Meu trabalho de iniciação científica na faculdade de nutrição foi criar alternativas para a dieta de pessoas, especialmente crianças, com doença celíaca - uma intolerância permanente ao gluten encontrado em cereais como trigo, centeio, aveia e cevada. Naquela época a única restrição ao glúten era mesmo para os celíacos. É claro que o trigo pode causar alergias em certas pessoas, mas agora virou moda maledizer o glúten como causador de obesidade e tantas outras desordens que dá até medo. Não sei de onde veio a moda, nunca encontrei nenhuma referência que me convencesse. De repente endeuzam algum alimento e demonizam outro. Mas isto passa (e já devem ter outros na fila). Fazer uma dieta sem glúten não é difícil desde o portador da doença celíaca se contente em não comer mais pães e bolos macios e fofinhos (já que o gluten é a cadeia que prende o ar expandido). Amidos como o polvilho azedo também apresentam alto grau de expansão e seguram bem as bolas de ar quando o produto é assado, mas têm a desvantagem de ser grudentos. Então, o desafio é este - driblar estes comportamentos. Daí o surgimento de mistura de farinhas para substituir o trigo. Lembro de ter criado um monte de receitas à base de milho, inhame e mandioca na época. Mas a ideia do bolo de cenoura só me veio agora (a partir daquela torta salgada, posts atrás), mesmo porque não sou muito de doces. Usei a farinha de mandioca, que tem bastante fibra, para deixar a mistura menos grudenta. E, se quer saber, não ficou nada grudento. A Ananda que adora bolos, disse que não dá nem pra perceber.
Bolo de cenoura com mandioca
Massa
5 ovos
1/2 xícara de óleo ou azeite
180 g de cenoura (2 médias) cortada em rodelas
180 g de mandioca crua descascada picada em cubos
1 xícara de açúcar
1 pitada de sal
1 xícara de farinha de mandioca bem fininha (tipo baiana ou polvilhada de Santa Catarina)
1 colher (sopa) de fermento
Cobertura
1/2 xícara de açúcar
1/4 de xícara de leite
4 colheres (sopa) de chocolate em pó
1 colher (sopa) de manteiga
Modo de fazer: coloque no liquidificador os ovos e o óleo. Ligue o aparelho e vá juntando as rodelas de cenoura. Em seguida, junte a mandioca picada. Bata bem até ficar tudo bem triturado. Passe para uma tigela e junte o açúcar, o sal, a farinha de mandioca e o fermento. Mexa com batedor de arame e despeje em forma média com buraco no meio untada com manteiga e polvilhada com farinha de mandioca. Leve ao forno médio e deixe assar por 40 minutos ou até ficar dourado e firme. Desenforme e coloque a cobertura.
Cobertura: misture todos os ingredientes e leve ao fogo. Deixe cozinha, mexendo de vez em quando, até adquirir consistência de mingau. Espalhe sobre o bolo.
Rende: 16 fatias


13 comentários:
Oi Neide
Sou nova aqui no seu blog, estou adorando. Esse bolo ta com um acara otima!
Oi Neide,
Fiz a receita e ficou maravilhosa. Obrigada! Luciana
Oi Gente!! Cheguei a esta receita por excesso de mandioca e cenoura aqui em casa. A cenoura eu mesma tinha comprado, estavam lindas, o rapaz da feira só vendia o saquinho fechado e comprei uma porção. A mandioca duas tias compraram, descascaram e congelaram pra mim na mesma semana, e calhou de eu ter um monte de mandioca aqui em casa. Aproveitei as duas coisas, achei esta receita e resolvi fazer o bolo, embora meio descrente. Para minha surpresa, ficou maravilhoso. Achei que ia ficar borrachudo, mas não! Fica macio, muito bom mesmo. recomendo!!!!!
Olá, Neide e celíacos,
Faço KÉKI e Panelinha sem glúten. Os KÉKIS são bolinhos sem glúten fofinhos de cacau, nozes, laranja, amêndoas, feitos inspirados nos doces pelotences da minha infância. E as Panelinhas sem glúten lembram quiches de queijo ou berinjela. Quem morar no Rio de Janeiro pode provar todo domingo na feirinha da praça José de Alencar, na Marquês de Abrantes no Flamengo. Sim, há bolos sem glúten fofinhos! Um beijo, Luciana
Desenvolvi intolerância ao trigo. Os meus bolos tenho feito com farinha de arroz, polvilho e féculas. O resultado é bom. Para pães fica mais complicado. Estou testando receitas para fazer os bolos direto do próprio arroz crú, que é bem mais barato que a farinha de arroz. Ainda não está ideal mas to chegando lá. Faço tudo batido no liquidificador.
