quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Comida de mãe ou galinha d´angola com polenta branca



Comida de mãe sempre conforta e nesta semana estou tirando a barriga da miséria com Dona Olga aqui em casa. Ontem teve assado de panela sequinho por fora e suculento por dentro que só ela sabe fazer, servido com pedaços de mandioca no lugar das tradicionais batatas. Amanhã, quem sabe, darei a receita. E hoje, tivemos angola (capote, cocá, angolinha, galinhola, conquém) que trouxemos do sítio, com carne firme e sabor sem igual. Combina muito com polenta e dona Olga ainda acrescenta o indispensável feijão – na minha casa era impensável comermos polenta sem feijão. E, embora pareça estranho, fica muito bom. Usamos o feijão roxinho quilombola, da comunidade de Teixeiras, Mostarda-RS, comprado na Feira de Agricultura Familiar que aconteceu junto ao Terra Madre, em Brasília (forma pouco caldo, mas é muito saboroso).

Segundo Dona Olga que é expert em criar e cozinhar galinhas, perus, galos e angolas, tomate não combina com estas aves de terreiro porque a acidez briga com a personalidade forte da carne. Então, para dar cor, tem que ser colorau, que não altera o paladar, mas estimula as vontades. E nada de dourar a cebola (alho pode) com a carne – uma atrapalha a outra e a cebola ainda se desfaz até o final do cozimento.O certo é adiciona-la só quando a carne já está cozida, para conservar o sabor e a forma. O mesmo vale para o pimentão, que é opcional. E o cheiro-verde, só no final, claro, para perfumar. Cheia de manhas esta minha mãe.


A carne é mais firme e mais escura que a da galinha. Não se deixe impressionar pela pele enegrecida. É normal.
Galinha d´angola com polenta branca
Ingredientes
4 colheres (sopa) de óleo
4 dentes de alho socado
1 colher (sopa) rasa de sal
1 angola de mais ou menos 1,5 kg limpa e cortada em pedaços
1 colher (sopa) rasa de colorau (urucum em pó)
1 colher (chá) de pimenta vermelha seca ou 2 pimentas dedo-de-moça, sem sementes, picadas
½ pimentão vermelho pequeno picado em tirinhas
1 cebola picada em rodelas
1 xícara (chá) de cheiro-verde picado
Modo de preparo
Numa panela de ferro aqueça o óleo e doure o alho. Junte os pedaços de angola (reserve o fígado) e o sal e refogue até dourar, mexendo de vez em quando, com cuidado. Junte o colorau e mexa. Coloque água quente, aos poucos, à medida que for secando, até a carne ficar macia (40 minutos ou mais, dependendo da idade da ave). Acrescente o fígado reservado, a pimenta, o pimentão e a cebola. Cozinhe por 10 minutos, juntando mais água se for preciso, para formar um molho. Desligue o fogo e acrescente o cheiro-verde.

Rende: 6 porções
Sirva com polenta branca, que todo mundo deve saber fazer (dissolva 2 xícaras de fubá branco - ou amarelo, se preferir - em 10 xícaras de água morna e leve ao fogo, mexendo, até engrossar; abaixe o fogo e deixe cozinhar, sem mexer, por 1 hora. Tempere com manteiga e sal a gosto).

Este é o pratinho da Dona Olga: tem que ter feijão e um verdinho (aqui, catalonha no azeite e alho)

7 comentários:

ines correa disse...

filha de peixe peixinho é né. e a gente entra aqui e baba. uau neide, vc só se supera sempre, que bom. adorava sua comida e agora adoro também a da sua mãe. que água na boca, vou tentar fazer. saudades. beijos

Sill disse...

O QUE É QUE É ISSO, DOMA OLGA???? Vou ter que ir visitá-la em Fartura antes do que eu imaginava e trocar o estágio na cozinha da Neide pela sua! rs... Um bj grd!!! Sill

Ivana Arruda Leite disse...

Estou com um balde de saliva na boca. Isso é prato de mãe! Te espero hoje no lançamento. Leve a sua mãe. A minha também vai. Um beijo

Maria Luiza Pedrosa disse...

Neide, é impressão minha ou vc desenhou uma galinha em cima da polenta? Tombe a cabeça um pouquinho pra esquerda e olhe a foto! Além de tudo, vc faz arte com a comida? rsrsrs
gde bjo!

Valentina disse...

Ah,, a sabedoria da dona Olga...me fascina este aprendizado de mae para filho.quisera minha mae poder vir me visitar mais vezes.

Cláudia disse...

Ai, que delícia. Nunca provei galinha d'angola mas sei que vou gostar. Adoro galinha caipira mesmo, daquelas durinhas de tanto andar (já postei com polenta) e adorei saber as dicas de D. Olga.

bjs para a duas.

Elires Rosa disse...

Oi Neide que maravilhoso! Que lembrança maravilhosa da minha infancia. Amo seu blog!