
Cambuquira, chuchu pretinho e chuchu comum
O caderno Paladar de hoje, do jornal O Estadão, é todo dedicado ao chuchu, este parente da abóbora, do pepino e do melão. Falam que ele é o quarto estado da água: sólido, líquido, gasoso e e chuchu. Outros dizem que tem quatro vitaminas: A, B e C, a saber água, bagaço e casca. Pois eu gosto de chuchu até sem sal. Minha mãe cozinhava para salada, eu não resistia: comia um pedaço sem tempero nem nada. E pensava: não sei porque se reclama tanto de comida sem sal. Chuchu é saboroso e adocicado quando recém-cozido. Prefiro sempre cozinhar no vapor para preservar mais o sabor (de 10 a 15 minutos ou até ficar macio, mas firme), mas quando cozinho na água, divido em quatro ou em cunhas menores, descasco e junto um fio de óleo ou azeite e 1 colher (sopa) de sal para cada litro de água. Assim, fixa mais o sabor.
A reporter Giovana Tucci e o fotógrafo Felipe Rau estiveram aqui esta semana pra fotografar e saber mais sobre métodos de preparo. Conclusão: fiquei aqui com um monte de chuchu que eles deixaram e ainda com os que meu pai mandou, do tipo pretinho, mais escuro, mais denso, mais adocicado. Aí o jeito foi criar também umas receitinhas. As minhas são aquelas caseiras, para o dia-a-dia. Mas, se quiser mesmo impressionar, compre o Paladar e veja só o que os chefs de verdade são capazes de criar.

Salada de chuchu em fitas
1 chuchu com casca cortado em fatias longitudinais de 1 centímetro (separe a parte mais fina e use para outra coisa – por exemplo, ralado grosso e misturado ao arroz branco)
Meia cebola roxa pequena, picada finamente
Tirinhas de ¼ de pimenta dedo-de-moça
Molho
½ colher (sopa) de gergelim preto tostado
3 colheres (sopa) de vinagre branco
1 colheres (sopa) de óleo de milho
1 colher (chá) de açúcar
¼ colher (chá) de sal ou a gosto
1 fatia fina de gengibre ralado
Com as fatias de chuchu faça fitas usando o descascador de legumes. Jogue-as em água fervente salgada (1 colher (sopa) de sal para 1 litro de água) e afervente-as por 1 minuto. Escorra bem e jogue-as em água com gelo. Escorra bem. Misture com a cebola e a pimenta dedo-de-moça. À parte, misture bem todos os ingredientes do molho e junte ao chuchu. Misture bem, guarde num recipiente tampado na geladeira e sirva depois de 3 horas (pode servir na hora, mas o sabor fica melhor depois de curtido um pouco). Corrija o sal, se achar necessário.
Rende: 2 a 3 porções

Salada de chuchu de Fartura (a salada que minha mãe costuma fazer)
2 chuchus de 400 g descascados
4 tomates orgânicos
Meia cebola picada
Sal a gosto
1 pitada de pimenta do reino
1 colheres (sopa) de azeite
Suco de ½ limão rosa
2 colheres (sopa) de salsinha picada
Cozinhe o chuchu cortado em pedaços longitudinais no vapor polvilhado com 1 colher (chá) de sal, até que fique bem macio, mas ainda firme. Enquanto ainda está quente, regue o azeite sobre ele e espere esfriar. Quando estiver frito, junte os outros ingredientes e misture com as mãos para não quebrar os pedaços. Prove e corrija o sal, se necessário. Se possível, espere algumas horas antes de servir.
Rende: 4 porções

Conserva de chuchu de Fartura (receita do meu pai)
½ xícara de azeite extra-virgem
2 chuchus descascados e picados
4 pimentas dedo-de-moça inteiras, mas sem sementes (tire através de um corte longitudinal sem destruir a forma da pimenta).
10 dentes de alho cortados ao meio
1 cebola cortada em quadrados
1 galho de alecrim
2 colheres (sopa) de sementes de mostarda
2 colheres (chá) de sal
4 xícaras de vinagre de vinho branco
Reserve o azeite e coloque todos os outros ingredientes numa panela de inox . Leve ao fogo e quando começar a ferver desligue o fogo. Espere amornar e coloque num vidro aferventado. Cubra a conserva com o azeite e conserve na geladeira por até um mês. Sirva como aperitivo ou como ingrediente de saladas e recheios de sanduíches. O caldinho pode ser usado para temperar saladas.
Rendimento: 20 porções
Nota: a acidez faz o verde perder o brilho. O magnésio da clorofila é substituído por dois átomos de hidrogênio na presênça de ácidos fracos como o oxálico ou o acético. Vira feofitina, com cor verde-oliva a marrom-oliva. Mas fica crocante e gostoso. Em compensação, em contato com substância básica, o verde fica mais vivo. Veja o doce em calda, lá embaixo, feita com cal, alcalina.

