segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Resposta à charada: Café cereja





Esta charada foi fácil, mas só para quem tem ou já teve alguma intimidade com os grãozinhos maduros de um pé de café. Ou para quem acreditou que, sim, eu sou às vezes boazinha e posso propor uma charada bem banal. Mas reconheço também que fui um tanto ardilosa ao não fornecer propositalmente nenhuma dica em relação ao tamanho dos frutos. Por isto, acho totalmente compreensível que muitos tenham pensado se tratar de ciriguelas, bem maiores, embora eu nunca as tenha visto tão encarnadas. Chegam, no máximo, a um laranja avermelhado. Mas, no formato, os frutos são muito parecidos, sim.
Quem já passou algum pedaço da infância perto de um cafezal sabe o gosto que o café cereja tem. Um nada de polpa mucilaginosa e adocicada (mesocarpo) rodeando as duas sementes, mas que serve para divertir as papilas. É mais ou menos, mais pra menos, como chupar um dedo lambuzado de mel (esta dica eu dei) ou um xarope qualquer adocicado, sem ser ácido, amargo ou com qualquer personalidade. Apenas docinho, logo chegando ao dedo. Uma boa opção de fruta para a sobremesa de um spa. Mas este açúcar é importante na formação do sabor quando reage com algumas proteínas, na reação de Maillard, durante a torrefação - além, é claro, de tantas outras transformações.
Quanto à diferença de cor dos dois cafés, neste caso não são estágios de maturação, mas cultivares diferentes. O amarelo é o Catuaí e os vermelhos são das cultivares Catuaí vermelho e Mundo Novo. Enquanto o Mundo Novo tem a planta maior, mais robusta e começa a amadurecer os frutos primeiro, o Catuaí é mais compacto e oferece a colheita um pouco mais tardia.
Lá em Fartura a colheita costuma ter início em meados de julho e ainda não terminou. O café resultante é um blend destas três variedades. Mais imagens e vídeo deste café caipira de Fartura que seca em terreirão você pode ver aqui: http://come-se.blogspot.com/2010/01/cafe-da-roca.html
Foto de ciriguelas ou seriguelas (Spondias purpurea)

7 comentários:

Nina disse...

Ah, eu gostava de chupar café no pé, mas gostava mais ainda de siriguela. Continuo com vontade delas... snif!

Beijo!

Ana Canuto disse...

Compreendi tudinho !!
Tenho um pé de café no meu quintal que tá cheio de frutas em vários estágios.
Assim, vamos chupando café em diferentes épocas também.

Beijo, Neide.

Canto da Lu disse...

HÁ ACERTEI, ERA CAFÉ SIM, LINDOS GRÃOS, AQUI EM CASA ENCHE MEU JARDIM COM OS GRÃOS CAÍDOS, PENA NÃO SABER TORRAR E MOER, SE NÃO DAVA UNS DELICIOSOS CAFEZINHOS.
BJS.

Pratos de Ouro disse...

As aventuras de empregado Gourmet Novo!

http://ohpirussas.blogspot.com/

Marcia H disse...

primeiro eu achei q era café, mas o dedo de mel me levou para a fruta do milagre rsrsrsrs

o cheiro de café torrado na hora em cima de um fogo de lenha, me lembra uma parte linda da minha infância

bjss

Coletivo Parauna disse...

Cara Neide: Estava procurando uma imagem no Google, um pé de café com 2 anos. Quero fazer uma réplica em resina. Ao abrir sua página lí seu texto e gostei muito. Vejo que é uma pessoa muito culta, conhece o que está falando, dá ótimos exemplos, tem escrita fácil para os mais leigos e trata da 'cadeia café' com maestria. Sei que sabe muito mais do que aquilo que escreveu e quero me espelhar em você, se me permite assim dizer. Venho trabalhando com Educação Patrimonial desde 2006 na Fundação Cultural de minha cidade. Com a descoberta de um sítio arqueológico nos fundos de um antigo casarão de taipa de pilão (cadastrado no IPHAN neste mesmo ano) comecei a promover monitoria ao local do achado e contextualizando os fragmentos de faiança, cristais, louças, garrafas de vinho, botijas de grés....á riqueza que o ciclo do café promoveu nesta cidade de Paraibuna durante quase todo o século XIX. Agora estou inaugurando um Eco-Museu do Café num destes casarões na praça da Matriz. Venho reunindo e fotografando há mais de dez anos nesta cidade peças de madeira, bronze, latão, cobre e ferro que serviram aos donos e aos escravos das Fazendas, ás famílias caipiras torradoras, os estabelecimentos comerciais etc. Montei uma biblioteca de referência e do fundo do Poder Judiciário, digitalizamos documentos referentes ao comércio de café, o registro de terras, demandas judiciais, arrolamento de escravos, produção, livros de receita e despesa, etc. Do arquivo municipal os mapas que localizam estas Fazendas, fotografias antigas da cidade, dos Coronéis e mais um imenso acervo referente a produção de café aqui no Vale do Paraíba Paulista. Espero um dia poder receber sua visita.
Parabéns pelo trabalho e Viva o Café do Brasil.
Célio de Abreu.

Luiz D. Lago disse...

Apenas discordo do "sem qualquer personalidade" quando você fala di gosto adocicado do fruto. Para mim, o gosto do fruto do cafeeiro é absolutamente único. De resto, gostei do texto. Um abraço.