sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Coca cola é isto aí!
Não tenho por hábito tomar refrigerante, mas já gostei de coca-cola e tubaína. Hoje, quando tomo coca-cola sinto forte cheiro de barata (ou é veneno de barata?). Outro dia, numa viagem à Bahia, minha amiga Silvinha e eu paramos na estrada à caminho de Uauá, e pedimos uma coca-cola bem gelada. Aquele cheiro discreto de barata que sinto normalmente estava ainda mais forte. Nós duas sentimos. Pedimos pra trocar a garrafa e os copos, pensando que talvez o gosto não fosse exatamente da bebida. Pois continuou. E agora, esta reportagem. O caso do moço parece não ter nada a ver com o assunto discutido pelos especialistas confiáveis, de qualquer modo, e sem aqui querer ditar regras, acho bom tentar consumir o menos possível desta bebida e de outras açucaradas (e adoçantadas) até o momento em que voltaremos a sentir prazer em matar a sede e se refrescar com o bem mais precioso que temos por aí, água! E não pense que só a coca-cola peca em corantes e outras substâncias tóxicas. Tem o caramelo IV na cola, o amarelo tartrazina nas bebidas amarelas etc. Fora outros aditivos. Gente da minha idade ainda foi pouco exposto a estas substâncias todas, agora, imagine crianças que já crescem tomando coca-cola na veia. E pensar que a coca-cola patrocina congressos de nutrição aqui no Brasil, hem?
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Framboesa da montanha na serra de Piracaia
Há duas semanas avistei na beira da estrada um pé de framboesa crescendo selvagem. Sabia que não era moranguinho silvestre - a framboesa vermelha -, cuja planta tem porte menor e galhos sem cera. Esta era maior e tinha galhos esbranquiçados com uma névoa de cera. E é tanto espinho, que machuca só de olhar, mas fiquei na maior alegria quando vi os frutinhos tomando formato. Era a framboesa da montanha, ou Rubus niveus, que queria - tentei plantar antes sem sucesso. E já falei dela aqui.
A planta é nativa do Himalaia, mas se deu bem aqui na Serra da Mantiqueira. Tinha notícias dela para os lados de Campos do Jordão, mas não nesta banda menos fria da Mantiqueira, à qual pertence Piracaia. Na hora não consegui arrancar um galho sequer - tentar manusear a planta com mãos nuas é como mergulhá-las em formigueiro: chance zero de que saiam ilesas. Também não colhi nenhum fruto pois ainda eram ensaios de framboesa. Mas na outra semana, quando passaríamos por ali novamente, já iria preparada com uma tesoura, pelo menos. E também alguns frutos já estariam maduros.
E assim foi. Na semana passada paramos o carro, desci equipada, cortei galhos e fui puxando com a própria tesoura, que usei para cortar pedaços. Os galhos vão se enganchando em tudo pois os espinhos são curvos. Em casa, separei alguns frutos maduros para comer e fui cortando as pontas dos espinhos. Cortei pedaços dos galhos, deixei na água e trouxe para São Paulo. Sei que não é o melhor momento para fazer mudas - deveria ter feito no meio do inverno, mas resolvi arriscar e agora galhos estão enterrados. Quem sabe, ainda brotem. No ano que vem quero ter muito destas frutinhas para fazer Kvas, tortas e geleias. Pelo menos já sei onde sempre terá. Mais que pela delícia, pela lindeza.
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| O habitat |
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| Meio escondida entre outras plantas do barranco |
Coluna do Paladar, edição de 19/09/2013. Cúrcuma ou Açafrão-da-terra
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| O pó mais claro foi comprado no supermercado. O mais escuro, purinho, comprei em Goiânia, na feira |
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| Cúrcuma e colorau na feira do Ateneu, em Goiânia |
CÚRCUMA OU
AÇAFRÃO-DA-TERRA
O nome açafrão-da-terra, quase sempre abreviado para simplesmente açafrão, pode confundir cozinheiros pouco experientes, já que o rizoma da Curcuma longa não tem nada que ver com o estigma de flor da espécie Crocus sativus usado na paella, este sim o açafrão verdadeiro. Está certo que podemos encontrar no mercado corantes para o prato espanhol feitos com o açafrão-da-terra, muito mais barato, mas seus méritos próprios são tantos que seria vulgar tratá-lo como fraude de cor. Ainda em relação ao nome, vale lembrar que açafrão tem origem etimológica na cor amarela, em árabe, o que dá razão a ambos.
