quarta-feira, 20 de agosto de 2008

E dá-lhe taro (inhame)




Aquele taro enorme de Fartura continua rendendo. Se o ex-inhame não é extamente um alimento milagroso como todos gostariam que fosse, pelo mesmo faz mágica no rendimento. Com dois quilos e meio, convenhamos, dá pra fazer muita coisa. Quanto ao milagre do inhame, sinto decepcioná-los, mas não encontrei nenhum artigo sério que justificasse a panacéia toda que se atribui a ele. É nutritivo, saudável, pode concorrer com a batata no dia-a-dia, mas dizer que cura dengue e deixa qualquer pessoa imunizada contra doenças é um pouco demais. Também dizer que é um repositor natural de estrogênio é besteira. Aqui, a confusão novamente é com um tubérculo selvagem do mesmo gênero Dioscorea daquele que conhecemos no sudeste como cará (o correto agora é chamá-lo de inhame), portanto bem diferente do nosso taro (ou inhame, até que nos acostumemos com o novo nome), da espécie Colocassia esculenta. E mesmo porque aquele inhame selvagem, que realmente contém diosgenina, nem é comestível de tão escorregadio e amargoso. É útil, isto sim, para a indústria farmacêutica que precisa isolar o tal fitosterol. Ou seja, é um alimento saudável e com pequenas quantidades de algum fitofármaco como muitos outros vegetais; de vários nutrientes tem um pouco de cada – nenhum em exagero; é rico em fibras; quase não tem gordura; tem muito carboidrato; é energético=calórico; versátil na cozinha, macio quando cozido (cru, contém ácido oxálico e deve ser evitado); é gostoso e barato. Um alimento assim, só pode fazer bem para qualquer dengo. Para dengue, anemias e reposição de hormônios, porém, melhor tomar outras medidas.


Outras postagens sobre taros e inhames aqui no Come-se

Um bitelo de um taro

Sobre cará-mole, taro, inhame, cará, nomenclaturas e hormônios

Inhames e caras roxos

Inhame (cará) roxo de Belém



Taro dourado na manteiga com tomilho: umas fatias cozidas na água com sal e douradas em frigideira antiaderente com manteiga – antes grudei nas fatias macias, pressionando com os dedos, uns galhinhos de tomilho fresco. Muito bom, recomendo.

Para o pão, usei praticamente a mesma receita do pão de abóbora, que registrei aqui há alguns dias, porém juntei sementes de endro, que minha intuição mandou; troquei o azeite por manteiga e o açúcar, por mel. Levei no jantar na segunda-feira, na casa da Mara Salles, e todo mundo gostou. Ficou com a crosta bem dourada (reação de Maillard agradecendo ao mel), porém macia.



Pão de taro (pão de inhame) com endro

Ingredientes
30 g de fermento biológico fresco
1 xícara de água (240 ml)
2 colheres (sopa) de mel (rasas)
Cerca de 750 g de farinha de trigo (a quantidade pode variar com o teor de umidade do taro)
1 colher (sopa) de sal (rasa)
500 g de taro cozido e amassado (cerca de 2 xícaras de 240 ml)
1 colher (sopa) de sementes de endro
100 g de manteiga em ponto de pomada (ou gelada, ralada no ralo grosso)

Modo de fazer: numa bacia ou tigela grande, dissolva o fermento na água com o mel. Junte um pouco da farinha só para formar um mingau. Deixe borbulhar (cerca de 15 minutos). Junte o sal e o taro cozido, mexa bem. Vá acrescentando aos poucos a farinha e mexendo com uma colher de pau. Quando ficar duro de mexer, passe para uma superfície de trabalho enfarinhada e vá juntando farinha à medida que amassa, até formar uma massa homogênea. Junte o endro. Sove um pouco e adicione, aos poucos a manteiga. Pode ficar uma melequeira nesta hora, mas vá amassando até incorporá-la toda à massa. Junte mais farinha, aos poucos. A massa bem lisa, brilhante e que não gruda mais nas mãos deve ser colocada novamente na tigela grande, coberta com plástico (uma touca de plástico comprada só para isto pode ser bastante útil) ou um pano. Espere a massa crescer até dobrar de volume (caso não tenha experiência com pães, faça uma bolinha com a massa e deixe num copo com água em temperatura ambiente – quando ela subir à superfície, a massa certamente estará no ponto). Divida a massa em três e molde os pães compridos ou redondos (ou coloque em formas de bolo inglês) e coloque numa assadeira grande untada e polvilhada, deixando espaço entre eles. Deixe crescer novamente por cerca de meia hora ou até os pães dobrarem de volume. Polvilhe com farinha de trigo e leve ao forno preaquecido bem quente (280 ºC) e deixe assar por 10 minutos. Abaixe o fogo no mais baixo (150 ºC) e deixe assar por mais 50 minutos. Os pães devem ficar bem dourados.

