
A foto poderia ter ficado melhor, mas e a pressa de comer?
Outro dia mesmo fiquei babando por uma receita da Agdah que levava folhinhas frescas de feno-grego. Nos Estados Unidos deve ser fácil encontrar, mas nunca vi pra vender por aqui, então fui correndo ver se eu ainda tinha as sementinhas para plantá-las, esperar crescer só para usar as folhas. Não tinha mais, droga! Já plantei em Fartura, esperei as folhas secarem para colher as vagens. É dentro dela que se agrupam as sementes achatadas que temperam curries e que a indústria de temperos usa em cubos de caldos de galinha (tanto que já vi em feiras-livres com a plaquinha: caldo de galinha natural)
Da família das leguminosas, a planta Trigonella foenum-graecum é originária do sudeste da Europa e oeste asiático, mas atualmente é cultivado em várias partes do mundo, incluindo Norte da África, Estados Unidos e Índia. As sementinhas contêm alcalóides, principalmente trigonelina e saponinas esteroidais - diosgenina, yamogenina, tigogenina e neotigogenina, responsáveis, segundo estudos recentes, pela diminuição da absorção e síntese de colesterol, e fibras mucilaginosas que podem ajudar no controle dos níveis de açúcar sanguíneo dos diabéticos. Agora, como esses efeitos só são conseguidos quando usados na forma de medicamento, com dosagem controlada, fiquemos com sua faceta lúdica, no prazer do aroma das sementes e no sabor do feno – a folhagem era usada com alimento para gado no segundo século depois de Cristo e os Romanos o chamavam de foenum-graecum porque era o tipo de feno comprado da Grécia como forragem.
No Norte da Índia, junto com cravo, canela, cominho, sementes de coentro, cardamomo e macis torrados e moídos, as sementes fazem parte de muitas variações de masalas. Elas podem ainda ser germinadas e usadas em saladas. E as folhas são usadas na Índia e parte do Oriente Médio como verdura ou tempero – ligeiramente salgado com um fundinho ácido e um quê amargo, tudo banhado de um leve aroma das sementes. Costuma-se combiná-las com legumes amiláceos. Deve ficar bom com mandioca (aipim, macaxeira).
Nunca dei tanta importância para as folhas até ver aquelas batatas. Coincidentemente a Nina Horta veio aqui ontem e me trouxe um saquinho delas secas. Certamente é inferior às frescas - ou não, nunca experimentei, mas as batatas feitas com meio saquinho delas ficaram divinas. Bem, a Agdah criou sua própria receita à partir de duas outras (esta e aquela). Como é natural em mim, fiz cá também minhas adaptações e cheguei à minhas batatas. Vale como uma idéia, mas se alguém quiser seguir a receita, anotei direitinho.

O presentinho da Nina
Batatas picantes com folhas de feno-grego
Ingredientes
5 batatas médias com casca, bem lavadas e cortadas em pedaços (mais ou menos 2 x 2 centímetros)
1 colher (chá) de sal ou a gosto
1 colher (sopa) de óleo
1 colher (sopa) de manteiga
2 colheres (chá) de grãos de cominho
1 cebola roxa cortada em quadrados
1 dente de alho cortado em fatias
Meia pimenta dedo-de-moça verde picada em rodelas
Meia pimenta dedo-de-moça madura picada em rodelas
1 colher (chá) de cúrcuma (açafrão-da-terra) ou a gosto
1 colher (chá) de açúcar
3 colheres (sopa) de folhas de feno-grego secas (kassori methy) ou 1 maço delas frescas
1 colher (sopa) de gordura de coco
Modo de fazer: cozinhe as batatas numa cesta de vapor (ou na cuscuzeira), polvilhe com sal e cozinhe até ficarem macias, mas firmes. Enquanto isso, numa frigideira aqueça o óleo com a manteiga e toste o cominho até começarem a estourar. Junte a cebola, o alho e as pimentas e deixe dourar um pouco. Adicione a cúrcuma, o açúcar e as folhinhas de feno-grego secas e mexa bem. Ao mesmo tempo, em outra frigideira aqueça a gordura de coco e doure nela as batatas. Despeje na outra frigideira e sacuda bem. Confira o sal e corrija, se necessário. Se quiser, polvilhe pimenta vermelha em pó ou páprica picante.
Rende: 6 porções