Embora possamos chamá-lo de cúrcuma, açafrão-da-terra ou gengibre dourado, para evitar ruídos prefiro usar o termo cúrcuma para este rizoma asiático super bem adaptado em todo o mundo tropical e da mesma família do gengibre. Seu sabor é mais para o amargo, mas a coloração é tão forte que uma pequena colher do pó é suficiente para colorir e dar sabor a uma xícara de arroz sem chegar ao ponto de amargar o prato.
Os
rizomas podem ser encontrados apenas durante a época de colheita. E mesmo assim, é difícil, pois quase toda a
produção se transforma em pó. Quando encontrar um, enterre em um vaso ao menos
um pedaço e terá uma planta linda, que brota na primavera e dá flor no verão.
No outono as folhas tombam, é hora de colher. Para usar, basta ralar ou bater
no liquidificador com água e usar o líquido coado.
O bom é
comprar o pó, que conserva o sabor e concentra a cor, de produtores artesanais
que secam e trituram a cúrcuma sem misturas. Nas feiras de Goiânia, por
exemplo, você encontra barracas de tempero muito coloridas com bacias cheias de
colorau e de cúrcuma sempre juntos como dois marcadores importantes da comida
brasileira, especialmente no centro-oeste – afinal, galinhada sem cúrcuma não é
digna do nome. Em Sergipe, a cúrcuma é usada para dar cor ao molho branco. E,
embora não seja muito comum, a cúrcuma pode entrar no preparo de doces. É o
caso do bolo libanês Sfoof, feito com
semolina.
E uma
característica da cúrcuma que vale a pena ressaltar é a reação do seu pigmento curcumina,
que aliás é um potente antioxidante, em meio alcalino e isto pode ser divertido
em performances culinárias. Para
conferir, faça a experiência: ferva um pouco de cúrcuma em água e divida em duas
partes. Junte um pouco de bicarbonato em uma e vinagre na outra. A primeira
mistura, alcalina, ficará vermelha. Com vinagre, a cor se mantém.
Agora,
não pense que cúrcuma é apenas o rizoma com sua cor. As folhas frescas têm incrível
perfume de manga verde e podem ser usadas embalar peixes e doces de arroz, como
é feito na Índia, país onde a cúrcuma, de um modo ou outro, está sempre
presente. O pó amarelo entra na maioria dos temperos de caris e pratos com
grãos e vegetais, como a receita do jiló a seguir, que aprendi com uma vizinha
indiana. É só servir com arroz e nhac.
Refogado indiano de jiló
2 colheres
(sopa) de óleo
1 colher
(chá) de grãos de cominho
1 colher
(chá) de grãos de mostarda marrom
1 cebola pequena
picada
1 tomate
médio picado
¼ de
xícara de pimentão vermelho picado
1 pimenta
dedo-de-moça picada
2 colheres
(chá) de cúrcuma
1 colher
(chá) de sal ou a gosto
4 colheres
(sopa) de folhas de coentro
1 xícara
de água
10 jilós picados
em quartos
Numa panela,
em fogo médio, coloque o óleo, o cominho
e a mostarda. Quando começar a pipocar, junte a cebola, o tomate, pimentão e a pimenta. Acrescente a cúrcuma e o sal, misture e
refogue por um minuto. Junte a água,
mexa, tampe e deixe cozinhar até amolecer o tomate e formar um molho. Junte o jiló, misture com o molho, tampe a
panela e deixe cozinhar por 15 minutos ou até que fique macio. Se precisar, junte
um pouco mais de água quente. Prove o
sal e corrija, se necessário. Desligue o
fogo, junte o coentro e sirva com arroz.
Rende:
6 porções
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Cebolas: o jeito certo de cortar - e de plantar
Você pode cortar cebolas de boca fechada, com a torneira aberta, dentro da água, tudo pra não chorar. E obter fragmentos dela em cortes julienne, brunoise, jardinière, macédoine, mirepoiix, vichy, matignon, paysanne e o escambal(ière).
O importante, desde que comecei a plantar tudo o que possa rebrotar, é aproveitar o miolo para obter nova planta, nova cebola, cebolinha, botões. A primeira dica veio do curso de horta que fiz recentemente. A professora Vivian disse, coisa de um mês atrás, que era a hora de plantar cebola e alho.