Rende: 3 pães de 10 fatias


12 comentários:

Anônimo disse...

Oi tudo bem, esse seu pão esta parecendo pão italiano.
Parabéns

Cida Machado disse...

Olá Neide, sempre passo pelo seu blog, adoro suas fotos e receitas, mas hoje diante da sua receita com taro, ou inhame, como já me abituei falar, que está de encher os olhos resolvi partilhar uma receita que faço com esse tuberculo. Como boa mineira, amo pão de queijo, e aprendi a fazer um de inhame que fica otimo, não sei se vc conhece. Então vamos a receita:
1 xícara de inhame cozido e amassado quente
1 xícara de polvilho azedo
1 xícara de queijo minas meia cura ralado
1 colher de sopa de manteiga
sal a gosto
Com o inhame quente, misture o polvilho e amasse, junte os demais ingredientes e amasse bem. Enrole e asse em forno quente A massa fica muito boa, e bem diferente da de batata, pois ela cresce bem, e fica leve pois não leva muita godura e nem ovo. Espero que vc esperimente e goste. Beijão.

Cida Machado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Neide Rigo disse...

Cida, a massa parece boa mesmo. Vou testar dia desses. Obrigada, um abraço, n

Letrícia disse...

Que pão lindo! Toda vez que eu olhava para o taro na feira, pensava, mesmo, que ele tinha cara de quem gostaria de ser pão.

Isa disse...

Nunca vi inhame: Talvez por que visito lugares que não têm essa iguaria, mas posso dizer que fiquei com água na boca só de olhar.
Quem dera puder provar. Você é de mais com seus cozinhados! Assim ninguém pode fazer dieta,né!!!!
Beijinho da sua fã

Mariângela disse...

Neide,como ficou lindo e robusto! Quando vou conseguir fazer um pão com estas bolhas internas?(dá para chamar assim?).Ontem fiz aquele que tu mandaste a receita,com endro e passas brancas.Ficou muito gostoso e de uma maciez surpreendente.O marido está comendo as últimas facias com chimia de morango e nata agorinha.. O próximo acho que será o de abóbora,e este já na fila,beijo!

Neide Rigo disse...

Mariângela, o miolo ficou parecendo o do pão italiano, como se dize no primeiro comentário. Elas podem ser formadas na hora de bolear o pão. Vai esticando e virando a massa para baixo para formar uma bola - assim a gente acaba aprisionando umas bolhas de ar que se expandem ao ar (quando eu for aí, eu explico). beijos,N

Agdah disse...

Quem diria, o inhame mudou de nome, conseguiu seus 15 minutos de fama e agora quer ficar importante.

Odete disse...

Adorei o pao fofinho e as fatias entao parecem tao boas.
Muito oportuna as informacoes reais sobre o taro.
bjs

clau disse...

Oi, oi, Neide!
Estas suas atualizaçoes sobre o bom e velho inhame, sao quase de levar a gente a ter que "fazer liçao de casa", com todas estas informaçoes...hehe!
E achei simplesmente ge-ni-al a sua ideia de decorar com um raminho as suas carnosas fatias douradas!
Simples e de grande efeito.
Bjs!

Elis Marchioni disse...

Obrigada por essa receita, Neide! Preparei três pães ontem e deu supercerto. Bati a massa na máquina e depois na mão, depois assei em forno tradicional.
Será que fica bom se a gente colocar coco ralado? Adoro bolo de coco com endro, sei lá, bateu uma vontade de experimentar assim depois.
Beijão!