Neide
Você é muito generosa com a socialização não só de receitas, mas também de conhecimentos e seu jeito de escrever é uma leitura tão gostosa quanto os pratos que fazes.
Nedi Ropk
Boa tarde Neide. Sou portuguesa e à pouco tempo foi-me diagnosticada a doença celiaca. Estou a gostar imenso do seu blog. Obrigada pela partilha fantástica de receitas.
Eu não sou celíaca e retirei o trigo da minha alimentação e emagreci 12 kg até o momento. O fato não é que estão demonizando o trigo, o fato é que não dá comer pouco trigo.
Eu adoro massas e achava uma tortura ter que comer pouco por causa de dieta! Melhor nem comer!
Oi. Há um livro "Cérebro de Farinha" de um tal de dr. David Perlmutter. Conhece? Ele descreve a relação entre gluten e inflamação crónica.
Escrevi antes. Chamo-me Rita e me interessa nutrição. Agradeço a partilha
Eu gosto de testar receitas e sempre gosto do que faço,minha mãe vez ou outra não gosta das novas receitas.Hoje resolvi testar essa receita,quando vi os comentário fiquei empolgada mas quando começei e vi a massa fiquei um pouco desacreditada,porém quando desenformei o bolo fiquei maravilhada do quanto ele tava fofinho.Enquanto eu cozinhava o bolo minha mãe também não estava com muita fé que o bolo prestasse mas quando ela comeu achou muito gostoso.Muito obrigada por compartilhar suas receitas e por deixar a receita disponível por tanto tempo.
Boa tarde Neide. Fiquei em dúvida sobre essa farinha de mandioca fininha, será que a farinha de mesa que usamos para fazer farofa serviria?
Eu ainda me lembro que numa aula da disciplina chamada Citopatologia Clínica Aplicada, você estava falando com a Julia Agnes Souza da Silva, que aquele era o seu jaleco como farmacêutica. Eu olhei aquilo e pensei:
E o seu jaleco como FDP está onde?
Quer dizer, passou colando em cálculo para farmácia usando o Photomath, me abandonou em orgânica 1. Agora você vai se formar como farmacêutica como se não tivesse feito nada de errado. Eu sei tudo sobre você. Eu achei o seu perfil no currículo lattes e artigo científico, que você publicou quando fazia IC na Fiocruz:
http://lattes.cnpq.br/3528188041134518
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12393758/
Aquela disciplina foi uma palhaçada só. O Vinicius Gomes Gandini conseguiu o gabarito da prova com alguém da atlética de farmácia e passou na disciplina com nota 10. O Cai Hermes Medeiros participou dos atos de vandalismo no CCS, junto com os membros do DCE Mário Prata. Teve uma vez, que o professor resolveu não cobrar presença, então a Fernanda Teixeira Moura estava na faculdade e quando descobriu que o professor não iria cobrar presença. Ela foi embora para casa.
Segundo que a Fernanda Teixeira Moura e o Cai Hermes Medeiros fazem parte do CAFAR.
A Isabella Mourão Machado Valle também fazia parte daquela turma. A Isabella me expulsou de todos os grupos de esportes da atlética de farmácia, sem eu nem sequer ter postado uma mensagem. A Isabella fez isso depois que a Emanuelly Boechat Canto de Jesus mandou ela fazer isso. A Emanuelly já se formou como farmacêutica e a Isabella continua na UFRJ. O Guilherme Rehem Pereira também me expulsou do grupo de torcida da atlética de farmácia. Quando eu perguntei o motivo dele ter me expulsado do grupo. Ele me bloqueou sem sequer me responder. Se eles queriam que eu saísse do grupo. Era só me pedir para sair. Não precisava me tratar feito bicho e me expulsar do grupo. Sem eu sequer ter postado uma mensagem.
Depois que o Guilherme de Sousa Barbosa ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. Vocês junto com a Ana Clara Gomes de Oliveira e a Ana Carolina Vieira Metello foram fazer queixinha sobre mim na coordenação da farmácia. Por causa dessa queixinha. Algum FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa que nem me conhece e que já concluiu o curso de farmácia. Se esse FDP morasse aqui na minha rua. Os traficantes já teriam mandado ele subir até a boca de fumo. Os traficantes não gostam nada de gente, que faz as coisas para sacanear os outros. Em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino, que fornece material furtado para os traficantes construírem barricadas.
A vida é boa para quem faz iniciação científica. Para quem não faz só resta à morte. Eu não vou perder a minha bolsa
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