in Venezuela, majagua, majaguillo, mahaujo, guácimo hembra, cedrillo, niguo, niguito; in Ecuador, nigüito; in Peru,bolina, iumanasa, yumanaza, guinda yunanasa, or mullacahuayo; in Brazil, calabura or pau de seda; in Argentina, cedrillo majagua; in Cuba, capulina, chapuli; in Haiti, bois d' orme; bois de soie marron; in the Dominican Republic, memiso or memizo; in Guadeloupe, bois ramier or bois de soie; in the Philippines, datiles, ratiles, latires, cereza or seresa; in Thailand, takop farang or ta kob farang; in Cambodia, kakhop; in Vietnam, cay trung ca; in Malaya, buah cheri; kerukup siam or Japanese cherry; in India, Chinese cherry or Japanese cherry; in Ceylon, jam fruit". In Morton, J. 1987. Jamaica Cherry. p. 65–69. In: Fruits of warm climates. Julia F. Morton, Miami, FL - publicado aqui.

E o que estamos esperando para sair à caça desta frutinha tão bem adaptada ao nosso clima e solo? Na Usp há algumas árvores e espalhadas pelas ruas de São Paulo também. O leitor David Ramos diz que em Indaiatuba há vários pés na praça, mas ninguém dá muita bola. Por que será que a gente só quer o que está longe?  As cerejas do Chile, o figo de Israel, a romã da Califórnia? Vamos dar uma olhada no que já temos adaptado por aqui?  E fazer geleias, doces, compotas, sorvetes, molhos para carne etc. 

As sementes possuem uma mucilagem. Para lavar, basta
juntar bastante água num vidro, chacoalhar e coar em tecido
fino. Seque e guarde para plantar. Veja na última foto o
tamanho minúsculo das sementes em comparação com outras
minúsculas, amaranto branco e amaranto vermelho 
O que fiz com minhas poucas frutinhas colhidas foi separar as sementes das que pretendo plantar e congelar as outras, já que não tive tempo de lidar com elas no dia da colheita. E, como desconfiava diante da extrema doçura, as frutas congeladas não endurecem e ficam como sorvetes mastigáveis com micro-pérolas friáveis. Mas não comi todas assim, não. Pensando num foie gras com molho de framboesas, resolvi aproveitar o fígado do pato recém chegado de Piracaia e fazer um molho para ele. Achei que combinaria e não errei.
 


Fígado de pato com molho de cebola e calabura. Temperei o fígado com sal e pimenta-do-reino e fritei um minuto de cada lado em manteiga misturada com azeite. Embrulhei em papel alumínio e deixei assim por 15 minutos para terminar de cozinhar. Enquanto isso, fiz o molho. Coloquei numa pequena frigideira uma colher (chá) de manteiga e 1/4 de cebola roxa média. Juntei meia colher (chá) de açúcar e deixei dourar. Acrescentei as calaburas (um punhado), umas folhinhas de manjerona, 1 colher (sopa) de licor de laranja e 1 colher (chá) de vinagre de Jerez. Polvilhei sal e deixei ferver um minuto. Despejei sobre o fígado morno, juntei um pedaço de pão torrado e nhac! em duas ou três mordidas. 

Nhac!








segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Calabura é o que é

Árvore na Alameda Lorena 
De dezessete, sete acertaram a resposta da charada. Logo a primeira resposta, da Veronica, já era a correta. No entanto, ainda disseram araçá, acerola, grumixama, café, gabiroba. 

Tudo começou quando o leitor Luciano Pupo me mandou foto perguntando que fruta era aquela, com gosto de suco de cacau e algo de figo.  O Luciano é o mesmo daquele caça ao tesouro Eugenia candoleana que publiquei aqui.  Daquela vez fui quem deu todas as coordenadas para ele descobrir onde estava a tal árvore que citava no post. 

