sábado, 13 de setembro de 2008

Histórias de comida - ingá e araruta, por Filipe Miguez

Galo na cozinha da Nina Horta, em Parati

A parte boa de ter blog de comida é justamente que ele motiva o galo que mora em cada um de nós a cantar. Amigos e desconhecidos me contam suas próprias e lindas histórias. Como estas do meu amigo Filipe Miguez, escritor de novelas.

Sobre Ingá

Quando estive na Bahia ano passado, no café da manhã da pousada vinha uma cestinha de frutas do dia e um dia veio um Ingá. Mentira: foi no Paraíso Tropical, restaurante do Beto Pimentel em Salvador. Aí me disseram que o ingá estava verde. Eu botei na mala pra comer em Boipeba. Corta para: quase um ano depois, outro dia, Mina vem lá de dentro com um ingá todo enegrecido feito carvão, seco, meio aberto, coitado: deve ter morrido exausto de tanto procurar terra e água no nylon. Eu esqueci na mala.

Sobre araruta

Me senti velhíssimo, porque eu sou do tempo da araruta. No início dos anos 80 (minha adolescência) meu maior sonho era viajar de mochileiro pela Europa,aquela viagem trem-albergue. Pra levantar grana - meus pais não tinham na época e nem aprovavam a idéia - comecei a vender biscoitos no colégio. Numa épocaque lugar de homem não era na cozinha. O bom é que peguei com a minha avó quituteira várias receitinhas dela: polvilho, amendoim, sequilhos, etc. E eu fazia um de araruta, que naquela época tinha no supermercado (não sei se falsificada) da marca Colombo, que também vendia creme de arroz e fécula de batata - aliás matéria prima de outro biscoito - tudo numas caixinhas de papelão com cara antiga, meio polvilho antisséptico granado, saco de papel dentro. Não sei se vendiam isso assim aí. Mas chega de conversa fiada. Fico imaginando que aparte chata de ter um blog é que todo mundo deve ficar querendo contar suas próprias histórias.

Partes do email que me enviou Filipe Miguez.

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