quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Caroço de jaca no curry de quiabo

Lembra-se daquela jaca do Parque da Luz? Pois é, ela amadureceu. Mas, quando a abri, crente de que comeria gomos fartos e escorregadios, macios, doces, ácidos e cheirosos, o que mais havia? Caroços, bom caroços! A polpa era quase um arilo de tão fina. E o sabor passou a léguas de distância do aceitável para a espécie. Então desprezei a polpa e cozinhei os caroços em água e sal até que ficassem macios, sem saber ainda o que faria com eles além de comê-los como castanhas. E comi, comemos, mas sobrou. 


Ontem, folheando meu único livro de cozinha do Sri Lanka, vi uma receita de curry de quiabos e me lembrei de outra do mesmo livro que já dei aqui, feito com os caroços de jaca com espinafre. O que fiz foi juntar as duas coisas, deixando prevalecer o tempero do caril de quiabo.  Antes, tive que sair de casa e surrupiar uns galhinhos daquelas  folhas de curry numa calçada aqui perto (falei deste tempero em vários posts como este), já que minha planta foi para o sítio e a que plantei na praça ainda está pequena. 

O suco de tamarindo é muito ácido e, como o de limão, contribui para eliminar a baba do quiabo. Já mostrei como se faz aqui e acolá, mas desta vez usei um pedaço da pasta de tamarindo tailandesa, que sempre tenho para estas emergências. Ela pode ser comprada nos mercados de produtos asiáticos no bairro da Liberdade, custa barato e serve até para refrescos. Basta cortar uma fatia, picar, juntar um pouco de água e levar ao fogo até derreter. Depois, basta peneirar, juntando com mais água se estiver muito grosso. A vantagem é que dura muito tempo na geladeira. As vagens de tamarindo podem ser congeladas para usos esporádicos, mas não é tão fácil encontrá-las em São Paulo - já comprei várias vezes bichadas. Nada como aquelas graúdas de Acrelândia! 


Agora, chega de links e vamos ao caril que ontem foi a mistura do jantar vegetariano, com arroz integral, salada de almeirão e a companhia dos amigos Rodrigo e Carol. 




Caril de quiabo com caroços de jaca 


1/3 de xícara de azeite ou óleo vegetal 
500 g de quiabos cortados em dois ou três pedaços em cortes transversais
200 g de cebola picada 
2 galhos de folhas de curry  
1 pimenta dedo-de-moça picada
Pimenta vermelha seca em pó, se quiser, a gosto - usei 1 colher (chá)
1 colher (chá) de cúrcuma em pó (açafrão-da-terra)
1 colher (chá) de feno grego triturado 
1 colher (chá) de cominho triturado 
1 colher (chá) de sementes de mostarda 
240 ml de leite de coco 
120 ml de suco de tamarindo 
1/2 colher (chá) de sal ou a gosto
2 xícaras de caroços de jaca cozidos em água salgada e descascados


Aqueça o óleo numa frigideira grande e junte o quiabo. Deixe fritar sem mexer por uns cinco minutos. Chacoalhe a frigideira e vá fritando os quiabos até que ganhem coloração verde forte, sem deixar amolecer ou queimar. Retire o quiabo da frigideira com uma escumadeira, deixando um resíduo de óleo. Junte a cebola e os temperos e deixe refogar até amolecer a cebola. Adicione o leite de coco, o suco de tamarindo, o sal,  os quiabos e os caroços de jaca. Deixe ferver, prove e corrija o sal, se necessário e sirva com arroz. 


Rende: 6 porções

10 comentários:

Angela Escritora disse...

neide , que outros tipos de caroços se come? poxa, se eu soubesse.. no parque lage do Rio as jacas mandam, e a gente ganhava muitas o que inexoravelmente gerava o comentário do meu pai: só gosto de jaca mole, não gosto de jaca dura. A gente até ria! Já fiquei querendo provar caroço de jaca. Eu só consigo torrar o de abóbora. Nem de girassol sei fazer, fica aquela casca chata. Tentei de mamão .. totalmente besta. Melão.. não rolou, virou papel.

Neide Rigo disse...

Angela, várias jaqueiras de parques, Brasil afora, incluindo as do Rio, estão sendo cortadas Uma pena, né? Mas dizem que compete com a flora nativa, que faz sombra, que prolifera facilmente etc. De qualquer forma, uma aqui, outra ali, com controle, é muito útil.
Quanto aos caroços comestíveis.. bem, você me faz cada pergunta. Seu caminho está certo. É só ir provando. Algumas são ricas em glicosídeos tóxicos como a mandioca brava, mas geralmente são as mais amargas como as dos cítricos. Da família das abóboras, todas são comestíveis, com o inconveniente da casquinha dura. Eu gosto muito de torrar as de melão e melancia. A de girassol é só ir tirando casca por casquinha. É bom porque assim a gente não come muito.

Um beijo, N

Leticia Cinto disse...

Oi Neide! Esqueci de te contar que fiz a jaca verde como se fosse frango desfiado (refoguei alho e cebola, coloquei a jaca desfiada no processador, juntei uns tomates, temperei com sal, pimenta, cominho e pronto). Por acaso foi no dia que uns amigos vieram aqui em casa e todo mundo adorou a tal jaca verde pra comer com pão. Agora quero achar jaca madura pra continuar os experimentos, hehehe. Bjs

Flavia Semenow disse...

