sexta-feira, 20 de março de 2009

Oficina de Tortillas na Casa dos Cariris


A cozinheira e sua cozinha colorida, impossível não fotografar
Ontem, dia de São José, foi dia de plantar o milho e, coincidentemente, dia de oficina de tortillas na Casa dos Cariris, com a mexicana Lourdes Hernandez Fuentes. O amigo Alcino, da Chapada Diamantina chamou para a aula e eu não podia deixar passar a oportunidade de conhecer a famosa casa e, claro, o prazer de ouvir a Lourdes falar em português fluente com sotaque mexicano gostoso. E que fluência e inteligência tem esta mulher! De fazer inveja a gente lerda de pensamento e fala como eu. Mais mesmo de se admirar. Fizemos tortilhas com farinha de milho nixtamalizada (amolecidos e livres da pele depois de cocção e demolho em solução alcalina), aquecemos outras já prontas e montamos de várias formas. Uma confusão danada de nomes que nem ouso aqui repetir. Acho que antes preciso ter na ponta da língua nossos tipos de beiju além do popular e delicioso beiju-de-tapioca: beiju-açu, o ticanga, o beiju-cica, o curadá e outros que me fogem. Beijus e tortilhas têm em comum isto: se dobrados de um jeito recebem um nome; enrolados já são outra coisa; se é maior, menor, mais úmido, mais torrado, assim, assado. Cada qual tem um nome. E viva a diversidade.


Farinha pronta com milho nixtamalizado e prensa para tortillas



Tortillas com murinho feito à unha, para acomodar o recheio de feijão etc. É chamada Sope.


Com abacate e molho de pimentas


Grupo bom no sentido horário: Rony, do Obá; Vinícius, vencedor do prêmio Senac de jovens talentos e que está indo pra Suíça; Bela, do Amadeus; Lurdes; eu; Ana Luíza, do Dui, que Bel Coelho abrirá no final de abril no espaço do ex-Siriúba; Carla e Alcino, da Estalagem Alcino.



Quesadilla

Emolada - com mole delicioso: pimentas, chocolate e, nesta receita da Lourdes, também amêndoas. O melhor da noite.



Salada de água: água de jamaica, suco de laranja, alface americana, maçã, banana, goiaba, beterraba. Como um ponche não-alcoolico é servido na semana anterior à sexta-feira da Paixão e, sendo Lourdes, representa o coração da virgem sangrado pelo sofrimento do filho.


Para saber mais sobre a nixtamalização do milho www.fao.org/docrep/t0395e/t0395e05.htm

8 comentários:

Eduardo Luz disse...

Caramba! Recebi o e-mail e ia reservar com a Lourdes, mas tinha marcado uma Degustação de Histórias na Livraria da Vila. Pelo visto, foi bastante divertido. Se bem que esta sessão estava com cara de privé !
Fica pra próxima !
Abs.

Armazém S.A. disse...

A oficina é aberta ao público? Como participar? E desta farinha, onde achamos dela aqui em São Paulo? Alguma dica?

Abs!

Neide Rigo disse...

Oi, Eduardo,
que pena que não foi. Foi uma oficina pequena com gente legal. Vocês completariam o time.

Armazém: segundo a Lourdes, ainda não temos desta farinha por aqui. Só mesmo trazendo do México.

Um abraço,
N

felipe disse...

Olá Neide,

Como não temos dessa farinha por aqui, eu faço da seguinte forma:
pego milho amarelo para canjica, deixo de molho com uma colher rasa de cal; no dia seguinte, lavo o milho e cozinho. Passo numa peneira para retirar o excesso de água e, ainda quente, passo na máquina (aquelas de moer carne); Faço pequenas bolas e abro entre dois plásticos e asso em chapa quente. Não fica nada a dever para aquelas que encontramos na feirinha de Curitiba (Centro Histórico).
um abraço

Carmen disse...

Felicidades por tus clases, por tus sopes y tus tortillas. Lindas las fotos de la cocina de Lourdes.
Un abrazo fraterno

Jaques disse...

De onde vem o nome da OFICINA ?
"CASA DOS CARIRIS"???Por que "Cariris"

JAT

Jessy disse...

OI eu gostaria de saber se voce pode me dar a receita de tortilla com o fuba de canjica
muito obrigado
meu nome é jessica

Neide Rigo disse...

Jessy, simplesmente coloquei água no fubá de canjica até formar uma massa flexível que deve ser aberta na prensa, entre duas folhas de plástico. E uma pitada de sal. Só.
Um abraço, N