quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Cará Roxo


À esquerda, nesta banca de frutas e legumes, o cará roxo cortado tem a função de chamar a atenção para o tom. Por fora, não têm diferença do branco. Da outra vez em que estive no mercado Ver-o-Peso, em Belém, o vendedor só tinha uns dois exemplares e me vendeu todos. No sítio não consegui fazê-los vingar. Por isto, desta vez dei ainda mais valor a eles estou na torcida pela futura colheita.
Alimentos roxos sempre são mais nutritivos que as versões brancas. Vinho, uva, repolho, cebola, escarola, endivia, batata-doce e jabuticaba são ricos em antocianinas – um grupo de pigmentos fartos na natureza que conferem tons azuis, vermelhos, violetas e púrpuras, e que vão além da função estética. Agem como antioxidante importante (diminui a a quantidade de radicais livres que se formam a todo momento no nosso organismo e estão implicados a várias doenças que têm a ver com o desgaste celular).

A Embrapa Amazônia Ocidental tem estudado várias fontes de corantes vegetais como o açaí, o jenipapo e o cará-roxo. Se você fizer uma degustação às cegas, talvez não sinta muita diferença em relação ao cará branco, mas comendo aquela delícia colorida, tem-se a impressão de ele ser mais encorpado, como no vinho.

Sei que ultimamente tenho falado só de coisas estranhas, mas quem sabe um dia você se encontra cara a cara com um cará desta cor. Por isto, veja aí as sugestões.
- Em Belém, fiquei sabendo que ele pode ser preparado com peixe seco. Faça um refogado com cebola, tomate, sal, ele e água. Junte o peixe seco já demolhado e cozinhe mais um pouco.

- Imagino que fique ótimo para fazer suco: bata no liquidificador limão, água, açúcar, gelo e ele. Vi esta idéia no evento Revelando São Paulo, só que com cará branco. Testei em casa e ficou uma delícia, um suco denso, refrescante e nutritivo (inhame não é muito bom de se comer cru, por causa do ácido oxálico, mas cará pode).

- Cozido, pode ser feito como qualquer outro tubérculo. Este da foto cozinhei no vapor e passei no azeite com alho frito apenas. Polvilhei salsinha e comi com carne, arroz, taioba.


Veja também aqui no Come-se:
Sobre carás e inhames

Se tiver interesse em saber mais sobre as antocianinas, não deixe de ler o ótimo texto sobre elas no blog português De Rerum Mundi (que, aliás, acabei de conhecer e recomendo, feito por gente seríssima).

30 comentários:

laila disse...

que lindo!! adoro roxo, e os acho mais saborosos...as uvas o repolho é o campeão o roxo é mtoo mais gostoso q o branquelo..adorei conhecer!

Laurinha disse...

Não sabia que existia roxo....
Já pensou, um pãozinho de cara roxo?
Beijinhos,

Marcia disse...

Como é que não cheguei aqui antes???!!! Lindo blog!

Vitor Hugo disse...

Neide, você já em algum lugar do Brasil a batata roxa? Vi uma vez no blog da Pim.. e fiquei doido para fazer vichyssoise com ela, hahahah

Manuel Ribeiro disse...

Neide... elucida este portuga neste rabo da europa - O Kefir pode-se comer? É que o maior problema que tenho (ou que tinha) é que não sei que lhe fazer quando ele se multiplica muito. Por causa disso acabei por o deixar morrer...
Obrigado
Manuel Ribeiro

Fabrícia disse...

Poxa aprendi algo novo e sensacional hoje.....adorei.
Bjs.

Neide Rigo disse...

Laurinha,
deve ficar lindo não só o pão mas também bolinhos e inhoques.

Vitor, só da doce. Da comum, nunca vi, mas também já ouvi falar. Vamos atrás dela. Deve ser muito boa.

Manuel,
o Kefir pode ser comido, sim. O meu, quando cresce muito, tiro uns pedaços e congelo (para doar ou para minha própria segurança - é um jeito de nunca perder a colônia). Como sempre tem gente querendo, nunca tenho sobrando. Mas, se acontecer, vou bater com frutas no liquidificador ou jogar fora, sem dó (é biodegradável, claro).

