sexta-feira, 5 de março de 2010

Melancia ou parte dela



Normalmente descarto as cascas da melancia. Não por desprezo propriamente dito, mas porque quase sempre estou com a geladeira cheia de outros ingredientes esperando a vez. Neste fim de semana, porém, comprei uma melancia pequena e achei as cascas delicadas, boas para cubinhos tricolores já que as camadas estreitas podiam agrupar o verde externo, o branco central e ainda uma risca de vermelho da polpa que foi tirada com faca e não a dentadas como seria de costume. Esta linha de polpa vermelha é que, no final, nos diz no sabor que aquilo é um pedaço de melancia e não de chuchu, caxi ou mamão verde.
E assim fico com algum doce na geladeira para uma emergência. Afinal, nem todo mundo é sempre do sal como eu. Usei cal virgem para criar aquele casquinha crocante que guarda o miolo translúcido e macio. Eis a receita, que não é nenhuma novidade:


Cubinhos de melancia em calda
Cascas de 1 melancia pequena (cerca de 1 quilo de cascas)
1 colher (sopa) de cal virgem
2 xícaras de açucar branco
2 xícaras de água
1 pau de canela
2 cravos
Sementes de 5 cardamomos
Suco de um limão rosa
Tire a película dura e verde das cascas, corte o restante em cubinhos de 1 centímetro e deixe de molho por uma hora em dois litros de água com a cal envolta numa trouxinha de pano. Escorra e enxague bem. Faça uma calda com o açúcar, a água e as especiarias. Deixe ferver por 10 minutos ou até ficar com consistência de xarope. Tire o cravo e a canela, deixe o cardamomo. Junte a melancia e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos ou até que os cubinhos passem de opacos a translúcidos. Junte o suco de limão e deixe ferver. Desligue o fogo, espere esfriar e guarde em vidro esterilizado. Conserve na geladeira.
Rende: 10 porções
Nota
: a cal virgem, cal viva, CaO ou óxido de cálcio, não é encontrada em estado puro na natureza, mas através da calcinação que é a decomposição térmica, em altas temperaturas, de rochas de calcário - estas são trituradas e levadas a fornos industriais para dar origem ao óxido de cálcio e gás carbônico. A cal hidratada, usada na construção, é resultado da reação do óxido de cálcio com água e não é adequada para a alimentação.


É bom para comer com outros doces

E com queijo, com vinagre, pimenta e grãos de mostarda
Deixei um pouco de sementes de mostarda marrom hidratando no vinagre, juntei umas gotas de pimenta e uma pitada de sal e misturei com um pouco da calda da compota. Levei ao fogo para reduzir - já que o vinagre diluiu, coloquei sobre um pedaço de queijo e nhac



Os mesmos cubinhos poderiam ter sido refogados. Eu gosto, ficam parecidos com chuchu.

10 comentários:

Bombom disse...

É a segunda vez que vejo uma receita levar Cal! A primeira foi num doce de cascas de banana. Segundo me pareceu, essa cal é especial para usar com alimentos, não? Aqui em Portugal nunca vi, não sei se haverá.
É uma receita muito original, esta. Mais uma coisa que deitamos fora e que poderíamos aproveitar. A cal é mesmo imprescindível nesta receita? Senão ainda me tentava a fazê-la no próximo verão quando for o tempo das melancias! Bjs. Bombom

Neide Rigo disse...

Bombom, esta cal é especial sim para alimentos. Tente fazer sem. O que pode acontecer é os cubinhos ficarem mais molinhos.
Um beijo, n

Anônimo disse...

Neide boa noite, não tem como surpreender com você, pois as doceiras de Pirenopolis sempre usaram o kal, para doce que cristalizavam quando falei isto aqui em SP, o pessoal disse que era loucura, eu só não sabia que o Kal era especial, mais que é usado há muitos anos sim, os doces ficam macios, e tenros, sem perder o sabor, só que eles ficavam um tempo maior no kal, e as melancias devem ficar ótimos, e melhor varias receitas, da para aproveitar tudo beijos. (Diulza) onde encontramos este kal.

Marcia H disse...

Ai, Neide, lá vem mais uma perguntar por cal.

