sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Produtos da feira

Desta vez, a sacola veio vazia: amendoim graúdo bicolor, mel de abelhas nativas, azeite de pequi, licuri caramelado com gergelim, trigo, amêndoa de babacu e azeite de babaçu.
Acabei indo ao Rio numa viagem vapt vupt. Queria ter visto com mais tempo a Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Fenafra), que acontece na Marina da Gloria; queria ter almoçado no restaurante O Navegador, da amiga Teresa Corção; queria ter jantado na Roberta Sudbrack (chegamos a reservar e cancelar). Mas meu amigo Filipe Miguez se esqueceu de mandar aquele vídeo do Fernando Meirelles para São Pedro e o trânsito sob chuva contínua foi o grande impedimento para tudo. Quero só ver em 2016. Em compensação jantamos, Rafa, ele e eu, arroz de pato do Antiquarius na aconchegante cozinha do apartamento dele no meio de montanhas neblinadas, jardim botânico e mosteiro. Quer coisa melhor? Na companhia deles também circulei pela feira, encontrei amigos do Slow Food, conversei com produtores, fucei, degustei, comprei.

Na feira podemos aprender sobre toda a cadeia de produção do babaçu, coqueiro que dá amêndoa da qual se faz o leite que vai pra panela e da qual se tira o azeite perfumadíssimo. Do mesmo coquinho ainda se extrai a farinha do mesocarpo usada para fazer mingaus, bolos e biscoitos. Com o tronco se controi; com a palha de faz artesanato e da casca se faz carvão. Só pra citar um pouco, bem pouco, das suas utilidades. Saiba mais sobre isto AQUI.

O trigo orgânico, embora sem certificação, veio da Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa do Rio Grande Sul - CPC do RS (51 3212-9652 ou 3286-3087/ email: rs@yahoo.com.br). Já comprei a farinha branca deles, muito boa, com bom preço. E podem mandar por correio (claro, a gente paga as despesas de transporte). O meu, já triturei no moinho de pedra para o pão. E, quem sabe, estes grãos trazem consigo uma boa leva de leveduras. Por isto, já fiz uma mistura com água para conferir borbulhas daqui a uns 5 dias e talvez fazer um pão sem muitos intermediários do trigo à crosta cheirosa.

Milhos crioulos de Canguçu - RS. Lombo Baio, Amarelão, Oito Carreiros, Branco dentado. De diferentes produtores.

Amendoim crioulo, graúdo, bicolor. Pra comer e pra plantar (e a hora é esta). Do Seu Miguel R. Sobucki, da Agroindústria Familiar Sobucki. Guarani das Missões - RS. Tel. 55-9957-7947.

Quem disse que mel de abelha nativa é tudo igual? Em comum, mais fluido, mais azedinho. Mas tiúba, uruçu, jataí, jandaíra... e tantas outras, cada abelhinha desta produz um mel com característica distinta. E, se quer saber, ainda se diferenciam de acordo com o território por causa da flora variada, como se vê nesta linha de mel da Tiúba (Melipona fascilutata). Comprei de cinco lugares diferentes: Buritizinho, Todos os Santos, Moura, Tabocas, Limoeiro.
Projeto Abelhas Nativas da AMAVIDA - Associação Marinhense para a Conservação da Natureza. Veja mais aqui: www.projetoabelhasnativas.org. www.amavida.org.br. Email: pan@amavida.org.br.
Os azeites de licuri da Coopes, cada vez mais delicados e refinados (não refinado no sentido solvente da coisa). www.coopes.org.br

Outro dia um leitor me perguntou onde comprar grãos orgânicos para germinar. Respondi que os grãos comuns orgânicos (feijão, ervilha, soja, grão-de-bico, lentilha, trigo) podem ser comprados em feira de orgânicos. Mas aquelas sementes que não se comem normalmente a não ser em brotos, não sabia. Eis aqui a resposta. Bionatur - Sementes Agroecológicas, de Candiota - RS. Tel. 53-35031261 ou 53-9953-9704. www.bionatur.com.br. Email: bionatur@bionatur.com.br.

No Espaço do Rio Grande do Sul o que não faltam são salames e que tais. Experimentei, são deliciosos, mas não comprei.

E a chuva foi e voltou comigo.

16 comentários:

Mariângela disse...

Neide querida,senti uma alegria imensa ao ver o nosso antigo moinho de pedras em funcionamento,agora sim,ele está em boas mãos,posso dizer que ganhei meu dia? beijos,nos falamos!

Claudia disse...

Neide,

Que feira maravilhosa, cada produto mais interessante do que o outro. A agricultura familiar é o pulo do nosso gato. Interessante que você chame os milhos e o amendoim de "crioulo" e o mel de abelhas "nativas", por que razão usa essas distinções?

