segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Encontrei por aí ou salada de mato


Pitangas, dente-de-leão, três cerejas-do-rio grande e um jatobá

Toda segunda-feira de manhã quando volto a pé do clube onde faço ioga, passo por uma praça pública linda, com vários pés de frutas - mangas, abacates, cerejas-do-rio-grande, amoras, pitangas e uvaias. Aproveito para colher algumas quando tem. E agora estamos em plena safra de pitangas. Para completar a cesta, costumo trazer algumas folhinhas de mato comestível do clube. Acontece que o meu horário sempre coincide com a caminhada do meu vizinho mais deselegante, mal-educado e metido a besta. Sem me cumprimentar, ele lança aquele olhar superior de comiseração como se eu estivesse salvando a comida do dia por não ter o que comer em casa. Hoje passei rápido por ele, que fazia alongamento no playground, para que não me visse. Não teve jeito, logo ele passaria pelo caminho onde eu me equilibrava pra pegar as frutinhas do alto. E, é claro, com o mesmo olhar de sempre. Tudo porque certo dia descobri com meus próprios olhos que era ele o vizinho que levava todos os dias seu poodle pra fazer cocô no gramado da minha calçada. E deixava lá. Ele não gostou quando, no dia seguinte, eu deixei no local um cartaz enorme dirigido ao inocente cachorrinho, rebaixando o vizinho à sua real insignificância. Algo como: “querido cachorrinho, avise seu dono que sabemos o que fazem aqui todos os dias e blá blá blá..”. Ainda tive a sorte de presenciá-lo, da janela, arrancando o cartaz e levando-o embora. Queria ter um apito nesta hora. Depois disso, ele nunca mais me cumprimentou e fica a fiscalizar minhas coletas pelo bairro. Não sei porquê.

Mas, deixe pra lá. Às folhas de dente-de-leão juntei outros matinhos comestíveis e espontâneos do meu quintal e fiz uma salada com molho de cereja-do-rio-grande (achei 3 num pezinho que não me chega ao joelho). O mel do molho e as sementinhas de girassol por cima das folhas foram inspirados pela salada da Fer (do chucrute com salsicha). A mistura de ervas amargas (serralha, dente-de-leão, serralhinha), picantes (mentruz, folhas e flores de capuchinha), azedas (azedinha, trevos e flores de begônia) e tremelicante (jambu) com a semente crocante e o molho adocicado faz uma combinação perfeita e estimulante. O gostoso é misturar todas estas ervas ditas daninhas, mas mansas, que não temos pra comprar na feira. E as pitangas, usei para fazer muffins (depois dou a receita).
Salada de folhas silvestres ao molho de cereja-do-rio-grande



Usei as seguintes folhas e flores
Dente-de-leão (Taraxacum officinale)
Azedinha (Rumex acetosa L)
Trevo vermelho (Oxalis corniculata)
Mini-couve rendada
Mentruz rasteiro (Coronopus didymus)
Brotos de Ora-pro-nobis
Capiçova vermelha (Erechtites valerianaefolia)
Folhas de menta
Folhas jovens de tanchagem (Plantago major)
Folhas e flores de capuchinha
Folhas de jambu
Flores de begônia
Folhas de serralha (Sonchus oleraceus)
Folhas de pincel-de-estudante ou serralhinha (Emilia sonchifolia)

Para o molho
3 cerejas-do-rio-grande sem caroço, bem vermelhas
1 colher (chá) de mel
½ colher (chá) de sal
Pimenta-do-reino a gosto
Suco de 1 limão-rosa (limão cravo, vinagre, caipira)
Azeite a gosto (até ¼ de xícara)


Sementes de girassol fritas em azeite e escorridas
Modo de fazer: lave bem as folhas e flores, desinfete com solução de hipoclorito, enxágüe, seque na centrífuga e distribua sobre uma saladeira. Faça o molho, misturando todos os ingredientes com um mixer. Espalhe por cima das folhas as sementinhas de girassol tostadas no azeite e sirva o molho à parte.


O molho deve ser regado sobre as folhas na hora de servir

Veja também aqui no Come-se: Cereja-do-rio-grande