Em pouco tempo, a cozinha que era vazia ficou cheia de fritos, assados e cozidos, chiados, risadas, aromas, tuc tuc de pilão e tintins de taças. Sexta feira passada foi corrida, pois tinha o aniversário da amiga Marly, para o qual me comprometi a fazer tortillas, mas também já tinha combinado desde o ano passado cozinhar neste dia com o Fernando, amigo do Aikido. Passei rapidinho na Marly, deixei uma sacola com massa de tortillas, prensa e pasta de pimenta. Pablo e Lúcia, amigos do Projeto Acre, que já estão experts em tortillas se encarregariam do preparo. E eu perdi já que não se pode estar em dois lugares ao mesmo tempo (não brinca!). Segui pra casa do Fernando que tem uma linda cozinha envidraçada no meio de um jardim floresta, como um aquário, isolada do resto da casa. Lá fora, chuva forte.
De vez em quando os amigos do aikido do Marcos, que também são meus, fazem estes encontros para cozinhar e beber e todo mundo se diverte muito porque são pessoas muito diferentes nas profissões e no jeito de ser, mas que tem no tatame e na mesa afinidades soberanas que os fazem amigos para sempre. No grupo há aqueles que não cozinham nada, há o que goste de comer bem desde que não seja milho, quem entenda muito de vinhos, há quem estude cervejas, aquele que cozinhe super bem apesar de não usar sal, os que picam o que mandar, os que lavam louça e gente ousada como o Fernando que coloca sumac na massa de tamal e com quem eu adoro cozinhar, porque não tem medo de errar.
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| Ivan ao fundo e Fernando com olhos vermelhos de comer pimenta |
De comum nestes encontros, tem o assunto recorrente "pimenta", que surge sempre quase que espontaneamente. O Ivan é um equatoriano forte como um touro mas de feições suaves e fala calma que em nada denuncia seu gosto e tolerância por pimentas. E diz que é café com leite perto do irmão. Em todo encontro ele repete a estória da façanha infantil que era distrair a mãe, aumentar o fogo do arroz, só pra criar casquinha no fundo da panela, que ele e os irmãos comiam com pimenta fresca esmagada, muita pimenta mesmo. Eu morro de vontade de fazer isto, mas sempre esqueço. O mais divertido é ver o duelo entre Ivan, o imbatível e Fernando, o teimoso. Enquanto Ivan não se abala quando come bhut jolokias frescas como se fossem morangos, Fernando se esforça para chegar aos pés dele e neste intento faz de tudo, de morder pimentas frescas a beber o bombástico tucupi com pimenta-de-bode. Nisto, quase perde a pose com olhos vermelhos em lágrimas lhes saltando da cara, fazendo caretas e bocas e por fim aceitando com humildade sua inferioridade capsaicínica - no tatame ou na pimenta, ele tem por Ivan o maior respeito e admiração, dá gosto ver. Mesmo assim, Fernando não é pário para qualquer um, não. Veja o que diz: "Para mim pimenta é como alongamento: existe um fator genético, e outro cultural (treino). Eu aprendi a gostar de pimenta por que meu pai e meu padrasto sempre comeram muito, e pior, meu padrasto colocava pimenta no meu aparelho quando eu era criança, de sacanagem... uma hora eu meio que acostumei. É engraçado que a escala (scoville) de ardor das pimenta é exponencial. Para as pessoas, no âmbito psicológico/gustativo, é meio binário: ninguém gosta mais ou menos de pimenta. Eu tenho um alongamento papilístico gustativístico, e treino. Posso entrar facilmente em competições com pessoas normais (com o povo da física, a gente sempre fazia, que começava com um tubo de wasabi por pessoa), mas com o Ivan é impossível. É genético e cultural. Minha mãe não me dava chupeta de habanero, mamadeira de capsaicina, pirulito de jalapeño.... infelizmente. Portanto, sem chance de chegar lá... ele está num nível superior." Fernando