A cebola é como a cebolinha, basta enterrar o resquício de raiz que ela rebrota. Fui fazendo isto, enterrando só a base. Mas demorava a rebrotar. Passei a enterrar, então, só o miolo da cebola - onde há o germe, da metade para baixo. Mas o Carlos, caseiro, me contou que se enterrasse assim, o resultado seria mais cebolas, porém menores. Se deixasse uma parte maior - a que percorre toda a cebola, a planta cresceria mais e daria cebola maior. Desde então passei a cortar cebola em lascas, preservando o miolo, que vou enterrando num vaso qualquer, até poder replantar na horta do sítio. Com isto, não consigo mais cortar cebolas em rodelas. Você pode cortar, claro, e plantar só um miolo mais curto. Corto uma banda deixando o miolo inteiro, como um pavio de vela. Viro, corto a outra metade. Tenho duas bandas grandes que podem ser fatiadas, obtendo meia-luas, se cortadas na transversal, ou lascas, cortadas no sentido do comprimento. O que sobra, duas faixas ao redor do centro, corto em cubinhos.
Se você não tem perspectiva de replantar em local mais adequado, deixe os miolos no vaso mesmo ou numa jardineira e vá usando as folhas como cebolinha. Se der broto, coma os brotos também. Elas crescem rapidamente, desvestindo-se dos vestígios de cebola. Basta enterrar a base numa covinha bem rasa.

O importante, desde que comecei a plantar tudo o que possa rebrotar, é aproveitar o miolo para obter nova planta, nova cebola, cebolinha, botões. A primeira dica veio do curso de horta que fiz recentemente. A professora Vivian disse, coisa de um mês atrás, que era a hora de plantar cebola e alho.
A cebola é como a cebolinha, basta enterrar o resquício de raiz que ela rebrota. Fui fazendo isto, enterrando só a base. Mas demorava a rebrotar. Passei a enterrar, então, só o miolo da cebola - onde há o germe, da metade para baixo. Mas o Carlos, caseiro, me contou que se enterrasse assim, o resultado seria mais cebolas, porém menores. Se deixasse uma parte maior - a que percorre toda a cebola, a planta cresceria mais e daria cebola maior. Desde então passei a cortar cebola em lascas, preservando o miolo, que vou enterrando num vaso qualquer, até poder replantar na horta do sítio. Com isto, não consigo mais cortar cebolas em rodelas. Você pode cortar, claro, e plantar só um miolo mais curto. Corto uma banda deixando o miolo inteiro, como um pavio de vela. Viro, corto a outra metade. Tenho duas bandas grandes que podem ser fatiadas, obtendo meia-luas, se cortadas na transversal, ou lascas, cortadas no sentido do comprimento. O que sobra, duas faixas ao redor do centro, corto em cubinhos.
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| Mesmo se deixada esquecido sem plantar, o germe cresce, empurrando o resto de cebola que ficou grudado |
Se você não tem perspectiva de replantar em local mais adequado, deixe os miolos no vaso mesmo ou numa jardineira e vá usando as folhas como cebolinha. Se der broto, coma os brotos também. Elas crescem rapidamente, desvestindo-se dos vestígios de cebola. Basta enterrar a base numa covinha bem rasa.
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| Uso e enterro, uso e enterro |

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| Elas se viram pra se desvencilhar do resto de cebola |
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| Desenterro e levo assim para o sítio |
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| E lá, sim, crescem saudáveis |
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| Enquanto as cebolas não vêm, como os botões e talo, que são como cebolas verdes. O corte deles ajuda a cebola a ficar ainda maior |
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Pulgão ao suco de folha de mamão verde
Não, não se trata de um prato de bancs com pancs (bichos alimentícios não convencionais com plantas alimentícias não convencionais). É suco de extermínio mesmo.
Tudo começou quando a leitora do Come-se Júlia foi lá no sítio com a família. Sua sogra, Dona Maria, comentou que antigamente tiravam-se manchas de roupas usando folhas de mamão esmigalhada sobre a roupa molhada a quarar, sempre molhando, virando de lado, não deixando secar. Depois bastava tirar as migalhas de folha e enxaguar. Perguntei se podia bater a folha no liquidificador, já pensando em simplificar a vida? E se em vez de ficar molhando a roupa para o sol não secar a gente botasse a roupa amarela dentro de um saquinho plástico? E se isto e se aquilo? Ela não sabia responder porque naquele tempo era do jeito que falou. Fiquei com aquilo na cachola. No outro dia, assim que o sol nasceu, botei roupas para quarar do meu modo pensado. Peguei toalha de mesa e pano de prato com manchas e coloquei dentro de sacos imersos num suco feito com folhas de mamão e sabão batidos no liquidificador. Assim que o líquido esquentou, a cor verde sumiu. Virei o saco e deixei o sol agir do outro lado. De fato, os panos clarearam.
