terça-feira, 27 de novembro de 2007

Temporada de pequi


De trás pra frente: o fruto cortado, o caroço inteiro e
partido do meio, que mostra a polpa comestível (camada externa mais escura) e a castanha branca, no centro.
Ao redor do Mercado da Lapa, aqui em São Paulo, há sempre um comerciozinho informal de coisas da terra: são carriolas com feijão de corda verde, mandiocas amarelas e produtos sazonais como umbu e os deliciosos pequis. Sempre nesta época de chuva, que é o tempo deles, compro os pequis para conservar no freezer para a entressafra. Eles congelam muito bem. O cheiro é frutado, lembra maracujá, e a polpa, cremosa, saborosa. Uma das melhores invenções da natureza. Dos caroços cozidos no arroz ou no frango, inteiros, dá pra ir raspando o molinho com os dentes (não é coisa que se coma de garfo e faca) até chegar à camada mais dura. Aí é que mora o perigo, pois há uma infinidade de espinhos soltos e doidos pra grudar no céu da boca dos desavisados. Mas é só ir roendo com cuidado e não insistir quando encontrar resistência. Enquanto a polpa está macia, você está num campo seguro. Quando a coisa endurece é hora de parar. A foto mostra a parte comestível, bem fininha – a camada superficial de tonalidade mais forte. Dentro, depois dos espinhos, há uma castanha deliciosa, já explorada comercialmente. Sinceramente não sei como extraí-la e cortar o caroço ao meio não é pra qualquer faca. Trouxe um pouco das amêndoas de Brasília e aproveito para reproduzir aqui o texto do jornalista Jaime Gesisky, do Instituto Sociedade, População e Natureza, que conheci no Terra Madre, em que explica sobre o pequi e o trabalho da Ong.
Olá, Neide.
Nos falamos no Terra Madre e eu fiquei de lhe enviar a história dos catadores de pequi do norte de Minas, que estão exportando a produção para outros estados e até para Nova Iorque. Segue abaixo com nos nossos contatos. Espero que você tenha aproveitado o encontro em Brasília.
Abração.
Jaime Gesisky
Pequi vira ouro nas mãos de extrativistas do norte de Minas Gerais

Fruta típica do Cerrado, de cor amarelo-ouro e considerada uma iguaria gastronômica, o pequi está mudando a vida dos extrativistas do município de Japonvar, a cem quilômetros de Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Apreciado ancestralmente pelos habitantes da região, o pequi conquista paladares sofisticados no Brasil e já começa a fazer carreira fora do Brasil. O pequi do Norte de Minas está sendo vendido em centros cosmopolitas, como Nova Iorque, nos Estados Unidos.

De Japonvar, sairão este ano cerca de 15 toneladas de pequi; dois mil litros de óleo da fruta e 600 quilos de castanha-de-pequi beneficiados pela Cooperativa dos Pequenos Produtores Rurais e Catadores de Pequi de Japonvar (Cooperjap). Parte da produção deverá ser exportada. O restante será comercializado aqui mesmo, garantido renda média de R$ 400 para cada um dos 200 cooperados. “Estamos melhorando de vida”, disse o produtor José Antônio Alves dos Santos, presidente da cooperativa.
Na safra, que acontece no período das chuvas (novembro a fevereiro), a coleta do pequi emprega cerca de cinco mil pessoas e movimenta quase um milhão de reais. É significativo para a economia de um município de pouco menos de nove mil habitantes em uma das regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. Fora da safra, a comunidade coleta e beneficia outros frutos nativos: umbu, araticum, buriti, mangaba e caju.
Além do sucesso nas vendas, a história da Cooperjap tem contornos ambientalmente corretos. O pequi é coletado de tal modo que não compromete a sobrevivência das árvores. Os frutos são colhidos somente na época certa e as matas nativas são preservadas pela comunidade que se beneficia da biodiversidade local. É um círculo virtuoso.
O pequi é considerado pelos nutricionistas como um alimento funcional. De acordo com estudos da Embrapa, em cada 100 gramas de pequi, existem dois gramas de proteína, sete miligramas de caroteno e 79 miligramas de vitamina C. Devido às suas propriedades antioxidantes, o fruto começa a ser cobiçado também pela indústria de cosméticos.
Produtos ecossociais ao alcance dos consumidores
Os recursos para montar a Coperjap vieram do Programa Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS), que financia no Brasil atividades agroextrativistas sustentáveis com recursos do Fundo das Nações Unidas para o Meio Ambiente (GEF). O programa é implementado pela organização não-governamental Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).
O PPP-ECOS apóia atualmente cerca de cem comunidades nas regiões de Cerrado. São extrativistas, indígenas, quilombolas e pequenos agricultores. As comunidades produzem frutas em conserva, desidratados, doces, licores, farinhas, polpas, castanhas, mel de abelhas nativas e artesanato.
Os produtos podem ser adquiridos por meio da Central do Cerrado, uma rede de apoiada pelo ISPN criada para estabelecer o elo entre a comunidade e os mercados interno e externo. A venda do pequi do Norte de Minas para os Estados Unidos é um exemplo do papel da rede na organização do comércio para as comunidades. O objetivo da rede é tornar os produtos acessíveis aos consumidores conscientes, que querem alimentos saudáveis e que são obtidos por meio de processos ambientalmente corretos e socialmente justos.
Jaime Gesisky
Telefone da Cooperjap:
38 3231 9310

27 comentários:

Vitor Hugo disse...