Sopa de chuchu com frango
½ peito de frango caipira com osso
1,5 litro de água
1 colher (chá) de sal
1 colher (chá) de feno-grego
1 colher (chá) de grãos de coentro
3 ramos de salsa
1 chuchu cortado em cubinhos
2 colheres (sopa) de salsinha fresca picada
Numa panela grande coloque o peito de frango inteiro com a água, o sal, o feno-grego, o coentro e os ramos de salsa. Leve para ferver em fogo baixo até o frango estar macio. Escorra e reserva o caldo, que deve render mais ou menos 1 litro (se precisar, complete com água). Separe o frango e corte sua carne em fatias.
Numa panela, coloque o caldo (deve render 1 litro – sem não, complete com água) e os cubinhos de chuchu. Cozinhe em panela tampada e fogo baixo até ficarem macios (cerca de 20 minutos). Junte as fatias de frango e espere voltar a ferver. Corrija o sal, se necessário, e sirva polvilhada de pimenta-do-reino e salsinha.
Rende: 4 porções

Sopa creme com mandioca e cambuquira de chuchu
1 chuchu de 400 g, com casca, cozido no vapor
200 g de mandioca cozida bem macia
4 xícaras de leite
1 colher (sopa) de cebola finamente picada
1 colher (sopa) de azeite
1 colher (chá) de sal
1 pitada de noz moscada
1 xícara de cambuquira de chuchu picada (os brotos novos e gavinhas, como a da abóbora)
1 colher (sopa) de manteiga
Pimenta-do-reino
Bata no liquidificador o chuchu com a mandioca e o leite. À parte, em fogo alto, refogue a cebola no azeite, só até murchar. Junte o creme batido, o sal e a noz moscada. Deixe ferver, mexendo sempre. À parte refogue a cambuquira na manteiga até murchar. Junte uma pitada de sal e junte à sopa. Polvilhe pimenta-do-reino e sirva.
Rende: 4 porções

Chuchu empanado
1 chuchu de 400 g com casca, cortado em fatias de 1 centímetro e polvilhado com 1 colher (chá) de sal
½ xícara de farinha de trigo misturada com 1 colher (sopa) de gergelim preto e uma pitada de sal
1 ovo batido com 2 colheres (sopa) de leite e uma pitada de sal
½ xícara de farinha de rosca
1 xícara de azeite para fritar
Cozinhe as rodelas no vapor por cerca de 13 minutos ou até ficarem macias, mas firmes. Espere amornar. Passe-as pela mistura de farinha de trigo, pelo ovo e finalmente pela farinha de rosca. Frite aos poucos no azeite quente.
Rende: 4 porções

Fiz uma receita igual à compota de abóbora que fiz há alguns dias. Só mudei o tempero da calda.
Chuchu em calda
600 g de chuchu picado em cubinhos de 1,5 centímetro
1 colher (sopa) de cal virgem
2 xícaras de açúcar1 xícara de água
Sementes de 3 vagens de cardamomo
2 galhinhos de menta
Numa tigela de vidro, deixe o chuchu de molho por 1 hora em dois litros de água com a cal virgem dentro de uma trouxinha. Escorra, jogue a trouxinha fora e enxágüe bem o chuchu. Numa panela coloque os ingredientes restantes e leve para ferver junto com o o chuchu. Quando formar uma calda rala e os cubinhos estiverem macios (crocantes por fora, macios por dentro), está pronto. É só esperar esfriar e servir puro ou com creme. Rende: 6 porções
Nota: a cal virgem é produto da calcinação das rochas e é responsável por deixar a superfície dos cubos crocantes, enquanto o interior fica macio - pode ser comprado em casa de festas)