Mas antes disso, enquanto batia as folhas fiquei pensando na razão. Claro, deve ser por causa da papaína, que é uma enzima proteolítica - que quebra proteínas. Toda a planta do mamão tem papaína, assim como outras substâncias. Entre as enzimas proteolíticas há não só a papaína mas também a quimopapaína e papayproteinasa omega. Mas vamos pensar na papaína. Pensei nas utilidades da papaína como limpador de feridas, nas folhas usadas milenarmente para embalar carnes duras de caças a serem cozidas para torná-las mais macias, na seiva do mamão verde (que é um concentrado de papaína) que quando cai na córnea pode cegar, na papaína sobre machucados que faz arder, no mamão consumido por quem tem ferimentos na mucosa e que aumenta o estrago, no poder das enzimas proteolíticas sobre a proteína do leite e da gelatina. Gelatina de abacaxi, que também tem enzima proteolítica, a bromelina, só se faz com a fruta cozida, que inativa a enzima, se não a gelatina não gelatiniza. E a gente só tem aftas quando come abacaxi porque ele é ácido e tem a bromelina - o ácido torna a mucosa mais sensível à enzima. Se a fruta é só ácida e não tem esta enzima ou se tem a enzima mas não é ácida, não causa aftas - exemplos: limão e mamão. Um é bem ácido e o outro tem papaína. Nenhum dos dois causam aftas porque não tem as duas coisas juntas. Já kiwi tem os dois. Abacaxi também.
Tudo isto pra chegar à conclusão, enquanto coava o suco verde, de que se estas enzimas proteolíticas não destroem a proteína da nossa pele íntegra mas come a carne quando a ferida está aberta ou as proteínas expostas. Esta é uma visão bem simplista, digamos. Mas foi tudo o que me veio à cabeça no momento de decidir aplicar o resto daquele suco verde sobre os pulgões das couves. Vai que os pulgões sejam muito mais permeáveis que nós? Se a mucosa do nosso olho é sensível à seiva do mamão, vai que os pulgões, feitos de proteínas, sejam todos como mucosas expostas? Bem, não custa tentar.
Pulverizei num pé de couve - que plantei num solo pobre de terraplanagem, sem cuidados - que estava tomado de pulgões. Morte imediata! Fiquei tão empolgada que fiz um teste, pois vai que eles simplesmente morreram afogados. Coloquei então duas partes de couves colonizadas por pulgão em pratos diferentes. Num pulverizei água e no outro, o suco de folhas de mamão. Depois de uns minutos, com água e suco secos no prato, os pulgões saíram rindo da água e se espalhavam pelo prato e pelo banco onde estavam. Os banhados pelo suco de mamão haviam sido exterminados!
Fiquei com vontade de contar o feito imediatamente aqui, mas quis pesquisar mais se havia algum trabalho mostrando o uso de papaína sobre pulgões. Não achei nada. E isto não quer dizer que não exista. Se alguém tiver notícias sobre isto, me mande. E fui fazendo mais testes.
E fui também ao Tratado de Fitofármacos Y Nutracéuticos, do argentino Jorge Alonso. E lá há vários trabalhos mostrando a eficácia do uso da planta em diferentes experimentos, usando frutos, seivas, ementes, raiz e córtex. Há bons resultados como antimicrobiano, antifúngico, contra larvas de Áscaris em cachorros, anticoagulante etc. E isto me diz então que não é muito loucura acreditar - e ter comprovado - que o uso de folhas de mamão verde é eficaz contra pulgões. Assim, podemos comer couves orgânicas tratadas sem substâncias tóxicas. Basta depois regar com um jato de mangueira que os pulgões caem mortinhos, secos, esturricados. E quanto a toxicidade do suco, nenhum. Nem pra nós, nem para as folhas, nem para a terra.
Fiz outros testes pulverizando sobre uns bichinhos que estavam no broto da minha roseira (não sei que bicho é, mas é miudinho como pulgão), sobre formigas - todos morreram, e estou à espreita de uma lagarta.