Estou tentando imaginar o aroma deste prato, Neide!
um beijo!

Anônimo disse...

Neide, a coisa mais engraçada é que fiz um curry de quuiabos nesse final de semana, mas não entrava aqui no seu blog já faz tempo, então foi uma grande coincidência! Tinha comprado daqueles quiabos caipiras bem graúdos e curtos, aqui num sítio perto do trabalho e não sabia o que fazer com eles. Daí bateu uma vontade de fazer uma salada de papaia verde esse final de semana, e acabei fazendo um curry tailandes masaman com os quiabos e mais uma abobora cabotia. Adorei como o pouco da baba que restou acabou engrossando o leite de coco que era light. deu uma caruruzada no prato que funcionou muito bem!

Anônimo disse...

opa, esqueci de assinar o comentário anterior...
-Leticia

maria disse...

Oi Linda,

adoro suas receitas, gosto de comidas excentricas e agora preciso mais oq estou deixando de comer carnes vermelhas. Outro dia li um artigo sobre as proteinas da gelatina de cartilagens de animais, dentre eles pes de frango e de novo depreciando a qualidade da proteina. Sou diabetica e tenho que me preocupar com tudo q como, será que vc poderia me indicar algum estudo e referencias sobre a qualidade da mesma? Gosto de usá-la em diversas receitas, até de panquecas!grata

Anônimo disse...

Estou hoje pesquisando sobre jaca, adorei a receita!!! comprei hoje uma jaca, tomei algumas vezes sorvete de jaca num carrinho de rua aqui perto, muito bom! hoje peguei algumas receitas de bolo de jaca e de carroço de jaca, compro jaca de década em década já usava o carroço como castanha. Adorei as receitas! vou fazer =D
Ivone / ivemarks_reis@hotmail.com

terezinha bezerra disse...

oi Neide! moro em um sítio no interior da Bahia, e tenho bastante pés de jaca.jaca mole e dura.como caroço de jaca desde criança, mais não sabia que podia fazer bolo com o caroço. vou fazer este final de semana ,depois eu te digo se deu certo. bjs

Paulo Roberto Thomaz Falco disse...

O verdadeiro motivo pelo qual eu fiquei reprovado em orgânica 1 com a Lages, foi porque a Lages deu 4 décimos e uma segunda prova final para a Emanuele Lima Silva passar em orgânica 1 e eu não. Quer dizer que todos os alunos só têm direito a 3 provas e a Emanuele tem direito a 4?

Eu não sabia que para passar em orgânica 1, eu tinha que puxar o saco da Lages, eu pensei que para passar em orgânica 1, eu só precisava estudar. Infelizmente eu não consegui vaga com outra pessoa e tive que puxar orgânica 1 com a Lages de novo. Então a minha missão na segunda vez que eu fiz orgânica 1 com a Lages, foi evitar que a Lages fizesse o que ela fez comigo, com qualquer outro aluno, eu não queria mais que Lages prejudicasse ninguém. Infelizmente eu não consegui vaga de orgexp 1 com outro professor e tive que fazer orgexp 1. Eu perguntei a Lages, se ela estava precisando de um monitor voluntário para a disciplina de orgânica 1 teórica, que eu queria ser monitor. A Lages falou que tinha que esperar abrir processo seletivo. Só que nunca abriu processo seletivo para a disciplina de orgânica 1. Ano passado, eu descobri que a Lages chamou você para ser monitor dela, mesmo sem ter aberto processo seletivo para ser monitor de orgânica 1, você deve ter puxado muito o saco da Lages, você abusou do fato de ser monitor da Lages para disponibilizar ilegalmente uns livros de química orgânica protegidos por direitos autorais na sua pasta no Google Drive. Pirataria é crime, agora eu descubro que você virou representante discente do COAA da farmácia. É isso que acontece com quem comete um crime vira membro do COAA, você deve ter puxado muito o saco de alguém da coordenação da farmácia para virar membro do COAA igual você puxou o saco da Lages. Eu sei tudo sobre você, eu achei o seu perfil no Instagram e no Linkedin:

https://www.instagram.com/paulorobertofalco/

 

https://br.linkedin.com/in/paulo-falco-856772268?trk=public_post-text

 

Mas também você é amigo do Guilherme de Sousa Barbosa. Ano passado, o Guilherme ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. O Guilherme nunca falou comigo na faculdade, a única vez que ele veio falar comigo é para ameaçar me bater. Depois que o Guilherme ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. A Camilly Enes Trindade, a Ana Carolina Vieira Metello, a Bruna Coelho de Almeida, a Giulia Amarante de Almeida Mussi da Silva, a Leticia de Sousa Albuquerque, o Nathan Genovez Dias de Fonseca e o Vinicius Gomes Gadini foram fazer queixinha sobre mim na coordenação da farmácia.

Por causa dessa queixinha, algum FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa, que nem me conhece, que nunca fez uma disciplina junto comigo e que já concluiu o curso de farmácia. Se esse FDP achou que iria me calar, ele pode ter certeza que ele não conseguiu, eu nunca vou me calar em frente às injustiças. Se esse FDP morasse aqui na minha rua, os traficantes já mandariam esse FDP subir até a boca de fumo. Os traficantes não gostam nada de gente, que faz as coisas para sacanear os outros. Aqui em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino, que fornece material furtado para os traficantes fazerem barricadas.

A vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte, eu não vou perder a minha bolsa.