Levei massa de tortillas que já preparei para os dois encontros e duas pastas de pimenta, uma delas com pimenta-biquinho, bem suave e outra poderosa, mas que não sobrou nada. Na esfera da normalidade, as pessoas deste grupo gostam muito de pimenta e devoram tudo o que há de apimentado. Fernando teve a ideia dos tamales e eu estava crente que era um expert com quem iria aprender. De fato, ele já comeu muito, de todos os jeitos, em suas viagens ao México - como eu, adora provar de tudo nos lugares por onde anda. Mas de última hora tivemos que consultar o I-pad na cozinha para confirmar se o frango ia cru ou cozido na massa. Achei que devia ser já temperado e cozido, mas Fernando achava que não e já tinha enfiado as coxas na massa. Então tivemos que tirar o frango da massa de milho fresca, limpar, lavar, temperar e cozinhar. Diante do estranhamento de todos, inventamos que a receita era assim, que antes de cozinhar, precisava deixar o frango ali marinando um pouco. Poderíamos manter a versão que ninguém iria desconfiar do nosso erro grosseiro. A outra versão de tamal foi feita com fubá de moinho de pedra do sítio da sua mãe e caldo caseiro. Embrulhamos na folha de bananeira e cozinhamos no vapor. As duas ficaram deliciosas e o sensei Eduardo, que não comia milho, polenta e que tais, se esbanjou. Agora já tenho a receita certa vinda da mexicana Lourdes Hernandez, a quem não tive coragem de contar das nossas tentativas. Aproveitei pra perguntar se tamal pode ser feito com invólucro de qualquer folha e a resposta foi sim, ufa. Com folha de bananeira ficou ótimo. Próximo encontro, a receita certa. Abaixo, fotos minhas e de Fernando Goldenstein.
| Fazendo tamales |
| Edu, psiquiatra, sabe temperar mas não usa sal - terapia pra explicar porque |
| Fernando e eu |
| Em família: na foto, Raquel, casada com Daniel, aikidoista como o Marcos. Um dia Daniel aparece em casa com a nova namorada. Quem era? A prima Raquel, filha do irmão da mãe. |
Marcos, ou Doc como é conhecido, é o comunicador da turma e sempre faz um resuminho irônico, sem perdoar nem mesmo o Sensei Eduardo, que agora está preparado até para comer polenta:
Enfim, desfez-se o encanto...A fama de mau está definitivamente quebrada. Maiz, choclo, corn, chame-o como quiser...O fato é que o nosso querido Sensei baixou a guarda e rendeu-se aos encantos do milho = comeu, repetiu e se lambuzou! Um novo mundo se abre para ele agora = pamonhas, curais, manjares, sorvetes, pães, as sempre maravilhosas polentas etc = o céu é o limite. Comida e bebida impecáveis! Companhias ótimas e a casa do Fernando, um capítulo à parte, é um encanto (quem não foi perdeu - jamais poderíamos acreditar que ele moraria mesmo numa choupana convencional como as nossas, reles mortais!) e a sua hospitalidade é sempre digna de um Lord = adoramos tudo! A disputa das pimentas foi impagável - o Fernando não aprende, mesmo - no boliche e nas pimentas o Ivan é imbatível, não dá para competir! Marcos
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| Elas ajudam bastante: Carol, Cristina e Raquel (eu, atrás) |


7 comentários:
AMEI tudo! as pessoas, o papo, o lugar!!! ah, sim, e as comidas também!
Comida e amigos, é preciso muito pouco alem disso para ser feliz.
Bjs
desculpe esqueci de assinar o comentario acima
Neide,
Você é muito simpática!
A cozinha do Fê ficou ótima. Melhor ainda assim, cheia de amigos!
Ver o Fernando comer pimenta é mesmo impagável. Dizem que a pimenta “libera endorfinas, que permanecem um bom tempo no organismo, provocando uma sensação de bem-estar, uma euforia, um tipo de barato, um estado alterado de consciência muito agradável” e ainda que a pimenta faz muito bem à saúde, ao contrário do que muitos pensam. Eu nunca gostei de pimenta, mas diante dessa “nova descoberta” estou tentando criar coragem para experimentar algumas... Beijos! Alessandra.
Boa noite a todos! Gostamos muito do blog e do espirito de vocês. Gostariamos saber se podemos pedir emprestada uma de suas fotos para postar um par de dias no nosso perfil de Facebook. Achamos ela muito linda e autêntica.
