sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Vamos fazer panetone?

A receita deste panetone está aqui. 
Não, não é agora. A menos que você já tenha o seu levain. Se não tem, comece a fazer hoje para ter um bom fermento para a próxima semana. 
Se tem o levain e já quer fazer um panetone, esta receita que dei aqui dá super certo. 

O levain também não tem erro. Se tem farinha em casa, ganhe tempo, comece agora mesmo. http://come-se.blogspot.com.br/2012/07/pao-do-zero-com-fermento-natural-levain.html. Com este tempo quente dá gosto ver como fermenta rápido. Se seu fermento ficou pronto e quiser ir se adiantando, bem. Se não, guarde na geladeira até eu voltar ao tema. 

Na semana que vem vou fazer o meu panetone com limão zamboa, passas e só. Mas as frutas, pode ir comprando as que preferir. 

E a do levain, está ali


Cebolinha, cebola e cebolona. Valem quanto pesam.

Colhidas do vaso
Entre o ideal e o possível a distância pode ser grande, mas qualquer passo dado é melhor que nenhum. Acho que a vida se tornaria mais fácil, menos complicada e a gente, menos agoniada por não conseguir a perfeição. Se não consegue usar todos os alimentos orgânicos, use pelo menos uma parte. Se não tem lugar para plantar, adapte uma jardineira na janela. Se quer plantar uma árvore, escolha uma praça abandonada. Não sofra, faça o que dá. Até parece conselho de auto-ajuda, cruzes, mas tive a clara noção disso ao colher estas mini cebolas aqui em São Paulo. Talvez não desse tanta importância ao fato se não tivesse, quase ao mesmo tempo, colhido cebolas da mesma idade e do mesmo tipo no sítio em Piracaia, onde foram cultivadas em condições muito mais favoráveis que a que tinha aqui.  

Plantadas displicentemente, apertadamente

Todas elas, plantei a partir do miolo de cebolas que usei na cozinha, como já mostrei aqui. Acontece que fui enfiando os miolos num pequeno vaso com terra. Algumas, levei para replantar no sítio. Em pouco tempo, as cebolas ficaram  grandes, bonitas, sem uso de fertilizantes nem defensivos. Mostrei algumas aqui.  O resto, ficou no vaso esquecido. Outro dia fui ver a pequena cultura e estavam tão apertadas que se espremiam saindo pra fora da terra. Colhi todas e eram tão pequenininhas que couberam na palma da mão.

Deu gosto apoiá-la na mão
Só com o talo curto
Pequenas como alhos
Não tive curiosidade de pesar as pequenas, mas a grande era tão biteca que não me contive. Com um pedaço do talo, mais de meio quilo. E todo o talo e folhas também foram aproveitados. 

Dourando no azeite com alhos

Douradas com fígado de galinha

As cebolinhas se juntaram àqueles alhos, foram douradas no azeite ao qual de juntou ervas, passas e fígados de galinha aferventados em caldo bem temperado e escorridos. 

Com carne de lata

Pimentão, tomates, berinjelas, cebolas, alho - todos colhidos no sítio
As cebolas grandes entraram como complemento da carne de lata (direto de Goiânia, presente da Emiliana) e nos legumes assados (todos colhidos em Piracaia!). 




Aferventa em água e escorre
Bate no liquidificador com azeite
Usa para refogar comidas cozidas
Como o arroz (com sobras de tomate e abobrinha por cima)

Já os talos brancos, usei como cebola também. E as folhas grandes e ainda verdes, separei os melhores pedaços, lavei bem, branqueei rapidamente e bati com azeite e sal. Guardei num vidro na geladeira. É ótimo para refogar arroz e legumes. No arroz de pilão, além de usar para refogar, joguei um pouco por cima depois de pronto. Ficou gostoso, nhac! 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Festa Gastronômica Nossa Pitada em Goiânia. Requeijão Moreno

A matéria de capa hoje no Caderno Paladar é sobre nossos queijos. Traz exemplos de todo o Brasil. Marajoara, coalho, manteiga, serro, salitre, canastra, araxá, colonial e serrano. São queijos que a despeito do entraves de circulação se insinuam pelas fronteiras Brasil afora e já podem ser encontrados para comprar em pontos de venda ou pela internet. Finalmente podemos apreciar a diversidade queijeira de nosso país.