Experimentei pequi este ano no curso de cozinheiro... achei exótico, gosto marcante e é para quem realmente gosta. Mas fiquei com a impressão de já tê-lo comido sem saber.

Brincando de chef disse...

Nossa, eu moro praticamente do lado do Mercado da Lapa e nunca dei importância para esse comércio de coisas da terra. Ótima dica. Vou passar por lá e comprar pequi, fruta que eu amo.
Parabéns pelo blog. Leio sempre.
Abçs.
Débora

Neide Rigo disse...

Vitor, eu sempre acho que tem cheiro de maracujá, mas o sabor não se parece com nada que eu conheça.

Débora, então somos vizinhas? Qualquer hora a gente se encontra por lá. beijos, n

Baú da Conceição disse...

Passei por aqui para conhecer seu blog, adorei,não conheço quase nenhum destes frutos, tenho que passar aqui com mais calma para absorver toda esta informação.
Beijinhos.

fezoca disse...

outra fruta que eu nunca comi, nunca cheirei, nunca nem vi... maravilhas da nossa terra! beijo, Neide.

Sill disse...

Em BH o povo come com farinha..rs..juro que eu tentei, mas o gosto é mto forte. Quem ama, ama. Qeum não gosta, odeia...rs...bj Sill

Neide Rigo disse...

Conceição e Fezoca, vocês não sabem o que estão perdendo... Já há tirinhas de dele em conserva.

Sil, já percebi que você é meio enjoadinha pra comer, não? Eu sou das que amam pequi.

Um abraço,
N

Sill disse...

Enjoada, eu? O que vc me der p experimentar eu topo...agora gostar de tudo, tudo... daí não garanto, né? Até agora, na minha lista de "persona non grata" só o pequi e a manga, o coentro e o culminho (pq me dão piriri!)... Mas eu experimentei várias vezes todos ele...rs..bj Sill

Anônimo disse...

Experimentei e adorei Pequi! Fizemos risoto com óleo e fruto em conserva... Agora pretendemos fazer com frango...
Beijo
Lena SP SP

maria imaculada disse...

Oi Neide,
Meu nome é Imaculada, sou do norte de minas (Mirabela fica entre Montes claro e japonvar),hoje moro em Brasília, mas nunca perdi as minhas raizes.Gosto do seu jeito de escrever e falar da comida.Sempre dou uma olhada no seu blog e não tinha visto esse post sobre o pequi, vc tem razão a castanha do pequi é deliciosa e pouco aproveitada. Na minha cidade roemos o pequi (pequi não se come é para ser roido), deixamos a castanha secar ao sol, ou no forno, depois partimos com uma faca, mais ou menos como vc colocou no seu post.pode partir tbem no sentido do comprimento. Espero que tenha sucesso.
Um abraço
aimaculada

Neide Rigo disse...

Cara Imaculada,
obrigada pelos elogios e também pelo comentários enriquecedores. Não conheço muito o norte de Minas, mas ainda hei-de.

bjs,n

Anônimo disse...

Sou de Vitória/ES e minha tia que mora em Uberada/MG traz o Pequi todo fim de ano..é uma briga por causa dos pequis, cada um tem direito a uma determinada cota...o engraçado é que a princípio ninguém gosta, mas depois entra na disputa..rs, eu por exemplo sou uma dessas pessoas,mas hj eu amo de paixão..espero por minha tia e pelos pequis anciosamente todo fim de ano..Parabéns pelo blog.
Obs: Gostaria de encomendar, mesmo que de longe, o pequi ..pois aqui as pessoas nunca ouviram falar na fruta...e nem sabem o que estão perdendo..ótimo!!!! Sobra maisssssssss.....Marcela Carvalho.

Anônimo disse...

Olá, Neide.

Conheci o pequi em brasilia-DF, nao gostei muito dele em fruta, mas esses dia fui num churrasco de um amigo meu e ele serviu uma pimenta em óleo de pequi para acompanhar a carne, adorei o sabor, ai comprei o óleo de pequi este dias pra curtir umas pimentas para mim, após alguns dias fui pegar o óleo para fazer a conserva e o óleo estava tipo grosso num tom bem amarelado, grosso mesmo sabe. O que aconteceu será que estragou, da pra voltar ele no estado liquido?

Abraços.

Alison André.
djalisonx@hotmail.com

Marluce disse...

