
A foto que tirei em Porto Alegre, na casa da Mariângela e do Rui Gassen, não ficou nítida, o que me obrigou – e o faria, de qualquer forma- a preparar o prato aqui. Foi a comida de boas-vindas que selou uma amizade para sempre, assim que chegamos lá. Um cozido de mandioca com charque à moda da fronteira (leia-se fronteira com Argentina, de onde é o Rui). Estava frio pra burro lá fora e comemos de colher aquele cozido quentinho, amigável, cremoso e confortante da alma. Começamos bem. Conta a história que quando Francisco Pizarro e conquistadores espanhóis chegaram ao Peru, no século 16, encontraram um tipo de carne conservada no sal, feita e consumida pelos Incas. A carne era de lhama e, preparada assim, recebia o nome de charqui em Quíchua (a língua principal do Império Inca). Tendo provado e aprovado tal carne, os europeus adaptaram a mesma técnica para o preparo da carne bovina, e a iguaria salgada chegou ao Rio Grande do Sul pelas mãos de aventureiros mesmo antes da ocupação oficial em 1737. Logo se popularizou e seu prestígio segue inabalado. Ela entra não só num dos mais famosos pratos gaúchos conhecidos no restante do país, o arroz de carreteiro, mas também em paçocas, no feijão, em cozidos, com abóbora e por aí vai. Há quem a prepare artesanalmente em casa e até que não é tarefa muito difícil. Basta abrir uma peça de carne para que fique com uma espessura não muito alta, salgar bastante, deixar sobre uma grade para escorrer todo o sangue, durante uns 3 dias e depois pendurar em local ventilado por mais uns 4 ou 5 dias até a peça ficar bem sequinha. Depois desse processo, as mantas podem ser guardadas por até cinco meses.
Como não tinha aqui o verdadeiro charque gaúcho (talvez lá no Zaffari), acabei comprando um pacotinho de jerked beef, que não é o meu tipo preferido, mas, como solução mitigadora, saiu-se muito bem.
Para esclarecer: temos no Brasil diferentes tipos de carnes secas, com denominações específicas, variadas carnes e métodos próprios. Em comum, são todas conservadas por algum grau de desidratação e salga. Carne-de-vento, carne-do-ceará, sambamba, sumaca, carne-do-sertão, jabá, charque, carne-de-sol e jerked beef, lançado mais recentemente, são alguns exemplos.
O Jerked beef tem maior teor de umidade, a salga é feita por injeção e o tempo de secagem é bem reduzido. Dado o maior teor de água, é um produto mais perecível. Por isso, suas características sensoriais são conservadas através do uso de embalagem a vácuo e da adição de nitritos, que além de conservar, ressalta sua cor avermelhada. Pelas determinações legais, deve apresentar cerca de 45% de umidade e cerca de 15% de sal.
A receita de família é da Mariângela, mas, com algumas adaptações à realidade local da minha geladeira, ficou assim: Cozido da fronteira com charque e mandioca
400 g de charque (usei jerked beef)
3 colheres (sopa) de azeite de oliva
1 tomate grande, bem maduro e firme, sem pele nem sementes, cortado em cubinhos
1 cebola em cubinhos
2 colheres (sopa) de cebolinha picada
600 g de mandioca / aipim cortada em cubinhos
4 colheres (sopa) de salsinha picada
1 pitada de pimenta-do-reino
Sal se precisar
Tire e descarte todo o excesso de gordura da carne, corte-a em pedaços pequenos e cubra com água fria. Deixe de molho por cerca de 4 horas, trocando a água umas 4 vezes neste período. Escorra bem.
Numa panela, aqueça o azeite e coloque a carne bem escorrida. Abaixe o fogo e vá cozinhando na própria água que vai escorrendo da carne, até que fique bem cozida e comece a dourar. Junte, então, a cebola picada e refogue até murchar. Junte a cebolinha e a mandioca, mexa bem e despeje cerca de 3 xícaras de água quente. Assim que a mistura começar a ferver, junte o tomate e cozinhe, em fogo baixo, até a mandioca ficar bem macia e a carne começar a se desfazer. Prove o sal e corrija, se necessário. Durante o tempo de cozimento, cuide para não queimar ou grudar no fundo da panela. Se for preciso, junte mais água quente. Tempere com pimenta-do-reino, espalhe por cima a salsinha e sirva como prato único.
Rende: 4 porções
Para saber mais sobre a culinária gaúcha, clique aqui, no site do Grupo Gaúcho.
7 comentários:
Neide, sabe que esta tua ronda gauchesca daria um belo menu ? Vou usar as receitas, certo ?