A matéria cita o trabalho do Slow Food, que já mostrei aqui e lamenta a ausência do queijo do Centro Oeste que ainda não atravessa fronteiras.  Foi por isto que me lembrei de um ingrediente sobre o qual já ia esquecendo de falar a propósito da recente viagem a Goiânia para participar do Festa Gastronômica Nossa Pitada. Se depender das malas de quem visita o Centro Oeste, podemos dizer que, sim, o requeijão moreno atravessa fronteiras sorrateiramente na completa clandestinidade, chegando ao destino ainda melhor.


A caminho para a cidade de Pirenópolis, paramos numa grande concentração de comércio de beira de estrada, a  feira de Teresópolis. Ali se vendem de panelas de alumínio a abóboras gigantescas. Conservas, doces de leite e requeijão moreno estão entre os itens que se repetem em várias bancas.  Numa das bancas, numa cozinha improvisada e devidamente telada, um rapaz prepara o famoso requeijão moreno. Pode ser branco também, mas o moreno é o mais gostoso, pois leva na massa manteiga dourada, o que dá a ele um sabor amendoado delicioso.

É um queijo clássico dos Goianos. Mineiros também fazem, assim como várias regiões do Brasil têm sua versão (São Luiz do Paraitinga tem um requeijão de prato divino; no Rio Grande do Norte o requeijão de raspas faz sucesso, no Marajó o requeijão é feito com a mesma técnica porém com leite de búfala e em Minas também há requeijão branco, moreno e de raspas - cada um diferente do outro, com seu marcador regional).



Bem, pudemos assistir ao feito do requeijão em tempo real e ainda saímos de lá com a receita (já as fotos, através da tela ficaram lamentáveis, mas ficam aqui como registro): para 250 litros de leite, 2 litros de manteiga, sendo que só 1 litro é dourada antes.  O leite cru é deixado coberto de um dia para outro para coalhar. No outro dia, a coalhada é separada do soro e cozida em leite fresco para "lavar" a acidez. O coalho é drenado novamente e cozido com em manteiga dourada que vai sendo incorporada à massa devagar. Depois, mais manteiga é adicionada - desta vez, a manteiga crua. Em algum momento deste processo um tanto de sal é adicionado. Quando a massa está bem liguenta, é colocada em formas para que o queijo endureça. Ninguém que não tenha provado vai conseguir imaginar o que é este requeijão comido ainda quente e mole de colherada.

Estes são de Pirenópolis, de outra viagem, branco e moreno 
Claro, neste caso, a produção artesanal atende a uma demanda enorme de compradores motorizados que param ali para comprar a delícia, mas no caso do requeijão feito domesticamente o leite é acumulado aos poucos, diariamente,  até dar a quantidade ideal para uma boa quantia de queijo (que justifique a trabalheira que dá). Então o leite cru deixado coberto a descansar talha e libera a nata que sobe à superfície. Esta nata é recolhida dia-a-dia à medida que mais leite vai se juntando ali e na vasilha. Depois é aquecida para liberar a manteiga que é deixada no fogo até dourar. Os coágulos de leite são separados e aquecidos (só aquecidos, não fervidos) com leite fresco para lavar e tirar a acidez. Até três vezes o processo pode ser repetido, pois se os coágulos estiverem ácidos não darão liga ao queijo.  Depois de cozidos os coágulos e incorporados com a manteiga, a massa elástica pode ser moldada num prato com ajuda de colheres ou colocadas em formas, onde ficam até esfriar e endurecer.  Enfim, um queijo cheio de técnicas e sutilezas.

Se tiver curiosidade de ver o processo, assista a este vídeo caseiro (havia outros vídeos, já citados em outro post quando falei do requeijão de Pirenópolis, mas foram tirados do ar) que mostra uma receita  bem caseira e original.





quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Nariz para te ouvir melhor

 
Os pratos acima são só para você não se esquecer que este ainda continua sendo um blog de comida. Mas como já registrei aqui vários passos importantes da menina, faço-o novamente. Falar dela a cada dois ou três anos está de bom tamanho, não?