Li alguns comentários à respeito do pequi, muito intessante.Olha gente, o ano passado é que fui experimentar a fruta, pois odiava o cheiro dela, e o que deu:apaixonei pelo sabor.Tenho um irmão que na casa dele tem o pé, e aguardo anciosa todo final de ano para êle trazer para mim.
Quem não experimenta, está perdendo com toda certeza.
Um abraço.
Marluce

marcos disse...

onde comprar pequi?sou aqui do rio de janeiro

natalina roque disse...

Gostaria de saber onde posso comprar pequi aqui no Rio de Janeiro, amo esse fruto... por favor me ajude quem puder..
Naty

natalinarr@yahoo.com.br

Artur disse...

Pequi do xingú. Grande, carnudo. Bem diferente daqueles que tem em cada esquina de Goiania na safra. Os de minas não conheço. Loucura, Goiania na safra cheira a pequi.
Pequi do xingu, comida básica junto com peixe e mandica dos indios do xingú e região. Esse pequi você encontra com facilidade no vale do araguia matogrossense. Só vale se pegado do chão. Maduro, no ponto certo de come-lo

Estou lendo seu blog do comecinho, Estou adorando seu jeito natureba, despojado, super light.

Artur

Neide Rigo disse...

Artur, me deu vontade de comer deste pequi do xingu! Muito legal seu blog. Parabéns. Obrigada pelo comentário, um abraço, N

Kenia Bahr! disse...

Oi Neide, só agora comento esse post pq ainda não deu pra ler todos! :-) Quanto ao pequi, os de Curvelo, MG, são alaranjados e muito carnudos, dão quase o ano todo (!) e a safra maior é dez/jan. Já os de Montes Claros, tb MG, são amarelos e com polpa mais mirrada e tem safra tardia. Meu pai, de goiás, é viciado hehehe...

Quanto à castanha, desde pequena me lembro dos picolés que meu pai sempre fez. Hoje faço sorvete para os amigos, cremos e com um sabor que não parece com nada, a não ser castanha de pequi!

Beijos

Kenia

Pequi disse...

Neide o pequi é maravilhoso,realmente as pessoas roem o pequi e a castanha é retirada depois que roemos o pequi e colocamos para secar ai sim a castanha sai, depois coloca na agua para não ter os espinhos. Vale a pena visitar o norte de Minas, você ira adorar o mercado de Montes Claros, cheio de frutas diferentes. Parabéns pelo seu blog.

Brenda disse...

Sou de Montes Claros, norte de minas, o pequi aqui é tradicionalissmo... O arroz com pequi então, nem se fala.. E várias outras receitas também.Tem até festa do pequi, que acontece todo ano.. Como já falaram ou vc ama ou vc odeia. Eu sou das que ama... Quem nunca provou tem, tem que experimentar(com arroz eh o que há de melhor)..
Beijinhos

CULINÁRIA COM PRAZER disse...

Olá amiga!!

Que bom que achei seu blog....dica maravilhosa sobre pequi que amo.....Meu esposo é de Goiás e aprendi comer com ele.....
Sabe me dizer se ainda tem Pequi na Lapa?
Fui recentemente lá e não vi ninguém vendendo.....
Saberia me dizer se tem alguém que venda gueroba.....Aguardo um contato...Obrigada.

CULINÁRIA COM PRAZER disse...

Olá Amiga!!!!
Que bom que achei seu blog...maravilhosas dicas...
Amo pequi.....aprendi a gostar com meu esposo que é de Goias...
Fui a Lapa recentemente e não vi ninguém vendendo....será que ainda vendem....
Sabe também me dizer onde encontro Gueroba em São Paulo.....aguardo contato...Obrigada.

Neide Rigo disse...

Culinária com prazer,
quando é época de pequi, às vezes você pode encontrar alguém em volta do mercado vendendo. Mas no mercado tem também o produto em conserva. Isto, em várias bancas. Já a gueroba pode ser comprada em conserva em mercearias como o chitão. http://chitaocomercial.sites.uol.com.br/

Um abraço, N

Anônimo disse...

você não manda por encomenda não? sou de Vitoria/ES e estou loca pra experimentar rs não achei aqui em nenhum lugar pra compra! se alguem souber onde tem ficarei grata em saber.

Jéssica Franco - jessica@automoveisnortesul.com.br

Enoque Mendes disse...

ola neide,encontrei seu blog aqui e adorei esta postagem sobre japonvar mg,pois e minha cidade,sou catador e extrativista do pequi,vendo o oleo e a polpa em conserva no mercado livre.este e o link http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-544729142-oleo-de-pequi-100-natural-500ml-_JM para quem quer adquirir um produto delicioso e 100% natural.um abraço!

Enoque Mendes disse...

ola neide,encontrei seu blog aqui e adorei esta postagem sobre japonvar mg,pois e minha cidade,sou catador e extrativista do pequi,vendo o oleo e a polpa em conserva no mercado livre.este e o link http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-544729142-oleo-de-pequi-100-natural-500ml-_JM para quem quer adquirir um produto delicioso e 100% natural.um abraço!