quinta-feira, 18 de março de 2010

Uma raquete de palma ou nopal vira bolinhos recheados


Todos devem saber que sou uma pequena produtora de quintal, portanto minhas colheitas são sempre assim, minis. Lembra aquelas palmas que colhi outro dia e a Eliana fez um refogado? Pois havia deixado no pé outras duas destas raquetes novinhas. Ontem, passei por elas e não resisti cutucada pela lembrança de que no jantar só teríamos de mistura dois ínfimos pedaços de costela, mais osso e colágeno que carne.
Pensei na Ananda que a esta altura está em treinamento da aeronáutica na selva, andando quilômetros molhada e com os pés enfaixados para não criar bolhas, carregando mochila pesada e fusil, dormindo 3 horas por noite e comendo sabe-se lá que tipo de gororoba. Ainda teriam que caçar um coelho - devidamente providenciado antes da viagem.
Pensei no conforto que é ter um pedaço quente de osso para roer à mesa, tendo ainda esta agroflorestinha em que está se transformando meu quintal para completar. Tirei o canivete do bolso (não ando sem ele desde que ganhei do amigo Luiz Stockler), colhi uma delas e deixei uma única para engrandecer o pé de cacto e garantir a produção do próximo ano.
Lembrei dos nopales rellenos dos mexicanos, aproveitei que comprei na Liberdade uma forminha de ferro com concavidades para fazer tako-yaki (aqueles bolinhos fofos recheados de polvo), dei cabo a um pedaço de queijo de coalho esquecido na geladeira e de quebra ainda aproveitei um único ovo que sobrou do pudim de canistel. Uns galhinhos de mentruz florido (epazote dos mexicanos), umas gotinhas de azeite, sal, pimenta. E nhac!

Bolinhos de palma recheados
1 raquete de palma (ou nopal)
100 g de queijo de coalho - ou que dê para fazer 10 rodelinhas
10 folhinhas ou galhinhos pequenos de mentruz/ erva-de-santa-maria/ epazote
Farinha de trigo para empanar
1 ovo (clara e gema separadas)
1 pitada de sal
1 pitada de pimenta-do-reino
1 colher (sopa) de azeite
Passe um descascador de legumes por toda a superfície da palma, para retirar possíveis espinhos. Lave bem. Com cortador de biscoito de 3 centímetros, corte rodelas. Afervente-as em água com sal por 5 minutos ou até ficarem macias. Escorra, deixe esfriar e abra as rodelinhas ao meio, como se abre um pão para rechear. Coloque entre elas as rodelas de queijo do mesmo tamanho. Por cima do queijo, ajeite um galhinho de mentruz. Feche o sanduichinho e prenda com palito, porque a dananda da palma é escorregadia como quiabo em baba. Passe por farinha de trigo para empanar. Reserve. À parte, bata as claras em neve até que forme picos macios e firmes. Junte a gema e bata mais. Tempere com sal e pimenta-do-reino, coloque um pingo de azeite em cada concavidade da forminha de tako-yaki e leve ao fogo. Quando estiver quente, passe os sanduichinhos de palma pela gemada e coloque na forma, tirando o palito. Com um garfo ou hashi, vire quando começar a soltar das beiradas para dourar do outro lado. Sirva com molho de pimenta.
Rende: 10 bolinhos
Nota: se não tiver esta forma, coloque bastante óleo ou azeite numa frigideira e faça fritura de imersão. Ou tente fazer com pouco azeite, como mini fritadas. Acho que também dá certo (mas não testei).

6 comentários:

Anônimo disse...

Neide, como V. é criativa!
De qualquer galhinho faz uma janta!
De onde surgiu esse apreço todo?
Abs.
Ana Maria

happynest disse...

Achei uma graça a expressão da Ana Maria que diz que vc faz janta de qualquer galhinho...muito bem pensado!Soltem a Neide na selva que de fome ela não morre!
Brincadeiras à parte, os bolinhos ficaram lindos e certamente deliciosos...uma perdição acompanhados de uma cervejinha bem gelada, heim?
beijos
Rosemary

Patricia Lopes disse...

Neude!
Quando mostrei estés bolinhos para minha cozinheira ela correu para prepara-los! Ficou encatada que os brasileiros tb cozinham o nopal!

Elena sem H disse...

Do Nopal só tinha comido a fruta, deliciosa, por sinal. Ai encontrei uma conserva dele no supermercado, origem mexicana. Barata (serpa que mais ninguém quer?). Comprei. Como toda boa receita mexicana, a conserva é bastante apimentada. Mas o sabor é bom. Agora resta comer ele assim, fresco. Já tive vontade de colher umas folhas por ai, mas ai vem a dúvida: será o cactus certo? E acabo deixando prá lá...

Anônimo disse...

Neide, fui ao mexico em julho passado e no hotel que fiquei em Playa Del Carmen havia Palm Juice, todos os dias no café da manhâ. Achei muito bom!

Abraços, Eleonora.

Neide Rigo disse...

Eleonora, obrigada por me contar. Vou experimentar fazer. bjs,n