quarta-feira, 4 de março de 2009

O que a gente não faz por um licuri?


Licuri verde, seco e mel
Para a aula que vou dar no dia 12 na Escola Wilma Kövesi - post de ontem, comprei por aí alguns ingredientes diferentes, destes que não se encontram em supermercados ou no comércio convencional. As formas de chegar até mim tem sido das mais diversas. Os butiás já estão congelados (estes, ganhei e não comprei) e foram trazidos pessoalmente pelos amigos gaúchos; os produtos com umbu - compota, geléia, suco, xilopódios, comprei da Coopercuc, de Canudos, Uauá e Curaçá - Bahia, pela internet, e chegaram numa caixa pelo Correio; os jaracatiás, meu pai vai mandar por Sedex; e o feijão sopinha está a caminho. Já os licuris secos e verdes, da Coopes, também da Bahia, foram comprados por emails e chegaram de caminhão.


Trem para Guaianazes, muito melhor que Metrô!
A coordenadora da Cooperativa, Josenaide, disse que um colega caminhoneiro estava vindo de Capim Grosso e poderia me trazer a encomenda. Liguei hoje para o Bira, o amigo, e combinei de ir buscar a muamba lá em Itaquera, na Zona Leste. Detalhe: moro no extremo da Zona Oeste. Era pra chegar e ligar pra ele, que me buscaria na estação de trem. Até que não era difícil: trem da minha casa até a Barra Funda; metrô até Tatuapé e trem de novo (muito melhor que o metrô) até estação Dom Bosco. O trem é de primeiro mundo, com ar condicionado e música ambiente. Muito diferente do abafamento do metrô, que devia registrar uns 34 graus (aqui, agora, no meu escritório, o termômetro marca 31 graus!). Chegando lá, liguei pro Bira que não podia mais ir me buscar. Então pediu para eu ligar para um certo número e dizer para um tal Bilek que ele, Bira, havia saído com o carro dele, do Bilek, e que este deveria pegar uma caixa e ir me levar até a estação. É claro que não tive coragem de pedir a mordomia a uma pessoa que nem sabia do que se tratava e então pedi o endereço. Um certa Rua Campinas do Piauí. Facinho, é só a senhora perguntar aí. Depois de andar sob o sol forte das 11 horas, entrar e sair de ruas, perguntar umas 10 vezes, subir e descer ladeiras, liguei de novo pra dizer que finalmente estava na rua. Ele ficou me esperando no fim da via e nos reconhecemos sem precisarmos de apresentações. Acompanhei seus passos rápidos e viramos a esquina para chegarmos a uma garagem, meio oficina, não entendi muito bem.


Numa destas garagens
Coloquei o isopor, embrulhado em plástico cinza, dentro da sacola que preventivamente levei, afinal eram 5 quilos. A volta até a estação foi um pouco mais fácil, mas ainda me perdi um pouco e tostei no sol. De novo, trem, metrô, trem. Mais de 1 hora de viagem. Como aquele isopor com saco plástico saindo da sacola de pano lembrava muito o carregamento de camelôs que andam assim disfarçados e mudam correndo de vagão nas paradas dos trens, atraí para mim todas as atenções de guardinhas que param de pernas abertas e mãos com cassetetes entrelaçadas na traseira. Continuavam desconfiados mesmo quando me viam sentar exausta e suando no banco, com a sacola apoiada no chão. Chegando aqui, a Eliana, baiana, já foi me dando aula de licuri. Falou tanto do licuri verde cozido como do seco, do óleo e do leite. Falou até dos licuris comidos pelas cabras e preferidos por algumas pessoas que vão buscar o coquinho no esterco seco (café de jacu, lembram? terão os licuris de cabras, um dia, a mesma sorte?). Por fim, Eliana disse que cozinhavam pra deixar o licuri mais molinho e que, além de ser uma iguaria, os banguelas, incluindo bebês, que não podem mastigar o coquinho seco, também tiram muito proveito. Imaginei as amendoazinhas como petisco, com cerveja, por isto perguntei se comiam com sal. Respondeu que comiam sem nada, mas que era mais provável juntar açúcar que sal. E ainda deu receita de gelatinho (sacolé, chup-chup - o suco congelado nos saquinhos de plástico). Opa, geladinho? Bora, então, fazer um sorvete, que estou precisada, argumentei. E logo ela já tinha batido no liquidificador o coquinho verde com leite e açúcar. Botei na sorveteira e em 10 minutos estava pronto. Eita, que amenizou um pouco o calorão. Sorvetinho simples, mas muito bom. O sabor lembra coco, mas muito mais suave. E Eliana matou a saudade de sua terra.



Sorvete ou geladinho de licuri (receita da Eliana Santiago)

Bata no liquidificador 1 xícara de coquinhos de licuri verde, 1 xícara de leite, 3 colheres (sopa) de açúcar, até ficar bem triturado. Coloque na sorveteira e deixe bater até congelar. Ou coloque em saquinhos plásticos próprios para fazer geladinho.

Rende 2 xícaras

6 comentários:

Rui disse...

Neide
Esta odisseia me lembrou do passeio que fizemos no Guarulhos para encontrar a saída.
Legal! Então está tudo pronto para a aula!

Silvia - BH disse...

Que disposição!
Neide, como é que você e a Eliana se encontraram? Que dupla mais combinada na cozinha! Que sorte para ambas pois ela deve curtir muito trabalhar na sua casa.

Neide Rigo disse...

Oi, Silvia,
a Eliana foi indicação da secretária do Marcos. Ela é uma baiana da roça que já me ensinou um bocado de coisa.
Beijos, n

Lulu disse...

Oi, Neide
Sou leitora do seu blog e apreciadora dos seus artigos, tão espontâneos quanto originais. Parabéns.

Assim como a Eliana, também sou uma baiana da roça, nascida em pleno sertão. Hoje, vendo a reportagem do Mais Você sobre o café de jacu, por tabelinha, lembrei dos bons tempos da minha infância, quando nos deliciávamos com os licuris de cabra, de sabor infinitamente melhor do que os licuris in natura. Bateu um saudosismo e fui procurar no google algo mais sobre essa prática e, para a minha surpresa, o seu blog foi o único espaço a tocar nesse assunto. Será que não se fazem mais cabras como antigamente?

Abração pra vocês.

Lulu

Neide Rigo disse...

Lulu,
acho que tudo isto continua, mas ninguém dá muita importância, parece.
Um abraço, n

Luan Silva disse...

ola neide , como faco o leite de licuri ???? se puder me informar pois nao sei se devo usa lo seco ou verde e cozido ou ..... incerto rsrsr

abs ....