quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Piruás peruanos


Na feirinha peruana e boliviana (já estou ficando monotemática) há alguns tipos diferentes de milho, mas sabemos que no Peru são dezenas ou centenas até. Por aqui também havia milho nativo de várias cores e formas, mas o amarelo chegou pisando em todos eles. Ouvi dizer que perto de Cunha-SP ainda se cultiva milho roxo e com ele se faz fubá. Imaginem uma polentinha mole feita com ele.. Mas fora pequenos produtores e algumas tribos, nenhum grande agronegócio quer saber destas variedades pouco rentáveis. Em compensação, se der uma praga no milho amarelo, estamos danados, pois a biodiversidade, perdida, é fundamental para evitar estas catástrofes. Mas se depender de mim, logo logo o Brasil estará novamente povoado com estes milhos índios, pois já dei sementes para o meu pai cultivar em Fartura e neste fim de semana nossos amigos João Bosco e Sirley levaram para plantar em São José do Rio Preto. A vantagem é que eles não são híbridos e germinam com facilidade. Já testei.
Na feira boliviana, eles são vendidos já debulhados, em saquinhos
No Peru e na Bolívia são várias receitas de cremes e refrescos com o milho roxo, que, aliás, faz um ótimo chá - publicado aqui ontem. Agora, o que me fascina mesmo são as pipocas peruanas que nada mais são que piruás viáveis, mastigáveis e crocantes. São pipocas que estufam, extrusam, mas não viram do avesso. E o sabor é maravilhoso, daquele piruá que deu certo, que não vingou mas não encruoou. Foi meu amigo Ives, peruano, quem me apresentou a elas. Sempre que posso, compro variedades diferentes e frito tudo junto numa só panela. É como fritar pipoca, mas o pulinho delas é pequeno. Um ótimo tira-gosto para uma cerveja gelada (calma, calma, o calor vai voltar). E ainda pode ser levada na bolsa para comer no cinema, pois não faz aquele barulho insuportável - desde que você a leve num saquinho silencioso, de preferência de pano. E também porque não faz muita diferença comer quente ou fria. Boa de qualquer jeito.

5 comentários:

Silmara disse...

Oi Neide! Esses milhos formam um lindo arco-iris!! Trouxe da Bolívia aqueles saquinhos c sementes de que vendem p turistas, sabe? Os choclos são lindos e de diversos tamanhos... Vou mandar uma foto das pipocas que vendem nas banquinhas em Copacabana, Bolívia..e vou querer provar das que vc fez p ver se é boa mesmo!!! Adorei a foto!! bj Sil

Neide Rigo disse...

Sil, aqui na feirinha da PraçaKantuta, no Pari, estes saquinhos de piruás já prontos também são vendidos. Uma delícia. Me mande as fotos. Volte sempre, beijos, n

fezoca disse...

Neide, felizmente esses milhos indigenas ainda sao cultivados aqui na America do Norte e eh muito facil encontrar a farinha de milho azul e outros derivados. Tudo feito com o blue corn meal fica mais bonito, alem de ser mais nutirtivo [essa info eu li em algum lugar]. Essa pipocona sem virar vende aqui com o nome de Inca Corn. Eh uma delicia e parece um dentao! :-)))

beijo!

Neide Rigo disse...

Oi, Fer,
sorte sua. Eu amo estes milhos e espero colher um pouco deles em breve, especialmente estes blue corns - aliás, o nome mais correto, pois antocianina vem de cyanus, pedra preciosa azul. E eles são mais nutritivos justamente por causa deste pigmento, que é um antioxidante. Por aqui só tem para vender na tal feirinha. Uma pena. As pipoquinhas são chamadas de tostados de maiz. O branco se parece mesmo com um dentão (por isto ele não aparece na minha composição - eu tenho implicância com cangica por este motivo, uns dentões, ui). beijos,
beijos, N

Anônimo disse...

Oi Neide!
Não sei se sou diferente da maioria das pessoas, mas adoro colecionar e melhorar milhos diferentes. Essa semana me surpreendi quando fiz uma experiencia com minha filha para explicar como o milho nasce e de que forma; quando fomos anotar o desenvolvimento do milho (roxo, posto para nascer em algodão embebido com água) achamos uma semente com duas brotações ao invés de uma que é o que sempre estudei. Tenho sementes de milho branco, roxo, preto, vermelho e rajado. alguns ficaram guardados por um longo tempo e não sei se nascerão novamente. Gostaria de estar adquirindo novas variedades. Se puder me ceder algumas ficarei feliz em poder aumentar e distribuir para outrem. Caso possa me avise no email fredericoarnaldovessoni@gmail.com e trocaremos sementes.
Grato pela atenção.