Hoje fomos, Marcos e eu, comemorar novo motivo de orgulho  no restaurante Jiquitaia, do qual já falei na semana passada.  Só nós, pais corujas, e comemos deliciosamente - eu, feijão tropeiro, Marcos, peixe -, brindamos, mandamos fotos para a filha e dissemos: estamos comendo esta comida deliciosa em sua homenagem. Resposta: carinha com boca invertida, snif. Ananda continuou trabalhando depois do encerramento da cerimônia de "formatura" da residência. Hoje o jantar para os pais será coletivo, mas refeições e viagens sem ela neste tempo todo foram várias. Almoços importantes, reveillon, festas, feriados, aniversários, várias datas foram passadas sem ela, que estava sempre trabalhando de dia ou de noite, às vezes de dia-e-de-noite.  Vida dura esta de médico. 

Há aqueles que são bons generalistas de nascença e os que nasceram para ser especialistas em alguma coisa. Eu, por exemplo, sou especialista em generalidades. Jamais seria uma especialista porque ora me interesso por matos da rua, ora quero saber sobre a bioquímica da curcumina. Já Ananda cisma com uma coisa e estuda a fundo, por isto agora entende quase tudo (sempre há o que aprender) de nariz, ouvido e garganta. Como o pai, formou-se em otorrinolaringologista. E gosta de fazer cirurgias (eu desmaio só de pensar em sangue), faz bem. E depois do jantar, mostra para o pai tomografias de pacientes, vêem juntos vídeos de cirurgias, discutem casos. Bonito de ver. 

E tudo bem que ela mal tem tempo para cozinhar ou falar de comida, minhas paixões. Mas gosta dos restaurantes que gosto, um alento. E pelo menos já acerta todos o que é, o que é, o que me deixa feliz. Mas quando penso que vou ter minha filha mais perto de mim, fico sabendo que  foi convidada para ser preceptora (chefe dos residentes) no mesmo departamento de otorrino do HC, no ano que vem. Ou seja, mais almoços sem ela, mais saudade e mais vontade de podermos voltar a cozinhar juntas. Um dia, quem sabe... Tudo por uma causa justa.

Ela era uma bebê séria (e meio careca, analfabeta e banguela) 
E virou uma séria médica, sabida e sorridente 
Já falei dela aqui e ali

Piquenique no Terra Madre Day do Slow Food Piracaia

Ontem foi dia de celebrar o Terra Madre Day em Piracaia-SP.  Em plena terça-feira vários membros e simpatizantes do Slow Food Piracaia apareceram no Parque Ecológico da cidade ao meio dia para simplesmente compartilhar o alimento sobre a toalha estendida na grama. Um almoço coletivo, só isso. Só isso? Tudo isto. Afinal, todo mundo se empenhou para levar pratos feitos com ingredientes locais. Queijo fresco da Milena, pão integral e coalhada seca do Fábio, torta de queijos de produtores locais com tomatinho da horta da Sonia,  bolo feito pela Sonia com amoras orgânicas do Celso, salada de arroz de pilão do Carlos, meu caseiro,  com pepinos, tomates e ervas da minha horta, arroz com licuri feito pela Samara, crostines de abobrinha da Maria, ovos caipiras que compro dos meus caseiros, porção de tilápia frita (pescada na represa),  comprada no quiosque do Ari pelo Edu (recomendo!), refresco de hibisco que colhi no sítio e tantas coisas mais: melancia, pães, ambrosia, pudim de tapioca etc.  E foi assim, com uma trégua do temporal, o rio Cachoeira correndo clarinho (embora poluído, a gente sabe e lamenta), um viveiro da prefeitura ao fundo, que doa mudas de árvores nativas, mesas sob as árvores sopradas por vento de chuva, banheiros públicos decentes,  muita criança, cachorro, professora com seus alunos, enfim gente trabalhadeira que tirou a folga do almoço para comer junto, para celebrar o alimento que a terra nos dá.  Em cidade pequena isto é possível e desejável  - houve quem perguntasse se iríamos fazer piquenique todos os meses.  Seria bom e o Parque Ecológico é uma ótima opção de lazer para piracaienses e piracaianos que queiram dar uma folga às distrações eletrônicas e outros afazeres não prioritários para nosso bem estar.   