O que tenho feito ultimamente é bater no liquidificador 2 folhas e seus talos picados, com um pedaço - a ponta do dedão - de sabão. Meu liquidificador já coa e o sabão é caseiro, mas pode coar num pano e usar qualquer sabão. Fiz testes sem sabão e também funciona. O bom do sabão é que faz o líquido aderir aos bichinhos e à folha. Sem ele, o líquido escorre como gotas de orvalho por causa da oleosidade das folhas e dos bichos.
Já tinha tentado usar calda de fumo com sabão. Também funciona, mas não é extermínio imediato como com as folhas de mamão. Experimente e depois me diga.
Voltando à função de clarear roupas, aqui um trecho do livro do Jorge Alonso, sobre outros usos que fala também do uso das folhas em saladas. "La pulpa del fruto tiene uso comestible dado sua agradable sabor. Con ella se elaboram jugos, mermeladas y tortas. Las hojas suelen comerse en ensaladas, empleandose además, para remover manchas como sustituto del jabón. La papaína, de amplio uso en la industria farmecéutica no solo en productos digestivos, también se emplea en cosmética formando parte de cremas faciales lociones para limpieza de cutis. Se emplea tambíem para ablandar la carne, como clarificador de la cerveza, para el tratamiento de lana y seda antes de colorearlas, como coadjuvante de la fabricación de hule, como ingrediente en la formulación de pastas dentales y detergentes, y para mejorar el tanizado de cueros finos. La papaína forma parte de algunos productos destinados a la limpieza de lentillas corneales." (suprimi as referências que podem ser conferidas no livro citado lá em cima)
Tudo começou quando a leitora do Come-se Júlia foi lá no sítio com a família. Sua sogra, Dona Maria, comentou que antigamente tiravam-se manchas de roupas usando folhas de mamão esmigalhada sobre a roupa molhada a quarar, sempre molhando, virando de lado, não deixando secar. Depois bastava tirar as migalhas de folha e enxaguar. Perguntei se podia bater a folha no liquidificador, já pensando em simplificar a vida? E se em vez de ficar molhando a roupa para o sol não secar a gente botasse a roupa amarela dentro de um saquinho plástico? E se isto e se aquilo? Ela não sabia responder porque naquele tempo era do jeito que falou. Fiquei com aquilo na cachola. No outro dia, assim que o sol nasceu, botei roupas para quarar do meu modo pensado. Peguei toalha de mesa e pano de prato com manchas e coloquei dentro de sacos imersos num suco feito com folhas de mamão e sabão batidos no liquidificador. Assim que o líquido esquentou, a cor verde sumiu. Virei o saco e deixei o sol agir do outro lado. De fato, os panos clarearam.
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| Primeiro teste |
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| Agora sempre uso em roupas brancas - bato com sabão e jogo sobre as roupas que deixo sob o sol |
Mas antes disso, enquanto batia as folhas fiquei pensando na razão. Claro, deve ser por causa da papaína, que é uma enzima proteolítica - que quebra proteínas. Toda a planta do mamão tem papaína, assim como outras substâncias. Entre as enzimas proteolíticas há não só a papaína mas também a quimopapaína e papayproteinasa omega. Mas vamos pensar na papaína. Pensei nas utilidades da papaína como limpador de feridas, nas folhas usadas milenarmente para embalar carnes duras de caças a serem cozidas para torná-las mais macias, na seiva do mamão verde (que é um concentrado de papaína) que quando cai na córnea pode cegar, na papaína sobre machucados que faz arder, no mamão consumido por quem tem ferimentos na mucosa e que aumenta o estrago, no poder das enzimas proteolíticas sobre a proteína do leite e da gelatina. Gelatina de abacaxi, que também tem enzima proteolítica, a bromelina, só se faz com a fruta cozida, que inativa a enzima, se não a gelatina não gelatiniza. E a gente só tem aftas quando come abacaxi porque ele é ácido e tem a bromelina - o ácido torna a mucosa mais sensível à enzima. Se a fruta é só ácida e não tem esta enzima ou se tem a enzima mas não é ácida, não causa aftas - exemplos: limão e mamão. Um é bem ácido e o outro tem papaína. Nenhum dos dois causam aftas porque não tem as duas coisas juntas. Já kiwi tem os dois. Abacaxi também.
