quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Stachys lanata ou orelhas-de-coelho ou lambari ou..




Conheço esta ervinha verde prateada e peluda há muitos anos. Sabia que servia para comer, já cheirei, já mordi, mas nunca tinha experimentado do jeito que muita gente faz – empanada e frita. No Vale do Paraíba, é conhecida como lambari e peixinho-frito - porque fica boa assim, como lambarizinho frito. Não que lembre no sabor que, aliás, não lembra nada que eu conheça. Sequer é usada como erva aromática, embora tenha perfume agradável de erva ligeiramente amarga, mas na boca é aprazível, simpática. Gostosa? verdadeiramente, não (ruim também não é). Mas é interessante na textura. E fritinha é um peixinho quase de verdade.

A coisa mais difícil é encontrar citação dela em livros de ervas. Aqui ela aparece: The Herble Bible, de Peter McHoy e Pamela Westland. Se quiser ler, clique e amplie.
No design, lembra a sálvia, da mesma família, mas tem mais corpo e uma penugem responsável por outros nomes, como língua-de-vaca, orelha-de-lebre, orelha-de-cordeiro, sálvia peluda. O nome científico pode ser Stachys byzantina e Stachys Olympia, mas também pode ser Stachys lanata, de que eu gosto mais porque lembra mesmo uma lanzinha sedosa. Em inglês é lamb´s ears (orelhas de cordeiro).

É uma ótima planta ornamental que se espalha fácil desde que exposta a algumas horas de sol. Como é comestível e sem nenhum efeito colateral, vai bem num jardim em que crianças tenham acesso. Elas devem adorar ficar alisando as folhinhas de estimação, como um paninho de veludo ou um gatinho manhoso que não arranha.

Mas o que eu gosto mesmo é de comer. Nem me lembro mais de onde veio a mudinha que tenho aqui (acho que comprei na feira orgânica do Parque da Água Branca), mas assim que as folhas se multiplicaram, julguei por bem apanhar algumas e empanar só pra fazer graça em cima da comida. É que eram poucas.
Empanei, porque não tinha ovo em casa, com uma misturinha de água gelada, farinha, maisena, fermento. Óquei, não vamos chamar de massa de tempurá para que ninguém se sinta ultrajado, mas era uma massinha que deixou as folhinhas super crocantes e apetitosas. Se quiser, faça uma empanação decente passando as folhinhas primeiro em farinha, depois em ovo batido com sal e pimenta e finalmente em farinha de novo. Se quiser, misture a farinha com gergelim preto. E frite em óleo quente. Polvilhei o meu com sal preto peruano. Mas use qualquer sal e vai ficar bom também.


Folhas de sálvia-veludo (inventei agora este nome) empanadas

Um punhado de folhinhas de lambari, salvia-peluda, orelhas de coelho, orelhas de lebre ou lambari.
½ xícara de farinha de trigo
½ xícara de água gelada
1 colher (sopa) de maisena
¼ de colher (chá) de fermento em pó
1 pitada de sal
Óleo para fritar

Lave bem as folhinhas e enxugue-as. Numa tigela, misture todos os outros ingredientes. Envolva as folhinhas mergulhando-as na massa. Frite em óleo quente até ficarem crocantes. Polvilhe com sal e sirva como aperitivo ou elemento decorativo. Ficam bem sequinhas.