sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Degustação de mel de abelhas nativas



Betty Kovesi, da Escola Wilma Kovesi, ficou tão entusiasmada com o debate sobre Mel de abelhas nativas, melíponas, promovito pelo Entre Estantes e Panelas, na Livraria Cultura, que resolveu sair em busca de exemplares para se degustar, já que prudentemente não foi possível provar do mel entre os livros, a fim de não melar, melecar.
Se bem que melecar vem de mel e como este nectar de melíponas, segundo a legislação em vigor, não pode ser chamado de mel, poderia ter sido degustado na livraria sem melecar ou melar (aliás, mel devia ser o verdadeiro nome do nectar das Meliponáceas. Sei lá, seguindo a lógica, o das Apiáceas poderia ser pel, apel). Por enquanto, vamos aqui continuar chamando ambos de mel.
Mas na escola, que Betty abriu gentilmente para alguns convidados e interessados, pudemos ouvir Roberto Smeraldi e Carlos Alberto Dória falarem um pouco sobre este ingrediente com potencial enorme na gastronomia atual - além de ser raro, ter manejo artesanal e uma ligação forte com o pequeno produtor (e isto, felizmente, tem sido valorizado), é ainda delicioso, tem evolução de sabor e ph com o tempo e oferece uma gama de sabores que variam não só com as espécies de abelhas, mas também de acordo com biomas e floradas.
Smeraldi conduziu a degustação do produto in natura e também com peixe, queijo e carne. Mas seu uso vai além, nas sobremesas e molhos para salada. De preferência, tirando proveito do sabor floral e herbáceo aliado à acidez.
Entre os alunos, além do tititi aqui e ali, ainda rolou uma degustaçãozinha paralela. A Mara Salles, com um potinho de saúvas, já ensaiava a sobremesa que vai servir num jantar com a Dona Brazi. Eu levei alguns vidrinhos com mel de tiúba do Maranhão, da Amavida, de diferentes localidades, que comprei na última feira de agricultura familiar e ficamos comparando o sabor. Com formiga, sem formiga. Chegamos à conclusão de que quanto mais ácido e menos doce, mais o mel combinava com os bichinhos que sabem a capim-santo, melissa, gengibre e citronela. A conferir no jantar, na semana que vem.
Apesar de ser mais úmido, a abelha sem ferrão, como não tem armas de defesa já que os ferrões são atrofiados, para defender sua colmeia produz mais substâncias antibióticas. Daí o fato de ser usado como remédio (além de ser bactericida, age contra inflamações, males dos olhos e alergias).
Obituanbuluvulu
: parece que por aqui são mais de 400 espécies de abelhas da subfamilia Meliponinae. Mas nem todas produzem mel aprecíavel. Quando escrevi sobre abelha jataí, o Duarte (que descobri depois ser filho da leitora portuguesa que virou amiga, a Manuela), que é geólogo e morou em Angola, me mandou um comentário e links para fotos de umas abelinhas de nome estranho, veja:
Em Angola, num sítio chamado Quicuco, perto do Lubango, encontrei lá umas abelhas pequeninas que também não picavam (mas que eram altamente irritantes), que também construíam umas colmeias pequeninas. Chamavam-lhes lá obituanbuluvulu e os locais diziam que o mel era bom, mas que eles recolhiam alimento em muitos e variados sítios, não todos recomendáveis (rabo de animais por exemplo...), de modo que não provei do mel. Fotos e acolá.
Tartar com mel de abelha nativa: hoje deu vontade de comer no almoço um peixinho com mel de jataí bem fermentado, inspirada no linguado cru que provamos ontem. Tinha só 1 filé pequeno de pescada e fiz uma única porção de tartar. Temperado com cebola picada miúda, folhas de limão kafir, azeite, folha picada de manjericão-anis, suco e raspas de limão-yuzu, sal, pimenta e mel de abelha nativa que foi de novo por cima, misturado com azeite. Polvilhado com flor de sal. Entradinha para um bacalhau.
Já escrevi sobre as Melíponas e Jataí aqui.
Mais sobre mel, no blog do Dória.

10 comentários:

Carol disse...

Ola Neide. Ano passado teve também este debate super interessante lá na WK e participei. Realmente, surpreedente este assunto. Um grande Beijo

DARS disse...

Oi Neide, descobri seu blog recentemente em alguma pesquisa que já não lembro o motivo. São tantos assuntos estimulantes que fica difícil escolher um para comentar.

Parabéns pelo trabalho, e se estiver precisando de um provador para suas criações...

Daniel.

Meliponário do Sertão disse...

Olá, s quiser conhecer mais sobre o mel e as abelhas sem ferrão, entra nesse blog aí, ele é feito com grande paixão por pessoas que amam as abelhas sem ferrão, talvez o mel de Jandaíra (um dos agradáveis) ficasse muito bem nos seus pratos.

Nosso mel ficou em 1 lugar no Concurso nacional de Méis de abelhas sem ferrão 2009.

att,

Kalhil Pereira França
www.meliponariodosertao.blogspot.com
Mossoró-RN

Neide Rigo disse...

Daniel,
pode deixar, quando precisar de provadores vou me lembrar de você rss. Obrigada!

Kalhil, obrigada por deixar aqui seu contato e o blog. Tenho certeza que os leitores farão bom proveito.

Um abraço, n

DARS disse...

Me lembrei que numa das minhas idas a Amazônia, comprei um pote de mel de abelha nativa, quando cheguei em casa e fui provar, estranhei a diferença de viscosidade, acidez e paladar e acabei não utilizando.. deveria ter pesquisado um pouco na grande rede, bobeei...

Bj, Daniel.

Marcelo disse...

criar essas abelhinhas dá uma satisfação incrível. Seria sensacional ter demanda suficiente para poder produzir mel das minhas jataís para uso em gastronomia.
Se alguém se interessar quem sabe isso dá certo :).

Laura Backes disse...

Fiquei curiosa prá saber onde se vende.
Marcelo, tu é de Porto Alegre?
Aqui nunca vi o mel, apesar de já ter fotografado (penso eu)uma pequenina coolmeia no Parque da redenção.
Tens notícias, Neide?
beijos!

Laura Backes disse...

ixe!
vi que tem a resposta prá minha pergunta noutro post.
Perdones!

Neide Rigo disse...

Laura,
talvez também encontre na feirinha ecológica da Redenção.
bjs, n

Marcelo disse...

Olá Laura,

sou do interior de SP.

Não é muito comum encontrar mel de jataí (o verdadeiro !). Eu produzo alguns Kg por ano para clientes que solicitam e tem pedidos fixos. Aos poucos outros novos vão aparecendo. É um prazeroso hobby por enquanto.

Não há muita divulgação também, mas quem experimenta sempre quer mais.

Tenho um colega criador que mora em Porto Alegre, o Marco Torres. Ele produz enxames, mas talvez tenha mel em pequena quantidade. O site é http://www.abelhanativa.com.br