Tudo isto pra chegar à conclusão, enquanto coava o suco verde, de que se estas enzimas proteolíticas não destroem a proteína da nossa pele íntegra mas come a carne quando a ferida está aberta ou as proteínas expostas. Esta é uma visão bem simplista, digamos. Mas foi tudo o que me veio à cabeça no momento de decidir aplicar o resto daquele suco verde sobre os pulgões das couves. Vai que os pulgões sejam muito mais permeáveis que nós? Se a mucosa do nosso olho é sensível à seiva do mamão, vai que os pulgões, feitos de proteínas, sejam todos como mucosas expostas? Bem, não custa tentar.
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| A esquerda, água. À direita, suco de folha de mamão |
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| Com água, os pulgões se safaram, saíram do prato |
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| Com suco de mamão, extermínio completo |
Pulverizei num pé de couve - que plantei num solo pobre de terraplanagem, sem cuidados - que estava tomado de pulgões. Morte imediata! Fiquei tão empolgada que fiz um teste, pois vai que eles simplesmente morreram afogados. Coloquei então duas partes de couves colonizadas por pulgão em pratos diferentes. Num pulverizei água e no outro, o suco de folhas de mamão. Depois de uns minutos, com água e suco secos no prato, os pulgões saíram rindo da água e se espalhavam pelo prato e pelo banco onde estavam. Os banhados pelo suco de mamão haviam sido exterminados!
Fiquei com vontade de contar o feito imediatamente aqui, mas quis pesquisar mais se havia algum trabalho mostrando o uso de papaína sobre pulgões. Não achei nada. E isto não quer dizer que não exista. Se alguém tiver notícias sobre isto, me mande. E fui fazendo mais testes.
E fui também ao Tratado de Fitofármacos Y Nutracéuticos, do argentino Jorge Alonso. E lá há vários trabalhos mostrando a eficácia do uso da planta em diferentes experimentos, usando frutos, seivas, ementes, raiz e córtex. Há bons resultados como antimicrobiano, antifúngico, contra larvas de Áscaris em cachorros, anticoagulante etc. E isto me diz então que não é muito loucura acreditar - e ter comprovado - que o uso de folhas de mamão verde é eficaz contra pulgões. Assim, podemos comer couves orgânicas tratadas sem substâncias tóxicas. Basta depois regar com um jato de mangueira que os pulgões caem mortinhos, secos, esturricados. E quanto a toxicidade do suco, nenhum. Nem pra nós, nem para as folhas, nem para a terra.
Fiz outros testes pulverizando sobre uns bichinhos que estavam no broto da minha roseira (não sei que bicho é, mas é miudinho como pulgão), sobre formigas - todos morreram, e estou à espreita de uma lagarta.
O que tenho feito ultimamente é bater no liquidificador 2 folhas e seus talos picados, com um pedaço - a ponta do dedão - de sabão. Meu liquidificador já coa e o sabão é caseiro, mas pode coar num pano e usar qualquer sabão. Fiz testes sem sabão e também funciona. O bom do sabão é que faz o líquido aderir aos bichinhos e à folha. Sem ele, o líquido escorre como gotas de orvalho por causa da oleosidade das folhas e dos bichos.
Já tinha tentado usar calda de fumo com sabão. Também funciona, mas não é extermínio imediato como com as folhas de mamão. Experimente e depois me diga.
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| Colha folhas de mamão bonitas ou feitas, com talos |
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| Duas folhas e um pedacinho de sabão. Fórmula empírica |
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| Coe e coloque em vidro com pulverizador. Use durante vários dias - o meu não perdeu a validade depois de uma semana. O mesmo suco verde, com mais sabão, pode ser usado como clareador de roupas brancas |
Voltando à função de clarear roupas, aqui um trecho do livro do Jorge Alonso, sobre outros usos que fala também do uso das folhas em saladas. "La pulpa del fruto tiene uso comestible dado sua agradable sabor. Con ella se elaboram jugos, mermeladas y tortas. Las hojas suelen comerse en ensaladas, empleandose además, para remover manchas como sustituto del jabón. La papaína, de amplio uso en la industria farmecéutica no solo en productos digestivos, también se emplea en cosmética formando parte de cremas faciales lociones para limpieza de cutis. Se emplea tambíem para ablandar la carne, como clarificador de la cerveza, para el tratamiento de lana y seda antes de colorearlas, como coadjuvante de la fabricación de hule, como ingrediente en la formulación de pastas dentales y detergentes, y para mejorar el tanizado de cueros finos. La papaína forma parte de algunos productos destinados a la limpieza de lentillas corneales." (suprimi as referências que podem ser conferidas no livro citado lá em cima)
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Couve amarelo-outonal, tipo raro. Ou couve orgânica envelhece com dignidade
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| Couve-rábano comprado fresquinho na feira, com dois dias na geladeira: folhas meladas |
Já reparou como cenouras da feira, mesmo aquelas compradas ainda com ramas, se deterioram rapidamente? E as couves, as salsinhas, os coentros? Se o feirante não vende no dia, vai tudo pro lixo. Cenouras e mandioquinhas apodrecem no centro, criam uns tumores moles na superfície, batatas viram chaminés de fossas. E couves, nem se fala. Outro dia comprei, para um trabalho de foto, uma manga verde palmer - totalmente fora de época, é bom que se diga. Com dois dias, a manga já estava estragada sem estar completamente madura. Uma couve-rábano, a mesma coisa. Com dois dias de geladeira, em saco plástico, as folhas estavam apodrecendo, mal-cheirosas - a da foto. Couves compradas por aí, guardadas na geladeira, duram quanto tempo sem se deteriorar, derreter, feder? E salsinhas? Não passam de uma semana.
