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| Prato da Neka: metade de uma tangerina coberta com bulbo de funcho em tirinhas, folhas de erva-doce, cabelinho fresco de milho e flocos de casca de jabuticaba |
Logo no dia da chegada, Neka combinou uma visita a uma horta de orgânicos, na Fazenda Santa Helena, perto de Goiânia. Fui junto porque queria colher, quem sabe, mais caruru, beldroega e o que mais aparecesse crescendo à toa nos canteiros. Neka também queria verduras e alguns improvisos. Pois fomos com Adriana Lira, a proprietária, e nos divertimos.
Para minha alegria e da Neka também, encontramos muitas verduras não convencionais. Neka é como eu, também adora um matinho e tudo leva à boca. Na saída ainda cismou de enfiar o pé no charco para pegar taboa. - Você vai usar? perguntei. - Eu não, é pra você! respondeu. Confesso que já tinha muito assunto e o palmito da taboa deixei para uma próxima vez.
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| Broto de baru, de milho, frutas secas, cagaita. Pré-preparo da aula da Neka |
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| É de comer? |
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| Neka catando taboa com o pé na lama |
Nos dois primeiros dias fiquei num hotel menor, com banheiro apertado e simples. Mas era ali que estavam as 21 pancs (plantas alimentícias não convencionais) plantadas em vasinhos de jornal que levei de São Paulo numa operação pra lá de complicada que começou dias antes, com a coleta e identificação e depois com as estufinhas individuais para não murcharen no avião.
Bem, enquanto todos ficaram no bar Gloria, preferi ir pro hotel dar um jeito logo nas plantas colhidas na Fazenda Santa Helena que já estavam murchas depois de rodar o dia todo de van sob sol quente. Eu queria dormir cedo.
O que me esperava era uma caixa de verduras, beldroegas, carurus, tomatinhos do mato, pimentas e outras espécies, arrancadas se possível com muita terra e raiz. Era só lavar uma a uma, mergulhar as folhas em água para tentar reidratar, colocar em sacos plásticos com ar para fazer um microclima, fechar hermeticamente e deixar num canto fresco. Parecia fácil, mas as condições sobre a pia escura do banheiro eram precárias. Eu, atrapalhada, mesmo com o maior cuidado, deixei entupir o ralo e a água com barro foi se acumulando.
Conchinha com a palma da mão, retirada do barro com os dedos, nada adiantou. Tive que tirar a água com saco plástico e jogar no vaso, já começando a sujeira, até que consegui esvaziar a cuba. O chão do banheiro começou a ficar enlameado. Achei que tinha resolvido com a retirada de toda a terra, mas qual nada. Tive que usar uma pinça pra desobstruir o ralo e aí foi saindo coisas que não eram minhas - fio dental, grampo, cabelo.... Com o ralo limpo, liguei a torneira, a água começou a fluir devagar e logo se acumulou de novo. Resolvi desenroscar um copinho que fica embaixo da cuba - certamente a terra estaria parada ali. Antes, porém, tive que esvaziar o lixo para usar o cesto como balde para a água que escorreria. Abri a rosca e splash. O balde era pequeno e a água lameada lavou o chão. A esta altura, o pessoal que tinha ficado no Glória certamente já estava dorminho e eu ali com o banheiro inteiro pra limpar, incluindo box, espelho, azulejos, vaso, tudo sujo de lama. Papel higiênico já quase não tinha mais. Cadê rodo?, não tem. Cadê tapete-toalha? não tem. Terminei de limpar as verduras e com o chuveirinho lavei tudo. Fiz a mão de rodo e minha toalha reserva de pano de chão. Lavei também a caixa de plástico da fazenda e coloquei as verduras lavadas e ensacadas dentro. No fim até gostei de lavar o banheiro com sabonete. Ficou tudo limpo, reluzente, cheiroso, com a toalha lavada estendida pra secar. Tivesse um pedaço de palha de aço teria deixado aquilo quase tão limpo quanto o branco banheiro do Castros, para onde fomos depois, quando já não precisava daquela banheirona que teria se transformado numa piscina de barro. Pelo menos deixei o hotel com banheiro mais limpo e pia desentupida.
Sorte que tudo aquilo era só para colocar na mesa, com finalidade pedagógica, já que a verdura que usaria na aula tinha levado de São Paulo higienizada dentro de uma vasilha.
