segunda-feira, 7 de abril de 2014

Banco de sementes comunitário em Canudos - BA

A partir da Uauá, na Bahia, fiz algumas visitas com a Jussara, da Coopercuc.  Num desses passeios, fomos até Canudos, conhecer a propriedade do Seu Afonso, no Sítio do Tomaz, uma comunidade de agricultores familiares. Apesar da terra tórrida, aquela gente não desanima e nutre paixão pela caatinga.  

Seu Afonso Almeida da Silva, de 60 anos, associado da cooperativa, vive ali cheio de sonhos que faz acontecer e tira da terra o sustento da família. Com o filho e a mulher tocam uma produção de mandacaru sem espinhos - ótima fonte de alimento para a criação de cabras -, desenvolvido pela Embrapa. Se o bicho come mandacaru e outras plantas não precisa ir cutucar a caatinga. 

Além de servir de alimento animal, se bem que o fruto seja comestível  também, o mandacaru que ele planta é vendido para a L´Occitane para fazer produtos, mas a quantidade tanto do que vende quando do que recebe em dinheiro é tão pouca, mas tão pouca, que é como uma gota no oceano. A quantidade vendida é mais ou menos a mesma coisa que trouxe de presente para plantar aqui. E pensar que seu Afonso sequer viu a cara dos produtos feitos com seu mandacaru. Pode não ter lá muito mandacaru da caatinga nos cremes e colônias da empresa francesa, mas pelo menos as embalagens são ricamente ilustradas por artistas brasileiros e tenho certeza que Seu Afonso ficaria feliz de receber da empresa um kit familiar - que sairia mais caro que a encomenda. 

Além de mandacaru, hortaliças e maracujá da caatinga, há por ali também muito umbu e por isto a mini fábrica da Coopercuc para processar as frutas da comunidade. Com apoio do Slow Food. 

O que tem de destaque na fazenda do seu Afonso é um banco de sementes comunitário que começou com incentivo do IRPA - Instituto Regional da Pequena Agropecuária, mas que ele agora toca sozinho. Ele cedeu o terreno, o instituto construiu uma instalação simples, os vizinhos ajudaram com cimento, areia e trabalho. O resultado é um quartinho coberto cheio de garrafas pet com sementes, coisa mais simples do mundo, mas que faz uma tremenda diferença naquela comunidade que não depende de sementes compradas, tratadas, com patentes. É semente que se multiplica, que gera vida, segurança e soberania alimentar. 

Como funciona? É simples. Quando começou há uns cinco anos, Seu Afonso contava apenas com uma pequena quantidade de grãos doados pelo instituto: sorgo, feijão andu, milho etc.  Ele foi plantando outras e aumentando aquelas, até que tivesse suficiente para doar aos vizinhos. A pessoa leva 200 g, por exemplo, e devolve um litro - são os juros que garantem a manutenção de um banco. Se leva 200 e devolve a mesma quantidade o banco não cresce e fica impossibilitado de atender a mais gente. À medida que devolve com juros, a pessoa pode levar mais.  Claro, se o agricultor leva um tanto e não devolve, aí também é uma vez só, como acontece quando emprestamos livros. Não devolveu? não empresta mais. Felizmente, num banco de sementes comunitário, isto raramente acontece. É um bem comum que ninguém quer perder. Acontece, por exemplo, de a temporada da chuva adiantar - e na caatinga, quando chega a chuva, todo mundo corre pra plantar, porque sabe que a trovoada é passageira. Aí o sujeito tem que recorrer ao banco de sementes, pegar os grãos e plantar no mesmo dia. É um conforto para a comunidade.  Segundo Seu Afonso, que hoje dispõe de bombonas cheias de milho crioulo, feijão de arranca (todo a planta é arrancada na hora de colher), feijão andu, forrageiras etc., tem gente que fica tão agradecida que em vez de devolver um vaso de feijão como pago pela pequena quantia,  devolve logo um saco cheio. Perguntei se ele tem anotações, como num banco, ele disse que não. O controle é na palavra. E sementes de fora ele só aceita se for adaptada à caatinga e se for orgânica, como tudo ali é. Se uma semente deu certo ali, melhor não se atrapalhar com outra, ele diz. Mas doar, doa sempre a quem quiser plantar.  

Então, fica aí a história do Seu Afonso como incentivo para quem acha que tudo nesta vida é tão difícil, tão complicado. Banco de sementes pode ser simples assim. 

Umas fotos de lá: 

A mini fábrica
Apoio do Slow Food
Seu Afonso e toda a sua fortuna
Aqui, moradia de sementes. E da sanfona, que a gente não quer só comer
Junto com a família
Os bichos comem mandacaru 

Pode passar a mão que não tem espinho. Plantar mandacaru protege a
caatinga da voracidade das cabras

Não deu foco, mas juro que é um sapo cururu 
Dona Joana, Jonas e Jussara segurando maracujá da caatinga







4 comentários:

Anônimo disse...