Na semana passada fui limpar a geladeira e encontrei dois saquinhos com couves diferentes que tinha trazido do sítio antes de viajar pra Foz do Iguaçu e Curitiba - foram meus marcadores de memória. Ou seja, um mês de geladeira.

E veja o estado das couves. A clorofila se foi, o betacaroteno ficou. Acontece que os vegetais produzem um gás que funciona como um hormônio, responsável pelo amadurecimento, que faz perder o verde e ganhar colorido (entre outras reações de envelhecimento). No caso das frutas, é desejável até um certo ponto, no caso das verduras, não, pois ninguém quer comer brócolis amarelos. E o etileno degrada a clorofila. Como junto com clorofila sempre há um pouco de betacaroteno numa proporção menor (3 a 4 de clorofila para uma de betacaroteno), quando a clorofila é degradada, o amarelo ou alaranjado aparece. É o que ocorre com as flores e folhas outonais - aquelas lindas cores estavam como que camufladas pela clorofila.
Pois a couve estava tenra, nada murcha, nada melada, com odor suave de couve. Claro, o sabor era um pouco diferente, mas, ainda assim, couve. E como o betacaroteno é precursor da vitamina A tanto no vegetal verde quanto no amarelo, pelo menos neste aspecto nutricional não houve grandes perdas. Nem em fibras. Numa degustação às cegas, duvido que a rejeitariam como couve.
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| Piquei e refoguei. Numa degustação às cegas, confundiria facilmente |
É lógico que não precisamos chegar a este extremo de comer uma couve amarela com um mês de colhida, mas isto mostra que uma couve orgânica dura muito mais, envelhece com postura. De qualquer forma, é comestível ainda amarela - e é linda, não é? É só pra mostrar que malgrado a cor, a couve está ali, quase intacta e ainda digna. E o fedor sulfuroso de couve estragada é ausência total de qualquer traço de dignidade couvácea, é ou não é?
Mas, faça você mesmo o teste. Compre hortaliças parecidas, convencionais e orgânicas, e compare.
E fique agora com fotos das minhas couves do sítio em estado de perfeita verdura:
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| Só tinha 3 tipos (todos trazidos pela caseira Silvana) |
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| Agora tenho 4 tipos, incluindo a rendada, também trazida por ela - trouxe uma muda de cada para plantar no quintal aqui em São Paulo |
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Festa da Lua em Piracaia. Convite
Começa hoje, sexta-feira 13, a festa da Lua, em Piracaia. Vai só até amanhã. A Associação Piracaia Orgânica estará lá. Hoje, das 18 às 23 horas e amanhã, sábado, a Associação vai dar palestras abertas à população sobre Produção e Consumo de Orgânicos, como parte da programação da Feira que terá produtos, artesanatos e comidinhas. O fogão de lenha já foi montado. Que tal conhecer a cidade e participar da feira?
Almoço no quintal
O pessoal do aikido (Marcos é aikidoista) que o diga. Sempre dá um jeito de se reunir. E lutam aikido pensando na comida que vem depois. O exame de faixa de segundo Dan do Marcos foi no nosso sítio em Piracaia e depois da prova teve uma grande feijoada com todos os erros, acertos e confusões possíveis, mas todo mundo se divertiu e depois dos cinquenta a gente começa a se tratar também com mais generosidade, para de sofrer tanto quando as coisas não saem exatamente como se programa. Então, é a couve que era pra estar quentinha e ficou fria, o arroz que não ficou tão branquinho porque a convidada deixou um tico de alho queimar, a salada que vai pra mesa sem o molho etc. Mas quem liga? E se liga, e daí? Claro, quando a gente está pagando, tudo importa. Entre amigos que se gostam pode ser diferente.