Um abraço, N

Marizé disse...

A Natureza é sábia mesmo!

As cores apelativas deviam por si só chamar a nossa atenção.

Beijocas

Jane Malaquias disse...

Comi no litoral de alagoas, praia de Maragogi, o cará-umbú: pequenino, delicado, uma delícia !

Gourmandise disse...

Não posso tyrabalhar com cará, só de manipular, me dá alergia nas mãos. Com luva não consigo descascar, é meio escorregadio. Pelo menos posso comer!
bjo,
Nina.

Redneck disse...

Olá! Acabei de receber a indicação de seu blog de uma outra amiga blogueira. Gostei. Faço gastronomia e também sou dessa região aí, especificamente São Pedro do Turvo, para frente de Xavantes e Santa Cruz do Rio Pardo. Como você, também fiz jornalismo. Concluí o curso e atuo na área. Agora, quero ir também para a gastronomia. Vou te linkar porque adorei seus posts. Abraço.

Lili disse...

Neide,
Jurava pela foto que era beterraba!
No vapor demora muito?
bjs

lucia disse...

Oi Neide
Achei que este cará roxo se parece um pouco com a batata yacon, conhece? So que este é doce e o cará tem um amarguinho não?

Neide Rigo disse...

Lili,
o cará roxo cozinha rapidinho no vapor. Eu gosto de usar esta técnica porque dá pra controlar melhor o ponto. Na água, descuidou ele se derrete todo.

Lúcia, ele só se parece com o yacon na forma externa, pois é totalmente diferente. Tem polpa mais densa, cremosa quando cozida. E não tem amargor, não. (o cará do ar ou cará-moela é que tem um pouco). Já o yacon é mais crocante e aquoso.
Um abraço,
Neide

Anônimo disse...

Adoro seu Blog, me faz lembrar da minha infância, pensei que só eu sabia o que era milho Inguirim e ovo de indeiz...meu pai que era um homem muito culto (era autoditada) dizia que indeiz vinha do index, tal como na economia indexador, que traduzindo é sinal, indicador, que relaciona a algo, fixar, acho que é algo para a galinha ter uma referência...
outra coisa que adoro é cambuquira e ninguem conhece, e quando a gente encontra nesses emporios chiques custa mais caro que filé...
Minha avó fazia buré de milho, que delicia, usava uns milhos inguirim ou de veiz como diziam e um pouco do outro mais duro e fazia a sopa depois juntava a cambuquira refogada com acho, cebola e banha de porco, mistura tudo e comia quente, ai como ficava bom...

Darlene

Neide Rigo disse...

Darlene,
obrigada. Parece que a explicação para indez é esta mesma. Minha avó também fazia sopa de milho com cambuquira deliciosa. Deste mesmo jeito que está dizendo. Eu já dei uma vez uma versão dela aqui no Come-se. Um abraço,
Neide

piwibrim disse...

keep posting like this it’s really very good idea, you are awesome!

clomid

cyntia disse...

Olá, conheci o cará roxo numa viagem que fiz a Manaus, terra do meu marido, e fiquei apaixonada... sempre que vem algum parente dele aqui pra casa a encomenda é sempre a mesma... traga cará roxo. Vi que vc estava tentando plantar e gostaria de saber se conseguiu, acabei de comprar uma casa com uma grande quintal e gostaria de plantar, minha cunhada acabou de chegar e trouxe bastante pra mim, sabe se ele vingaria aqui em Minas? Moro em Ouro Preto, tenho muita terra pra plantar e agora com muito sol. Gostaria de saber se vc conseguiu e como faz pra plantar, fiz algumas buscas pela net mas não achei nada... Grande abraço, Cyntia

Neide Rigo disse...

Oi, Cyntia, que bom saber que tem bastante terra pra plantar. Infelizmente não tive sucesso no cultivo - e agora não tenho mais terra alguma. Acho que vai conseguir.
Um abraço, N

Anônimo disse...