Nós somos Comidistas, um serviço que está por ser lançado nos próximos dias.
Muito Obrigado!
Equipe Comidistas
www.comidistas.com.br
facebook/comidistas
comidistas.tumblr.com
Oi, Ignácio, obrigada. Mas me diga a foto que quer, pois há amigos na foto. Um abraço, N
Jakson Barros Bonfim está achando que eu ainda sou o mesmo, que eu era a 3 anos atrás, quando a Gabriela Santana Andrade mandou a amiga dela do curso de pedagogia chamada Ana Beatriz Procession Guimarães entrar no grupo de analítica 1, se passando por uma tal de Simone. Essa “Simone” ficou me humilhando por causa de IC junto com você (Jakson Barros Bonfim) e com a Gabriela, depois você ficou compartilhando aquele áudio de eu tossindo e gritando que eu estava doente Gabriela com todos os seus amigos da atlética de farmácia (se a Ana Beatriz Procession Guimarães tivesse um trabalhinho, ela não ficava arrumando confusão no curso dos outros). O que você fez comigo não se faz nem com um bicho. Se você tem alguma prova que fui eu que enviei aquele e-mail, porque você não procurou uma delegacia de polícia ou a coordenação da farmácia?
Eu estou esperando você rastrear o endereço de IP. A verdade é que você não tem nenhuma prova contra mim, você é apenas corajoso em grupo de Whatsapp embaixo da saia da Gabriela Santana Andrade, pessoalmente você nem sequer se dá o trabalho de falar comigo. Eu continuo morando no mesmo lugar. Por que você não vem aqui em casa?
Pega todo o dinheiro que você economizou não me dando carona para casa em orgânica 1 e paga um advogado para me processar. Eu adoraria ver você ganhando dinheiro de forma honesta e não ganhando dinheiro com a sua bolsa de iniciação científica, que você conseguiu graças a cola. Eu não me esqueci que você pagou outra pessoa para fazer a sua prova online de orgânica 1 com a Lages. Jakson Barros Bonfim ainda abriu a empresa Bonfs Home Center com o dinheiro da sua bolsa de iniciação científica e também comprou o seu carro com o dinheiro da bolsa de iniciação científica. Jakson Barros Bonfim eu sei que o orientador do seu Trabalho de Conclusão (TCC) de curso é o professor substituto Luis Phillipe Nagem Lopes. O título do seu TCC é Sistematização de casos clínicos no HUCFF e o desenvolvimento de website como ferramenta pedagógica: um relato de experiência. Jakson Barros Bonfim eu já mandei um e-mail para o seu orientador de TCC denunciando o que você e a Jéssica Mel Da Silva Faria.
Eu sei tudo sobre você, eu inclusive achei o seu perfil no Instagram e no Linkedin:
https://www.instagram.com/jboonfim/
https://br.linkedin.com/in/jaksonb
Mas também você é amigo do Guilherme de Sousa Barbosa. Ano passado, o Guilherme ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. Ele nunca falou comigo na faculdade, a única vez que ele veio falar comigo é para ameaçar me bater. Depois que ele ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. A Camilly Enes Trindade, a Ana Clara Gomes de Oliveira, a Ana Carolina Vieira Metello, a Bruna Coelho de Almeida, a Giulia Amarante de Almeida Mussi da Silva, a Leticia de Sousa Albuquerque, o Nathan Genovez Dias de Fonseca e o Vinicius Gomes Gadini foram fazer queixa sobre mim na coordenação da farmácia.
Por causa dessa queixa, algum FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa, que nem me conhece e que já concluiu o curso de farmácia. Se esse FDP achou que iria me calar, ele pode ter certeza que ele não conseguiu. Eu nunca vou me calar em frente às injustiças. Se esse FDP morasse aqui na minha rua, os traficantes já mandariam esse FDP subir até a boca de fumo. Os traficantes não gostam nada de gente, que faz as coisas para sacanear os outros. Aqui em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino, que fornece material furtado para os traficantes fazerem barricadas.
A vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte, eu não vou perder a minha bolsa.
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