Pois neste final de semana teve almoço na casa do Fernando, aquele do chutney de maracujá, que tem um grande quintal com uma parreira de maracujá, sob a qual fica a grande mesa emendada. Nestes almoços aparece toda a família. Mulher, marido, mãe, filhos. Tem arquiteto, advogado, psiquiatra, paisagista, dentista etc - e o Marcos otorrino, que recebeu o apelido de Doc. Fernando estava tão preocupado com a reunião em sua casa que o Sensei chegou, o guarda da rua disse que ele tinha dado uma saidinha, mas que podia entrar e usar a cozinha à vontade. Cheguei em seguida e começamos a cozinhar tomando um vinho que já estava aberto sobre a mesa. Dona Margarida, a mãe italiana do Sensei Eduardo, trouxe a massa feita por ela já sequinha e começou a descascar cebola, picar alho e reclamar do tomate que Fernando deixou sem pele. - Que tomate aguado, que tomate desbotado, o bom é o tomate italiano, vermelhinho. E não precisa tirar a pele, não.
Depois que a cozinha já estava cheia de gente espalhando comidas pela mesa, inventando outras, Fernando e Gilles, que também mora na casa, chegaram suados com suas bikes. Foram passear. Gilles, que é francês, fica meio atordoado com tanto conversê, mas também se diverte. Diz que este tipo de reunião seria impensável na França. Colhemos ervas no quintal, Fernando foi me mostrar o nabo negro que vai colher, montei um fogareiro no quintal pra fazer spatzle de capuchinha, um bolo de mandioca assava no forno e perfumava a cozinha envidraçada - Fernando fez usando a receita da minha amiga Silvinha que está aqui no Come-se. Sensei dourava as lulas, Ivan mostrava o novo molho de pimenta, Alexandre que não bebe nada tirou da sacola dois vinhos excelentes além de queijos, Chico trouxe salada, algum arteiro misturava pimentas aos pequenos tomates para confundir distraídos (e conseguiu), a disputa entre pimenteiros continua, as crianças conversam sobre fronteiras do Brasil, Henrique vegano faz berinjela ao forno com tofu, dona Margarida faz molho de tomate ignorando os pelados e usando os italianos trazidos para salada, reaquecemos o ragu do Fernando, é hora de cozinhar a massa e vamos comendo. Teve ainda bolo de aniversário para o Ivan e Roberta, cafezinho, moleza, louça pra lavar e marmitinhas pra levar embora.
Veja aí minhas fotos e do Marcos. Outras, mais profissas são as do Plínio e podem ser vistas no facebook dele, assim como um lindo vídeo com as crianças
https://www.facebook.com/plinio.i.borges/media_set?set=a.10202044676622225.1345833513&type=3
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| Sem dúvida, é o Sensei o que mais trabalha. Cozinhando e lavando. Ele gosta! |
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| Carol aprendendo a fazer spatzle. E Fernando esperando o molho |
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| Carol aprendeu direitinho |
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| Henrique ganhou spatzle vegano de mandioquinha - e inhame em vez de ovo |
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| Tô ficando expert pra disputar com o vendedor de yakissoba na Paulista |
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| Eles levam papo cabeça. A Clara também é aikidoista junto com os marmanjos |
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| Dona Margarida, a mama do Sensei |
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| Madonna! Che cazzo è questo pomodoro? |
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| Bolo de mandioca. Ao fundo, mãe e filha do Chico |
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| Bolo de mandioca da Silvinha feito pelo Fernando que incrementou com fava de baunilha e pedaços de mandioca pra enfeitar |
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| Macarrão da mama Margarida |
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| Fernando deixou uma mesa com tudo que poderíamos precisar |
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| O nabo colhido no quintal |
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| Fernando, o nabo e sua mãe Stela |
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| O nabo é ardido que só (já mostrei um radis noir aqui) |
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| As pimentinhas do meu quintal para os muito machos - e para os que foram enganados e meteram na boca como se fossem tomates |
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| Estes tomates não foram aprovados pela dona Margarida. E o Fernando deixou todos pelados pra adiantar. - Não tiro a pele, não, obrigada! |
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| O radis noir |
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