quarta-feira, 5 de março de 2008

Caril seco de quiabos



Meus pais trouxeram estes quiabos dizendo que são tigüeras. São enormes e macios. E tigüeras porque nascem todo ano na roça de café sem que ninguém nunca os tivesse semeado. Talvez um dia, alguém. Mas, como é uma planta sazonal, os frutos amadurecem, as sementes caem no solo e ficam lá até a época certa de germinar, produzinho sempre nesta estação do ano, às vezes um pouco antes ou depois, dependendo da chegada das chuvas. A briga dos dois é que minha mãe diz que se as sementes fossem plantadas um pouco antes e fossem regadas, poderiam colher antes e comer quiabos por mais tempo. Já meu pai é meio tigrão e prefere os tigüeras. Acha que os pobres quiabos têm o direito de virar frutos chifrudos quando bem entenderem – e se entenderem que devem.

A salada da minha mãe é uma delícia, desce escorregando. Ela tempera os quiabos cozidos com cebola, tomate, cheiro-verde, sal, pimenta, caldinho de feijão, limão rosa e azeite. Mas eu costumo inventar moda. Ultimamente tenho feito muitos legumes assim, à moda de um curry seco, porque fica saboroso, perfumado e ao mesmo tempo bastante saudável, já que não leva muita gordura. Sem falar que o preparo é rápido. Cozinho abóboras, batatas-doces (já mostrei aqui?), batatas, carás, inhames, vagens, ervilhas-tortas, berinjelas e jilós e passo num refogadinho de temperos indianos. Minhas inspirações são sempre meu livro de cozinha asiática (O livro essencial da cozinha Asiática, da Editora Könemann) e o blog da Agdah. Mas não sigo nenhuma receita, não. Vou pelo que já vi, mais ou menos a olho, juntando alhos com bugalhos. Aqui vai.

Gosto de cortar assim, na diagonal.
Caril seco de quiabos


15 quiabos grandes
1 colher (chá) de sal comum
1 colher (sopa) de ghee, manteiga ou azeite
1 colher (chá) de cuminho
2 colheres (chá) de grãos de mostarda
1 colher (chá) de grãos de coentro
1 dente de alho picado finamente
1 rodelinha de gengibre picado finamente
1 pimenta dedo-de-moça sem sementes picada
1 colher (chá) de cúrcuma (açafrão-da-índia ou açafrão-da-terra) em pó
Uma pitada de flor de sal ou sal comum

Cozinhe no vapor os quiabos inteiros polvilhados com sal, por 3 minutos ou até que mudem de cor e fiquem ligeiramente macios (sem deixar amolecer). Corte fora as extremidades dos quiabos e divida-os em pedaços.
Numa frigideira grande e antiaderente, aqueça a gordura escolhida e coloque o cuminho, a mostarda e o coentro. Quando começarem a pipocar, junte o alho, o gengibre e a pimenta. Mexa rapidamente e junte a cúrcuma e os quiabos, chacoalhando a frigideira para que os temperos grudem no legume. Cuidado ao mexer, para que os quiabos continuem íntegros e dignos. Polvilhe com flor de sal e sirva.

Rendimento: 4 a 6 porções

8 comentários:

laila disse...

nossa q delicia! estava sem saber oq faezr com meus quiabinhos...adorei a sugestao! bjs

Agdah disse...

...Vou pelo que já vi, mais ou menos a olho, juntando alhos com bugalhos...

Cozinheira boa é assim, faz comida até de olhos fechados.

Agora nem sei o que dizer de tanta honra.

Marcia H disse...

uhmmmmm, mais uma receita, eu adoro quiabo, minha filha de 8 meses tb!

e a jaca, me deixou de água na boca, uhmmmmm

risonha disse...

nunca comi quiabos mas tenho uma vontade louca de experimentar..

Mariângela disse...

Neide,fiz hoje este quiabo pois ganhei quiabo da minha vizinha que tem um sítio,mudei um pouco pois não tinha todos os ingredientes,ficou tão bom!!!! Agora estou de olho na banana ali de cima..beijo!

Daniela disse...

Neide adorei a receita, pois sou louca por quiabo e minha filha também. Não acerto fazê-los, pois ambas gostamos sem baba e o meu sempre sai com a baba.
Já deixei de molho no limão, no vinagre e de nada adiantou. Você tem alguma dica?
BJ

Neide Rigo disse...

Daniela, feito assim, cozido inteiro no vapor, não forma baba. Mas se cortar antes, não precisa deixar de molho no limão ou no vinagre - isto escurece e endurece um pouco o quiabo. Basta pingar umas gotas de um ou de outro enquanto refoga no azeite ou óleo. Outra dica é fazer antes um refogado de tomate - também ácido.
Um abraço, n

Ana disse...

Quando eu era criança detestava quiabo e acabava praguejando e sempre rimando com "diabo" pois achava feio, ruim de comer, sei lá...

Hoje eu adoro esse vegetal de tudo quanto é jeito, desde uma salada geladinha até acompanhando bifes de fígado acebolados.(Nossa, quiabo e fígado são duas coisas que não têm muitas preferências, né)

Abração da Ana.