Já agora quem deu o mapa da mina foi ele, inclusive com as coordenadas do Google Maps. Pra falar a verdade eu estava tão ocupada quando ele me perguntou, que tentei adiar a resposta - que exigiria de mim alguma dispersão, eu me conheço. Pedi para ele me mandar a foto da fruta partida ao meio. Com isto eu poderia ganhar algumas horas, quem sabe dias. Mas que nada. Ele imediatamente me mandou o seguinte email, incluindo a localização (para quem tiver curiosidade):  "Impossível neste momento... Comi as quatro. Mas antes de papar a última cortei-a no meio pra dar uma olhada (deveria ter fotografado também, né...?). Por dentro é bege, com veios aquosos entremeados na polpa. Há muitos "micro-grânulos" na polpa, que imaginei serem as sementes. Nenhuma delas tinha algum outro tipo de semente. Dê uma olhada neste endereço: https://maps.google.com.br/maps?q=alameda+lorena+582&ie=UTF-8&ei=G8AEU83hCYjNsQS7moHwDQ&ved=0CAkQ_AUoAQ É uma página do Google Maps, que se V. for aproximando no zoom, chega nas imagens reais (street view). Entre os nºs 572 e 582 existe uma árvore, é essa. Outra referência são as lojas Dyff e Diva; a árvore fica entre elas. Ou ainda dê um pulo lá pessoalmente, se tiver um tempinho. Garanto que não vai se arrepender. É um sabor único e sensacional.
Estava indo a uma reunião na Lorena e me deparei com essa joia. Hoje a árvore está um pouco diferente do que nas imagens do Google; há um ramo jovem que brotou perto da base que está proporcionando um belo toldo natural na calçada em frente à loja. Quando vi essas inéditas frutinhas vermelhas pendendo de cabinhos finos bem acima da minha cabeça, não resisti e arrisquei por uma na boca, quase que instintivamente, dada a improbabilidade de serem tóxicas. Só depois, quando saí por ali indagando de lojistas que árvore era aquela (ninguém sabia...), uma moça disse que sabia que podia comer. Mas eu já tinha comido... Nunca tinha visto/experimentado nada parecido. Espero que descubra, estou muito curioso
." 


Pensei em responder que definitivamente não sabia. Mas,  olhando bem a foto,  me veio à lembrança a frutinha que comia trinta anos atrás no Crusp, quando morava lá. A árvore ficava em frente ao bloco C e conheci a frutinha através do Acauã, também cruspiano. Não preciso dizer que parei tudo e escrevi pro amigo perguntando o nome.  Enquanto ele não respondia comecei a folhear o livro do H. Lorenzi (Frutas Brasileiras e Exóticas cultivadas). Lembrava de ter visto a frutinha ali. No mesmo instante que encontrei a descrição com foto no livro, chegou a resposta do Acauã: "calabura, boa para curtir na cachaça".  Aí comecei a lembrar de mais fatos que na hora não dei muita importância. Acauã citou a fruta e seu nome num piquenique que fizemos no começo deste ano, mas certamente eu estava conversando com outra pessoa e a inscrição ficou meio apagada na mente. Também no ano passado quando fui à casa/ viveiro da amiga Juliana Valentini e Flores, me lembro dela ter dito algo como "ah, esta fruta é meio bobinha, calabura, mas passarinho gosta". Era tanta novidade ali que não liguei muito para a árvore. Mas a inscrição ficou e só agora foi marcada para sempre. E é incrível como é assim que vou aprendendo. Então,  não me venha perguntar qual é o livro que tem tudo o que sei e que posto aqui no blog, afinal vou aprendendo e já disseminando, pois se um dia eu esquecer tudo, você poderá me salvar.

Então, nestes últimos cinco dias (Luciano me interpelou no dia 19) já me envolvei com a frutinha de várias formas. Primeiro, que segui a indicação e fui até a Lorena. Marcos e eu descemos vários quarteirões a pé, do conjunto nacional até a Alameda Lorena em plena sexta-feira quase já escurecendo. Chegamos lá e colhemos algumas frutas, fotografamos e comemos. Falhei em não recolher alguns galhos, pois fiquei sabendo que a planta pega por estaquia, além das sementes.

Bem, está aí, você já sabe a resposta: Calabura ou Muntingia calabura. Com o nome você pode procurar informações, mas se quiser esperar até amanhã, eu te conto tudo e mostro o que fiz com ela.  Este post está ficando grande demais.  Valeu, Luciano. Esta, fico lhe devendo. Continuo amanhã. 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O que é, o que é?

Quem acertar ganha meus sinceros parabéns, nada mais. Diga aí o que é, o que é. Resposta na segunda-feira.
Bom fim de semana!