quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Multiplicação das sálvias


Estas já não estavam tão frescas, mesmo assim funcionaram
Como muita gente tem me perguntado como fazer mudinhas de sálvia, embora eu já tenha falado há algum tempo, de um modo geral, sobre reprodução de ervas aromáticas, aqui vai de novo um jeito prático de se fazer uma mini-estufa com o que se tem em casa (é só a gente sair procurando na dispensa e armários, que vem a solução). Usei uma caixa de ovos e um aquário sem tampa. A função da estufa é evitar a evaporação e favorecer a circulação da umidade retida. Durante o tempo em que a erva fica na estufa, não é preciso regar. A terra só é umedecida no início, para plantar as ponteiras.
Pra começar, vá até uma feira, supermercado ou hortifruti e compre sálvia o mais fresca possível. Se ela estiver meio baleada, corte a extremidade dos galhos e deixe alguns minutos num vaso com água. Ou compre manjericão, melissa, alecrim, poejo, alfavaca, orégano, manjerona, hortelã, tomilho, segurelha, estragão – a técnica vale para todas elas. Aí é só cortar as ponteiras – a parte final em que o galho tem cor mais clara e é mais tenro, plantá-las em terra comum ou areia úmidas e cobrir com vidro ou plástico. As folhas nem chegam a murchar. Deixe as mudas na sombra, quietinhas, por cerca de 1 mês. Ao fim deste período, elas deverão estar enraizadas. Passe, então, para o lugar definitivo. Se quiser, cubra sua mudinha individualmente com um copo transparente ou um vidro de Nescafé, já no lugar definitivo. Isto, desde que não seja uma jardineira ensolarada, pois o vapor quente concentrado na mini-estufa poderá queimar sua planta. O ideal, nesta fase de enraizamento, é que a estufinha esteja posicionada em local claro, bem iluminado, mas sem a incidência direta do sol, que pode botar tudo a perder.

Corte as ponteiras assim

Plante enfiando o galhinho na terra e apertando bem com os dedos ao redor dele. Aí é só cobrir com o aquário de vidro ou plástico e jamais deixar numa soleira como esta da foto – tem que ser na sombra. Mas só nesta fase, pois depois de muito tempo na sombra, a plantinha começa crescer estiolada (fina, branca, comprida), em busca de mais luz.

Podando as ervas para ter mais: se você tem uma planta já formada destas ervas que citei, quanto mais você poda, mais os galhos se ramificam, pois é nas ponteiras que o hormônio ácido indol-acético se concentra. E ele é responsável por inibir o desenvolvimento das gemas laterais. Se você corta fora a ponta (e usa na cozinha ou para fazer outras mudas), ele deixa de agir e outros galhinhos surgirão – dois, três ou até mais, deixando sua plantinha muito mais cheia e vistosa. Então é assim: quanto mais usa, mais tem.



Vejam este pé de alfavaca: estas folhinhas novas e pequenas só surgiram depois que tirei as ponteiras. Nem precisa de tesouras, quando não se pretende usar as ponteiras para nada. Às vezes eu faço isto: passo pelo pé e já dou uma beliscadinha nas duas últimas folhas. Ele agradece.
Veja também aqui no Come-se: Plantar, colher, comer.

3 comentários:

Mariângela disse...

Neide,genial! vou mostrar correndo este post pro marido que é o jardineiro oficial daqui pois temos uma grande variedade de temperos em casa(manjericão,coentro,salsa, cebolinha,hortelã,manjerona etc..) fora todas as verduras que a gente colhe "baby" para por na salada tipo rúcula,agrião ,radiccio ...e ele anda com algumas dúvidas a respeito de novas mudas pois não abro mão dos meus temperos frescos que são tão bons né, aprendi um monte !beijo e bom feriado!

Neide Rigo disse...

Mariângela! Que inveja você poder colher todas estas verdurinhas. Isto é muito bom.Aproveite. Beijos, n

Carolina Daemon Oliveira Pereira disse...

Olá Neide,
sigo seu blog e já "papeamos" algumas vezes. Sempre menciono o Come-se no meu blog como o melhor blog de gastronomia do país:
http://caroldaemon.blogspot.com/2011/03/os-pasteis-de-angu-de-neide-rigo.html

Meu blog está concorrendo ao TOPBLOG 2011 na categoria sustentabilidade.
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Perdoe entrar aqui e postar, tentei escolher uma postagem antiga e pouco comentada - coisa difícil ;-)
Um grande abraço,
Carolina