terça-feira, 30 de setembro de 2008

Carne de caju – resposta à charada do post anterior

Vendedor de caju, em João Pessoa, onde a fruta é farta.

Quem arriscou fruta frita, passou perto. Num dia da semana passada só havia aqui um pouco de arroz e lentilha prontos para meu almoço semi solitário. Abri a geladeira e nem um ovinho de galinha pra mistura. Mas os cajus amarelos que reluziam avermelhados, perfumavando a cozinha toda, me fizeram psiu. Estava resolvido, faria um refogado moquecóide. Cortei as extremidades das frutas, furei a superfície e espremi bem no espremedor da batata, para extrair todo o sumo - que bebi todo, claro. Aí era só cortar em fatias finas, contra as fibras como a carne, e juntar os temperos disponíveis - tomate, cebola, alho, pimenta, pimentão-amarelo (o verde com o vermelho ficariam melhores, mas era o que tinha) e cheiro-verde. Só que, antes disso, achei tão lindas aquelas rodelas de caju achatadas como hambúrguer, que resolvi salpimentar algumas e dourá-las no azeite. E não é que ficaram boas? A baiana Eliana, que trabalha aqui em casa, ficou admirada, achou um ótima idéia, pois disse que na terra dela se bota fora a carne, porque o que interessa mesmo é a castanha, que dá dinheiro. Mas pelo menos dão aos animais, perguntei. Que nada, ficam apodrecendo no chão, respondeu.

Eu não estou inventando a carne de caju, afinal muito já se falou sobre ela, do seu potencial de aproveitamento para o povo do Nordeste e para quem gosta de coisas gostosas. O nome carne não é exatamente apropriado se formos comparar sua composição nutricional com a proteína animal, pois o teor deste nutriente nela é baixíssimo. Mas é uma fruta como outra qualquer – rica em vitaminas, minerais e fibras e sua polpa espremida e cortada em fatias lembra a textura de filezinhos de frango. Com a sorte do sabor delicioso de caju. Como o suco tem que ser extraído, nesta polpa resta só uma ligeira fragrância e um adocicado suave, que serve como tempero bom. O suco é riquíssimo em vitamina C – embora parte dela se perca com o aquecimento, e pode ser comercializado puro ou na forma de cajuína (um tipo de refrigerante feito só com o suco de caju concentrado pelo calor) . E a polpa espremida pode não fazer as vezes nutricionais da carne, mas, se tivermos um cereal e uma leguminosa e/ou alguma proteína animal, ela pode completar a mistura e deixar o prato mais alegre, apetitoso, colorido e saudável. Faz tortas, moquecas, recheios de pastéis, curry indiano e milhões de comidinhas gostosas. É só inventar sem medo.

Aqui, fiz uma comidinha boba, que poderia ter ficado melhor se tivesse coentros, leite de coco e pimentão verde e vermelho. Fiz com o que tinha e ficou muito boa, mas vou dar a receita de como faria para ficar ainda melhor:

Moqueca de carne de caju
ou, para que ninguém se ofenda, Refogado de carne de caju

1 colher (sopa) de azeite, óleo de urucum ou azeite de dendê

1 cebola picada
1 pimenta dedo-de-moça picada
1/2 pimentão verde picado
1/2 pimentão vermelho picado
2 tomates sem pele e sem sementes picados
6 cajus espremidos no espremedor de batatas, cortado contra as fibras, em fatias finas
1 xícara de leite de coco
Sal a gosto
2 colheres (sopa) de coentro picado
Gotas de limão a gosto

Numa frigideira, aqueça o óleo escolhido e murche nele a cebola picada e a pimenta. Junte o pimentão e os tomates e mexa. Em seguida, coloque a carne de caju, metade do leite de coco e salgue a gosto. Abaixe o fogo e deixe cozinhar por cerca de 5 minutos ou até o caju ficar macio e temperado. Junte leite de coco restante e deixe ferver. Prove o tempero e corrija, se necessário. Junte o coentro picado e umas gotas de limão e sirva.


Rende
: 4 porções

5 comentários:

ALEXANDRE VASCONCELOS disse...

Sim é muito bom, tanto a muqueca quanto a carne de caju na forma de hamburger. Aqui em Fortaleza uma empresa chamada Cione, que exporta castanha de cajú está desenvolvendo o Mc Caju, excelente sanduiche de caju. Também existem diversas outras preparações com o cajú.

Obrigado pela oportunidade.

Unknown disse...

É bastante interessante ver na net este tipo de receita, apesar de conhecer a mais de 20 anos, pois meu pai é um inventor de mão cheia, aqui em Fortaleza, foi ele quem inventou essa carne de caju e também o hamburguer, pena que ele não patentiou logo. Outra coisa muito interessante que ele inventou ha algumas decadas foi a banana verde frita, banana cozinda, dentro do feijão, pense gente é uma delícia. Quem desejar trocar idéias com meu Pai fique avontade, ele se chama Alberto (085) 8730.4710. E eu sou sua filha mais que orgulhosa, Fca. Elisandra - Fortaleza - CE.

Helena disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Obrigada por tantas e tantas receita saudáveis e saborosas além nós ensinar.

Rafaela Fonseca de Carvalho disse...

Você nem me conhece, você nunca fez uma disciplina junto comigo, você nem estuda mais na UFRJ, você já se formou como farmacêutica, mesmo assim um FDP da coordenação da farmácia vazou as minhas informações pessoais para você.

Quer dizer, eu faço a vontade da coordenação da farmácia da UFRJ e tenho as minhas informações pessoais vazadas para quem nem me conhece e nem mora mais no Brasil.

Você mora em Copenhagen que fica na Dinamarca e trabalha na empresa Novonesis, esse FDP não tinha nada que vazar as minhas informações pessoais para você que está morando no exterior. Sim, eu descobri o seu perfil no Instagram e no Linkedin:

https://www.instagram.com/rafa.rafafa/

 

https://dk.linkedin.com/in/pharmacist-rafaela-carvalho/pt


Eu descubro tudo, assim como eu descobri, que um FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para você, que nem sabe quem eu sou.

Eu acho que o FDP achou que eu não iria descobrir a maldade que ele fez comigo, pode avisar para esse FDP que eu descubro tudo, assim como eu descobri o seu perfil no Instagram e no Linkedin.

Se esse FDP achou que ele iria me calar ao vazar as minhas informações pessoais para você, pode avisar para ele, que nunca vai me calar, medo é para quem tem algo a perder, eu não tenho nada a perder, não sobrou nada para mim.

Pode avisar a esse FDP, que o que ele fez comigo vai ter volta, nada fica impune.

Se esse FDP morasse aqui na minha rua as coisas seriam bem diferentes, em cima da minha rua tem uma boca de fumo, em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes fazerem barricadas. Se esse FDP morasse aqui na minha rua, os traficantes já teriam mandado esse FDP subir até a boca de fumo, os traficantes não gostam de gente que faz as coisas para sacanear os outros, igual esse FDP fez comigo.