segunda-feira, 18 de maio de 2009

Nossas frutas vermelhas: maracujá de casca roxa





Ultimamente tenho saído à cata de frutas desconhecidas de muitos paulistanos para a palestra que vou dar no evento Paladar - Cozinha do Brasil. Nada de kino ou kiwano, pitaia, rambotão e que tais colombianos. Também nada contra, afinal, canistel é uma delícia, jujube também. Mas quero mostrar frutas nativas nossas. Agora é uma época ruim para frutas. Já não há mais cambuci, uvaia e tantas outras que queria mostrar ao vivo e em cores. Mas estou congelando as que vou encontrando, para o caso de não ter exemplares frescos no dia 05 de junho. Já tenho jatobá, jenipapo, butiá, araçá vermelho, sapoti, achachairu, abiu e outras tantas. Mas vou mostrar também cacau, cupuaçu, cruá, que não congelei por causa do tamanho, mas hei de tê-los frescos. Talvez mostre uma ou outra exótica, mas bem adaptada embora renegada.
No sábado estive no mercadão e ontem, no Ceagesp, onde comprei estes maracujazinhos roxos. Lindos por dentro e por fora. Perfumadíssimos. O sabor é muito parecido com o mais comum e comercial que conhecemos, mas a diferença está nesta casca tingida de antocianina.

A palavra "maracujá" vem de "mara-cuiá", que significa "alimento que já vem dentro da cuia" (como se vários outros também não viessem!). O fruto possui casca dura, geralmente de cor amarela, roxa ou avermelhada. Tem aquelas sementes negras e numerosas, revestidas por arilo (parte comestível) polposo, suculento, perfumado, de sabor ácido e agradavelmente pronunciado. Há deles mais doces ou mais azedos. Afinal, só no Brasil são conhecidas mais de 150 variedades de maracujás nativos, sendo que, tanto para o consumo fresco para fazer sucos como para a indústria, o mais comum e comercial é o maracujá-azedo ou maracujá amarelo (Passiflora edulis ). Ou seja, de tantos, conhecemos UM. Sua maior produção se dá no Nordeste , onde o clima é mais favorável. Algumas variedades de casca roxa como este podem ser encontrados mais frequentemente nas regiões Sul e Sudeste do país.

Embora o maracujá seja tido muitas vezes como calmante, sabe-se que o alcalóide de ação sedativa praticamente não está presente no fruto, mas somente nas folhas e raízes. De qualquer forma, que ele acalma, acalma. Seja porque é bom, seja porque é resfrescante, seja porque é muito nutritivo.
Bem, cheguei em casa, congelei alguns e parti outros. Comi uma colherada da polpa, julguei boa para suco e tudo o mais que se pode fazer com ele. Mas não pude jogar fora a casca. Afinal, o pigmento estava todo lá. Lembrei de uma geleia deliciosa que minha amiga Silvinha faz com as cascas grossas do maracujá comum misturadas depois com as sementinhas. E também das pétalas de casca em compota que comi no Tordesilhas na semana passada durante nossa reunião para a aula de amargos. O doce tinha um amarguinho de fundo muito bom, com todo o aroma e gosto peculiar do maracujá. Então, foi só cozinhar as cascas e fazer uma geleia como a da Silvinha, já que para pétalas a espessura era fina demais.


Geléia de maracujá roxo


8 maracujás roxos
Água
Açúcar

Lave bem os maracujás, parta ao meio e tire a polpa. Reserve. Coloque as cascas numa panela, cubra com água e leve ao fogo e deixe cozinhar por cerca de 15 minutos ou até ficarem macias. Escorra e, com uma colherinha separe a polpa macia da película externa, mais dura. Bata esta polpa com mixer até que fique bem cremosa. Reserve uma colher (sopa) das sementes e bata o restante com um pouco de água, sem deixar quebrar as sementes. Coe, descarte as sementes retidas e junte o suco à polpa das cascas. Meça o volume desta mistura e acrescente metade deste volume em açúcar. Misture tudo numa panela e leve ao fogo. Quando começar a espessar como um doce cremoso, junte as sementes reservadas, deixe ferver e tire do fogo. Guarde na geladeira em vidro limpo e aferventado e use como usaria qualquer outra geleia.

18 comentários:

lindalacava disse...

Oi Neide, sou uma visitante assidua do seu blog, apesar de nunca ter comentado.Lembro da epoca em que vc falou sobre araruta, eu estava morando em Minas e la encontrava-se para comprar, apesar de vir do parana.Sou nomade tb, moro em diferentes lugares, agora estou em Mato Grosso do sul e encantada com as frutas do cerrado e se vc quiser mando com o maior prazer alguns exemplares para vc.Aqui tem um mercado municipal,onde tem algumas indias vendendo mtas coisas que eu nem conhecia, mto legal. Entao se quiser, estou por aqui,bjs

Gina disse...

Neide, estamos em sintonia.
Tenho encontrado muitas frutas exóticas, nacionais ou não. A partir de amanhã estarei falando sobre elas, a começar pelo cupuaçu.
Tenho fotos lindas do araçá vermelho, que aqui dá nas calçadas. Na minha infância, só conhecia o amarelo. Só congelando mesmo, porque é muito perecível.
Meu 2° post do blog foi sobre geleia de maracujá e falei do significado também. Usei o mesmo processo que você. Ficou linda dessa cor. Quando achar por aqui, vou fazer.
Veja o post:
http://nacozinhabrasil-gina.blogspot.com/2008/09/gelia-de-maracuj-290808.html

Bjs.

