sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lichia no pé



O tempo que quiser para ficar ali comendo lichia
Tenho um lindo pé de lichia no quintal da minha casa no sítio que sempre me espera com frutos no Natal. Um ano mais ralo, outro, carregado. Este foi um ano de fartura. Mas, sabe-se lá se por causa do clima ou de qualquer alteração de polinizadores, a exuberância não me esperou. Chegou antes para todos os pés da redondeza. No final de novembro já precisaram começar a olher. Meu pai conseguiu salvar algumas e guardou na geladeira para quando eu chegasse; deixou outro tanto no pé, na esperança de eu chegar a tempo. Qual nada, as abelhinhas arapuás (ou irapuás) não quiseram acordo. Furaram os frutos, sugaram seu nectar e devem ter feito delicioso mel escondido nos corticinhos por aí. Infelizmente o mel desta abelha pode ser tóxico e também um pouco nojento já que ela pode fazer sua colmeia com excrementos de gado, quando há pastos por perto. E é o caso. Portanto, eu é que não vou atrás.
Tenho também uma pitombeira, mas os frutos ainda estão imaturos, com gosto de feijão cru.
Mas vi no jornal da cidade que um sítio ainda tinha lichia e estava ofertando todo o pomar, self service, a R$ 2,00 por pessoa, para o tempo que quisesse passar ali comendo. Corremos pra lá. Atravessamos a fronteira do estado e, nos primeiros quilômetros do Paraná, lá estava à nossa espera um pomar com 130 árvores ainda carregadas, com frutos de sobra pra gente e irapuás. Se bem, que uma árvore inteira estava com tela para proteger de insetos. Não de gente. Entramos lá, eu e meu pai, e nos fartamos.
Bem, acho que compensou porque devo ter comido uns dois quilos sem muito esforço e sem saber qual árvore produzia a melhor lichia. Íamos de uma a outra árvore como abelhas tontas. E todo mundo sabe o prazer que é comer a fruta direto do pé. Por fim, ainda levei 1 quilo para comer em casa - estas, já colhidas, saem por R$ 5,00 o quilo. Um jeito esperto que os pequenos proprietários descobriram de aproveitar a produção e dar cabo dela localmente. Todos saem ganhando.
As Sapindáceas
A lichia (Litchi chinensis), o rambutão (Nephelium lappaceum), a longana ou olho de dragão (Dimocarpus longan), o pulasan (Nephelium mutabile), o mamoncillo (Melicoccus bijugatus) ou o Akee (Bliglia sapida) são todas frutas exóticas da família das Sapindáceas, muito bem adaptadas por aqui. A pitomba-do-norte (Talisia sculenta) é uma representante nativa da família.
Algumas são mais difundidas, outras nem tanto, como o Akee, de origem africana, que encontrei plantada na Estação Experimental de Fruticultura Tropical, em Conceição de Almeida - BA, e da qual se come o arilo cozido da fruta madura (verde, é tóxica). Algumas têm muita polpa como a lichia e o rambutão. Outras, nem tanto, como a nossa pitomba nativa, que é docinha e meio ácida, gostosa, mas que só faz vontade, porque é muito caroço para pouca carne.
O Akee, em Conceição de Almeida - BA
A pitombeira. Esta, também no sítio do Iwao e Helena
Para comer lichia à vontade na safra. Ou para passar alguns dias no campo (há duas casas para temporada), vá até o Sítio Santa Helena, de Iwao e Helena, que estão investindo também em turismo rural. Fica a 9,3 km da ponte de Fartura (que separa São Paulo do Paraná), no municípío de Carlópolis. Tel. 43-3566-1320, cel. 43-9162-3979.

12 comentários:

Anderson disse...

Ah, Neide... Faltou uma receita de Lichia... Tb sou fâ dessa fruta por sua excentricidade, exuberância e até do nome diferente. A caipirinha de Lichia, muito consumida nos bares aqui do RJ, eu não gosto. Então, só me resta me deliciar com a fruta. Humm... R$5 o kilo ?! Caramba, eu paguei R$3 numa caixinha de 300g e achei q tava super barato !!! rs

Eduardo Luz disse...

Uau, tenho um pé plantado e já está bem grandinho.
Sabe quanto tempo demora pra dar frutos?
Não vai me dizer que é igual a jabuticabeira? ahaha
Feliz 2010.

Ana disse...

Que lindo Neide. Acho que elas adiantaram porque houve muita chuva.
Lamentei ao passar pelo trevo de Fartura, pois tivemos só 3 dias para ver a turma lá de Brotas. Ainda não foi dessa vez, mas uma hora vai.

Ah, as pitombas ficarão boas lá pra fevereiro/março (assim é na Amazônia, pois me lembro que os moleques vendiam cachinhos pelas ruas de Boa Vista, no Carnaval, que saudade).

Um beijo muito "farto" assim como um 2010, para todos vocês.

Ana.

Isaac disse...

Oi!
Lembro quando lichia era fruta exótica e cara. Hoje em dia está tão barata.

Anderson. Se você lê me inglês, toma:
http://www.lycheesonline.com/recipes.cfm

Anderson disse...

Valeu Isaac pela dica! Tem receita de Lichia prá caramba !!! Vou hj mesmo tentar um daqueles coqueteis qdo chegar em casa !! rs

Umberto disse...

Neide, a castanha (semente) da lichia é comestível? Se não for, será que não dá para secá-la e moe-la para virar um farinha ou algo do tipo?

Abraço

Umberto

Neide Rigo disse...

Umberto,
eu nem imagino. Receio que não. Uma vez mordi uma e achei horrível o sabor. Mas, vai saber se quando torrada..
Um abraço,
N

Cumarú disse...

Oi Neide,
Estava com a mesma dúvida do Umberto e no site do hortifruti diz que secando ao sol fica semelhante à tâmara. http://www.hortifruti.com.br/produtos/frutas/lichia.html

Stefano disse...

Oi Neide, sei que a matéria é antiga mas tive que comentar pois só achei agora.
Por mais que eu adore lichia, o que mais me impressionou no post foi a idéia do pomar self-service.
Nunca vi isso e que idéia fabulosa. Sei de muito sitio onde frutas se perdem, de chacaras onde os donos reclamam de ter que cuidar...raios raios raios triplos...a natureza dá tudo e tudo facin facin e a gente não sabe aproveitar. Ainda não consegui meu pedaço de terra mas a idéia ficou registrada.

Forte abraço.

Neide Rigo disse...

Stefano!
Então fica a ideia para quando tiver seu pedaço de terra. Um abraço, N

Edvanda disse...

Neide
Parabéns pelo site, é muito bom.
Gostaria de saber se você tem informações sobre a pitombeira.
Moro no interior de São Paulo. Vou construir um imóvel que fica com face para o oeste (lado de sol pleno). Minha cidade é muito quente e vai arrebentar o sol na frente da construção. Estou pensando em plantar uma árvore na frente para fazer sombra e pensei na pitombeira. Só vi uma árvore de uns 6 anos, que estã de porte pequeno. Como o terreno é na cidade, queria saber se fica muito grande. Obrigada

Neide Rigo disse...

Edvanda,
que eu saiba a pitombeira não é muito grande, não. Mas, para sombra há várias outras opções. Pergunte a um paisagista, que saberá te orientar melhor que eu (que só entendo de comida). Um abraço, N