terça-feira, 24 de março de 2009

Ostras e abóboras


Chico com a abóbora que me deu de despedida

Domingo, no fim da tarde, fomos convidados para comer ostras e flores de abóboras empanadas na casa da
Veronika, a amiga que fiz pelo blog e de quem já falei aqui; que veio um dia aqui buscar kefir, me trazendo uma abóbora do quintal; que no portão descobrimos que já haviamos nos visto há quase 25 anos nos corredores da ECA-USP sem nunca dizer um oi; e que agora nossas casas distam cerca de mil metros e que agora já dizemos mais que oi.
Pois é, fomos comer ostras com o casal Veronika e Ricardo com os filhinhos, duas fofuras que dá vontade de morder. Chegamos a pé - acho isto tão civilizado, né não? Na saída, ganhamos outra abóbora do quintal e voltamos já noitinha, caminhando cheios de encantamento com o carinho da recepção e satisfeitos com a mesa, alegre de flores, ostras e outros amigos, que dava para o quintal amplo e verde. Foi tão bom.
Nas nossas trocas posteriores de email, perguntei à Veronika se as flores viáveis do quintal eram abortadas. E como foram feitas estas flores recheadas com intrigante queijo azul, indispensáveis com as ostras gordas e a cerveja gelada. E tantas perguntas mais. Por estas e por ostras, passo a palavra a ela:


Como fazer flores de abóboras empanadas

Todas do quintal, nenhum aborto, uma vez que as flores fêmeas eu não tiro. A gente reconhece claramente, desde o nascedouro, aquelas que prometem se tornar abóboras. Não dá para tirar todas as flores machos, acho. Talvez por eu sentir falta de. Talvez por eu achar que as flores são parecidas comigo; eu, que nada tenho de flor... (rsrsrsr). Colho as flores ao longo da semana, pensando na amiga que vem. Ponho na geladeira sem lavar, em pote fechado. No dia de fazer as flores, coloco na água e descubro que as murchas renascem. Algumas. As outras morrem mesmo. Escorro. Coloco na base delas uma pelotinha de queijo tipo gorgô ou roquefort (a receita original do livro Do Jardim para a Horta diz para usar os botões, mas eu uso as flores mesmo, inclusive porque a flor dá para achar no feirinha da Água Branca, se a gente chega cedinho). Daí, passo na farinha de trigo e depois numa massinha que tanto pode ter sido feita com uma mistura de farinha, água, sal e uma pitada de bicarbonato, como eu posso ter feito com bastante antecedencia misturando 350 ml de cerveja com 200 g de farinha e batendo bem, deixando descansar por umas tres horas. Depois de passar na massinha, vai pro óleo quente. Bem quente. Quanto mais quente, maior a crocância. Se você quiser comer ostra, tomar cerveja, conversar com os amigos e fritar as flores, a probabilidade de ficarem murchas aumenta barbaramente. Portanto, é melhor fritar antes e deixar secar um pouquinho num papel toalha (que eu não tinha, claro...).
Veronika
Contato e preço das ostras deliciosas de Santa Catarina, que estavam fresquíssimas e premiadas com aquele adorno verde graças às algas que lhes servem de alimento (nada a ver com a maré vermelha, claro). Entregam em casa em caixas de isopor. Ainda a Veronika falando: O cara da ostra é o José Luís (11.8353-6953), da Ostra Viva - www.ostraviva.com.br. Acho que este tamanho custa R$ 15,00 a dúzia.

Aconselho a todos ter amigos assim em casas vizinhas, aonde possam ir passear caminhando para prosear, comer e rir numa tarde calma de domingo.

10 comentários:

Marcia H disse...

Uhm, ô coisa gostosa uma tarde assim. Já estou agora com mais uma idéia para as flores que espero ter este ano no jardim, minhas sementinhas já brotaram, as plantas prometem, o tempo ainda nao!
Vc já ouviu falar de uma erva q eles usam na regiao de Lençóis para fazer muqueca? Eu comi há muito tempo, nao lembro o nome, o gosto parece com dendê, mas era uma folha, lembrava espinafre.

Neide Rigo disse...

Oi, Marcia,
não conheço, não. Vou perguntar pra minha amiga Silvia. Fiquei curiosa.
beijos, N

Mariângela disse...

Neide, adorei o programa e as comilanças, o Chico é muito lindinho eihn!!beijos!

Gourmandise disse...

ostra com abóbora dá um samba...rsrs
As abóboras omo deste bebê. Mas as ostras eu provei a primeira vez quando tinha uns nove anos em Paranaguá. Lembro que fazia um frio absurdo e descemos de trem até o porto. Tinha um pescador abrindo ostras e comendo, com gotinhas de limão. Acho que olhei tanto que ele me ofereceu. Meu pai comeu primeiro. E bebeu um copinho de uma bebida transparente depois. Acho que comi uma oito, uma atrás da outra. Do copinho, foi só um golinho. Acho que era vodka...

bjos

Neide Rigo disse...

Márcia, ainda não descobri que folha é esta. Minha amiga que morou lá não conhece, mas vai perguntar pra outra.

Nina, por lá tem a pinga de banana, né? Deve combinar com ostras. bjs,n

Cherry Blossom disse...

Poema em forma de postagem...ou postagem poema...
Me encantei aqui com tudo,mas acho que o melhor foi ter me lembrado de minha saudosa avó que também preparava as flores de abóbora, também fritas,mas sem recheio. Consegui enxergá-la escolhendo as flores macho (como você tão bem lembrou)no meio aos imensos pés esparramados pelo quintal.Saudades demais...

Neide Rigo disse...

Márcia, será que não é o coentro-do-reino? (coentrão, coentro-de-pasto, coentro-da-índia etc). Tem folhas alongadas, serrilhadas e lembram o sabor do coentro. Lá em Lençóis (perguntei pra duas amigas de lá) esta erva é usada na moqueca, mas não tem sabor de dendê. Será?

Anônimo disse...

Márcia H.
Será que a erva a que vc está se referindo, usada na muqueca, não é a vinagreira?
É a mesma erva usada no arroz de cuxá, tipico daquela região.
Lembra espinafre, mas eu acho que tem gosto semelhante à nossa serralha.
Meu e-mail: adsempre@gmail.com.

percival disse...

Nossa, já comi muita flor de abóbora empanada, que delícia.. o problema era ficar escolhando as flores "macho" já que só as "fêmeas dão abóbora. Vo pedir pra minha mãe fazer. Abraço.

Elena sem H disse...

acho seu conselho de ter amigo assim perto de casa excelente! sinto saudades dos amigos. Por aqui fazê-los me parece cada vez mais difícil...