segunda-feira, 22 de junho de 2009

Fui buscar cambuci em Rio Grande da Serra

Hoje cedo estava aqui fazendo pesquisa e texto sobre o Cambuci (Campomanesia phaea), aquela frutinha ácida e verde com cara de disco voador, quando me dei conta de que não sabia nada sobre a fruta, além de ter provado algumas, nem sempre maduras. Mas e famosa cachaça? E o cambuci ice, o fermentado à base de vodka e cambuci? A geleia, o pão de mel, a polpa, o fruto congelado? Queria ver, tocar, provar, sentir.
Levantei a bunda da cadeira confortável para me aventurar por quase 2 horas em bancos duros dos trens. Fui até Rio Grande da Serra conhecer de perto a Cooperativa Cooper Cambucy da Serra. Liguei, perguntei o endereço, como ia, e disse que estava indo.
Perto da estação, fácil de achar. Conversei com o presidente Moacyr Orsini, que me mostrou todos os produtos e os toneis de inox onde a cachaça com cambuci, maçã e uvas passas fica curtinho até chegar ao ponto certo (decidido por parâmetros bioquímicos). A fruta é muito ácida e dificilmente é consumida in natura, por isto o maior consumo era curtida em cachaça. Mas depois dos festivais que começaram em Paranapiacaba (uma vila de Santo André), que inclui concurso culinário, os municípios vizinhos começaram a criar novos usos para a fruta e seus próprios festivais. Em Rio Grande da Serra muita gente passou a vender a produção (cerca de 300 quilos de fruta por árvore/ ano) dos quintais para a Cooper. Não há produção comercial de cambuci do tipo monocultura. As frutas compradas pela cooperativa vêm de pequenos proprietários. Pequenos mesmo, pois cada produtor tem lá em seu quintal de 2 a 10 pezinhos que na safra rende algum dinheiro. Antes, ficavam os frutos às moscas. Agora, são incentivados a cuidar da planta do quintal e da Mata, aproveitar as frutas e ainda deixar algumas para os jaus, macacos, pacas e tucanos. E tem gente querendo plantar mais. A procura por mudas é tanta que não sobrou nenhuma para eu comprar. Há listas de espera. O bom é que o consumo da fruta não sendo in natura pode ser congelada e usada no preparo de pratos doces e salgados. E assim podem ser colhidas no tempo certo - quando maduras caem sobre um leito de capim, para que não se machuquem. Colhidas verdes (como já vi venderem aqui em São Paulo), não amadurecem e sim apodrecem.


No intervalo da minha conversa com o Moacyr, fui almoçar um prato feito, que estava com fome. E não era porque era tanta a fome, mas eita arrozinho com feijão bons. Por R$ 6,00 comi um arroz bem temperado e macio, não seco, não grudado, não frio e não uncle-bens. No ponto que eu gosto. E o feijão cremoso, recém cozido, com grãos inteiros e introjetados de tempero à alho, bem escondidinho debaixo do arroz, como costumava ser na casa de minha mãe. A moça perguntou o que eu queria de mistura: bife à parmegiana ou contrafilé. O outros acompanhamentos eram fixos - salada de alface picadinha, ovo frito e batata frita. Na metade do prato já estava mais que satisfeita, mas preferi bater o prato todo, afinal sabe-se lá quando terei outra oportunidade daquelas e a viagem de volta era longa.

Contato: Cooper Cambucy da Serra - tel. (11) 4821-7438
Os produtos são vendidos em feiras e recentemente tem sido vendidos na feirinha de orgânicos do Parque da Água Branca, aos sábados

16 comentários:

odi1984.blogspot disse...

aaaaaaaaa......
Esta descrição do arroz com feijão me deixou com MUITA fome, caramba!
parabéns pelo blog

Anônimo disse...

Olá Neide,

meu nome é Michelle. Sou estudante de Nutrição do 10º. período e devo dizer que encanta-me o seu blog.
Quando li o post de hoje fiquei imaginando vc começando a pensar em cambuci e já levantando pra buscar a bolsa.. kkkkkk... Isso que eu chamo de pesquisa de campo! kkkk..

Parabéns! Sua motivação para com a temática dos alimentos me enche de ânimo. Inspira-me.

Um beijo carinhoso

(mcmedeiross@gmail.com)

Neide Rigo disse...

Obrigada, Odi!

Michelle, obrigada. Nem precisei ir longe pra buscar a bolsa, que estava ao meu lado.

Um abraço,
N

tita disse...

Só vc mesmo pra se aventurar, heim? Que massa! :)

beijos

Ana disse...

Oi Neide:

Ai, que comidinha mais gostosa hein !!! Gostei dessa viagenzinha. Também não conhecia o cambuci.

Um beijo.

Rhayssa disse...