Fui procurar numa farmacia daqui e me perguntaram se eu queria carbonato de cálcio e nao óxido de cálcio.

Daí eu fiquei em dúvida.

Porque usar cal? E qual tipo? Eu quero fazer doce de mamao e quando o verao chegar esse doce de melancia.

Ai, ai, ai.

clau disse...

Neide, isto é que é aproveitar bem as coisas que todo mundo descarta!
Eu tb faço la as minhas tentativas que, se nao tradicionais, tb dao bons resultados.
Pq o meu problema, mais do que sò culinario, é ser contra o desperdicio, de qq ordem. rss
Entao, vou anotar esta sua coisa da casca da melancia!
Bjs!

ANTONIA disse...

Eu preparo a melancia de forma salgada. Basta cortar em cubos, colocar na panela, temperar com missô, óleo, um pouco dashi (peixe seco moído), um pouco de acúcar, hmmmmm.... com arroz branco é uma delícia!

Juliana Leodoro disse...

Picles da parte branca é uma delícia também, minha avó sempre faz.

Anônimo disse...

Olá Neide,

Na minha cidade, havia um doce, CORRUMBÁ (currumbá), feito na época junina, nos anos que coincidia com as "invernadas" e consequente aumento da disponibilidade de melancia.

Na verdade um aproveitamento da entrecasca (parte branca)da melancia e a raspa do coco não utilizada no preparo da canjica (sinônimo de curau, no qual na nossa região incluem-se leite de coco e manteiga do sertão), adoçado com o mel da rapadura (liquefeita) e especiarias. Delícia!!!

Abaixo, um poema popular que se refere ao CORRUMBÁ (também feito com caju)

Célia Márcia
Sou sertaneja-potiguar, de São João do Sabugi, Região do Seridó/RN
Também nutricionista e leitora contumaz do seu blog.

Dieta Sertaneja
(Carlos Cavalcanti, natural de Campina Grande/PB).

No sertão nós comemos tapioca,
Jerimum, feijão gordo e milho assado,
Maxixada e farofa com guisado,
Carne seca moída na paçoca;
Milho quente dançando na pipoca,
O tutano a brilhar sobre o pirão,
Mamão verde no falso camarão,
Carne assada comida com angu,
Café quente tomado com beijú,
Logo após de um gostoso rubacão.

Saboroso cuscuz (ralando o milho)
E depois borrifado em leite quente,
A comida legal de nossa gente,
As espigas ligadas pelo atilho;
Sobremesa crocante de sequilho,
Mel de abelha por cima do cará,
A terrina esborrando munguzá,
No domingo a famosa panelada,
Manhã cedo, a tigela de umbuzada,
Mel de furo, castanha e corrumbá.

Mariola, jabá e macaxeira,
O pirão degustado na buchada,
O sabor destacado da cocada,
Água doce apanhada na biqueira,
Goma pura e farinha sem crueira,
Bode assado e também raspa de queijo
Deixa a boca repleta de desejo,
Nessa vasta dieta do sertão,
Sem falar na galinha de capão,
Mesa farta a do nosso sertanejo.

A famosa galinha à cabidela,
O gostoso feijão baião de dois,
Onde a carne cozida com arroz
Faz o cheiro emanar lá da panela;
A banana adoçada e com canela,
Fava branca cozida e temperada,
Jerimum machucado na coalhada
Sem deixar de comer queijo de coalho,
A batata assadinha, no borralho,
Leite cru no curral, de madrugada.

A farinha de milho no feijão,
A canjica e a pamonha no jantar,
Bolo preto, o melhor do paladar,
Café forte batido no pilão;
Charque assada e farofa de bolão,
O sabor dessa mesa é inconteste;
Essa nossa dieta se reveste
Das melhores riquezas naturais.
Nossas frutas e nosso vegetais
São manjares na mesa do nordeste!

Neide Rigo disse...

Célia,
obrigada. Eu sempre aprendo com meus leitores. Adorei. Um abraço, N

Jessica fonseca disse...

o cal virgem pode ser substituido por 1 colher de
bicarbonato de sodio ele faz o mesmo efeito ^^

sendo os dois a mesma quantidade se colocar 1 colher de cal virgem pode ser colocado uma colher de bicarbonato de sodio ^^