Veja mais sobre o Terra Madre Day no Brasil e no mundo aqui. Se quiser fazer sua própria celebração, o site explica como.  

Fique com algumas fotos: 





Milena trouxe queijo fresquinho 

No parque há o Quiosque do Ari
Que serve esta deliciosa porção de tilápia da represa (não de criadouros)



Até uma cachorrinha apareceu e educadamente esperou ser servida

Sonia fez a torta com queijos de três produtores diferentes de Piracaia



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Amanhã é o Terra Madre Day

Amanhã, no mundo todo, convívios do Slow Food e associados costumam comemorar o dia da terra, Terra Madre Day, celebrando o que ela nos dá. Há um ano, o Come-se comemorou com alguns leitores uma colheita urbana. Neste ano, vou estar com amigos na cidade onde tenho uma chácara. Para quem estiver por perto, transmito aqui o convite do Slow Food Piracaia: 

Convidamos a todos a se juntarem a nós em um
Almoço Comunitário no Parque Ecológico, em Piracaia-SP, para celebração do Terra Madre Day

O que levar?
A ideia é que os participantes levem um prato preparado
com alimento local para ser compartilhado e sua bebida.
Não esquecer de prato, copo, talheres, guardanapo
e toalha para colocarmos na grama. Lembramos que deve ser evitado o desperdício, o uso de utensílios descartáveis de plástico e que se deve dar preferência para produtos não industrializados.

Quando?
Terça-feira, 10 de Dezembro de 2013
Que horas?
Das 12:00 às 14:00

Onde?
Parque Ecológico de Piracaia
Rua Sebastião Ferreira de Araújo Filho
Bairro de Santo Afonso
Piracaia - SP

E aqui umas palavras sobre o evento que todos associados receberam por email do Slow Food Brasil. Junte-se a nós! 

"Terra Madre Day 2013
Celebrando o alimento local e protegendo a biodiversidade

Todo dia 10 de dezembro o Slow Food comemora o Terra Madre Day que é uma celebração mundial do alimento local.
Onde? Como?
Onde quer que você esteja, pode participar de um TMD.
Clique aqui e descubra os eventos registrados no Brasil e procure pelo mais próximo.
Você também pode fazer o TMD no seu próprio estilo. Pode ser um piquenique ou uma janta familiar, com os amigos, comunitária ou até uma festa. Pode ser grande ou pequeno. O importante é celebrar o alimento e a diversidade, do alimento e das pessoas.

Local
Valorize o alimento local.
Prefira consumir alimentos produzidos próximos de você.
Quanto maior a proximidade, mais você valoriza o entorno e tem garantia maior de um alimento fresco. Procure conhecer um pouco da biodiversidade local.

Indique um produto para a Arca do Gosto
O TMD sempre promoveu o uso de produtos da Arca do Gosto, que são alimentos em risco de extinção. Este ano queremos ir além e incentivar não apenas o uso deles, mas que as pessoas indiquem alimentos para que esta Arca cresça e proteja toda agrobiodiversidade com risco real ou potencial de extinção.

O Brasil tem a maior biodiversidade do mundo e é de se supor que muitos alimentos tradicionais e silvestres estejam se perdendo junto com nossos biomas.
Indique alimentos de sua memória.
Aqueles que não se encontram mais.

Baixe o formulário de inscrição, preencha e envie para a comissão da arca (arcadogosto@slowfoodbrasil.com)

Participe e convide um amigo para se associar
(para mais informações escreva para contato@slowfoodbrasil.com)"
Slow Food Brasil

Só para ter uma ideia, dê uma olhada nos eventos que acontecem aqui no Brasil: (vá ao site para mais informações sobre estes e eventos no mundo todo) 

Data
Evento