terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mais araruta em Conceição de Almeida


O tempero da Nil leva hortelã, salsa, louro, orégano, tioiô (um tipo de manjericão), alecrim, coentro, rizoma de araruta, sal e azeite e foi usado na carne de panela e no frango de quintal (o potinho da foto foi presente que veio comigo). Na foto da panela, Lúcia, Nil, Evandro e Silvinha. E mais: potinhos de fécula de produtores diferentes e biscoitos crocantes. E, nada a ver com araruta, bolinhas de jenipapo com o doce na medida certa, presente do Juvenal, feito por sua mulher - nunca comi nada igual.
Em Conceição de Almeida o carro da Embrapa que foi me pegar se atrasou e acabei chegando à cidade com todo mundo já esperando na Câmara dos Vereadores. Mas todo mundo por lá é tão receptivo, que nem tive tempo para dar importância àquela falta de traquejo mesquinha para falar em público. E o Pedro Coni é tão entusiasmado com a araruta que é bonito ver uma generosidade assim, quase brava e ingênua, de querer dividir com todos não só a animação mas também os ganhos que tal cultivo pode trazer para a agricultura familiar, para sua região e para o estado. O vídeo sobre o dia de campo está aqui.
Apesar da desconfiança inicial, agora o que se pode ver aqui e ali, em Conceição de Almeida e cidades vizinhas, é o resgate desta cultura que um dia já fez parte da provisão do pequeno agricultor não só na Bahia mas em toda a zona rural no Brasil. Com a fécula, a filha do Pedro Coni faz biscoitinhos que derretem na boca; a palha, já que os rizomas são ricos em fibras, pode ser usada para fazer vasos tipo xaxim, recheio de bonecas de artesanato e até estofamento para sofás e bancos de carro. A amiga Nil faz temperos com ervas - o rizoma não é aromático, mas ajuda a dar corpo à mistura e manter os ingredientes em suspensão. Na panela, ajuda a espessar o molho. Para levar para casa, ganhamos, Silvinha e eu, duas paneladas de carne e galinha de quintal preparadas com a mistura. Comemos à la gordaça, parte da galinha ali mesmo no barzinho com um copo de cerveja oferecido pelo Evandro e pela Lúcia, que são o departamento de vendas da araruta do Pedro (contatoararuta@hotmail.com).
Embora o produto tenha sido propagado como um complemento alimentar, apesar da boa digestibilidade e o fato de ser puro e não conter gluten (como de resto todos os amidos que não sejam de trigo, centeio, aveia e cevada), acredito que seu maior potencial seja mesmo na cozinha como espessante para molhos, para o feitio de manjares, biscoitos e brevidades, como acontece em várias partes do mundo, onde a araruta é vendida em potinhos mínimos de tempero como um artigo mais raro que os amidos de mandioca, por exemplo. A recomendação com apelo terapêutico deve ser cercada de cuidado e pesquisas, inclusive comparativas, para não cairmos no risco de novo abandono por descrédito caso se descubra que outros amidos possam produzir os mesmos resultados. Por isto e por enquanto defendo a araruta como um alimento bom, limpo e justo que merece ser preservado e até estar um dia na Arca do Gosto, do Slow Food.

7 comentários:

Marcia H disse...

dispenso o jenipapo, acho o cheiro muito ruim rsrsrs mas os sequilhos de araruta, aí meu deus... lembrei dos de minha vó Bitinha

DESIR disse...

Olá Neide,
Desde que descobri seu blog venho acompanhando diariamente. Já li todos os posts, com os quais fui me identificando dia após dia. Redescobri minha infância no Paraná, as frutas (cruá dentre outras)os amargos, o sítio, enfim tudo. Como agora estou com a leitura em dia, fico aguardando ansiosa quando entro no blog e ainda não tem postado. Parabenizá-la é pouco por tudo do Brasil que é mostrado, por ressuscitar coisas maravilhosas que vão ficando no esquecimento.Desejo de coração que voce esteja irradiando sempre felicidade (como aparece nas fotos), pois pode ter certeza que voce faz muitas pessoas felizes.
Um grande abraço
Desir

Neide Rigo disse...

Márcia, eu também não gostava muito de jenipapo - acho que não tinha comido um bom ainda. Mas estas bolinhas estão deliciosas.

Desir,
fico tão feliz em saber disso...

beijos,n

Tite B. disse...

Cara Neide: Quando fiz meu tcc (do qual já lhe falei) com o tema araruta, além da dificuldade para encontrar a legítima para os testes e minha prova final, esbarrei tb na falta de entusiasmo dos meus professores, já que a considevam como "ingrediente morto".Portanto, é com muita satisfação que leio seu comentário a respeito da araruta merecer um lugar até na Arca do Sabor e fico feliz em saber que ainda há pessoas investindo na produção. Parabéns por seu trabalho e pelo excelente blog. Abraços. Tite B.

Neide Rigo disse...

Tite,
graças a pessoas como você e àquele pessoal de Conceição de Almeida, acho que araruta não é mais um alimento morto.
Um abraço,
N

Anônimo disse...

Oi eu sou a de lins onde compro araruta



a.?

josé amorim disse...

Olá gente bôa, sou de esplanada, meu nome é Jose Ranulfo, estou decidido implantar a cultura dessa maravilhosa planta aqui entre os agricultores familiares, estou precisando ultrapassar algumas barreiras, como vcs podem me ajudar?