sábado, 27 de março de 2010

Szechuan button ou flor de jambu - resposta à charada

Na charada do post anterior, quem respondeu flor de jambu, acertou. Claro, desta vez estava fácil. Mas foi mesmo só o gancho para falar deste "novo" ingrediente que está fazendo sucesso lá fora. São as Szechuan buttons.
Só fiquei sabendo porque uma leitora,
Clara, me mandou um link e perguntou que flor era aquela. Pois é, a loja virtual de mimosidades gastronômicas, Marx Food, está vendendo os botões cultivados pela empresa americana especializada em brotos e flores, Koppert Cress.
Se por aqui, o jambu enraiza facilmente (já falei dele e mostrei as flores aqui) até num copo d´água e em poucos dias a planta se cobre de florezinhas vulgares e delicadas,
lá no site a excentricidade custa caro. Para se ter uma ideia, um kit com ingredientes para drinks composto de pepquiños (aqueles mini pepinos/maxixes), flores de jambu e folhas de shisso, sai por meros 61,50 dólares. A procura é tanta que, se você quiser comprar, tem que encomendar pois estão sem estoque. E ainda, se você quiser se entupir de comer botões de jambu, faça-o por sua própria conta e risco, avisa a empresa, seja lá o que ela quis alertar com isto. Com este preço, acho difícil.
Por aqui, a grande atração do jambu (Spilanthes oleraceae) continua sendo as folhinhas. Eu tenho a planta no jardim e uso as folhas cozidas quando o poder elétrico parece ficar mais potente e sem muita interferência do forte sabor herbáceo da planta crua. As florezinhas, deixo para enfeitar o quintal, que são, como bem lembrou a leitora Bombom, parecidas com girassóis. Como o jambu, o girassol também pertence à família das Asteráceas.
Minha amiga Jerônima, lá do Marajó, me contou que, quando o chef espanhol Andoni Luis Aduriz esteve lá visitando sua fazenda, ele ficou encantado com a planta, levando mudas para as estufas do seu Mugaritz, onde as florezinhas aparecem nos pratos fazendo charme e causando faiscas, já que a sensação elétrica é maior que a provocada pelas folhas.
O nome Szechuan buttons é porque você pode encontrar esta mesma sensação nas pimentinhas chinesas de Szechuan (à venda em qualquer mercearia de produtos asiáticos). Eu misturei um pouco da flor esmigalhada na limonada, fiz gelatina de maracujá da caatinha com ele e polvilhei sobre o sorvete de teperebá e achei uma grande bobagem.
Morder uma florzinha inteira, aí, sim, pode ser uma experiência mais eletrizante (não a ponto de sair em desespero atrás dela, diga-se), mas uns mosquitinhos aqui e ali não dizem nada. Melhor deixar as flores para sementes, para dar mais folhas.


No sorvete de taperebá: apesar das faisquinhas, o sorvete continuou bom e o sol de hoje o convida a sair do freezer

2 comentários:

Marcelo Maciel disse...

Neide, tô fazendo um pesquisa aqui sobre Jambú e cheguei no seu blog.
Sou produtor artesanal de cerveja e pensei em tentar criar o efeito anestésico do jambú em alguma cerveja que fizer.
Aqui em Belo Horizonte só acho para comprar a folha. Você sabe onde compro uma muda ou a flor que possa me enviar pelo correio?

Abraços,
Marcelo - macielbh@gmail.com

Neide Rigo disse...

Marcelo, não tenho como te mandar por correio, mas se você tiver portador, posso lhe arrumar uma muda - estou em São Paulo.
Um abraço,n