Neide,

Já faz uns 3 meses que eu leio seu blog quase diariamente. Você me fez mudar o modo como eu ando pelas ruas. Hoje fico observando as plantinhas que crescem nas frestas das calçadas e me perguntando "será que são de comer?". Estou até cultivando um modesto "herbário" em meu apartamento e seu blog tem sido o meu guia. E pra completar, não sei se é a minha imaginação, você me lembra a minha sogra, que é uma pessoa super animada e que eu adoro.
Sou tímida até pra comentar em blogs. Por isso, mesmo sendo sua assídua leitora, acho que só enviei um ou dois comentários antes.
Li aqui sobre como vc encontrou jambu em São Paulo. Tenho procurado, pelo nome de oribepê, a tal planta aqui em Ilhéus, mas sem sucesso. Já me venderam uma planta nada a ver. Bastou olhar a foto. Em Recife, vi uma planta que me lembrou o jambu. Perguntei o nome e me disseram se chamar "botão de ouro". Perguntei ao vendedor se era jambu e ele disse que sim, mas que lá tinha outro nome. Ao que eu disse "oribepê" e ele respondeu afirmativamente. Trouxe pra casa, mas fiquei com medo de comer, porque já me venderam uma planta antes como oribepê e era muito diferente. Tirei algumas fotos, mas a planta já estava bastante murcha, e mandei pra um amigo paraense, e ele achou um tanto diferente do jambu que eles têm por lá. Será que você poderia me ajudar a confirmar ou descartar se é ou não o jambu? Meu e-mail é rrodrigues25@hotmail.com.Desde já, obrigada.
Parabéns pelo trabalho! Rhayssa.

Anônimo disse...

Neide, que passeio delicioso!
Quero ir junto no próximo. Pode me convidar no susto que eu vou junto.
ainda mais de trem! beijo, sofia

Neide Rigo disse...

Então, tá, Sofia! Qualquer dia vamos, então, pra Paranapiacaba!
Beijos,
N

Daniel Brazil disse...

Nos tempos de estudante descobri um pé de cambuci no bosque da Biologia, na USP. Catei alguns no pé, mas a única coisa que sabia fazer com eles era colocar dentro da cachaça.
Bom saber que tem gente cultivando a frutinha! No bairro do Cambuci, em São Paulo, ninguém sabe o que é...

Michel disse...

Oi Neide,

Se quiser, no Jardim Botânico de São Paulo havia mudas de Cambuci para vender (em Abril, inclusive, tinha uma árvore com frutos maduros bem ao lado do viveiro de mudas). Eu comprei e levei para plantar com minha família lá na Bahia.
Difícil mesmo foi conseguir Cambucá... este eu tive de ir comprar em Limeira, mas já está plantado (lá na Bahia).

Parabéns pelo blog
(m.dracoulakis@terra.com.br)

Anônimo disse...

Neide;
Adorei seu blog já tinha ouvido na radio CBN! Parabens!
Sou aluno do MBA em Gestao Ambiental e Desenvolvimento Sustentavel e tive a grande alegria de ouvir na radio CBN o Gilberto Dimestein falando do cambuci que eu se quer sabia que era a frutinha. Muito curioso fui pesquisar a respeito o que me rendeu um tabalho academico de conclusao de modulo do MBA. Agora que finalizei o curso irei escrever um artigo cientifico - (TCC) e o irei visitar a cooper cambuci da serra. Valeu pela dica!!!
Irei aborda-lo pela otica da ecconomia solidaria e a sustemtabilidade ambiental, uma vez que a presença da arvore cambuci é um indicador ambiental.
Grande abraço.
Josenalvo Cerqueira.

Anônimo disse...

Ah, Neide só esqueci de registrar que hei de experimentar muita cachaça de cambuci, bem como o fermentado ice!!!! rsrsrsrsrsrsr
Josenalvo Cerqueira.

Anônimo disse...

Puxa que saudade da estação de Rio Grande da Serra, nasci lá.Brinquei muito de subir e descer a passarela de ferro e adorava passar pela catraca que dá para a plataforma de embarque.Os vidros enormes cheio de cambuci cutido na pinga nos bares, não ouvia falar em outro tipo de consumo da fruta....
Seu blog é muuuuito bom

beijo. Neusa

lucia disse...

Moro em Pços de Caldas com certeza vou buscar uma muda e reelembrar meus tempos de criança, pois sou de S.B.C. e meu pai curtia muita pinga com cambuci, ( por sinal é uma delicia)

Roberto Ribeiro disse...

Muito legal as informações a respeito desta frutinha...
No Parque do Paço em Diadema, tem duas arvores com frutos estragando no gramado, peguei dois exemplares destes no chão e coloquei para curtir na pinga, minha esposa pegou outros e fez um mouse, que é uma delicia, entrei na pesquisa e estou ansioso para por o pé na estrada...Depois que li seu blog, vou de trem...Muito bom,obrigado pelas dicas!

Roberto Mendes Ribeiro - Diadema - SP

luiz plinio disse...

Neide, parabéns pelo seu blog.
Ganhei do meu amigo carlão e filho Rodrigo,
Cambuci colhidos em diadema.
Claro, coloquei na pinga de lençóis paulista para curtir.
Agora ,só esperar amarelar para curtir.
O Cambuci, é uma fruta muito nobre,
Deliciosa,tem um sabor muito especial,colhida no tempo certo.
Curto muito as coisas sobre paranapiacaba.
Foi uma bela dica, parabéns