quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Quanto vale um pé de cumari?


Olhe o tamanho! Aprumando o arbusto frágil tombado no carreador pelo peso das pimentas - mais de dois metros.
Já tinha visto pé de cumari carregado, cheio, pesado. Mas deste tamanho, foi a primeira vez. O peso era tanto, que o arbusto se debruçava sobre o carreador de café. Estas pimentinhas, cujo centro de origem é o Brasil, são comuns na região sudesde e nascem espontaneamente, semeadas por pássaros que quase não nos deixam as sementinhas vermelhas - comem todas, a menos que se cubra o pé com telas ou a área seja degradada, sem pássaros. Mas também, sem semeadores, não haverá plantas espontâneas aqui e ali debaixo de árvores, na sombra do cafezal. Neste caso, terão que ser plantadas pelo homem. Então, que comam as vermelhas os pássaros, que nos contentamos com as verdes que conseguimos colher e que também são deliciosamente picantes e perfumadas.
Desde 1983 a cumari deixou de ser uma variedade da Capsicum baccatum (Var. praetermissum), e passou a ser considerada uma espécie separada, Capsicum praetermissum, pelo Centro de Recursos Genéticos das Capsicum, ligado à UN/FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations). Difícil de colher, hoje deve ser a pimenta mais cara do mercado (cerca de R$ 70,00 ou R$ 7,00 por 100 gramas, para não assustar).


Aqui, a família Gassen. Mariângela e Laurinha na labuta e Rui, vigiando a pimental
Bem, colhemos de alguns galhos caídos - o mais fácil é carregar um galho, se sentar sossegadamente em algum canto de onde se possa ouvir conversas ou dela participar e esquecer do tempo- , e quem destacou as pimentinhas desta vez foram o Marcos e o cunhado Darly, quase em silêncio meditadivo, diferente das mulheres. O importante é que o resultado com conversa ou com silêncio é quase o mesmo (em silêncio se presta mais atenção para tirar o pedúnculo sem machucar os frutos).
Darly e eu preparamos três vidros de conserva do jeito que já mostrei aqui, mas juntamos algumas poucas pimentinhas vermelhas e malaguetas que meu irmão trouxe de algum lugar. E umas especiarias, uns pedaços de alho e umas florzinhas de manjericão. Elas foram bem lavadas, secas no forno quente e misturadas com a salmoura com vinagre. Depois que a pimenta chupou um pouco do líquido, jogamos azeite por cima para cobrir. E só.
Já tive um pezinho aqui no quintal, mas ela seca depois de um tempo. Se não me engano, é anual. Agora trouxe outra mudinha que resiste verde.

5 comentários:

Anônimo disse...

Na verdade eu estava ai como sentinela para salvaguardar as preciosodades da biopirataria.
Rui

Moira disse...

Ah! Ah! Essa pimentinha eu já conheço muito bem. Porque será?
Pelo comentário do Rui parece-me que não são só os passarinhos que "roubam" as pimentinhas antes delas amadurecerem hehehehe
Beijinhos
Moira

Neide Rigo disse...

Oi Neide,

Happy New Year! Tentei postar uma resposta no seu post de hoje mais não foi.... acabei clicando umas 3 vezes.... desculpa se rececebeu várias msgs minhas em seu blog.....

Olha vc de novo me fazendo relembrar com nastalgia meus tempos de infância. Todo ano fazíamos essas conservas de pimenta e quase nada era plantado no quintal pois a mim me parece que as pimenteiras gostavam mesmo de crescer livres no pasto convivendo com outras plantas e se beneficiando do esterco orgânico gerado pelas vacas, ovelhas, cavalos, etc... e logicamente servindo de alimento aos pássaros e os usando como agentes de propagação da espécie. Que simbiose bonita não é?

Abração
Heguiberto

Neide Rigo disse...

Rui,
ah, se não fosse você!

Moira, espero que um dia venha conhecer a pimentinha no pé!

Heguiberto e quem mais não conseguir postar comentários: pode me mandar no email: neide.rigo@gmail.com, que eu colo aqui com o maior prazer.

Um abraço,
N

Demétrio disse...

Olá ;D, eu adoro a comari e la em minas tenho um pé no fundo de casa, mas nasceu por acaso dos passarinhos hehehe. Ja tentei plantar ele mas não nasceu, enquanto outrs espécies nasceram facilmente.

beijo