Na feira de São Joaquim, em Salvador-BA Tinha esquecido, no post anterior, que há leitores que nunca viram o fruto do tamarindo, uma vagem não exatamente nossa, mas gostamos e criamos como se fosse filho. Bem, aí está uma foto antiga que encontrei no meu arquivo. Os frutos são constituídos de vagens com 10 a 15 cm de comprimento e 2 cm de largura, de cor marrom escura, lisas, achatadas, com extremidades arredondadas e contraídas ao nível das sementes. A polpa comestível é marrom escura, meio avermelhada, muito pastosa, pegajosa e extremamente azeda e doce, envolvendo as sementes muito duras. Como o próprio nome diz, é originário da Índia (mas também da África tropical e sudeste asiático). É que a palavra tamarindo deriva do árabe tamr al-hindi ou “tâmara da Índia” e o nome oficial ainda redunda a origem - Tamarindus indica L. Foi introduzido na Península Ibérica pelos árabes e, no Brasil, pelos portugueses. Mas, por aqui, não é tão explorado na cozinha e na indústria como poderia ser. Sorvetes, molhos, sucos, temperos são opções de uso. Apesar de ser extraordinariamente ácido, os que apreciam este sabor gostam mesmo é de enfiar na boca e chupar como uma passa. Os ácidos presentes - ácidos tartárico, cítrico, málico e acético, combinados com o açúcar grudento, são uma beleza para os dentes. Mas quem resiste? O bom é que apesar de ácido, não dá aftas (o abacaxi é menos ácido, mas tem bromelina, uma proteína proteolítica que aproveita a agreção da acidez sobre a mucosa de língua pra fazer sua função - quebrar proteínas), sem falar que é rico em minerais e vitaminas. E como tem baixa atividade de água e teor concentrado de açúcares, não é um fruto perecível e pode durar até meses na geladeira (descasque, descarte os que estiverem bichados - sim, podem ser atacados por larvas-, coloque num recipiente de boca larga e deixe na geladeira para usar aos poucos). Ou deixe já a polpa pronta, como expliquei no post anterior.

Achei esta foto antiga - uma vez, numa comemoração aqui em casa, passei a pontinha dos tamarindos no açúcar e botei na mesa. Fez sucesso, nem me lembrava mais.