quarta-feira, 22 de julho de 2009

Catolé



Catolé é um nome comum, que até ir a Pirinópolis desconhecia. Comum para alguns tipos de palmeira, incluindo a gueroba ou guariroba, que dá o palmito mais famoso do Cerrado. Segundo me explicou o feirante, a diferença entre os dois se dá no sabor. Enquanto o palmito da gueroba é amargoso, amargo por ser, só amargo sem saber a nada, o catolé, não. É amargo, mas saboroso. De fato, achei bem gostoso, mas sou suspeita e também acho o mesmo da gueroba, que adoro. Só com muito treino para saber distinguir os dois com segurança. E isto ainda me falta.
Demorei para descobrir o nome científico da palmeira, pois o termo catolé ou catulé se aplica a vários tipos de palmito amargo. No afunilamento da pesquisa, achei duas espécies afins, Attalea geraensis, originária do Brasil e Attalea exigua, originário do Cerrado, ambos com descrições parecidas e muito de acordo com o tipo de broto que tinha em mãos. E os dois nomes dão como sinônimos populares os mesmos indaiá-do-campo, indaiá-do-cerrado, indaiá, insiá e coquinho-catolé. Mas o segundo, A. exigua, me pareceu mais apropriado, porque o encontrei num livro sobre cozinha regional que diz ser este originário do Cerrado, encontrado nos estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Tocantins.

A palmeira que tem caule junto ao chão, e de julho a janeiro dá frutos marrons com ótima amêndoa para a extração de óleo parecido com o de babaçu. As folhas são firmes e duráveis, aproveitadas para fazer cobertura de casas ou para a produção de fibras para artesanato.

E o palmito é assim, sem aquela elegância retilínea do açaí, da pupunha, da juçara ou da palmeira real. E descascá-lo pode aliviar a culpa de quem não tem freqüentado a academia. Depois de meia hora, aos golpes, tentando desvendar um miolo cortável e que tivesse cara de palmito, a Eliana deixou a roupa que passava e veio me perguntar com quem eu estava lutando. Não foi fácil, mas despi à força o bitelo de 2 quilos e consegui salvar só 160 gramas do cerne amarelo, adocicado e amargo (provei cru - vem um docinho enganador anunciando um amargo cruel, que parece vir a danar com a glote). Deixei imerso em água enquanto fatiava, porque oxida facilmente. E dei uma escaldada em água salgada antes de botar no arroz - foi o uso que me ocorreu, para, assim, aproveitar também o pequi e as cebolinhas que trouxe da viagem. Ficou muito bom. Claro, pra quem gosta de guerobas, jurubebas e jilós.


Arroz com catolé, pequi, cebola branca do cerrado e cúrcuma
1 colher (sopa) de banha de porco
2 dentes de alho socado ou picado finamente
1 xícara de arroz cateto
1/2 colher (chá) de cúrcuma (açafrão-da-terra) em pó
1 colher (chá) de sal
160 g de palmito catolé picado e aferventado
3 caroços de pequi (crus ou em conserva)
10 cebolinhas brancas (chalotas) frescas - com parte da folha verde
3 xícaras de água fervente
2 colheres (sopa) de cebolinha picada - pode usar a cebolinha da chalota
Numa panela, coloque a banha e o alho. Leve ao fogo e deixe dourar. Junte o arroz e a cúrcuma e refogue, mexendo, por cerca de 1 minuto. Junte o sal e mexa. Adicione o catolé, o pequi e as cebolinhas. Por último, despeje a água fervente e não mexa. Abaixe o fogo no mínimo, tampe e deixe cozinhar até não restar mais água e o arroz ficar macio. Desligue o fogo, deixe a panela tampada por cerca de 10 minutos. Junte a cebolinha e sirva.
Rende
: 4 porções

3 comentários:

DeFirmo disse...

Neide,
Impressionante sua competência em cavar informações úteis sobre estes ingredientes maravilhosos. Parabéns!
Eu vou fazer o meu catolezinho amanhã e te mando as fotos na sequência!
Meu paladar para amargo não é lá essas coisas, mas o treino melhora.
Abraços
Mário

Anônimo disse...

Fora as dicas importantes que deste, te digo uma coisa:
tu escreves bem que dói, guria de Deus.

roberto.silvars@yahoo.com.br

Neide Rigo disse...

Obrigada, Roberto!
Um abraço,
N