quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Moqueca de peixe com leite de búfala


Com medo de colocar minha moqueca toda a perder, fiz um ensaio com uma parte dela nesta panelinha. O leite passou no teste.
Um dia chegou um hóspede para almoçar na Fazenda São Jerônimo, lá no Marajó. Queria moqueca, mas tinha alergia a leite de coco ou queria alguma coisa mais leve, não lembro. Dona Jerônima poderia simplesmente apresentar o prato só com temperos, sem leite de coco nem nada, mas veio a idéia na horinha. E se botasse leite de búfala? Ah, não deu outra. O homem gostou de lamber os beiços. E ainda saiu da mesa sem arrotar sabão de coco (maldade minha, só leites de cocos rançosos causam isto). Generosa, já andou dando a receita pra gente de Belém, que quis saber tim tim por tim tim. Mas o segredindo ela contou a mim porque uma vez inventei de colocar leite no peixe temperado e ele talhou todo. “Ah, tem que mexer devagar e sempre o leite enquanto ferve, sabia não? Deste jeito, quente e misturado, não talha de jeito nenhum”. Tão óbvio quanto o leite é branco. Ela me fez trazer duas garrafas de leite de búfala congelado para fazer aqui minha versão. Estava esperando um peixe bom para testar a receita. Neste fim de semana comprei uma tainha linda no Ceagesp. Fiz tudo direitinho, mas confesso que fiquei apreensiva na hora de juntar o leite ao molho ácido feito com pimentões, cebolas, tomates e limão, por isto testei à parte, numa panelinha com apenas parte da moqueca. E não é que o leite se comportou bem?

Para quem não gosta de leite de coco, vale a pena tentar. O de búfala tem um sabor marcante, mas discreto. E boa digestibilidade. Imagino que dê para se fazer com leite de qualquer animal (com os de castanhas e afins a gente já sabe que fica uma delícia). O jeito de preparar moqueca da dona Jerônima é diferente, especial, pois, antes de juntar o peixe à panela, ela grelha os pedaços na brasa. E o peixe, pescada amarela, robalo, filhote, vem praticamente do quintal. A gente vai lá, despesca o curral e volta pra fazer a moqueca. Então, podem imaginar o sabor. Mas aqui vai o meu jeito, a la baiana, com o peixe que me é permitido. Ou, se você quiser, faça como está acostumado e simplesmente substitua o leite de coco.


Moqueca de tainha com leite de búfala

Ingredientes
1,5 de tainha em postas
Sal
Pimenta dedo-de-moça picadinha a gosto
1 colher (sopa) de azeite de oliva ou óleo
1 pimentão verde em rodelas
1 pimentao vemelho em rodelas
2 cebolas em rodelas
2 tomates sem pele em rodelas
2 ramos de chicória-do-pará (coentro-da-índia ou coentro-de-pasto) ou coentro normal
Suco de meio limão Taiti
1 colher (sopa) de azeite de dendê
1,5 xícara de leite de búfala
Coentro ou salsa a gosto

Cerca de 1 hora antes de levar a moqueca ao forno, tempere o peixe com sal e pimenta e deixe pegar gosto. Lembre-se de salgar um pouco mais, pois este será todo o sal da moqueca. Leve ao fogo uma panela de barro e aqueça o azeite. Junte ¼ da cebola e refogue até que fiquem murchas. Cubra com metade da cebola, pimentões e tomates. Arrume por cima os pedaços de peixe e o coentro e cubra tudo com os legumes restantes. Quando a fervura chegar à superfície, junte o suco de limão e o azeite de dendê. Enquanto isso, ferva o leite de búfala, sem parar de mexer, e junte à moqueca. Sem mexer, deixe que o leite se incorpore ao molho. Junte o tempero verde picado por cima e sirva com arroz branco.

Rende: 4 a 6 porções

O site está meio desatualizado, mas dá para ter alguma idéia da fazendona paradisíaca dos Britos, aqui.

8 comentários:

João Pedro Diniz disse...

Ainda agora tomei o pequeno almoço ( o café da manhã) mas o cheiro da moqueca chegou aqui e eu fiquei a salivar.
Leite de búfala é coisa que não há em Portugal (acho eu) mas como nada tenho contra o côco fico pela moqueca tradicional. É sempre uma alegria ter coisas novas para ler.

Michel disse...

Muito interessante esta receita.

Ana disse...

Fazenda lindíssima, moqueca gostosíssima e a substituição do leite de coco, nota dez pra quem não gosta...o que não é meu caso. Além do leite de coco ainda adicionaria os ardores de uma boa pimentinha.

Adoraria fazer este passeio para Marajó.

Pena que os meios de transporte sejam tão precários. Morei no Norte do Brasil e sei bem o que isso significa. Ainda ontem vimos mais uma tragédia.

Um abraço da Ana.

Eduardo Luz disse...

Como eu sou otimista, vou esperar a muda crescer e utilizar na minha moqueca ! Dá pra transformar musssarela de búfala em leite ?

Lílian disse...

Que história ótima. Esta Dona Jerônima deve será uma peça rara de se conhecer.

carlinhos de lima disse...

Só você para ter acesso a esse leite...

Aline Neme disse...

Confeso que apesar de AMAR a Bahia e os baianos, acho a moqueca baiana muito pesada.

Prefiro a capixaba que é bem mais leve!

Bjundas

Carol disse...

Olá Neide!!! Me encantei com seu blog, li de cabo a rabo e até tomei uma chupa da minha chef. Sou estágiária num curso de gastronomia objetivo chef, na escola de cozinha wilma kovesi e estou lendo muito sobre o assunto. Amo cozinhar, criar na cozinha e me sonho e trabalhar com isso para o resto da vida!! Com certeza me tornarei leitora assídua de seu blog e preciso te contar que fiquei seca pra fazer uma comidinha no fogão de sua mãe. rsrs. Se precisar de uma assistente, é só chamar. Grande beijo!!