
Hoje, um presente: os matos amanheceram orvalhados e eu não resisti a estas folhas novinhas e tenras da Emilia sonchifolia, vulgo pincel-de-estudante ou serralhinha. Já falei dela aqui no Come-se.


Ontem, na oficina de nixtamalização e tortilhas na casa da Lourdes, ganhei do amigo Fernando umas espigas de milho roxo que colheu do seu quintal. Também já falei deste milho aqui (receita de pão,vermelho com especiarias, pipocas peruanas).
Na semana passada recebi fubá de canjica da leitora Kris (já falei dele aqui inúmeras vezes - é só digitar aí em cima na caixa de busca "fubá de canjica" - ainda assim alguém há de não ler isto, me perguntar e tudo bem).Do ano passado ainda tinha congelados uns pedaços de paleta assada, a mesma desta receita.
E assim foi só misturar tudo isto para chegar a um almoço bastante confortante.
Cortei uma espiga de milho fresco, incluindo não só os grãos, que são brancos por dentro, mas também o sabugo, roxo por inteiro.
Cobri os grãos com água e deixei cozinhar por cerca de meia hora. Pinguei gotas de limão para a água ficar mais avermelhada.
Bati os grãos com a água no liquidificador. Coei, juntei mais água, bati de novo, coei. Completei a água até que chegasse em 5 xícaras. Diluí neste líquido 1 xícara de fubá de canjica e levei ao fogo, mexendo sempre. Quando engrossou, abaixei o fogo, tampei e deixei cozinhar por meia hora. No começo fica muito denso, mas o tempo de cocção mais a adição de suco de limão (que serve também para realçar o tom vermelho - acidez+antocianina resulta numa cor mais viva) deixam a massa mais fluida. No final, se quiser, junte mais suco de limão, 1 colherada de manteiga e sal a gosto. Sirva quente. 

O fubá de canjica forma um angu muito liso, como um mingau - veja nestas fotos, servido com pato caipira e grão de bico. Se não tiver fubá de canjica, faça polenta com fubá comum ou sêmola, do mesmo jeito.