segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Pão de banana-figo


Uma das características da banana-figo são estas arestas que parecem costuradas à mão

Acabei não indo à Liberdade comer comida chinesa, como aventei no post anterior - fiquei com medo da multidão. Mas fui ver as aquarelas da britânica e ilustradora botânica Margareth Mee na Pinacoteca. Imperdível.
E aqui perto, nas minhas andanças, descobri uma calçada repleta de camapus camuflados no mato (falo quando eles estiverem maduros, se os garis não chegarem lá antes de mim), um vendedor menino-bonito de mandioca na carriolinha e um jardim de beldroegas floridas que usei para fazer um creme de milho (também está na fila). Mas, vamos ao que interessa agora.

Neste exato momento estou digitando, tomando café e comendo um pão quentinho com manteiga que derrete. É a segunda vez que o preparei e já estou quase a dar cabo daquelas bananas-figo que trouxe de Fartura no final do ano passado. Felizmente elas foram gentis e amadureceram devagar. Como, mesmo depois de maduras, não são muito doces, nem muito moles, nem muito perfumadas, resolvi fazer pão salgado com elas, mais ou menos do jeito que fiz o pão de taro (ou pão de inhame). Agora, ainda quente, a crosta está bem crocante-frágil, irresistível, mas vai amaciar assim que esfriar, por causa da manteiga e do ovo e eu gosto assim. Tem um sabor algo adociado, mas não muito; algo salgado, mas não tanto. De qualquer forma, o considero um pão salgado. E as sementinhas o deixam bastante aromático. Imagino que dê para se fazer o mesmo com banana nanica (banana d´água) verdolenga ou banana da terra madura, ambas cozidas. Sendo banana-da-terra ou pacovã (aquelas bananonas do Norte), faria o pão doce - usaria só 1/2 colher (chá) de sal e juntaria umas 4 colheres (sopa) de açúcar além de uvas passas. Projeto para o futuro ou para quem quiser arriscar.
Pão de taro ou pão de inhame - veja a receita AQUI.
Curry de banana-figo verde - veja a receita AQUI.

Pão de banana-figo


Ingredientes
30 g de fermento biológico fresco ou 10 g (1 colher de sopa) de fermento biológico seco
1,5 xícara de água (360 ml)
500 g de purê de banana-figo (cozida com casca na água até ficar macia, descascada e processada)
2 colheres (chá) de sal
Cerca de 800 g de farinha de trigo (a quantidade pode variar com o teor de umidade da banana)
1 ovo
100 g de manteiga em ponto de pomada (ou gelada, ralada no ralo grosso)
1/2 colher (chá) de sementes de alcaravia (opcional)
1/2 colher (chá) de sementes de erva-doce
Modo de fazer: numa tigela grande, misture o fermento com a água, o sal e a banana. Se preferir e se tiver um aparelho potente, bata estes ingredientes no liquidificador até obter uma massa bem lisa (foi assim que fiz, ajudando com uma espátula porque a massa fica densa). Junte metade da farinha e misture bem com colher de pau. Acrescente o ovo e a manteiga e mexa bem. Vá juntando farinha de trigo aos poucos. Quando ficar difícil de mexer, junte as sementinhas, passe a massa para uma superfície de trabalho enfarinhada e comece a trabalhar com as mãos, juntando farinha à medida que amassa, até formar uma massa homogênea, lisa, modelável, que se solte das mãos. A massa deve ser colocada novamente na tigela, coberta com plástico ou um pano. Espere crescer até dobrar de volume (caso não tenha experiência com pães, faça uma bolinha com a massa e deixe num copo com água em temperatura ambiente – quando ela subir à superfície, a massa certamente estará no ponto). Divida a massa em três e molde os pães compridos ou redondos (ou coloque em formas de bolo inglês) e coloque numa assadeira grande untada e polvilhada, deixando espaço entre eles. Deixe crescer novamente por cerca de meia hora ou até os pães dobrarem de volume. Se quiser, reserve um pedaço de massa para fazer desenhos na superfície na hora de ir ao forno (tem que pulverizar água para grudar as firulas). Polvilhe com farinha de trigo, faça cortes com bisturi ou gilete, leve ao forno preaquecido bem quente (280 ºC) e deixe assar por 10 minutos. Abaixe o fogo para 230 ºC e deixe assar por cerca de 50 minutos. Os pães devem ficar bem dourados.
Rende: 3 pães de 10 fatias

7 comentários:

Bergamo disse...

Neide,
Precisava tanto de beldoegra. Onde você encontrou?
Abraços,
Bergamo

Silvia disse...

Neide,

Que delícia! Esses pães me deixam com agua na boca.Um dia crio coragem, roubo um tempo, e arrisco fazer um...Minha mãe também fazia pães deliciosos... Sabor de infância... Um beijo gordo!

Silvia (Cps)

Neide Rigo disse...

Oi, Bérgamo, pode encontrar beldroegas em qualquer frestinha de calçada. Pelo menos aqui no meu bairro, na Lapa, é assim. Postei beldroegas hoje. Veja lá. beijos, n

Juliana disse...

Fiquei admirada! Que pães lindos!!

akismet-05897d097a16764a1240c638c61d9020 disse...

Neide, o pão de banana-figo ficou incrivel. Fiz a versão doce, com 4 colheres de açucar mascavo. O restante dos ingredientes, mantive igual. Obrigado por compartilhar esta receita.

RITA BRITO disse...

Oi Neide. Fiz o pão. Ficou bem gostoso. Precisei fazer algumas alterações na receita pq as bananas figo estavam estragando e eu não tinha tds os ingredientes. Usei água e leite na massa. Usei um copo de farinha integral e outro de flocos de aveia com linhaça dourada e completei com a farinha de trigo normal. Não tinha erva doce..... O resultado foi um pão bem consistente mais bem macio por dentro e saboroso. Vou repetir a receita com a erva doce.
Obrigada!

Márvores disse...

Aprendo muito com suas postagens...Gratidão!