Meninas vcs tem que virem a Caapiranga - Am perto de manaus - manacapuru, venha conhecer caapiranga, terra do cará existes ate um festival docará entre CArá branco e cará roxo.

Freesoul disse...

Eu sei que o comentário está desatualizado, mas resolvi postar, até mesmo pela dificuldade de se encontrar comentários, que pela minha percepção raro e difícil (RJ) de se ver Cara-roxo. É sobre seu cultivo, não se planta o tubérculo que se come, mas sim a semente que nasce na trepadeira na parte superior da planta. No meu quintal já ganhei a semente plantei e cultivei, mas já tinha visto pessoalmente o "pé" na residência do proprietário, junto com o Cara comum.

Unknown disse...

Acabei de cozinhar os que eu trouxe de Belém, aliás, da mesma barraca que vc comprou. Comprei com a intenção de fazer pão e plantar...fiquei triste agora que vi o comentário do moço, falando que ele só nasce por semente :(

Anônimo disse...

Olá Neide, comprei algumas "sementes" tb no Ver-o-Peso qdo lá estive para o Círio.
Plantei-os em nosso jardim em Fortaleza. As plantinhas depois de algum tempo, 2 meses, sem dar sinal logo ramearam nas primeiras chuvas em Fortaleza.
Infelizmente uma má vizinha arrancou-os antes q pudesse come-los.
Mas pra minha sorte um deles saiu ileso da malvada e esta crescendo lindamente em nosso jardim.
Gostaria de saber em qto tempo posso colhe-lo para consumi-lo ?
Pelos dois meses q passou enterrado sem dar sinal de vida concluo que seja uma planta de grande resistência
e rica em nutrientes devido ter passado tantos dias sem água.
Grato, Leopoldo Kaswiner

Fóton disse...

Plantei aquí no meu quintal e conseguí um bom resultado com o roxo e o branco. Até coloquei umas
imagens no facebook.
https://www.facebook.com/DimasSoares/media_set?set=a.809217455755173.1073741847.100000007782548&type=3&uploaded=9

sol Tamalyn disse...

kkkkkkkk sabe que encontramos um grande cara roxo em um sítio ontem, eu não connhecia também, fiz cozido na água e sal e coloquei na mesa , todos a primeira vista perguntar se era carne kkk ... por isso estou pesquisando suas propriedades ... parabéns pelo post bjs.

Antonia Paiva Teixeira disse...

O plantio é feito por meio de reprodução vegetativa de cortes dos tubérculos.
Faz-se leirôes ou covas em terra fofa.
Antonia Paiva Teixeira, autora do artigo: The use of purple yam (Dioscorea trifida) as a health promoting ingredient in bread making. 2013. Journal of Redearch in Biology 3(1): 747-758.
Dissertação de Mestrado: O cará-roxo (Dioscorea trifida) como ingrediente funcional na indústria de panificação. 2011.
Univerdidade Federal do Amazonas, Manaus, AM.
Para detalhes sobre o plantio de cará, consultar: Abramo, M.A. 1990. Taioba, cará e inhame. Icone Editora, São Paulo.


Anônimo disse...

Onde encontrar inhame roxo no estado do Espírito Santo?

Silvana Hirooka disse...

Aqui em Chapada dos Guimarães estamos tendo o Cara Roxo agora. Vou plantar.... Solo bem fofinho vou preparar e vou deixar um pezinho enraizar

Paulo J. Pinto disse...

Estou no Rio de Janeiro e não consigo encontrar o Inhame Roxo.
Alguém poderia me dar alguma dica, de onde encontrar essas mudas ou tubérculos?

Anônimo disse...

gente esse cará é uma delicia combina muito bem fazer tipo sopa com peito de frango, ou até mesmo cozido pra comer no café da manhã a minha família todas são apaixonados por essa raiz, e muito saudável aqui em Mato Grosso faz o bolo de arroz na folha de banana e vai o cará branco na receita é muito bom quem come não esquece lembro minha infância, aqui em Cuiabá é tradição
o bolo de arroz, mais sem o cará já o de minha família tem ele na receita.