C.

Neide Rigo disse...

Oi, Mari!
Não é sempre, mas de vez em quando uso o moinho que gentilmente me deram de presente. E que presente!Obrigada!


Claudia,
a palavra crioula é mais usada para vegetais que para animais. São sementes cultivadas e passadas por gerações de agricultores que ainda conservam a biodiversidade. Já a palavra nativa tenho vista aplicada para espécies animais e vegetais. Eu só reproduzi aqui a terminologia que se convencionou usar por aí. Mas, é claro, tudo isto é passível de uma ampla discusão semântica.

Um abraço,
N

Rui Gassen disse...

Neide,
Ver o escorrer do trigo e da farinha do moinho, me fez lembrar de uma ampulheta marcando o tempo com areia e do cuco que nunca tive. Pensando bem, mais vale um cuco moendo o trigo para saciar a fome das gentes do que um cuco cantando as horas irrecuperáveis.
Felizes pães!

Neide Rigo disse...

Pois é, Rui, sempre vou me lembrar que Mari optou pelo moinho em vez do cuco. E, no fim, quem saiu ganhando fui eu. Mas um dia você há de ter um cuco bem bonito, viu?
Beijos, N

Rui Gassen disse...

sem segundas intenções,quando fores a Barcelona vamos organizar uma singela visita a floresta Negra,só para admirar a paisagem e ver os cucos nas lojas..

Gina disse...

Então já voltou? Quer dizer que se estivesse no Rio, nem encontraria você por lá...
Todo dia descubro novidades, aqui principalmente.
Lembra quando você postou o pincel-de-estudante (serralhinha), que eu disse que isso me deu um ideia? Pronto, publiquei o post, veja lá:
http://nacozinhabrasil-gina.blogspot.com/2009/10/pincel-de-estudante.html
Bom final de semana!

Anônimo disse...

Pôxa Neide, que pena!!!!!!!!!!!
Não ando me conectando muito e por isso não li que você viria ao Rio. Lembrei de você a cada vez que ouvi falar da feira na Marina da Glória, mas não podia imaginar que você estaria aqui tão pertinho e a gente não ia se ver (e de quebra conheceria o Filipe que foi tão gentil me dando o kefir e uma ótima dica de curso).
Ainda estou no Rio. Ando bem caladinha, mas teria sido um grande prazer encontrá-la na feira, no Navegador ou em qualquer outro lugar. Fica para a próxima então, não é?
Um beijo
Gabi (gabgaby)
P.S. Amanhã vou à feira e seguirei o seu roteiro, ok?

Rubén disse...

Prezada Neide
E quando acontece esse Evento aqui em São Paulo. Quero ir.

Abraço e Obrigado

Rubén Duarte

Roberta Sá disse...

Neide
Que bom te encontrar na feira! Sua visita foi curta e vc ainda conseguiu ver e documentar tudo isso?

Daniel Figueiredo disse...

Olá Neide, como vai?
Eu li vários posts em que você falava sobre a serralha, então penso que talvez você possa me tirar uma dúvida. As flores de serralha também são comestíveis? Há alguma forma em que eu possa aproveitá-las? Obrigado desde já.

Neide Rigo disse...

Rui, combinado. Mas prefiro ficar de olho nos cogumelos comestíveis da floresta negra.

Gina, obrigada! Comentei lá.

Oi, Gabi, seria bom tê-la encontrado, mas desta vez nem valeu, tá? Foi muito rápido. Mas da próxima vez que for, te aviso e a gente se encontra, incluindo Filipe.

Ruben,
infelizmente esta feira agora tende a acontecer sempre no Rio. Mas já foi também em Brasília há 2 anos. Então, quem sabe...

Roberta,
foi ótimo poder te encontrar, pois a visita não teria sido tão produtiva. Obrigada!


Daniel,
não sei se as flores de serralha são gostosas, mas venenosas não são.

Um abraço, N

Anônimo disse...

Oi neide,
o meu assunto na pororoca #4, (que sai em novembro)é justamente esse. Méis de abelhas nativas sem ferrão. Fiquei absolutamente fascinada pelo tema quando comecei a pesquisar. E, os sabores diversos, são deliciosos! Inacreditáveis! Os meus preferidos desses seus, foram o Moura e o Tabocas.vamos falar mais sobre eles.
beijo
Tanya

Leo disse...

Seu leitor ficou muito feliz em achar aqui a dica so brotos orgânicos pra germinar. Vou correndo entrar em contato. Grande abraço, Leo.

Neide Rigo disse...

Ótimo, Leo. Espere que funcionem.
Um abraço, N

Sebo Paraibuna disse...

A Bananinha Paraibuna sempre está presente em eventos como este.


http://bananinhaparaibuna.blogspot.com/