Neide Rigo disse...

Oi, Linda, que bom saber sobre as frutas do cerrado. Eu vou querer sua ajuda, sim. É só comprar, me dizer quando gastou com as frutas e o correio e eu lhe reembolso. Minha aula é dia 05. Vamos combinar. Qual o seu email? Ou escreva no meu: neide.rigo@gmail.com. Obrigada.

Gina, fui lá ver. De fato, o processo é quase o mesmo. Parecida com a da minha amiga. Só que a sua ficou mais consistente pelo que vi. Muito bonita.
Um abraço,

N

Baú da Conceição disse...

Neide, aqui em portugal, só encontramos este maracuja roxo, alias só á pouco tempo fui apresentada ao amarelo, que é muito maior.
Adoro ler suas materias.
Beijinhos

Elena sem H disse...

Neide, você que conhece tudo e descobre ainda mais é a pessoa perfeita para minha pergunta. Li que o trevo é comestível. Provei um que nasceu num vaso aqui e achei meio azedo, com gosto de, sei lá, algo que começou a fermentar... É assim mesmo ou eu que provei justo o trevo errado? A curiosidade foi grande, mas a vontade de cuspir a "iguaria", maior...

Neide Rigo disse...

Oi, Elena, os trevos são comestíveis, sim, mas sempre com moderação, pois, como a azedinha, são muito ricos em ácido oxálico. Mas também é rico em outros nutrientes como ácido ascórbido - vitamina C. Umas folhinhas cruas na salada, ok. Se as folhinhas forem aferventadas e a água desprezada, podem ser comidas em quantidade maior. Um beijo, n

Neide Rigo disse...

Oi, Klotz,
acho que estamos um pouco longe, mas eu adoraria comer uma feijoada hoje, que chuvisca e faz friozinho. Dia perfeito.
Um abraço, N

Claudia disse...

Puxa Neide,

Que legal esta receita com a casca do maracujá roxo. Eu compro sempre mas acho ele muito suave e doce. Eu gosto do maracujá azedão e cor bem escura. O amarelinho claro do maracujá roxo não me encanta...

Vou experimentar já pois tenho 11 maracujás murchando na minha fruteira...

Obrigada,

C.

Gratão disse...

Neide, será que é possível você me enviar algumas sementes do maracujá roxo? Em retirbuição posso lhe mandar algumas sementes de Moringa Stenoptala que recebi recentemente de um amigo que mora na Flórida.

Grato

Ciloé Gratão

Edilia disse...

Esta geleia esta linda a cor dela,nunca fiz,mas se achar para comprar eu vou fazer para experimentar.
Edilia

Claudia disse...

Neide,

fiz a geléia e publiquei hoje no blog. Ficou uma delícia.

Obrigada pela dica,

C.

Emilia disse...

Butiá tinha na casa de uma amiga de infância. delícia!!! tem umas palmeiras no CPUSP que sempre me pergunto se não são de butiá porque a fruta é parecida. outro dia quase quis testar... adoro o blog, venho de vez em quando, sempre delicioso!

Neide Rigo disse...

Oi, Emilia,
será que as palmeiras do cepê são as mesmas que adornam a entrada da usp, em frente à Faculdade de Educação? Se sim, acho que não são. Mas quando tiver frutos, me avise e a gente confere. Se sim, será uma grata surpresa.
Obrigada!!
Um beijo, N

Ixchel disse...

Hola...aunque no hablo tu idioma me gusto mucho tu blog... te quiero contar que en Guatemala tenemos una planta culinaria que se llama Loroco...su fragancia es riquísima. Probablemente ya la conoces... pero es riquísima

Neide Rigo disse...

Hola Ixchel!
Não conhecia loroco (Fernaldia pandurata). Obrigada pela informação, pois já pesquisei um pouco no google e agora estou curiosa para conhecer a delícia pessoalmente.
Um abraço,
Neide

blog da mercedes disse...

ola Neide sou gaúcha da capital esta eu procurando saber se os maracujas que naserão aqui em casa erão comestiveis poi nunac avia visto plantei como se focem o amarelo mas que surpresa os danados erão rochos nunca tinha visto e sou do interior ainda não provei e se fosse venenoso mas abri um e a polpa é laranja bem escura e tem um perfume vou compartilhar com outras pessoas se eu cocseguir te mando foto pra ver a cor da poupa se queser ne mada email com endereço abraços

Neide Rigo disse...

Que bom, Mercedes! Acho que o engano é sinal de sorte. Depois me mande fotos, sim. Um abraço, N

blog da mercedes disse...

adorei saber que o naceu aqui em cas a é esse maracuja só que o meu tem tem a poupa cor de cenoura e muito perfume não sei como nasceu poi plantei amarelo e nasceu rochocomo não conhecia só parti mas tive medo de comer agora vou comer e fazer ageleiamoro em porto alegre mas sou do interior enunca tinha visto obrigada e abraço de uma gaúcha meu email mercedereis58@yayoo.com.br