Agora, chamar um pessego em calda de Schramm e querer que o brasileiro normal saiba ler e dizer esta palavra, é brincadeira! Eu tenho este pessego pra vender e os clientes preferem chamá-lo de "aquele ali" !
Olha só... na 6ª feira comprei carne seca no merc Lapa, com idéia de fazer arroz de carreteiro agora no findi...
Agora este charque com mandioca, menina, deve ter ficado delicioso!!! Para espantar qq frio e pança vazia!
Beijinhos,
do uma receita para fazer na minha panela de barro. Essa reúne todos os requisitos: ingredientes apetitosos, aspecto convidativo, temperatura correta para dias de frio, facilidade de preparo. Vou encomendar mandioca orgânica e fazer.
Obrigada!
Ué?
Cortou o início do meu comentário por quê?
Eu dizia:
Hummmm!!!!
Estava mesmo procuran... (do uma receita...)
;-)
Neide, baixei sua foto para colocar num e-mail convidando amigos para o almoço no sábado. Por favor, sinta-se convidadíssima.
Beijo,
Elena
Delícia de receita, recomendo - ainda mais em dia frios como hoje!
O verdadeiro motivo pelo qual eu fiquei reprovado em orgânica 1 com a Lages, foi porque a Lages deu 4 décimos e uma segunda prova final para a Emanuele Lima Silva passar em orgânica 1 e eu não. Quer dizer que todos os alunos só têm direito a 3 provas e a Emanuele tem direito a 4?
Eu não sabia que para passar em orgânica 1, eu tinha que puxar o saco da Lages, eu pensei que para passar em orgânica 1, eu só precisava estudar. Infelizmente eu não consegui vaga com outra pessoa e tive que puxar orgânica 1 com a Lages de novo. Então a minha missão na segunda vez que eu fiz orgânica 1 com a Lages, foi evitar que a Lages fizesse o que ela fez comigo, com qualquer outro aluno, eu não queria mais que Lages prejudicasse ninguém. Infelizmente eu não consegui vaga de orgexp 1 com outro professor e tive que fazer orgexp 1. Eu perguntei a Lages, se ela estava precisando de um monitor voluntário para a disciplina de orgânica 1 teórica, que eu queria ser monitor. A Lages falou que tinha que esperar abrir processo seletivo. Só que nunca abriu processo seletivo para a disciplina de orgânica 1. Ano passado, eu descobri que a Lages chamou você para ser monitor dela, mesmo sem ter aberto processo seletivo para ser monitor de orgânica 1, você deve ter puxado muito o saco da Lages, você abusou do fato de ser monitor da Lages para disponibilizar ilegalmente uns livros de química orgânica protegidos por direitos autorais na sua pasta no Google Drive. Pirataria é crime, agora eu descubro que você virou representante discente do COAA da farmácia. É isso que acontece com quem comete um crime vira membro do COAA, você deve ter puxado muito o saco de alguém da coordenação da farmácia para virar membro do COAA igual você puxou o saco da Lages. Eu sei tudo sobre você, eu achei o seu perfil no Instagram e no Linkedin:
https://www.instagram.com/paulorobertofalco/
https://br.linkedin.com/in/paulo-falco-856772268?trk=public_post-text
Mas você também amigo da Beatriz Ribeiro de Oliveira, que é incapaz de passar em qualquer disciplina sem colar na prova, a Beatriz Ribeiro de Oliveira fica falando na faculdade para todo mundo ouvir que escondeu a cola da professora, ela falou tão mal da Lages, rodou todos os professores de química orgânica e só consegui passar em orgânica 1 graças a Lages agora a Beatriz está falando bem da Lages, a Beatriz inclusive publicou esse artigo científico:
https://www.mdpi.com/2072-6643/17/17/2763
É isso o que acontece com quem cola na prova e fala mal dos outros, publica um artigo científico. A Beatriz Ribeiro de Oliveira representa tudo o que há de errado na faculdade, ela é a prova que vale a pena colar na prova, ela é a prova que a coordenação da farmácia da UFRJ fecha os olhos para quem cola na prova, ela fica se fazendo de santa, mas no fundo ela não presta. Eu sinto vergonha de ser obrigado a ser da mesma turma de um ser tão desprezível como a Beatriz Ribeiro de Oliveira.
Pode mandar o seu amigo o Guilherme de Sousa Barbosa que me ameaçou mesmo sem eu ter feito nada contra ele, me matar. Manda o Guilherme de Sousa Barbosa aparecer na boca de fumo que tem aqui perto de casa e mandar os traficantes me matar, aqui do lado da minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes construírem barricadas.
Eu não tenho nada a perder, a vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte. Eu não vou perder a minha bolsa de iniciação científica.
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