
Vendedor de umbu e pequi; vendedor de umbu em frente à Casas Bahia (coincidentemente, o boné do ambulante também é das Casas Bahia); vendedora de feijão-de-corda e vendedor de aipim - como podem ver, ônibus para estes lados não faltam.
Moro a umas 15 quadras de um pedaço de São Paulo que concentra migrantes paranaenses, mineiros e nordestinos. Pelas minhas contas, principalmente nordestinos. O Mercado da Lapa, do qual já cansei de falar aqui, é onde encontro quase tudo de que preciso quando quero fazer um prato nordestino ou, digamos, à moda nordestina. Mas as barraquinhas de ambulantes que ficam fora do Mercado são imprescindíveis quando quero maxixe, feijão verde, pequi, mandioca descascada e umbu. Aliás, a Lapa de baixo e talvez Largo Treze, em Santo Amaro, ou o Largo da Batata, em Pinheiros, devem ter a maior concentração de umbu por metro quadrado fora do Nordeste nesta época do ano. Por aqui, nas imediações do Mercado e rua 12 de outubro, a gente encontra vendedores com carriolas de umbu a cada esquina. E se um estrangeiro perguntar para um paulistano o que se faz com umbu, como se come ou que gosto tem a fruta, raramente vai encontrar uma resposta. Quem compra é nordestino ou um ou outro curioso. Veja receita de UMBUZADA aqui.


A casa de produtos do norte do Helio do Alho. Na frente, barraquinha tocada pelo filho.
Agora, o que faltava mesmo no pedaço era uma casa de produtos nordestinos. Montar uma era o sonho do Hélio Mendes da Silva. Há 28 anos em São Paulo, o recifence já foi camelô e por 10 anos vendeu alhos na portinha de um imóvel perto do Mercado, atividade que lhe rendeu o apelido que lhe dá a fama: Hélio do Alho. Há cinco meses, com sua mulher Regina, montou a casa com recursos próprios conseguidos com muito suor e alho e com todo o capricho possível. Lá você pode encontrar excelente manteiga de garrafa, cajuada, doce de jaca, requeijão baiano, massa de mandioca, inhame do Norte, pimentas em conserva, azeite de dendê puro, favas brancas e rajadas, feijão fradinho, feijão andu e uma infinidade de outros itens. Senti falta de algumas coisas, mas a regra para ele incluir o produto em suas compras é ter procura por pelo menos dois clientes. Precavido, não quer saber de empréstimos e dar passos maior que a perna. Então, vai aos poucos, mas feliz por ter realizado o sonho. Seu filho ajuda nos negócios da família tocando a barraquinha de legumes que mantém, devidamente licenciada, em frente à casa. Pergunto por que não aproveita a barraca pra vender frutas e legumes mais típicos do nordeste e ele, eticamente, diz que respeita outros vendedores que já o fazem.
As réstias que dão fama ao Hélio do Alho
Ele mói na hora o tempero que quiser: puro ou misturado. E tem pronto para moer o tempero baiano (com orégano, cominho, pimenta calabresa etc).
Hélio do Alho: Inhame do Norte (enormes!)
Casa de Produtos Nordestinos Hélio do Alho
Rua Conrado Moreschi, 209 - Lapa - São Paulo - SP
(No largo onde ficam os ambulantes, em frente à entrada do lado mais estreito do Mercado da Lapa)





















































