Mangarito, mangará
Só conhecia mangarito de nome, de tanto minha mãe falar que comia na roça. Fiquei surpresa quando uma senhora em Pirenópolis me mostrou um pezinho dele em sua horta abandonada. Ganhei apenas uma batatinha, que dei para meu pai plantar em Fartura. Ela foi se reproduzindo aos poucos e meu pai, replantando. Isto tem uns 4 anos. Só agora pudemos colher uns 3 quilos. A Xanthosoma mafaffa Schott era comum por aqui antes da chegada dos portugueses. Como ficou associado à cultura de subsistência e ligado à pobreza, praticamente desapareceu. Imagino que seja também pelo tamanho, muito miúdo, e pela trabalheira para descascar, se comparado às batatas. O sabor lembra uma mistura de tubérculo de taioba e inhame (da mesma família das Aráceas). Muito delicado, uma delícia. Nunca vi nos supermercados aqui de São Paulo, embora já haja cultivos comerciais. Mas é mais fácil encontra-lo perto das regiões produtoras, na zona rural. Ou talvez em feiras de produtos orgânicos. A época é esta, entre maio e junho. Há variedades mais amareladas, ricas em betacarotenos, e as folhas de todos os tipos, como as das taiobas, são deliciosas quando refogadas.
Para tirar a pele, uma dica do Seu Toninho, meu pai: afervente rapidamente e puxe a pele com o dedo. Ela saíra facilmente. Só então, cozinhe como quiser: no frango, na sopa, frito, purê, etc. Mas cuidado, em 5 ou 10 minutos ele estará cozido. O meu, cozinhei com sal e passei na manteiga com ervas frescas (segurelha, estragão, tomilho, orégano, manjericão e menta – tudo picadinho).