Fui dormir de madrugada decidida a acordar bem cedo para a vista ao maior jabuticabal do mundo. Amanhã eu conto. Ah, as verduras estavam lindas no dia da aula.









8 comentários:
Neide, saberia me informar onde encontrar informações consistentes sobre o uso/preparação da taboa como alimento? Andei dando uma pesquisada e não encontrei nada muito confiável. Na casa do meu pai tem bastante taboa, então seria interessante encontrar algum uso pra elas, além das tradicionais esteiras.
Abraços
Valéria
Valeu, Neide. A gente costuma pensar que só com a gente é que acontecem essas coisas. No fim, tudo dá certo. Basta não entrar em desespero. Mas na hora do cabelo, do fio dental, ai, não deve ter sido fácil.
Abç.
Mari
Só há uma coisa a dizer: Ai meu Deus do céu! Você é muito corajosa.
Nossa! Quanto glamour nessas palestras, principalmente o antes
Neide, que sufoco essa pia do banheiro ...
você conhece jabuticaba cristalizada?
na fazenda Vaga Fogo em Pirenópolis tem uma muito boa.
Valéria, basta procurar pelo nome científico - Typha domingensis - que você vai encontrar bibliografia farta na internet (procure usar o google acadêmico).
Mari, isto mesmo, não foi fácil, mas foi só arrastar tudo com papel e tudo bem.
Gilda, sou a maior covardona da paróquia. Atrapalhada sou e muito.
Humberto, foi um sufoco mas que graça tem a vida sem estas histórias pra contar, né? As passas que conheço são só as que eu mesma fiz - http://come-se.blogspot.com.br/2012/11/jabuticabas-passas.html - mas as da Vaga Fogo devem ser incríveis.
Um abraço,n
KKKKKKKKKKKK
Neide ri muito com a sua satisfação em limpar o banheiro do hotel. Só você mesmo!!!!
Bjs
Eu ainda me lembro, quando eu estava fazendo analítica 1 teórica, você se juntou com a Gabriela Santana Andrade para ficar me humilhando por causa de IC no grupo de analítica 1 teórica, eu estava doente nesse dia, você se aproveitou da minha condição de doença para ficar me humilhando por causa de iniciação científica, isso não se faz nem com um bicho. Você é um monstro.
Eu me lembro depois na aula de analítica experimental 1, você perguntou a professora quantas aulas você poderia faltar, a professora falou que você podia ter só 4 faltas, então você faltou 4 aulas seguidas.
Eu fiquei tão surpreso quando eu descobri que você estava iniciação científica com bolsa junto com o Roberto Carlos e ainda publicou esse artigo científico:
https://www.mdpi.com/2076-3921/14/12/1403
Você não está nem aí, você só quer saber da atlética de farmácia, você aparece em todos os eventos ligados a atlética de farmácia, você fica matando aula para ir para o Cobal, você deve ter escrito esse artigo no Cobal ou na viagem para a SuperCopa em Vassouras junto a Atlética de farmácia.
Você ainda foi 10th Brazilian Conference on Natural Products (BCNP), que aconteceu em Minas Gerais e publicou esse resumo em anais científicos:
https://www.even3.com.br/anais/10bcnpxxxviresem/1274258-plakortides-and-colestane-steroids-from-the-marine-sponge-plakinastrella-microspicullifera/
Eu sei muito bem que você pagou outra pessoa para fazer a sua prova final de orgânica 2, quando você ainda era aluna do Roberto Carlos. Eu acho que o Roberto Carlos se esqueceu disso quando te chamou para fazer IC junto com ele.
Quer dizer eu passo em orgânica 2 sem prova final e não ganho nada, você passa em orgânica 2 com prova final, ainda por cima pagando outra pessoa para fazer a sua prova e você ganha uma bolsa de IC e publica um artigo científico.
Eu sei muito bem que é você que está cadastrando o meu número sem a minha autorização em sites de imobiliárias e de funerárias, só para o meu telefone ficar o dia inteiro tocando.
O pior é que você é bonita, o que você tem de bonita, você tem de malvada.
Você ainda vem me ameaçar com polícia, aqui na minha rua tem uma boca de fumo, a polícia só aparece na minha rua para buscar o arrego do traficante, aqui em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornecesse material furtado para os traficantes fazerem barricadas.
Não adianta me ameaçar, porque eu não tenho nada a perder.
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