12 comentários:
Neide,quanta variedade.Aqui no sul os italianos da região de Caxias fazem a compota de chuchu,que fica delicioso demais,bem temperado,a calda mais grossinha, aqui em Porto Alegre nunca vi.E o que é o preço destes ovos caipiras,menina,eu compro assim também na nossa feira por 4 reais,direto do produtor,tô boba! Não que não valham mas achei meio salgado.beijo!
Olá Neide! Gosto do chuchu laminado, porém cru. Usei a sua sugestão com o molho que leva gergelim e ficou divino.
um abraço
Neide, você acredita que só hoje de manhã fui ver a tua (bela) participação no (belo) Paladar sobre o chuchu ! Parabéns ! Foi muito legal !
E vou aproveitar pra usar as tuas receitas e mais as que estão lá pra fazer uma noite especial sobre o chuchu que vai se chamar " Come-se chuchu ! ". Posso usar as referências, né ?
Ah! Já coloquei o RSS do Slow Food lá no DCPV !
Mariângela,
esta compota deve ficar melhor que a minha!
Quanto aos ovos, o preço maior deve ser por causa da certificação.
Felipe,
também testei cru e gostei, mas assim, aferventado também fica bom. Que bom que o molhinho deu certo.
Eduardo, obrigada. Que legal que também está divulgando o site do Slow Food. E quanto ao chuchu, claro.
abraço a todos,
N
Neide!
Vi sim o Paladar no dia, mas não pude vir aqui te dar os parabéns!
Cheguei atrasada mas vale, né não!
Achei super bacana...... sempre tirei o 'caroço' do dito, vou experimentar preparar o chuchu com a 'semente'!
Beijinhos
Nossa, que alegria, adoro chuchu!
Cozido, cru, refogado, na salada, eh tao gostoso!
Quantas receitas, adorei todas! E que lindo seu chuchu empanado, nunca comi ele assim, fiquei ate com vontade! rs!!
Ana
Adoro chuchu!Muito, demais! Meu apelido acabou virando xuxu! E eu não sabia que esse lance de ser o quarto estado era tão popular...achei que só meus amigos falassem isso! ahauhauhah quanta inocência.
Enfim, amei todas as receitas, desde o chuchu fatiadinho no descascador até ele empanado, que fica lindo e deve ficar saborosíssimo!
Favoritei! ^^
Beijos!
Boa noite Neide,gosto muito do seu blog,parabéns.
gostaria de saber,compota ou doce de chuchu pode ser conservada por quanto tempo em vidros esterilizados e fervidos tem ideia ? do tempo grato.
Posso congelar o chuchu empanado depois de frito?
Faço caldo verde substituindo a batata pelo chuchu, é menos calórico.
Você é incapaz de passar em qualquer disciplina sem colar na prova, eu me lembro um dia, que eu estava no ponto do ônibus e ouvi você falando com o seu amigo que tinha escondido a cola da professora.
Você falou tão mal da Lages, rodou todos os professores da disciplina de química orgânica 1 e só conseguiu passar em orgânica 1 com a Lages, agora você está falando bem da Lages.
Eu sei muito bem que você fica debochando da faculdade no Twitter.
Agora você publicou esse artigo científico:
https://www.mdpi.com/2072-6643/17/17/2763
É isso o que acontece com quem cola na prova, publica um artigo científico. Eu sei tudo sobre você Beatriz Ribeiro de Oliveira. Eu achei inclusive o seu perfil no currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2103682075284143
Você também é amiga da Camilly Enes Trindade que passou colando em cálculo para farmácia usando Photomath. Diga-me com quem tu andas, que eu te direi quem tu és.
Eu estou esperando o amigo da Camilly Enes Trindade chamado Guilherme de Sousa Barbosa vir na boca de fumo que tem em cima da minha casa mandar o traficante me matar. Em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino, que fornece material furtado para os traficantes fazerem barricadas. Já que o Guilherme de Sousa Barbosa teve a capacidade ameaçar me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele, ele também tem a capacidade de mandar o traficante me matar. A vida é boa para quem faz IC, para quem não faz, só resta morte. Eu não vou perder a minha bolsa.
Eu ainda me lembro que quando a gente estava fazendo orgânica experimental 1, você falou que queria ser professora universitária, então eu te mandei um vídeo ensinando como fazia para se tornar professora universitária, ai chegou em analítica 1, você se juntou a Gabriela Santana Andrade para ficar me humilhando por causa de IC, eu estava doente naquele dia, o que você fez comigo, não se faz nem com um bicho. Você nem esperou o semestre acabar para se voltar contra mim. Você cuspiu no prato que comeu.
Quer dizer passou colando em cálculo para a farmácia usando o Photomath, ficou com o CR 7, está fazendo iniciação científica com bolsa e ainda viajou para a Europa com o dinheiro da bolsa de IC:
https://www.instagram.com/p/C-q8YN5uQDP/
O Laboratório de Fitoquímica e Farmacognosia - FF - UFRJ (FitoFar) aceitou que uma pessoa mentirosa e desonesta, igual Hagatha Bento Mendonça Pereira publicasse um artigo científico, esse laboratório não deve ser um bom laboratório para se fazer iniciação científica. Porque graças ao FitoFar, até mesmo você publicou esse artigo científico:
https://www.instagram.com/fitofarufrj/p/DVPOIHMErWJ/
Mas você também amiga da Beatriz Ribeiro de Oliveira, que é incapaz de passar em qualquer disciplina sem colar na prova, a Beatriz Ribeiro de Oliveira fica falando na faculdade para todo mundo ouvir que escondeu a cola da professora, ela falou tão mal da Lages, rodou todos os professores de química orgânica e só consegui passar em orgânica 1 graças a Lages, agora a Beatriz está falando bem da Lages, a Beatriz inclusive publicou esse artigo científico:
https://www.mdpi.com/2072-6643/17/17/2763
É isso o que acontece com quem cola na prova e fala mal dos outros, publica um artigo científico.
Por causa da sua queixinha que você foi fazer na coordenação da farmácia, algum FDP da coordenação da farmácia vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa que nem me conhece, que nunca fez uma disciplina junto comigo, que já conclui o curso de farmácia e que nem mora mais no Brasil.
Pode mandar o seu amigo o Guilherme de Sousa Barbosa que me ameaçou mesmo sem eu ter feito nada contra ele, me matar. Manda o Guilherme de Sousa Barbosa aparecer na boca de fumo que tem aqui perto de casa e mandar os traficantes me matar, aqui do lado da minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes construírem barricadas.
Eu não tenho nada a perder, a vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte. Eu não vou perder a minha bolsa de iniciação científica.
Postar um comentário