Não precisa me dizer, eu sei que hoje é dia de casamento real e que a Páscoa já era. O bom de ter um blogue é que a gente pode tratar de assuntos quentes e também frios e requentados. E ninguém pode reclamar: tô pagano! Como disse ontem o Chico, filho da amiga Veronika, "mamãe, porque a gente não come rena na Páscoa e coelhinho no Natal?".
O fato é que o único símbolo de Páscoa a que estive exposta nesta última comemoração foram estes ovos recheados com amendoim, típicos do Rio Grande do Sul. Porque na sexta-feira fizemos piquenique com salame, foi no sábado que comemos peixe assado e no domingo almoçamos na Lancheria, comida de bufê com arroz e feijão. Não comi um só grama de chocolate e não fez falta. Acho que agora eu comeria. Na casa do Rui e da Mariângela ninguém liga a televisão, ninguém vai a Shoppings e ninguém liga pra ovo de chocolate. A Laurinha ganhou um ovo pequeno e nem abriu. Eu gosto de chocolate, mas nem tanto e não precisa ser em formato de ovo. Acho um desperdício de material e fantasias. Mas gosto da simbologia do ovo, que pode ser o de galinha.
Na feira de artesanato encontramos os tais ovinhos cheios de amendoins cricris ou vazios para se completar em casa com receitas caseiras. Os gaúchos ficaram espantados em saber que eu não conhecia. Coisa dos imigrantes alemães. A tradição pedia ovos cozidos mas como por aqui o amendoim era farto e a proteína nem tanto, nos tempos das colônias rurais talvez fosse mais vantajoso comer os ovos e guardar as cascas, assim as crianças poderiam ganhar vários ovos coloridos e decorados, que podiam ser preparados com antecedência sem o risco de estragar. Com a vantagem ainda de que as cascas poderiam ser compradas vazias e já decoradas, prontas para serem recheadas com o amendoim que se fazia em casa.

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| Os de cima são da feira de artesanato. Abaixo, os branquinhos, fiz com a receita da mãe do Rui. São mais crocantes e delicados que os que comprei - estes ao lado, com pele |
Segui a receita à risca e não teve erro. Você pode deixar para encher os ovos na próxima Páscoa, mas o amendoim crocante é distração gostosa para qualquer hora. A única interferência minha foi medir a temperatura da calda com termômetro, já que a indicação era apenas uma calda bem espessa.
Amendoim cricri para encher ovos ou passar o tempo. Receita da dona Ilsa, mãe do Rui Gassen
2 xícaras de amendoim cru
1 xícara de açúcar
1/2 xícara de água
Torre o amendoim no forno até a casca trincar. Esfregue com as mãos e passe por peneira grossa, de preferência ao vento, para se livrar das películas. Coloque o amendoim numa bacia de louça ou inox. À parte, faça a calda. Leve o açúcar com a água ao fogo e deixe formar uma calda espessa, ou até que pingando um pouco em água fria, consiga modelar com os dedos uma bala dura. Se tiver termômetro, de 125 a 127 graus. Despeje sobre o amendoim na bacia e mexa com colher de pau rapidamente até esbranquiçar e os grãos se soltarem. Está pronto.




