sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Ceviche de corvina


Com batata doce, milho cozido e pipoca peruana
Uma das mais surpreendentes descobertas recentes, para mim, foi saber que a corvina é um ótimo peixe também para ceviche. Quem me ensinou foi meu amigo Ives, peruano. Como sempre gostei de corvina – ela tem carne branca, firme mas não fibrosa, macia e não gordurosa e com espinhos grandes fáceis de tirar-, não demorei a tirar a prova. Na primeira oportunidade, comprei uma corvina inteira e pedi para o vendedor tirar os filés sem pele (espinhas e cabeças, trago-as para casa pois rendem um caldo maravilhoso e a cabeça, eu como inteira cozida em caldo bem temperado, que tem umas bochechas deliciosas humm). Os peixeiros não gostam muito de tirar filé de corvina, não. A pele é meio chatinha de sair, aderida demais, deve ser por isto. Então, ultimamente, para não enfrentar cara feia de vendedor, eu mesma faço o serviço em casa, não custa muito. Com uma faca apropriada e bem afiada, é tarefa até que simples. Mas sem isso, quase impossível tirar filés perfeitos.


Aqui, a corvina fresca já limpa e descamada
Ontem encontrei ao acaso uma corvina muito fresca na peixaria do Extra. Juntou a fome com a vontade de comer porque em São Paulo estava um calor de rachar mamona (37 graus aqui na Lapa) e já fazia tempo que estava com vontade de comer ceviche. Prato perfeito para um dia quente. Não segui nenhuma receita específica, mas fiz mais ou menos do jeito que o Ives me ensinou. Lavei bem os filés em água gelada com um pouco de sal, cortei-os em 2 ou 3 tiras ao longo do comprimento e depois em quadrados. Coloquei numa tigela de vidro, espremi limão Taiti (limão Taiti não é limão, é uma lima azeda, mas tudo bem também ser chamado de limão) até cobrir o peixe, temperei com sal a gosto, uma pitada de pimenta vermelha em flocos (melhor usar fresca, mas esqueci e botei esta na hora de comer e não ficou nada mal). Juntei um pouco de coentro-de-pasto picado (o certo seria o clássico coentro, mas eu também não o tinha e afinal ambos têm o mesmo sabor) e 1 cebola roxa em rodelas (esta é a que se usa mesmo, alguma coisa eu tenho que respeitar). Esperei 15 minutos (quando o ideal seria no mínimo 1 hora, mas não agüentei e não me arrependi). Aí foi só servir com rodelas de milho cozido e pipocas peruanas (com os milhos que compro na feirinha boliviana). Pronto, chega de parênteses. Peruano, peruano, não ficou, mas o peixe era fresquíssimo, as cebolas roxas, crocantes e fiz um esforço danado para honrar as origens, pelo menos nos acompanhamentos. Ninguém pode negar. E hão de me perdoar os puristas peruanos.
Nota: a feira boliviana acontece na Praça Kantuta, bairro do Pari, nos domingos à tarde

7 comentários:

Marcel Miwa & Nina Moori disse...

Fui nesta feira pela primeira vez semanas atrás...quase pirei, queria compra tudo.
bjo,
Nina.

marilia disse...

Que delícia de blog!

bia disse...

adoro ceviche, meu irmao fazia um delicioso, ja estou anotando ! bj

Wine Broker disse...

Olá Neide O dia que as barraquinhas a beira da praia descobram o modo da faze-lo e começem a oferece-los...
Em janeiro estivemos em Lima, e não paramos de disfrutar da culinária peruana. Já pensou em acompanhar este prato com um Pinot Gris, argentino,da Lurton?
Ruben Duarte

Mônica disse...

Achei seu blog muito bom. Meu marido estava pensando em tentar fazer brotar um ramo de hortelã que comprou no supermercado. Coincidentemente li sobre seu blog no blog do Pedro Dória, dei de cara com dicas sobre plantio dessas plantias e passei o link pra ele. As folhinhas estão se firmando na terra.

Mas tenho uma dúvida: outro dia ele ganhou de presente um peixe. Como não sei o nome da coisa, vamos chamar de pele, de invólucro. Bom, o lado de fora do peixe era meio dourado. Os dentes pareciam humanos! Fiquei impressionada. Você tem idéia de que peixe é esse? A carne é muito gostosa, de sabor suave. O peixe tinha tamanho médio.

Abraços e parabéns pelo blog.

Neide Rigo disse...

Oi, Nina, eu também faço como você. Volto carregada.

Obrigada, Marilia.

Oi, Ruben, vou tentar da próxima vez combinar com um pinot gris.

Oi, Mônica, hortelã enraiza super fácil desta forma. Espero que dê certo com vocês. Quanto ao peixe, eu também fiquei impressionada com sua descrição (os dentes parecem humanos). Sinceramente não tenho idéia, mas será que não era uma sereia, não? (se tiver fotos, me mande, fiquei curiosa). Obrigada pela visita, bjs, n

Jane Malaquias disse...

Já comi ceviche enrolando a carne em alface com broto de alfafa e folhinhas de hortelã, tipo um charutinho.
O tal peixe de dentes humanos talvez seja um peixe de água doce comedor de frutas, como o tambaqui.