Neide em Alagoinha divisa de MG com Bahia tem um senhor que também guardas as sementes eu digo sementeiros, vem gente de todo lugar até do estrangeiros, tb fornece de graça.não Monsanto.Não podemos mesmo reclamar, a vida é dura e eles continua sorrindo.(Diulza)

Anônimo disse...

Neide, é aqui que aprendo que Canudos continua sua história... gente guerreira, com amor a terra, construindo em grupo. Bonito de se ver, saber e aprender.
Ana

Maria Teresa Valente disse...

Oi Neide, estou amando conhecer os trabalhos comunitários que você divulga. Essas pessoas são vencedoras, apesar das dificuldades, ainda sorriem e valorizam o trabalho que fazem. Parabéns, que seja sempre muito abençoada, abraços carinhosos
Maria Teresa

JACKSON BARROS BOMFIN disse...

Quando eu estava fazendo orgânica 1 com a Lages, eu estava carregando a turma nas costas deixando de viver a minha vida para ajudar a turma, eu ainda tinha que aguentar você (Jakson Barros Bonfim) dando carona de carro para todo mundo menos para mim, você nem ao menos perguntou se eu queria carona de carro para casa. Eu não me esqueci quando a 3 anos atrás, você se aproveitou que eu estava doente para se juntar com a Gabriela Santana Andrade para ficar me humilhando por causa da iniciação científica. A Gabriela ainda ficou compartilhando um áudio de eu tossindo e falando que estava doente Gabriela. Eu estava doente naquele dia, o que você fez comigo não se faz nem com um bicho. Agora eu descubro que você já começou a escrever o seu TCC e o seu orientador de TCC é o Luis Phillipe Nagem Lopes, que é o também é orientador da Jessica Mel da Silva Farias. Eu já mandei um e-mail para o Luis denunciando o que você e a Jessica fizeram comigo, denunciando que vocês colaram em assistência farmacêutica, graças à cola que a Maria Miceli (namorada do Fabrico Pereira dos Santos Maia) deu para você e pedindo para o Luis que ele parasse de ser orientador de vocês, se você não acredita em mim, é só você perguntar ao Luis, se ele não recebeu nenhum e-mail de denúncia.

Você pagou outra pessoa para fazer a prova final de orgânica 1 com a Lages, depois eu descobri que você faz IC com bolsa e ainda abriu uma loja de material de construção chamada BONFS Home Center com o dinheiro da sua bolsa. Eu passei as férias de começo de ano pensando no IC da Ana Luiza Vidal Pimentel Santos, enquanto você ficou enchendo o bolso de dinheiro com o dinheiro da bolsa de IC, que você conseguiu graças à cola.

Eu estava vendo a sua regularização da crid e você está aparecendo como concluinte. Quer dizer fez o que fez comigo e vai se formar como farmacêutico como se não tivesse feito nada de errado?

Eu sei tudo sobre você, eu achei o seu perfil no Linkedin e no Instagram:



https://br.linkedin.com/in/jaksonb



https://www.instagram.com/jboonfim/



Mas você também amigo da Beatriz Ribeiro de Oliveira, que é incapaz de passar em qualquer disciplina sem colar na prova, a Beatriz Ribeiro de Oliveira fica falando na faculdade para todo mundo ouvir que escondeu a cola da professora, ela falou tão mal da Lages, rodou todos os professores de química orgânica e só consegui passar em orgânica 1 graças a Lages agora a Beatriz está falando bem da Lages, a Beatriz inclusive publicou esse artigo científico:



https://www.mdpi.com/2072-6643/17/17/2763



É isso o que acontece com quem cola na prova e fala mal dos outros, publica um artigo científico. A Beatriz Ribeiro de Oliveira representa tudo o que há de errado na faculdade, ela é a prova que vale a pena colar na prova, ela é a prova que a coordenação da farmácia da UFRJ fecha os olhos para quem cola na prova, ela fica se fazendo de santa, mas no fundo ela não presta. Eu sinto vergonha de ser obrigado a ser da mesma turma de um ser tão desprezível como a Beatriz Ribeiro de Oliveira.



Pode mandar o seu amigo o Guilherme de Sousa Barbosa que me ameaçou mesmo sem eu ter feito nada contra ele, me matar. Manda o Guilherme de Sousa Barbosa aparecer na boca de fumo que tem aqui perto de casa e mandar os traficantes me matar, aqui do lado da minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes construírem barricadas.



Eu não tenho nada a perder, a vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte. Eu não vou perder a minha bolsa de iniciação científica.