terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Cipo-alho, cipó d´alho, amazonian garlic bush


Estas folhas, trouxe na mala, guardei na geladeira e usei por vários dias para temperar arroz, feijão, carne e peixe.
Quando cheguei ao Marajó, dona Jerônima, minha amiga e dona da pousada Fazenda São Jerônimo, me contou que uma semana antes o cipó tinha sido a estrela da horta. Cobriu-se de florezinhas rosas até não mais poder. Ela falou com tanta naturalidade como se cipó-alho fosse universal como coca-cola. Nem reparou na minha cara de surpresa, olho estalado de emoção em saber que estava ali frente a frente com um dos temperos amazônicos que eu mais idealizava e, por tudo que já tinha lido, imagina-o escondido nas margens mornas de igarapés inatingíveis da misteriosa selva amazônica. Ela apanhou algumas folhas e colocou no caldo de turu. Diferente do alho, cuja presença encorpada de derivados de enxofre lhe dão um aroma que tem lado A e lado B (aquele cheiro de enxofre do mal que tem sua expressão máxima nos temperos prontos que empesteia, no supermercado, tudo o que está ao seu redor), o cipó-alho só guarda semelhança com o lado A, aquele aroma bom que atiça o apetite, faz da comida salgada algo melhor de se comer. E se a gente maneira no uso do bulbo por causa do enxofre nauseabundo, nas folhas do cipó o perfume é só alegria, pois tudo nele é suave, embora inconfundível - o dialill sufídrico está presente nas duas plantas, só que mais equilibrado aqui. As folhas podem ser usadas como as de louro, para ser tiradas depois. Ou deixadas, afinal não agridem, apenas não são macias com manjericões.

A planta, batizada de Mansoa alliacea (ou Bignonia alliacea, Adenocalymna alliaceu e outros ) é uma trepadeira grande, vistosa e nativa das regiões tropicais do Brasil. È encontrada mais facilmente, contudo, na região Amazônica, onde é usada também como medicamento: antipirética, anti-reumática, antigripal. E, como alho, para espantar maus espíritos.

Trouxe um galho grande com raiz e duas folhas, que plantei num vaso e até agora continuam do jeito que vieram. Acho que vinga. E uma mudinha pequena, em estufa de garrafa pet, mas parece que esta padece.

7 comentários:

laila disse...

neide q delicia! me conquistou esse cipo...eu quero, eu quero!!!
bjos

Marizé disse...

Que maravilha, espero que o seu rebento pegue para assim continuar a explorar e a nos contar sobre essa maravilha.

Beijocas

Eduardo Luz disse...

Tô na fila ! Vamos fazer uma grande pirâmide da distribuição de mudas de cipo-alho. É quase um nirá ou não tem nada a ver ?

Neide Rigo disse...

Eduardo,
acho que o nirá tem mais sabor e menos perfume. O contrário do cipó. Fiquem na torcida pra mudinha vingar.
Um abraço,
N

Edilson Giacon disse...

Neide,
Ontem conseguí ramos desta trepadeira, não a conhecia, porém como cheira alho, procurei como Cipó alho, caí no seu blog.
Vou reproduzir mudas delas, suas flores são lindas e também podemos usar suas folhas, maravilhoso!!!!
Abraços,
Edilson Giacon
www.ciprest.com.br

Neide Rigo disse...

Oi, Edilson!
QUando já estiver com mudas para vender, me avise que eu anuncio aqui. O meu limão Kafir está indo muito bem.
Um abraço,
N

Priscila Silva disse...

Eu tenho muita curiosidade de conhecer o pé e a comida feita dele. Um abraço