sexta-feira, 8 de maio de 2009

Carapeba-branca



Se o
tamuatá não é unanimidade, conforme discorre o amigo Carlos Dória, duvido que alguém não goste deste peixinho de carne branca, delicada e sem sombra de pitiú. A carapeba branca foi comprada no Mercado da Lapa como carapaba, conforme escreveu o vendedor no embrulho. Talvez seja chamada assim em algum lugar? Mas pode ser chamada de acará-peba, carapeva ou caratinga (que nomeia ainda outra espécie do mesmo gênero) e responde pelo nome de registro Diapterus rhombeus, da família dos gerreídeos. O nome popular vem do tupi akara'pewa, sendo aka'ra igual a escamoso, cascudo, e pewa é chato, liso.
No Oceano Atlântico Ocidental, cardumes são encontrados da Carolina do Norte até Santa Catarina, ou seja, em praticamente todo o litoral brasileiro, especialmente em estuários ou perto da costa nas praias arenosas, a uma profundidade que pode variar de 9 a 70 metros.


Não é um peixe que desperte muito interesse comercial, embora no Nordeste (Pernambuco?) já haja criação em viveiros e tanto no Rio como Salvador é encontrado mais facilmente. Em Alagoas, me disseram, é uma iguaria. É ir lá pra conferir. Aqui em São Paulo aparece no mercado de vez em quando, para alegria dos que gostam de peixes pequenos e não se importam de tirar os espinhos no prato, comer a cabeça frita e crocante.
Como é alto, curto e meio gordinho, dá também para tirar pequenos filés, mas perde-se muito se os exemplares forem pequenos. No entanto, pode chegar a até 35 centímetros. Aí, tudo bem. No quilo que comprei vieram 8 peixinhos prateados cheios de escamas transparentes e uma barrigada de cheiro fresco para tirar. Com pele firme como de gente, espinhas disciplinadas - algumas, tirei com pinça -, não pensei outro tipo de preparo a não ser como sashimi ou simplesmente temperado com sal e pimenta-do-reino e dourado no azeite. Antes de temperar, fiz uns cortes transversais na pele com bisturi porque a pele é impenetrável com faca pouco afiada.




Carapebas douradas no azeite


Limpei e descamei 4 carapebas pequenas (meio quilo, no total), risquei as peles com faca afiada (ou melhor, usei bisturi, muito útil para peles firmes como a nossa) e temperei com sal, pimenta-do-reino, gengibre ralado e alguns floquinhos de pimenta ardida seca. Deixei pegar gosto por 15 minutos. Dourei duas de cada vez em frigideira antiaderente com azeite. Dos dois lados, claro. E pinguei umas gotas de limão. Comi duas delas com trigo que tinha já cozido e ao qual juntei espinafre cozido e refogado com alho do dia anterior. Os outros dois foram para a Eliana. E nhac.

4 comentários:

gasparzinha disse...

Neide, que peixe tão delicioso.
Adoro gengibre, mas nunca usei para temperar epixe - vou usar!
:)

Beijinhos.

Cesar disse...

Muito legal essa dica. Quando aparecer no mercadao, comprarei.
Aqui fiquei conhecendo peixes que nunca tinha comido: agulha , trilha, peixe-galo ... gostei de todos.

ultimobar.com.br disse...

Cheguei aqui procurando informações se utilizavam esse peixe como alimento, porque quando vou pescar siri, os pescadores sempre me dão alguns. Legal seu blog.

Anônimo disse...

Aqui em guaratuba litoral do Paraná sempre tem